Chance para Amar
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Alguns dias se passaram, desde então. Milo e Amelié estabeleceram uma gostosa amizade. De início, o escorpiano fez seu jogo de sedução, deduzindo que o que estava sentindo pela garota podia se resolver com sexo, mas ela foi ríspida:
-Não adianta, Milo. Loiros não fazem meu tipo! Além do mais, gostar de uma pessoa por sua aparência é burrice!
Ele se conformou, mas tentou de novo mais tarde, o que conseguiu foi um decreto de silêncio da parte dela enquanto ele não parasse com isso e a tratasse com respeito. Foi o que fez, e parou de tentar seduzi-la, apesar dele ser naturalmente sedutor.
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Estava no lugar combinado. Sempre marcavam de se encontrar ali para o almoço, já que nenhum dos dois cozinhava e miojo estava fora de cogitação. Mas ela não veio.
-Maldita! Me fazendo esperar! – o loiro fez um biquinho de irritação. – Vou ligar para ela e dizer-lhe as boas verdades!
Tirou o celular do bolso e discou o numero de Amelié, esperando que ela estivesse com o celular ligado.
-Milo... – disse ao atender, a voz sussurrada e rouca.
-Oi! Ta tudo bem? – perguntou, esquecendo da raiva de ter sido obrigado a esperá-la em vão.
-Não... Pode vir aqui? Não me sinto bem.
-Sim, já estou indo! – disse um apressado Milo, já correndo para a casa da garota.
Amelié acordou – mais uma vez – com a campainha tocando insistentemente. Levantou-se preguiçosa, o corpo dolorido e a cara inchada de tanto dormir, abriu a janela e viu que era o escorpiano. Jogou a chave da casa e tornou a fechar a janela, fazendo o quarto mergulhar novamente na escuridão.
Quando menos esperou, um furacão loiro entrou pela porta e afez erguer-se de imediato da cama.
-Por Athena! Você está horrível! – disse, vendo os olhos vermelhos da garota e o sulcos que se formavam. – Parece doente!
-Obrigada Mister Óbvio. – respondeu, voltando a se deitar na cama. – Estou péssima, queria morrer só um pouquinho. Só por hoje.
-Não brinca com isso. – Milo foi se aproximando da cama, receoso. Nunca estivera no quarto da garota antes, alias, nunca estivera no quarto de uma mulher para fazer outra coisa que não fosse sexo.
Mas Amelié não era uma qualquer. Era sua amiga. Certo?
Só isso, não era?
O Santo de Athena sentou-se na beirada da cama, sem saber o que devia fazer. A garota estava deitada de costas para ele, assim era melhor. Ela não veria seu vergonhoso constrangimento. Viu como seu cabelo estava bagunçado, os fios enrolados e jogado de qualquer jeito na cama. Mas mesmo assim, eram belos, longos fios negros numa pele de marfim.
Queria levar as mãos até a nuca da menor, mas sentiu os dedos tremerem e o coração disparar. O que estava pensando, Milo? Não podia arriscar a amizade por um capricho seu. Sim! Era um capricho! Apenas isso! Não tinha nada além disso!
-Você podia descer e me fazer algo quente, que tal? – A moreno disse, tirando o loiro de seus devaneios e o fazendo recolher a mão.
-Ah sim! Mas você vai arriscar me deixar sozinho na cozinha? Eu nem conheço aqui!
-Eu confio em você.
Escorpião corou. Saber que Amelié confiava nele – mesmo que fosse por algo tolo como aquele – lhe era valioso, ele só não soube explicar o porque de sorrir tão satisfeito.
-Além disso... – ela tornou – Quebrou? Limpou e pagou. Ou vão achar que fui eu.
Milo sorriu e saiu do quarto, em direção à cozinha. Desceu a escadaria de madeira e se viu sozinho no mundo de panelas e armários que não acabavam nunca. Olhou para as portas de madeira branca, sem saber o que devia fazer e por onde começar. Bom, tinha que fazer algo, e deu sorte pela primeira porta que abriu dar de cara com um pacote de mingau.
-Quer que eu faça um mingau? – gritou, fazendo conchinha na boca.
-Que sabor?
-Morango.
-Quero!
Suspirou aliviado, sortudo, porque mingau era fácil de se fazer! Uma tarefa ridícula para o poderoso Milo de Escorpião, mas que ele aceitaria de bom grado!
Além disso, vinha com as instruções atrás da caixa.
Amelié resolveu descer as escadas a contra-gosto, sentindo um cheiro queimado e pela demora de Milo. Encontrou-o desesperado por não saber o que fazer, com as mãos na nuca e o mingau queimando ainda mais na panela.
-Desculpa! – ele disse, assim que a viu de cara feia. – Eu nunca fiz mingau antes! O que eu faço?? O que eu faço??
Com um longo suspiro, ela desligou o fogo e meteu a panela debaixo d’água corrente. Em seguida, foi até o armário e tirou uma caixinha verde pequena com o desenho de folhas e um beija-flor por entre elas, seguidos da palavra: Camomila.
-Chá você sabe fazer, não? Pega uma xícara, coloca água, ferve na panela. Na panela! – repetiu, para ter certeza que ele entendeu. – Pega um sache, coloca na xícara e joga a água, FERVIDA. Depois adoça.
E voltou rindo para o quarto, deixando para trás um marmanjo que não sabia fazer mingau.
Minutos depois lá estava Milo subindo para o quarto de Amelié, com um pacote de bolachas numa mão e uma xícara fumegante de chá na outra. Entrou no quarto e encontrou-a deitada, dessa vez de frente para a porta, ressonando.
-Amelié? – chamou, mas ela continuou em sonhos.
Sorriu. Deixou a xícara e as bolachas na escrivaninha e sentou-se ao lado dela. Tinha o semblante calmo, os lábios semi-abertos e uma mão espalmada na cama, enquanto a outra apoiava a cabeça. Fios negros emaranhados mas caindo-lhe perfeitamente na face. Milo fitou cada centímetro, pousando os olhos na mão que repousava na cama. A sua não estava tão longe assim. Sentiu o sangue subir à face. Milo, o que estava acontecendo com você?? Estava com vergonha de segurar a mão de uma garota? Justo você, que já cansou de ver as mesmas mulheres sempre?
Mas sim, estava. Não sabia porque, o coração acelerado não o deixava agir normalmente. Não conseguia se aproximar dela como gostaria, não conseguia simplesmente avançar o sinal, mas não conseguir segurar sua mão era demais!
Pousou a sua por sobre a dela, sentindo que seu corpo todo esquentava só com aquele toque. Apertou um pouco mais a mão pequena sobre a sua, mas logo que a sentiu se mover, recolheu-a imediatamente.
-Milo? – ela disse sussurrado. Abriu os olhos preguiçosos e se sentou. – Eu dormi muito tempo?
-Não, eu acabei de subir. – sorriu virando o rosto, tentando tirar de sua cabeça aqueles pensamentos.
-Aqui. – ofereceu a xícara quente e o pacote de biscoitos.
-Nossa, onde achou esses biscoitos?
-Tava no armário. Não quer?
-Não, quero sim.
Apoiou-se na cabeceira da cama, segurando a xícara com ambas as mãos. Assoprava e tomava um gole; pegava uma bolacha e molhava no chá; dava uma mordida.
Milo rolou os olhos pelo quarto. A pintura tinha um efeito sarapintado onde se misturavam três cores: roxo, rosa e laranja. O cômodo em si era pequeno, tendo espaço somente para a cama, o guarda-roupa com prateleiras embutida e uma escrivaninha onde mantinha o computador.
Amelie deixou a xícara vazia e o pacote de biscoitos pela metade ali no chão mesmo, ao lado da cama. Tornou a deitar e se enrolou no edredom florido.
-Pode ficar comigo? Essa casa dá medo as vezes.
-Tudo bem. – disse o cavaleiro, sorridente.
Viu a garota se aconchegar, fechou os olhos e respirando fundo, voltou a dormir tranquilamente. Ele ficou ali, velando seu sono, admirando o semblante calmo que transmitia uma paz acolhedora. Não soube exatamente por quanto tempo permaneceu ali, sentado na beira da cama, mas quando foi embora o sol já havia se posto.
Notas finais
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