Champions
13 Capítulo 12 - O mar não é tão calmo
Notas iniciais
O navio não era muito grande, nem muito avançado, uma vez que era apenas um barco de pesca. Varios homens andavam para lá e para cá, fazendo algumas tarefas para se afastarem da costa. Eric estava no meio deles. O garoto fez um acordo com o capitão do barco: como a embarcação iria para o mar do norte para pescar, pediu-lhe para que embarcassem para a Lituânia, e em troca, ele ajudaria com algumas tarefas que eles tivessem que fazer.
Nunca fizera algo tão cansativo antes. Precisava recolher e enrolar as redes, além de deixá-las no lugar correto para a pescaria se iniciar mais a frente, além de várias outras coisas.
Anninka estava sentada num barril qualquer. Albert estava ao seu lado, observando a jovem, que olhava fixamente para o mar.
– Albert...
– Sim?
– Alguma vez você ja perdeu alguém importante, ou que viveu muito tempo com você? Ou acabou se afastando de alguém que você queria nunca se afastar por algum motivo?
– Bem, sim. Não a primeira opção, a segunda. Mas não era algo importante, embora eu ainda me importe com isso.
Ele se referia a Barin, o garoto a qual nunca teve a chance de revanche na esgrima. Realmente não seria algo importante para a jovem, mas ainda era algo que significava muito para o rapaz. Barin fora o primeiro a derrotá-lo, e seria o último.
– Bem... — disse Anninka. — Ewa cuidou de mim desde que eu me entendo por gente. Era como uma mãe muito mais velha. Sempre foi gentil, mas me educou rigidamente. Ewa cuidou de mim por que a minha mãe me deixou com ela com apenas alguns meses. Eu nunca soube o motivo disso, e nunca me importei. Mas a morte da Ewa me fez pensar nisso.
A garota fez uma pausa. Antes que Albert pudesse comentar algo, ela voltou a falar:
– Eu era feliz com a vovó. — uma lágrima escorreu pelo rosto da jovem — Sempre nos demos bem. Sempre fomos unidas em tudo, mesmo depois da morte do meu avô. Ela nunca demonstrou tristeza pela morte dele. Não sei se estava sendo forte por mim, mas ela sempre se manteve firme.
– Por que está me contando tudo isso, Anninka? — o rapaz perguntou num tom de voz suave.
– Porque eu não quero me esquecer dela. E contando as minhas memórias para alguém deve ser a melhor forma de fazer isso. — a jovem suspirou e retomou — Tem uma memória que eu guardo até hoje, que eu nunca quero esquecer. Foi quando a vovó me levou para a praia pela primeira vez, quando eu tinha só sete anos. Ela me disse para não ir na parte funda, por que era perigoso eu ser levada pelo mar. Mas eu acabei ignorando aquilo. Depois de umas duas horas que a gente chegou lá, eu entrei no mar. A vovó se distraiu, e eu aproveitei para ir na parte funda, onde eu podia boiar sem bater os pés no fundo. Mas algumas ondas começaram a aparecer e me afastar da costa. Eu só lembro de ter entrado em pânico, e de ver a Ewa correndo na minha direção. Quando acordei de novo, eu estava deitada, na toalha aonde minha avó estava antes. Eu não fazia ideia de como ela me salvou. Até eu me tornar maga também.
– Isso quer dizer que...
– Ela usou magia. — cortou — Usou magia na frente de dezenas de pessoas apenas para me salvar. Quando eu acordei na praia, ela me abraçou tão forte que parecia não querer soltar mais. Essa é a minha memória mais forte, e também a mais querida que eu me tenho.
– A sua avó era incrível Anninka.
– Eu sei, Alber...
A jovem foi interrompida por um estrondo forte e um balanço brusco do barco. Alguns homens correram para a proa para ver o que havia acontecido. O capitão estava entre eles.
– Capitão — disse um dos marujos — , parece que batemos em algum recife.
– Não existem recifes neste local, senhor Bartinikowicz.
Outra batida. Anninka estava um pouco assustada. Então, a jovem viu tentáculos enormes se erguendo pelas laterais do navio. Se afastou da murada, agarrando o braço de Albert.
– Droga. — disse Eric — Ja li sobre isso.
– O que é então, rapaz?! — um dos outros tripulantes questionou.
– Kraken.
O barco balançou e ouviu-se o barulho da quebra do casco. Alguns tentáculos se enrolaram no navio, o fazendo tremer mais. Quase todos os tripulantes correram para o bote salva-vidas, deixando apenas os jovens, o capitão e um rapaz que estava sentado num barril, usando um chapéu grande que cobria seu rosto, parecendo não se importar com a situação.
– Capitão, devíamos fugir tambem. — disse Eric — Esta criatura é enorme, não há como lutarmos.
– Se voce é o mago que eu penso que é, podemos lutar.
– C... Como sabe?!
– Sinalizador meu jovem. Aliás, me chamo Waclaw Manteufell. Não me apresentei antes.
Outro estalo da madeira. Albert e Anninka se afastaram do meio do barco, que rachou, erguendo a popa e a proa. O rapaz saltou do barril para não ser engolido pelo buraco.
– Conhece as capacidades de um Nix na água? — perguntou Waclaw.
– Apenas teoricamente.
– Vamos partir para a prática.
O senhor correu para a rachadura do barco e saltou em um dos tentáculos do Kraken, abaixando a temperatura do mesmo e rapidamente o deixando lento. Os outros tentáculos se debatiam e tentavam agarrar o capitão a todo custo. Mas a cada tentativa, ele congelava cada tentáculo, embora não permanecesse assim por muito tempo, pois logo o gelo se estilhaçava.
Eric e Anninka estavam estupefatos, tamanha habilidade do homem se movendo e usando as magias Nix. Anninka decidiu ajudá-lo, indo em direção aos tentáculos que beiravam a murada.
A garota saltou para o mar, sendo agarrada por um dos tentáculos, que a levou para o alto. Ela electrificou suas mãos e as pressionou contra o membro da enorme besta, que soltou um estranho som muito alto, que faz o mar e a embarcação vibrarem. A eletricidade nas mãos da garota percorreram todo o corpo do cefalópode, que soltou tanto o navio como a garota, que bateria fortemente no convés do navio, não fosse Eric a segurar.
– Você está bem? — perguntou, preocupado.
– Estou, não usei tanta energia assim.
– Boa tacada, garota! — Waclaw elogiou. — O esperado da neta da grande Dama de Vitae!
– Dama de Vitae? — indagou Albert. — Refere-se a Ewa Pollanski?
– Sim, voces devem conhecer a história, não?
– Bem...
Quando Eric ia dizer algo, um tentáculo o agarrou e o levou para o mar, afundando-o.
– Mano!
Albert saltou no mar sem pensar duas vezes. Seu fôlego não lhe permitiria ficar muito tempo debaixo d'água, mas pode ver o irmão sendo arrastado para o fundo. Era um tanto escuro, mas Albert podia ver enormes olhos brilhando. Começou a nadar na direção dos tentáculos, quando viu uma bolha grande demais para ser criada naturalmente. A bolha envolveu a cabeça do garoto e o permitiu respirar, como um capacete de ar. Isso facilitou para que o rapaz nadasse, vendo com dificuldade a enorme lula em sua frente.
Eric tambem tinha uma bolha em sua cabeça, e estava preso entre um tentáculo. Parecia estar desmaiado, devido o aperto do membro do cefalópode. Albert trazia consigo seu sabre, para o caso de uma emergência como aquela. Fitou os enormes olhos da lula, e a besta soltou uma espécie de rugido muito alto, que fez toda a água vibrar.
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