Chances

3 Capítulo III


Com o cabelo ao vento e as mãos trêmulas, Lucia desce do carro, admirando a pequena capela. Anne sorri e ajeita o longo vestido da amiga.

— Quando ouvir as badaladas do sino não pense duas vezes e vá para o sul, ele estará na relva. – Lucy assente.

Em menos de cinco minutos o sino ressoa e Lucia corre pelo bosque, sentindo as folhas das árvores esbarrarem contra seu rosto, seus cabelos pretos e longos brilham em meio ao bosque pouco iluminado. Lucy ouve passos apressados iguais ao dela atrás de si, portanto acelera o passo ao ouvir o rugir de um velho automóvel. Sem virar para trás em momento algum ouve a voz rude de seu pai e Peixoto gritando para ela parar. Lucia desce um pequeno morro e se encontra na relva baixa coberta pelo orvalho, então vê Odélio dentro do carro fechando os olhos e perdendo a consciência aos poucos.

— Pare! – Lucia grita de longe e continua a correr de encontro ao carro. Odélio acorda do transe e sorri ao ver a amada correndo cintilante pela relva baixa. – Por favor, pare – Lucy bate no vidro e implora para Odélio abrir, ele estava tentando se asfixiar.

— Por você meu coração para, Lucia.

Lucia retira a mangueira do carro e com rapidez se vira para entrar no automóvel, e diz: – Vamos para o sul. Vamos embora, para sempre.

Ambos se aconchegam em um beijo, mas sem ter tempo de processar ouvem um longo barulho de tiros. Lucia segura as mãos de Odélio, enquanto sente um ardor no peito. A última coisa que sente é o arfar de Odélio em seu pescoço, ele também havia sido atingido. Lucia vira seu rosto para olhar diretamente para seu amor e ali eles se encontravam juntos indo embora para sempre. Lucy sente sua respiração arfar e sua visão se tingir de preto, até que seu pai, incrédulo com que fizera, cai sobre a relva.