Chance para Amar
6 Capítulo 6
Notas iniciais
O bom é que aproveitei e escrevi pacas dessa fic e tenho outra em mente, com o Máscara da Morte!!
Aproveitem!!
-Não sei o que fazer, Kamus.
O aquariano ouvia pacientemente as lamúrias e confissões que o amigo fazia. Observava Milo deitado em seu sofá, com a cabeça jogada para trás, enquanto ele, O DONO DA CASA, ficou sentado na poltrona.
-Acho que sei o que você deveria fazer, Milo.
-O que?
-Chame-a para sair, mas como um encontro de verdade.
-Ta louco?! Ela não é do tipo que aceitaria isso!
-Leve-a para um lugar que ela goste! Daqui a uma semana vai ter uma apresentação de orquestra ao ar livre, no parque da cidade. Leve-a lá.
-Bom, ela gostou daquele parque, e gosta de musica clássica...
-Então esta feito, Milo. Pode dar-me licença para acabar minha leitura? – disse um irritado ruivo, tentando bisbilhotar as páginas de um livro que repousava em seu colo. Teria terminado já, se o loiro não tivesse invadido sua casa como um furacão grego.
-Como pode pensar em leitura quando eu tenho um problema terrível para resolver?!
Kamus olhou para ele, franzindo o cenho. Nada o deixava mais nervoso que ser perturbado diversas vezes pelo mesmo caso. Certo que Milo era seu melhor amigo, desde infância eram assim, feito gato e cachorro, mas se davam bem. O francês era um dos poucos que tinha paciência para tratar do escorpião.
-Escute, reflita bem sobre o que acabou de me dizer. Acho que ontem você teve a maior prova de que esta gostando de Amelié mais do que gostaria! Pense Milo, você rejeitou uma mulher! Diga-me quando aconteceu algo assim!
-Nunca! – sobressaltou-se do sofá.
-Exatamente. E fez isso pensando naquela garota. O quê acha que pode ser?
O loiro respirou fundo, sentando-se e pondo o rosto entre as mãos.
-Vou pensar, Kamus. Vou pensar...
E dizendo isso, se levantou e saiu da casa de Aquário.
Sábado;
Milo achou melhor levar Amelié no shopping por ser o único lugar que ele conhecia com uma livraria. Devia ter perguntado a Kamus onde ele costumava comprar seus livros, mas esqueceu.
Estava a esperando no lugar combinado – o parque no centro da cidade – sentado de maneira largado no banco de madeira, tentando por em ordem seus pensamentos.
“Bem, talvez se eu começasse a prestar mais atenção nela... Mas o que eu to falando?! Ela nem faz meu tipo! Gosto de mulheres gostosas, ela é tão mirradinha! E menor de idade!”
Estava assim, avoado, nem percebeu que alguém se aproximava pelas suas costas.
-Adivinha quem é?! – disse, tampando os olhos do escorpião, que com o susto levantou-se num pulo de gato e encarou Amelié com os olhos arregalados.
-Como você ousa chegar por trás de um homem?! Não sabe que é um ataque covarde?!
-Ah Milo! É brincadeira! – respondeu rindo, enquanto já dava a volta no banco e se sentava a lado do grego. – E ai, descobriu onde tem uma livraria por aqui?
-Só conheço as do shopping. – sorria sem jeito. – É lá que vamos.
-Nossa, que ruim!
O grego arregalou os olhos: -Sério?
-Não. Querido, isso é sarcasmo.
Ele riu, mesmo sentindo o rosto esquentar de raiva.
- Então, vamos!
Não muitos minutos depois, os dois já caminhavam dentro do shopping, o grego com o semblante longe, vago, os pensamentos na pessoa ao seu lado. Depois da conversa que tivera com Kamus, já não sabia como agir ou o que falar com Amelié. Parecia que qualquer coisa que dissesse iria entregar o que sentia. Mas afinal, o que sentia por ela?!?!
-Está quieto hoje.
Milo olhou para a brasileira, sorrindo amarelo.
-Desculpe, estava apenas pensando...
-No que?
-Ora, pensamento exclusivo de Milo de Escorpião, ok?!
-Deve ser algo muito importante, se estou incomodando, pode falar que voltamos outro dia. – ela respondeu, sorrindo com gentileza.
Por um instante, ele se perdeu naquele sorriso, chegando a perder o fôlego. “Eu poderia ficar olhando esse sorriso o resto da vida...” balançou de leve a cabeça, voltando a ela com o mesmo sorriso esperto de sempre.
-Pensando se tem algum filme interessante passando no cinema! – respondeu, meio involuntariamente, na primeira coisa que viu ao seu redor.
-É só irmos ver!
A garota disparou do seu lado em direção ao cinema, deixando pra trás um cavaleiro inconformado, mas que logo correu ao seu encontro. Os dois pararam apenas na frente dos cartazes com os horários para o final de semana.
-Daqui a meia-hora tem esse. – Ela apontava. – É comédia, parece legal!
-Hum... – ele resmungou. – Mas e o seu livro?
-Eu tenho dinheiro suficiente pra entrada do cinema e pra um livro, dependendo do valor. – sorriu, pegando o loiro pela manga da camisa e o arrastando para a bilheteria. Cada um comprou sua entrada, deram apenas uma volta no saguão e já estavam de volta ao cinema, afinal, já estava quase na hora do filme. Milo comprou pipoca e refrigerantes grandes.
Dentro da sala, escolheram os lugares no meio e já atacavam a pipoca. Como não estavam tão cheio quanto pensavam, Amelié decidiu puxar algum assunto.
-Milo, você nunca me contou o que faz da vida. No que trabalha? Estuda?
-Ahhh... – ele parou um momento pra pensar, não queria mentir, mas também não podia dizer abertamente que era um Santo de Athena. – Eu sou uma espécie de guarda-costas.
-Sério?!
-Sim! Não trabalho todo dia, porque tem outros no mesmo ramo, mas dá pra viver.
-Hm... — ela ria, divertida com a brecha que o grego havia aberto para uma gozação. – Dá pra viver, né?
O grego parou para encará-la, incrédulo de que tinha caído numa piada que ele fazia a anos com os companheiros! Encheu a mão de pipoca e jogou na brasileira, que revidou no mesmo tanto, de maneira que quando o filme começasse tivesse mais pipoca nos dois do que no balde.
Saíram rindo do cinema, aplaudindo o filme junto com todos que estavam na sala. Se dirigiram para a livraria, alguns andares acima de onde estavam. Amelié se entreteve rapidamente com aquelas prateleiras cheias de livros, enquanto Milo apenas a observava, perdido novamente em pensamentos.
“Eu admito que gosto dela, acabei de me divertir muito com uma coisa que eu só fazia com meus companheiros. Todas as mulheres que levei ao cinema foi pensando na recompensa mais tarde, com ela isso ne sequer passou pela minha cabeça...”
-Posso ajudar, senhor? – foi desperto pela voz feminina e sensual da atendente.
-Não, obrigado. Estou só de acompanhante!
-Oh, sim, sua namorada veio comprar um livro? – ela tinha o cabelo amarrado em duas tranças loiras que lhe caiam pelos ombros, os olhos negros e usava o uniforme amarelo da loja.
- Ela não é minha namorada!
-Irmã?
-Não...
-Então não tem problema se eu pedir pra me esperar no meu horário de saída daqui a vinte minutos, tem?
-... – Milo soltou um suspiro, olhando para a mulher ao seu lado da cabeça aos pés. Devia ser mais velha que ele, não era feia, tinha seu brilho, mas... “Quer saber? Mesmo que eu queira algo com Amelié, ela já disse que eu não faço seu tipo, e nem somos mais que amigos, então não tem porque não aceitar.”
-Tem problema nós nos encontrarmos em outra ocasião? Hoje eu tenho trabalho a fazer, mas... – o escorpião passou um braço por trás da cintura da moça e a trouxe para mais perto, sussurrando sensualmente em seu ouvido. – Amanhã estou livre, mas só amanhã. Pode me encontrar às duas no centro?
-C.... claro.... – ela respondia, quase sem fôlego.
O loiro sorria vitorioso, soltando a mulher para que voltasse ao seu trabalho. Viu, escorpião? Não precisava ficar se martirizando com uma menina, se podia ter todas mulheres que quisesse, na hora que quisesse.
Amelié já voltava ao seu encontro com um livro em mãos, sorrindo satisfeita com o que havia escolhido.
-Este parece ser legal! É o que vou levar!
Milo sorriu, pensando que aquilo era só algo passageiro, que ela era só uma novidade em sua vida, talvez daqui uns dias nem mantivessem mais contato. Talvez um dia transassem, mas fosse só isso: fogo de palha.
-O que vai fazer amanhã? Tem trabalho?
Ela perguntou isso quando já estavam saindo do prédio, na calçada do mesmo. O sol já se punha no horizonte, mostrando que já estava realmente tarde, tendo em vista que os dias gregos eram prolongados.
-Na verdade, eu vou. – Milo sentiu o peito pesar em dizer aquilo, mas não ia esconder dela. Tinha tomado uma decisão: sua relação com Amelié ia permanecer apenas na amizade, e como amigos, ele tinha o direito de contar essas coisa, não? Ela devia saber que ele era um galinha de marca maior, se quisesse manter a amizade com ele. – Tenho um encontro!
-Oh, que legal! – ela disse, um tom meio animado, tentando com vitória esconder a pontada de desapontamento que batia em seu peito. – Não esqueça da camisinha!
-Não vou! – ele deu um tapa em sua cabeça, e os dois riram. No fundo, o grego sentia-se mal, não pelo que fazia, mas por ver que tudo que tinha passado e sofrido fora sozinho.
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