Chances
38 Sou quem desejo ser.
Notas iniciais
SAM’S P.O.V.
– Tem outra pessoa com quem você gostaria de estar, não é?
Eu olhei para ela. Não parecia em nada com a Lisa de alguns minutos atrás, sexy, dominadora... Ela estava sentada de frente para mim no enorme sofá de couro. Pernas cruzadas, com os braços as envolvendo, enquanto um sorriso leve e simpático estava presente em seus lábios. Ela estava ainda mais bonita, se é que era possível. Lisa não parecia estar brava, frustrada, desapontada ou qualquer outro sinônimo de forma alguma. Parecia até meio aliviada para ser honesto.
– É, mais ou menos isso – Eu respondi virando de frente para ela também.
– Ela sente o mesmo por você?
Ela... Não, não acho que ele sinta o mesmo por mim. E eu nem sei o que sinto.
– Sente o que? – Eu me fiz de desentendido.
– Qual é, Sam. Está muito na cara que você gosta dessa menina – Ela sorriu mais abertamente.
– Como assim?
– Desde que te perguntei se tinha outra pessoa com quem você gostaria de estar, esse sorriso idiota não saiu do seu rosto.
Ela estava certa. Agora eu percebi que estava sorrindo sem perceber.
Eu estava tão ferrado.
– Não, eu não acho que ela sinta o mesmo. Talvez até goste de mim, mas... Você sabe, né?
– Com certeza sei – Rimos fracamente.
– Mas, e você? Está tudo bem?
– Tudo ótimo – Ela respondeu sinceramente – Olhe, não me leve a mal, você é super gato e tudo, mas...
– Mas o que?
– É uma longa história. Deixa para lá.
Ela desviou o olhar e começou a brincar com as pontas dos cabelos. Parecia estar tentando evitar me olhar nos olhos. Lisa parecia apenas uma garota inocente, com algo em sua mente que estava a incomodando.
– Pode não parecer... – Eu falei baixinho e ela olhou em meus olhos – Mas pode confiar em mim. O que houve? Está tudo bem?
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DEAN’S P.O.V.
Depois da vergonha que eu passei, tomei um táxi para casa.
Esse lance com o Clark foi uma boa distração por uns 10 minutos, mas eu não conseguiria esquecer, nem ignorar, tudo o que aconteceu hoje. Não eram nem seis da tarde e Sam tinha “terminado” comigo, arranjado outra garota, que conseguiu me irritar e provocar a Jo, exibindo Sam como se fosse dela, paguei um gorila enorme na farmácia e descobri que o cara mais simpático do mundo vai para a mesma escola que eu e ainda por cima temos aula juntos.
Eu não sabia em qual desses fatos eu deveria me focar, enquanto o taxista me levava para casa. Mas como o meu cérebro parece gostar de me ver sofrer, é claro que a imagem daquela morena ridícula se atracando no Sam não saiu de minha mente.
Finalmente cheguei em casa. Paguei o senhor do táxi e toquei a campainha. Pude ver que o carro já estava na garagem e que Jo se esqueceu de fechá-la. Andei até lá e abaixei o portão, voltando para a porta, que se abriu quase imediatamente.
– Oi, Dean – Ela sorriu levemente, mas pude ver em seus olhos que estava preocupada – Você está bem?
– Agora estou sim. Eu só precisava de um ar, eu fiquei enjoado por um momento.
– Vem, entra. Vamos comer alguma coisa.
Estávamos na minha cozinha, a qual Jo conhecia melhor do que ninguém, e o silêncio dominava o ambiente, enquanto a loira esquentava a comida que minha mãe havia deixado na geladeira. Estava tarde e ainda não tínhamos almoçado, e só agora percebi que estava realmente com fome.
Ela me olhava de vez em quando. Não tenho certeza de qual expressão dominava meu rosto... Eu queria saber no que ela está pensando. Nunca ficamos tão quietos quando estamos juntos, mas eu sentia que era melhor eu não falar nada. Ou talvez eu só não estivesse com muita vontade de falar.
Jo eventualmente iria me perguntar o porquê de eu estar tão quieto. E eu não podia dizer que era por causa de Sam. Eu não conseguia inventar nada, porque estou cansado de mentiras, mas também não sinto que é a hora certa para falar toda a verdade.
Quando dei por mim, um prato de lasanha estava na minha frente, assim como Jo com outro prato de comida. Ela se sentou à mesa, olhando em meus olhos e começou a comer. Ela não parecia brava, só preocupada.
– Vai me contar quem é? – Ela perguntou, me tirando de meus devaneios.
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SAM’S P.O.V.
Lisa olhou nos meus olhos por longos segundos, tentando decidir se eu falava a verdade ou não. Mas logo sorriu e se aproximou de mim no sofá.
– Tem esse filme que eu gosto muito – Ela começou – E tem uma frase que basicamente descreve o que eu estou vivendo agora.
– E qual é? – Estranho como eu realmente estava interessado.
– Vivo num mundo cheio de gente que finge ser o que não é, mas quando estou com você...
– Sou quem desejo ser – Eu completei a frase e ela sorriu para mim.
É uma ótima frase, na verdade. Consigo entender o significado dela.
– Isso mesmo. Então... Eu não era popular. Eu fazia sim parte da equipe de torcida, mas eu era base de pirâmide, não tinha muitas amigas. Ainda não tenho, só essas vadias que agem como tal — Ela parou de falar por um momento e sorriu de lado – Só tenho a Mary.
– Vocês parecem bem próximas.
– E somos. Ela é tudo para mim. Enfim, o ponto em que quero chegar é basicamente que as pessoas têm uma idéia de quem você é. Geralmente uma idéia errada. E aquilo ao mesmo tempo em que te fere, te ajuda também. Olha para mim agora, sou capitã das líderes de torcida, a garota mais popular da escola e tenho a fama de ser a mais vadia de todas – Ela riu como se visse alguma ironia naquilo tudo – E sabe qual o meu segredo, Sam?
– Qual?
– Eu ainda sou virgem – Ela sussurrou.
Ok, isso me surpreendeu bastante.
– E você está bem com isso?
– Nem um pouco. Digo, com a minha “inocência” – Ela fez aspas com os dedos – Claro, estou bem. Mas com a minha falta de senso de identidade, nem um pouco. É que, mesmo que você saiba da verdade sobre quem você é, você incorpora o papel que te dão. É como um rótulo que você pode tirar, mas tem medo de fazer isso, porque pode perder tudo o que tem agora.
– Lisa...
– Não precisa falar nada, Sam. Está tudo bem, já estou acostumada, é que... Eu precisava desabafar. Obrigada por me ouvir.
– Eu sei exatamente o que você está passando, Lisa. Eu sei como é se transformar em algo que os outros pensam que você é, mas se você aceitar um conselho... Não deixe ninguém dizer quem você é – Ela me olhou nos olhos e sorriu levemente – Você é linda, engraçada, e pelo que eu percebi sobre você, é muito inteligente também. Não deixe ninguém fazer você pensar que é menos do que é. Porque você é maravilhosa.
Lisa deixou uma lágrima escapar e eu a sequei com um dedo.
– A ultima vez que eu ouvi essas palavras, foi quando eu percebi que o que eu tinha de mais importante nunca seria meu.
– Você o ama?
– Mais que tudo. Ele era o único que se lembrava de quem eu costumava ser, se tornou meu melhor amigo, mas eu não queria voltar a ser aquela garota. Ignorada por todos. E eu fiz a maior besteira da minha vida. O mandei embora. Claro que foi a melhor coisa a se fazer... Eu não mereço um garoto daquele.
– Você merece mais do que pensa. Não importa como os outros te vêem, você sabe quem você é, mesmo que esqueça às vezes.
– Você realmente sabe como eu me sinto, não é? – Ela parecia mais confortável ao meu lado.
– Eu não sou um cretino. E eu me esqueci disso. Perdi alguém importante, e não sei se vou consegui-la de volta.
– Boa sorte.
– Vou precisar – Afirmei e nós dois rimos — Mas você está bem?
– Estou sim.
– A vida continua? – Eu perguntei, me sentando direito no sofá.
– O que quer dizer?
– Vai deixar as coisas como elas estão, ou vai fazer alguma coisa?
– Eu te faço a mesma pergunta – Lisa sorriu.
Ficamos em silêncio por um momento.
Era muito drama. Eu não gosto de drama. Toda essa confusão, essas dúvidas, os desentendimentos, a pressão que colocamos sobre nós mesmos para sermos algo que não somos. Sei que soa como uma crise existencial, mas eu já estou cansado de tudo isso.
Eu vou fazer o que eu tiver que fazer.
– Eu vou atrás dela – Eu disse decidido.
– Isso é bom.
– E você?
– Não – Ela pensou por um tempo – Ele está melhor sem mim.
– Você disse que ele sabia quem você era de verdade. Ele gosta de você. E, além do mais, o “não” dele você já tem. Se for o que você realmente quer, tem que lutar pelo sim agora.
– Mas... Eu vou perder tudo.
– Achei que ele fosse tudo.
Essas palavras me atingiram da mesma forma em que pareceram afetá-la também. Lisa não me responde, ficou em silêncio encarando o chão. Se ajeitou ao meu lado no grande sofá de couro e encostou a cabeça em meu ombro.
– Vamos assistir ao filme? – Eu sugeri, quando percebi que ela não queria falar sobre aquilo.
– Você não vai gostar de Pitch Perfect.
– Nunca vou saber se eu não assistir, certo?
– Vou colocar do começo então – Ela sorriu levemente e pegou o controle.
– Ok.
Lisa era uma boa garota, e éramos mais parecidos do que pensei que fossemos. Mas eu realmente não consigo pensar nela agora. Eu precisaria pensar nas coisas que eu tenho que dizer ao Dean.
Eu realmente vou atrás dele.
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DEAN’S P.O.V.
– Vai me contar quem é ou não? – Ela perguntou de novo, ainda esperando por ma resposta.
– Quem é o que?
– Por quem você está apaixonado.
– Eu? Apaixonado? – Eu ri, tentando disfarçar meu nervosismo – Pronto, ficou louca de vez.
– Vai, Dean. Eu consigo ver na sua cara. Você está muito apaixonado.
Na minha cara? Ai céus... Não. Eu não estou apaixonado, não por Sam Winchester. Eu não posso me apaixonar por Sam. Ninguém pode se apaixonar por ele. Porque não dá certo, ele não é cara para namorar.
– Não, eu não estou. E por quem seria? – Me mantive na defensiva.
– Você que tem que me dizer. Eu não sei da sua vida.
– Sabe muito mais do que qualquer um.
– Tudo bem. Então não me fala.
Ela voltou a comer a lasanha e parecia brava comigo. Mas eu também a conhecia muito bem, o suficiente para saber que aquela era apenas uma tática para ela conseguir a informação que queria. E eu também sabia que ela não falaria comigo até eu dizer alguma coisa, então eu resolvi dizer a primeira coisa que veio à minha mente.
– Tá, chega dessa cara de desaprovação — Eu disse, observando sua reação, a qual eu sabia que seria um enorme sorriso.
– Vai me contar? – Ela sorriu e tive que sorrir de volta.
– Tem esse cara...
– Ai, eu sabia! – Seu sorriso aumentou e eu me senti mal mesmo antes de dizer alguma coisa – Ele é bonito? Onde você o conheceu? Qual o nome dele? Eu conheço?
– Calma – Eu ri do jeito exagerado dela – E não estou apaixonado. O nome dele é Clark. Ele trabalha em uma farmácia na praia, e também temos aulas de história juntos desde o primeiro ano.
– Ele é gay também?
– Graças aos céus. E é bonito. Muito bonito.
– Awn, e vocês conversam muito? – Ela realmente parecia interessada.
– Na verdade eu o conheci hoje. Lembra que eu passei mal?
– Aí você foi para a farmácia... Entendi. E por que estar com essa cara de apaixonado?
– Ainda não sei de onde tirou isso – Eu realmente estava confuso.
– Está calado, cabisbaixo... Ficou encarando o vazio enquanto eu estava fazendo a comida. Você estava mais animado de manhã, mesmo que ao estivesse completamente normal – Jo falou baixinho.
– Bem, eu ainda estou um pouco enjoado.
– Não sei, Dean. Eu conheço bem a cara de um coração partido, acredite, eu já a vi varias vezes num espelho. Mas... Ah, deixa para lá. Vamos terminar de comer. Eu preciso encontrar com a Anna mais tarde. Se você quiser ir... Pode chamar o tal do Clark – Ela mudou de assunto e eu fiquei feliz por isso.
Coração partido, hein? Talvez seja o caso. Um caso mais light, mas que ainda dói. Não foi nem 12 horas atrás. E eu sei que não estou apaixonado. Mas amanhã eu vou me sentir melhor. Vou superar o que tiver que superar, e, com sorte, tirá-lo da minha cabeça.
– Não quero sair. Mas obrigado por chamar – Eu disse e dei nossa conversa por encerrado.
Acho que ela me conhece melhor do que eu pensava...
Continua...
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