Chances

2 Capítulo II


Anne, antiga amiga de Lucia, foi ao centro da cidade em busca de tecido para costurar um vestido de gala para ir ao casamento da amiga. Chegando ao centro, encontrou Odélio que estava à procura de gasolina em um posto próximo a loja de tecidos. Este estava tão desnorteado que saíra pisando fundo no acelerador do automóvel rumo a um campo de relvas. Anne ficou desconfiada e procurou Lucia o mais rápido no momento.

— Olá, senhora Madalena. O que me traz até aqui é a vontade desesperadora de declarar as felicitações a sua filha um pouco mais cedo. – Anne era péssima em mentiras, mas sra. Madalena não percebia nem um animal prostrado a sua frente.

— Quanto tempo, amada. Lucia mudou para o último quarto à esquerda.

— Está bem – Anne sorri e se vira com educação, sobe as escadas e ouve do corredor a sra. Madalena gritar.

— Chame-a para descer em meia hora. Ela se casará queira ou não.

Anne estremece ao ouvir isso. Não sabia que a amiga estava insatisfeita com o casório ou mesmo que casaria contra sua própria vontade. Se bem que Peixoto era um homem bem sucedido, com muito dinheiro, qualquer moça gostaria de se casar com ele. Apesar de que Lucia também era muito rica, seu dote provavelmente é um dos maiores naquela sociedade. Sua família estava há anos em primeiro lugar, no topo das famílias mais ricas daquele estado. Então nem podemos dizer qual dos dois sairia lucrando neste casório.

Mas de qualquer forma, a solteirona Anne, entra de estrépito no quarto de Lucia, porém a mesma se encontrava imóvel.

— Lucy? Lucy? – Anne se desespera ao ver a amiga imóvel e com seu vestido de noiva no corpo, provavelmente colocado contra a sua vontade. No mesmo momento Anne busca o pulso da amiga e coloca seu ouvido em seu peito para ouvir seu coração. Ela estava fraca, entre o fim e a continuação da vida.

Lucia tosse e abre os olhos com dificuldade, ao reconhecer a amiga, agarra seus pulsos e abraça Anne com brutalidade, deixando-a sem respirar por alguns minutos.

— Anne, – Lucy desaba a chorar. – eu deveria estar morta. A morte é a única que pode me ajudar agora.

— Lucia pare com isso. Olhe como tu estás linda! Casará daqui a poucas horas e pensa em uma maldade dessas?

— Será que você não entende? Não me casarei com Odélio, será com Peixoto contra a minha própria vontade, mas antes que isso se torne o meu maior pesadelo, Odélio já estará morto. Ele pretende se suicidar, Anne. – Lucy deixa lágrimas mais pesadas escorrerem pelo seu rosto delicado e jovem.

— Calma, Lucia – Anne passa os delicados dedos pelos cabelos ondulados de Lucy. – Por que você se aflige desta forma? Peixoto é um homem muito respeitado nessa cidade, você sabe que ele nunca te deixará passando fome e que dará tudo a uma mulher nobre como você, serás tão rica que nem sentirá falta de sua casa, em minha opinião até viverás melhor com tanto dinheiro que você terá.

— Anne, pelo amor de Deus, você sabe que não me importo com isso. Dinheiro, luxo, essa burguesia, instrumentos materiais são as coisas mais inúteis na vida. Eu quero me casar por amor, um amor que me faça ferver de tão feliz, um amor que me complete, tire suspiros de mim enquanto estou neste mundo, que me faça sorrir com as coisas mais bobas... – Lucy deixa intensas lágrimas escaparem pelos seus olhos cor de mel. – Odélio me concederá isso, eu sei, Anne. Posso sentir isso, sinto que ele me completa há muito tempo, antes mesmo de eu cogitar o meu nascimento.

— Eu percebo como essa sociedade nos corrompe pelo desejo do lucro, quantas coisas boas que perdemos por conta do desejo de ter mais dinheiro, riquezas e vantagens... Eu compreendo a sua decisão de querer Odélio, acho que eu faria o mesmo. – Anne diz.

— Agora você entende, minha fiel amiga? Odélio nunca se casaria comigo dessa forma. Esse casamento arranjado é uma desonra que estão me fazendo passar. Odélio é perfeito, não há preços que eu posso dar para tê-lo comigo, ele me aceita por ser quem eu sou e não por conta de dotes. E agora... Ele morrerá. – Lucia volta a soluçar.

— Você nunca foi boa para achar novas alternativas. Sempre precisou de mim. – Anne passa os polegares pelas bochechas rosadas da amiga, secando as lágrimas e consolando-a. – Ainda há tempo de você mudar a situação, tenho algo em mente.

Lucia suspira fundo e agarra seus cabelos puxando-os, por fim, solta um grito de pavor. Estava desesperada.

— Compareceremos a esse casamento e você seguirá tudo que eu mandar. Confia em mim. – Lucy segura firme as mãos da amiga se recompõe e respira fundo, apenas esperando o final do seu destino.