Chance para Amar
3 Capítulo 3
Notas iniciais
-Amelié.
-É um nome bonito. – sorriu o aquariano.
O escorpiano tentava fingir que prestava atenção em outra coisa, aproveitando-se dos óculos escuros, quando na verdade estava de olho na garota à sua frente. Kamus tinha razão, tinha um belo nome.
- É... acho... que vou pegar um sorvete! – disse já se levantando.
-Não senhor!! – Kamus o segurou – Fique aqui e faça companhia para a moça! Deixe que eu pego sorvete!
Logo, os dois ficaram sozinhos, se encarando com os olhos faiscando.
-Porque tenho a impressão de que não foi coincidência nos encontrarmos aqui?
-O que está insinuando, sua vândala?
-Não insinuo nada, apenas afirmo que esse encontro foi estranho!
-Ora, coincidências acontecem!
-Foi coincidência demais! Não acha?
-Bolas, cadê o Kamus?! – disse, virando-se para a sorveteria, buscando o amigo com os olhos, e qual não foi sua surpresa ao não encontrá-lo ali. – Maldito!!
-Você disse a ele? – ela perguntou enquanto voltava a prestar atenção no sorvete. – Que eu tentei fugir ontem?
-Hm? Não.
Milo ficou olhando para ela sob os óculos escuros. Estranhou a mudança repentina de comportamento dela, mas já que havia tocado no assunto, iria até o fim.
-Aliás... Porque queria fazer aquilo? O que tem de errado com seus pais?
-Eles não são meus pais. – foi ríspida. – É um lar provisório. Tecnicamente são pais adotivos.
-E qual o problema com eles? – tirou o óculos e o deixou em cima da mesa.
-Eles não são muito legais. – coçou a nuca. – Sério, a mulher é uma galinha de primeira, você ficaria assustado! E o marido, bem... Ele não faz nada que me agrade, mas também não faz nada pra me prejudicar.
Milo engoliu em seco: — Seus pais?
-Não sei. – sorriu melancolicamente. – Desde que eu me lembro eu vivo no orfanato.
-Se quiser, podemos ir até lá pegar seu histórico. Quem sabe eles tem o nome dos seus pais? – sorriu, querendo dar alguma esperança para ela.
-Duvido que dê. Eu não sou daqui, nós nos mudamos para cá a pouco tempo. Eu vim lá do Brasil.
-Do Brasil?! – elevou o tom de voz. – Mas porque tão longe?!
-Não sei. – riu. – Tenho selo internacional!
Os dois começaram a rir. Amelié gostou da risada dele, parecia de uma criança sapeca que ri das próprias travessuras.
-Então é pra lá que você queria ir se fugisse? – Milo fechou o cenho.
- Não sei. –ela olhou pro sorvete derretendo. – Se eu fugisse, talvez eu fosse pra lá pra me esconder, mas irremediavelmente eu voltaria pra cá. De todos os lugares que já estive, a Grécia é o mais belo! – sorriu, fitando o mercado que já estava bem mais calmo que antes.
O escorpião sorriu fitando o rosto sério dela tornar-se mais calmo e sorridente. Achou-a bela, fato, mas não percebeu que dentro de si tinha algo mais que começava a brotar.
-Quantos anos tem, Amelié?
-Dezessete.
“Não é tão criança quanto eu achava, mas mesmo assim, é menor de idade!”
Mas o que estava pensando? Isso faria alguma diferença? Afinal, porque estava tão interessado assim nela?! Já teve mulheres mais belas que ela, mais adultas, algumas foram mais velhas que ele, mas nunca sentiu interesse em conhecer alguma delas como sentia por Amelié.
-É melhor eu ir andando. – ela disse, tirando Milo de seus pensamentos. – Se ficar muito tarde, vão brigar comigo.
-Sabe voltar sozinha? – perguntou se levantando.
-Não se preocupe, senhor Milo. – ela riu. – Eu espalhei seixos pelo caminho, é só achar o primeiro que encontro o caminho de casa!
Escorpião ficou vermelho pelo sarcasmo da garota, apesar de ter achado engraçado. Aquilo era contraditório, ao mesmo tempo que tinha vontade de esganá-la, tinha vontade de rir e de ficar horas conversando. Realmente, não estava se reconhecendo!
-Se importa se eu visitá-la novamente? Posso te mostrar a cidade, garanto que vai achá-la ainda mais bela!
-Isso é um encontro? – ergueu uma sombrancelha.
-Não! – gritou. – Mas disse que gostaria de viver aqui, então é melhor conhecer a cidade! Além do mais, você não faz meu tipo. – mentiu, já que todas as mulheres faziam o tipo do cavaleiro.
-O senhor também não faz meu tipo. – sorriu cínica. – Aceito.
-Me chame de Milo. Não de senhor! Me sinto velho! – riu, tentando disfarçar a pequena pontada que sentia no coração, sem entender o que era.
-Então até a próxima. – disse, já se virando e caminhando pelo caminho que viera.
-Até... – sussurrou apesar dela já não poder ouvir.
@@@
Kamus estava em sua casa, arrumando em uma das inúmeras prateleiras alguns livros que estavam espalhados pela casa. Não gostava de desordem ou de estardalhaço, gostava era de deixar tudo em ordem, ainda mais quando o assunto eram seus preciosos livros.
-KAAAAAAAMUUUUSS!!
Ouviu a voz de Milo ecoar pela sua casa, assustando-o. Não demorou para que o cavaleiro surgisse pela porta como um furacão loiro.
-Milo, o que foi?
-VOCÊ ME DEIXOU LÁ, SOZINHO!! – gritou.
O ruivo tirou os óculos de grau e fitou Milo com o semblante sério.
-Primeiro, peço que não grite em minha casa, sabes bem que não gosto de gritaria. E segundo, quem está interessado na moça é você!
-Não estou interessado nela!! – esbravejou. – Mas isso não muda o fato! Você me deixou lá sem falar nada!
-E se eu tivesse falado “Milo, vou embora” você teria deixado?
-Claro que não!!
-Por isso eu fui sem avisar.
O loiro estava a ponto de explodir, e para não fazer nenhuma besteira com o amigo, fechou os olhos e respirou fundo tentando se acalmar.
-Descobri que ela é adotada.
-Sério?
-Sim. E ela não gosta dos pais adotivos, aliás, ela nem os chama de pais.
-É compreensível. Você ser obrigado a morar com pessoas que são totalmente diferente de você é horrível.
-Sim...
Kamus ficou observando o amigo por um tempo. Estava pensativo, até quieto demais. Esse não era o Milo que conhecia, tinha algo diferente nele.
-Está apaixonado por ela?
-Oque?! – o loiro ergueu a cabeça e fitou o amigo, incrédulo do que estava ouvindo. – Não! Claro que não! Milo de Escorpião não é de uma só, é homem pra todas!
-Um dia, mais cedo ou mais tarde, até mesmo Milo de Escorpião vai se apaixonar por alguém!
-Mas será por uma mulher muito bonita e gostosa! Não por aquela fedelha!
O cavaleiro de Aquário preferiu esquecer esse assunto. Podia ser só impressão sua, então ia observar melhor o amigo durante uns dias para concretizar sua teoria.
@@@
Amelié logo chegava em casa, encontrando os pais adotivos trocando beijos e carícias no sofá.
-Olha querida! Quem resolveu dar o ar de sua graça! – disse o homem corpulento de madeixas castanhas e os olhos negros.
A loira se ergueu do sofá, com o cabelo um tanto emaranhado, sorriu:
-Olá, honney! Aposto que estava com seu amigo, não é?
-Amigo? Você tem amigos, pirralha?
-Eu só sai pra tomar um sorvete! – disse irritada, indo até a cozinha e pegando uma maçã. – E mesmo que eu tivesse um amigo, não é da conta de vocês!
-Ai é que você se engana, honney. Somos responsáveis por você, e ainda será por cinco meses!
-Deixa essa pirralha pra lá, amor! Vamos terminar o que começamos! – e voltaram a se beijar e com carícias calientes, sem se importar se eram vistos ou não.
-Vão para o quarto! – Amelié gritou, mas não foi ouvida, então preferiu que ela mesma fosse para seu quarto.
Trancou a porta e se jogou na cama, com a maçã entre os dentes. Fitou o teto por uns instantes, depois se levantou e foi até a janela, mordendo um pedaço da fruta e a segurando nos dedos. O céu estava começando a escurecer, tomado por um alaranjado forte que ela adorava ficar apreciando.
Ainda tinha um restinho de azul celeste. Lembrou-se dos olhos do grego; eram nesse mesmo tom de azul, e davam a mesma sensação de paz e tranqüilidade que aquele céu. Ah, se pudesse, ficaria olhando para aqueles olhos, se perdendo em sua imensidão azul...
Notas finais
Obrigada por lerem! Reviews? =)
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