Chances
39 A coisa certa.
Notas iniciais
Como dito, Jo foi embora dentro de uma hora para sair com suas amigas, deixando Dean sozinho naquela casa enorme. Não por muito tempo, pois seus pais logo chegaram. O loiro resolveu se trancar em seu quarto e tentar se distrair com alguma coisa.
Resolveu terminar de ler aquele livro sobre a Segunda Guerra Mundial. Colocou os fones de ouvido e começou a procurar pelo livro. Ele não estava na estante, onde costumava ficar, portanto Dean começou a procurar em outros lugares do quarto. Estava quase desistindo quando pensou em procurar em baixo da cama. E lá estava ele... Logo ao lado de um caderno de desenho?!
### FLASHBACK ON ###
DEAN’S P.O.V.
Suas mãos passeavam por meu corpo, me puxando para mais perto. Sempre mais perto. Nossas respirações se misturavam enquanto o beijo se aprofundava cada vez mais. Ele dominava o beijo, explorando cada centímetro da minha boca com sua língua habilidosa, sorrindo entre os beijos, me derretendo aos poucos.
No momento em que ele começou a tirar a minha camiseta, a porta do quarto se abriu. Eu não sei como fizemos isso tão rápido, mas em dois segundos, eu estava sentado no chão com um caderno em mãos, enquanto o Sam estava deitado na cama fazendo algo em seu caderno de desenho.
Era meu pai, ele chegou mais cedo em casa e, vamos admitir, ele não é a pessoa mais delicada do mundo, claro que não iria bater na porta antes de entrar.
– Boa tarde, garotos – Ele disse com a voz grave de sempre.
– Oi, pai – Tentei controlar meus batimentos, mas falhei é claro.
– Boa tarde, senhor Warner.
Ele nos encarou por alguns segundos e saiu do quarto, fechando a porta atrás de si. Começamos a rir instantaneamente. Sam sorriu para mim e jogou o caderno em baixo da cama.
– Volta pra cama.
– Ele pode voltar aqui – Eu disse ainda rindo.
– Não vai. Vem aqui comigo. Eu não estava nem perto de terminar antes de ser tão rudemente interrompido.
– Você é um idiota.
Sorri e voltei para a cama com Sam...
### FLASHBACK OFF ###
Pensou em ligar para Sam e dizer que o encontrou, mas ele se lembrou de que não estavam mais juntos. Levaria para ele na escola na segunda-feira.
Sua curiosidade superou seu senso de privacidade e abriu o caderno. O primeiro desenho era um de seu quarto, perfeitamente desenhado, considerando o tempo que ele levou para fazer. O coração de Dean se apertou ao se lembrar daquele dia.
Encarou a folha de papel por mais alguns segundos, observando os elementos que compunhas aquela obra. As dobras do edredom, as luzes, as sombras, sua assinatura exagerada e profissional no canto inferior do desenho... Tudo feito a lápis, mas era bom demais para não reconhecer que o garoto tinha talento. Ele era muito bom.
O próximo desenho era da escola. Dean reconheceu por ser a vista da sala de química, que fica de frente para o pátio onde as líderes de torcida treinam de vez em quando. Ele pôde ver que o Winchester tentou encher o desenho com o máximo de detalhes possíveis, menos nos rostos dos jovens que passavam pelos corredores, dava para ver o movimento das saias das garotas que foram ali representadas e... Dean? Somente agora o loiro percebeu que também estava no desenho. Nenhum dos outros rostos estavam muito definidos, mas o daquele garoto que estava sentado num dos bancos lendo algum livro escolar era definitivamente o de Dean.
Warner resolveu ignorar esse fato e virou a folha.
Dessa vez era um desenho de alguém escrevendo algo em uma folha de papel. Era Dean na aula de inglês. Na página seguinte, um desenho quase detalhado demais do rosto alvo do loiro. Sam capturou seus lábios grossos, seus cílios compridos escondidos sob os óculos, algumas das sardas que enfeitavam seu rosto... Dean ficou com vergonha e espantado com o talento do moreno, ainda tentando ignorar o fato de que todos esses desenhos se focavam nele.
Só havia mais três desenhos, dois deles incompletos. Um era da praia que foram mais cedo, ele também era muito bom em desenhar paisagens pelo visto. Outro era de Dean dormindo de bruços na cama. O loiro sorriu sentindo um peso sobre seu peito e uma vontade de chorar.
E o último desenho era um tanto impressionante. Sam havia desenhado uma mulher, aparentemente de cabelos claros e ondulados que caiam sobre seus ombros, um sorriso estonteante e usando o que parecia ser uma camiseta regata branca. Não era nova, mas tinha uma aparência jovem e, assim como o desenho de Dean, era rico em detalhes. Ficou observando aquele retrato, imaginando quem era aquela bela mulher. Teria que perguntar ao Sam depois.
Fechou o caderno e sentou-se direito na cama. Ele nunca se permitiu chorar verdadeiramente por Sam, mas não conseguia mais segurar. Permitiu que as lágrimas escapassem de seus olhos, enquanto se lembrava dos momentos com o moreno. Foram as duas melhores semanas de sua vida. Ele não poderia negar que sentia falta do Winchester.
Sentia falta de como seu cabelo era adoravelmente bagunçado quando acordava, de seus olhos verde-azulados, de como seu rosto adquiria uma expressão séria e adulta enquanto estava concentrado, lendo ou desenhando... E Dean queria, mais do que qualquer coisa, que Sam batesse em sua porta pedindo para aceitá-lo de volta. Ou que pelo menos o loiro tivesse a coragem necessária para lutar por ele. Dizer que queria ficar ao lado dele, por um bom tempo. Para sempre, se ele quisesse também.
Mas isso nunca aconteceria. Dean não era corajoso e Sam voltou a ser o que era. Não havia mais esperança para os dois.
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O filme acabou e Sam e Lisa ficaram conversando por um bom tempo. Viram Adam e Mary descendo as escadas e sorriram para eles.
– Se divertiram? – A morena perguntou ao casal.
– Com certeza – Adam sorriu para eles também.
– Olha, Lisa. Eu tenho que ir embora, tenho que cuidar de alguns assuntos. Mas pense no que eu te falei, ok? – O Winchester disse, levantando-se do sofá.
– Eu vou fazer o que estiver ao meu alcance, Sammy – Lisa respondeu com um sorriso e o abraçou.
Sam a apertou em seus braços e sorriu, antes de sussurrar em seu ouvido.
– Você é maravilhosa.
– Espero que ele ainda pense assim sobre mim – Ela sussurrou também.
– Se não pensar, ele é louco. Boa sorte.
Eles separaram o abraço e Sam se despediu de Mary e Adam rapidamente antes de sair da enorme casa. Pegou o seu carro e dirigiu sem um rumo certo. Sabia o que queria fazer, mas essa também era a única coisa que não podia. Queria ir até a casa de Dean, tomá-lo em seus braços e não o soltar nunca mais. Mas depois desse dia tão constrangedor, ele achou melhor esperar até segunda-feira na escola, quando Dean estaria mais calmo e ele teria pensado mais sobre o que fazer.
Quando se deu por si, percebeu onde estava. Olhou para a grande e simples casa, observando a movimentação de uma janela específica. Ele conseguia ver Dean andando de um lado para o outro no quarto, provavelmente arrumando suas coisas. Sorriu inconscientemente e decidiu que iria tentar fazer a coisa certa.
Ele era uma pessoa melhor quando estava com Dean. Ou, pelo menos, queria e tentava ser. Ele estava completamente certo quando disse que o Sam em que ele havia se transformado não era ele de verdade, mas percebeu agora que era quem ele gostaria de ser.
Ligou o carro novamente e dirigiu, indo em direção à sua casa. Estacionou o carro e entrou, cumprimentando sua mãe com um beijo na bochecha e procurando algo para comer na geladeira.
– Se divertiu na praia? – Mary perguntou, com um sorriso leve.
– Como sabe que eu fui para a praia?
– Areia na barra da sua calça. Sujou toda a minha cozinha, impossível de não notar – Ela brincou e se aproximou de seu filho – O que houve, querido?
– Como assim, mãe?
– Por que parece que você vai chorar a qualquer momento?
Sam não respondeu, somente encarou o belo rosto de sua mãe, antes de se virar e olhar no espelho que havia na copa. Seus olhos pareciam diferentes e não havia um sorriso em seu rosto, mesmo que ele se esforçasse.
– Não aconteceu nada – O moreno mentiu – Eu só estou cansado.
– É algo com a Jo?
– Não, mãe – Sam riu, lembrando-se de sua mentira – Estou bem, sério.
– Então vai tomar um banho, descansa um pouco e desce para jantar, ok?
– Tudo bem.
O Winchester subiu para o seu quarto, agradecendo a deus e quem quisesse ouvir por seu pai não ter vindo para casa ainda. Ele estaria furioso por ele ter pego o carro pelo dia todo. Resolveu ouvir o conselho de sua mãe e tomou uma ducha. A água quente contra a sua pele, o relaxou bastante.
Depois de estar devidamente vestido se jogou em sua cama, colocando seus fones de ouvido e puxando sua mochila para mais perto. Ele procurou duas vezes na mochila, em suas gavetas, na estante e em baixo da cama, mas não achou seu caderno de desenho.
Droga... Ele esqueceu no Dean. O loiro, ao ver o que estava lá, acharia que ele é algum psicopata que é obsessivo por só fazer desenhos dele. Pelo menos eles são bons.
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Sábado e domingo passaram voando. Sam estava mais ansioso do que deveria estar a cada segundo que se passava. Ele só tinha uma chance de se redimir e tudo o que ele sabia é que ir atrás de Dean era a coisa certa a fazer.
Não viu o loiro na escola, somente quando chegou à sua aula de inglês. Dean estava sentado na cadeira e não levantou o olhar nem uma vez. O moreno abriu a boca varias vezes para cumprimentar o Warner, mas nenhum som saiu e ele se sentiu como uma garotinha de 15 anos que vai falar com a sua paixão pela primeira vez.
Se sentiu tão estúpido que simplesmente desistiu de tentar dizer alguma coisa e resolveu se sentar. O loiro ao seu lado não se movia, o que o deixou um pouco preocupado. Mas se Dean não queria nem olhar para ele, quem dirá falar com ele. O Winchester deitou sua cabeça em sua mochila em cima da mesa e respirou fundo, olhando para Dean.
O silencio era ridiculamente constrangedor. Dean não parecia estar olhando para nada, apenas encarava o vazio, dessa vez tentando não pensar em nada. Sam o observava, tomando coragem para lhe falar alguma coisa, mas ainda não conseguia.
O professor entrou na sala de aula, sorrindo levemente para os alunos.
– Eu geralmente deixaria vocês conversando, mas hoje eu preciso de silêncio, ok? Vou passar uma revisão para a prova e, eu sei que vai demorar um pouco ainda, mas vimos muita coisa ao longo do ano e me sinto meio mal se eu não relembrar vocês do que aprendemos.
– Sabe, eu não fiquei com a Lisa. Se isso ajuda em alguma coisa... – Sam disse sem pensar, sussurrando para o loiro.
– Cala a boca, Sam – Dean sussurrou também.
– Tipo, nós fomos para a praia e depois fui para a casa dela. Adam e Mary subiram para um dos quartos e eu... Bem, eu não consegui.
– Sam, por favor. Só cala a boca – O loiro disse nervoso e se esqueceu de manter o tom de voz baixo para que ninguém mais o ouvisse.
– O que eu disse sobre silêncio, rapazes?
– Desculpe, professor – O Winchester disse, abaixando um pouco a cabeça.
– Podemos falar lá fora, então? – Dean estava visivelmente irritado e, como sempre foi um bom aluno, Pellegrino resolveu deixá-los sair da sala.
Os dois se levantaram e foram até o corredor. Dean puxou o moreno pelo braço até chegarem a um canto onde ele sabia que ninguém os ouviria.
– Podemos falar agora? – Sam perguntou esperançoso.
– Não. Eu falo, você escuta.
O moreno se surpreendeu com a rispidez do Warner. Parece que as coisas não iam nada bem.
– Por que você diria as coisas que disse para mim, Sam? Pra me foder? Eu era só mais um projeto de ciências para você? Porque, olha, se você precisava ajuda para descobrir se você era gay ou não... Poderia ter pedido para mim.
– Não, Dean...
– Eu não acabei – O loiro o interrompeu – Eu sempre te vi como “o cretino”. E eu não estou bravo, talvez um pouco desapontado, mas você não tinha motivo nenhum para tentar provar que eu estava errado. Pensei que você era um idiota, um estúpido – Dean parou por um segundo, olhando para Sam com olhos tristes – Eu sabia disso, você sabia disso. Qualquer um que olhasse para mim conseguiria ver como eu me sentia em relação a você. Como eu ainda me sinto – O moreno apenas o olhava, sem saber o que dizer – E eu estava conformado com tudo isso, mas você não podia simplesmente deixar pra lá, podia?
Ficaram em silêncio por alguns segundos. Dean sentiu uma enorme vontade de chorar, mas não o faria, pelo menos não na frente do Winchester.
– Não. Você tinha que me mostrar que podia mudar. Tinha que me enganar nessa ilusão de que você poderia ser um cara decente, legal e normal.
– Deixa eu explicar...
– Você não me deve uma explicação, porque não estávamos juntos. Mas se você pudesse me dizer por que fingir ser algo que ambos sabemos que você não é, eu me sentiria um pouco melhor — Dean parou de falar, esperando por uma resposta do moreno, mas ele não disse nada – Qual a sua desculpa? Não, melhor... Qual o seu propósito em tudo isso? O que você quer?
– Você – Sam disse num tom quase inaudível.
– O que?
– Sempre. Eu quero você.
Dessa vez o silêncio durou mais. Dean tentava fazer as coisas que rondavam sua mente ter algum sentido, enquanto o Winchester apenas o encarava com um sorriso leve no rosto, observando sua confusão.
– Então por que terminaria comigo? Por que duas horas depois você já estava com uma vadia qualquer?
– Porque eu não percebi o quanto que eu tinha até eu perder, Dean! – O moreno sorriu – Eu disse que aquele tipo de cara não era eu, mas a verdade é que quando eu estou com você... É o único momento em que eu sei que não preciso fingir. Eu não sou quem você pensava que eu era, e você sabe disso.
– Droga, Sammy. O que vamos fazer agora?
Continua...
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