A mulher era realmente um estouro sem aquele uniforme ridículo da livraria. Havia acendido o escorpião com pouco, o que mostrava quanto tempo ele estava sem sexo! Ela era sensual, os lábios carnudos, os seios vantajosos, e tinha um belo jogo de cintura! Em plena tarde de verão, estavam em seu apartamento, se agarrando pelos cantos.

Não demorava para que estivessem na cama. Milo avançava como um verdadeiro predador, tendo a presa já em suas mãos. Ele era do tipo de brincava com a comida, gostava de ouvir os gemidos pelas mordidas, mordiscadas, lambidas e muito mais.

No final da tarde, estavam deitados de conchinha, ele abraçando-a por trás. Sentiu o cheiro de seu cabelo, percorreu a mão pelo seu corpo, abraçou-a forte contra o peito. Os olhos fechados tinham a imagem de outra pessoa naquele lugar. Mal tinha acabado de transar e já pensava na garota! Como seria o cheiro de seu cabelo, se a pele dela seria macia, se seu hálito provocaria arrepios em sua pele. Como seria abraça-la daquele jeito? Como seria olhá-la sedutor e caçador como estava a pouco? Como seria... tê-la só pra ele, daquela forma?

- Está animado novamente? – ele ouviu a moça dizer, percebendo que estava se excitando com aqueles pensamentos.

- Isso é culpa sua, que tal dar um jeito nisso? – sorriu sacana, dando uma mordida no ombro da loira.

-Ok, tigrão, deixe-me apenas recuperar o fôlego e tomar um copo d’agua. – ela se levantou, pegando o roupão ao lado da cama e vestindo. – Quer alguma coisa?

-Água também. – respondeu, colocando as mãos atrás da cabeça e ficando deitado na cama, da forma mais sensual que pode, o que não era difícil para si.

Mandou uma piscadela para a mulher que saia do quarto, fechando a porta. Ficou olhando para o teto, suspirando. Não se conformava, havia acabado de transar com uma mulher e já estava pensando em Amelié?!

A noite, não quis ficar parado em casa. Nem havia saído com o celular para não correr a tentação e olhar o numero dela, com vontade de ligar e ouvir a voz. Mas que raios, Milo de Escorpião, se contentava em apenas ouvir sua voz?! Está parecendo uma mulherzinha apaixonada, suspirando pelos cantos!

Se encontrou com os outros cavaleiros no bar de sempre e resolveu se juntar a eles. Tanto faz, se ficaria com alguma mulher ou se apenas encheria a cara e jogaria cartas, o importante era se manter ocupado.

Resolveu abrir a noite bebendo. A porcentagem de álcool foi aumentando conforme os pensamentos indevidos iam voltando. Logo estava rindo, mal se contendo em pé, fazendo as mesmas piadas de sempre e abraçando os companheiros, enfim, se portando como o velho escorpião que ninguém via a muitos dias. Mas mesmo aquele velho amigo tinha algo estranho. Nunca tinham visto Milo ficar daquele jeito, parecia mais uma felicidade forçada. Ele bebia até certo ponto, nunca passava com hoje.

Aiolia achou melhor chamar Kamus, que era o melhor amigo do grego e sabia como trata-lo muito bem, inclusive era o que mais o aturava em momentos como aquele.

O francês entrou no bar já desagradado com o motivo de ter saído de seu templo. Não que ele não frequentasse aquele lugar, mas ele ia quando sentia vontade de confraternizar com os companheiros, quando queria descontrair ou quando era motivo para comemoração, não ia ali para se embebedar daquela forma ou pegar qualquer mulher que caísse aos seus pés.

Milo mal conseguia andar, o aquariano teve que passar um dos braços do loiro por cima de seus ombros e praticamente arrastá-lo para casa, levando consigo uma garrava de vódka.

-Milo, que vexame! O que há com você?! – esbravejava já longe do bar, só não havia feito isso logo que viu o estado em que o loiro se encontrava porque não queria chamar a atenção toda para si.

-Ah, Kamyu! Meu amigo, companheiro, meu irmão! Sabe, sou muito agradecido por você, viu!

-Eu sei que é, Milo, mas continue andando, vamos, estamos indo para casa...

-Você é um bom amigo, Kamyu! Sempre me tirando dessas roubadas! Isso que é amigo de verdade! Sabe cara, eu te amo! – o loiro e curvou para cima do ruivo, a fim de beijar-lhe o rosto.

-Milo, eu juro que se me beijar mesmo na testa, eu vou te levar até o templo do Grande Mestre e te empurrar escadaria abaixo!!

-Poxa, Kamus! Não fica assim, frio comigo! HAHA, entendeu?! Você, cavaleiro de aquário, ficar frio, HAHAHAH!

O ruivo cogitou mesmo a possibilidade de largar o amigo no meio da escadaria entre a sétima e a oitava casa zodiacal, Milo não parava de falar um minuto se quer.

-Kamyu, você é um amigo maravilhoso! Cara, eu te amo! Porque você não me deixa falar isso?

-Tá bom, Milo, tá bom, pode continuar falando... – bufava o francês.

- Você não me ama! Apesar de tudo que faz por mim, você não gosta nem um pouco de mim! É igual à ela! Sai comigo, me faz rir, mas não me ama nem um pouco!

Kamus começava a ficar intrigado com aquela conversa, decidiu dar trela ao amigo. Sabia de quem ele estava falando, mas precisava fazer com que ele botasse tudo pra fora.

-Quem é ela, Milo?

-Você sabe de quem eu ‘to falando! Amelié! O que eu sinto por ela, Kamus, o que?! Acho que eu to amando ela, cara, eu to amando uma mulher! Mas ela não me ama! Kamyu, ela é a única mulher que não fosse amazona que não foi pra cama comigo!

-Milo, acalme-se... vamos, estamos quase chegando na sua casa.

Mais alguns – difíceis — degraus acima e já estavam no templo de Escorpião. Kamus praticamente já estava arrastando o loiro pelo saguão, a garrafa que Milo havia pego havia ficado no meio do caminho. O ruivo foi levando Milo para o banheiro, uma ducha fria era o que ele mais precisava no momento.

-Kamus... você viu? Por mais que eu bebesse para esquecê-la, nada funciona... Transei hoje, sabia?

-Sério? – perguntou o francês, desinteressado naquele assunto, mas sabia que tinha que faze-lo continuar falando.

-É. Puta gostosa, cara! Se quiser, eu te apresento amanhã! Acho que tenho o telefone dela aqui ainda! Se quiser, também te dou camisinha! Puta, cara, como ela é boa na cama! Quem vê aquela mulher no trabalho não sabe do que é capaz no quarto!

-Ta, Milo, tá! Agora cala a boca e senta! – colocava o escorpião sentado no chão do banheiro, pois mal se aguentava em pé.

-E não foi só uma vez! Aquela mulher é fogo! – dizia um Milo agitado e sorridente demais, sentado no chão. – Só que depois da segunda vez, eu pensei como seria transar com ela... Ela até que tem um corpo legal, sabe...

Kamus cortou a fala do amigo com a ducha fria que ligou repentinamente.

-AAHHHH, QUE GELO!!!

-Isso é pra aprender!

Logo o loiro estava completamente ensopado, resmungando, mas mais consciente que antes.

-Kamus.... obrigado.

-Você faria o mesmo por mim. – disse o francês, desligando o chuveiro e ajudando Milo a se levantar, levando-o para o quarto.

Mesmo ensopado, ele se jogou na cama e se enrolou com o cobertor que tinha ali posto. Não fez questão de ser enxugado ou vestido.

-Durma bem, Milo, e boa sorte com a enxaqueca amanhã.

-Veado...

Milo realmente não demorou muito para dormir, mas fez isso com água nos olhos.