Champions
14 Capítulo 13 - A vitória, a derrota e o porto
Notas iniciais
O capitão Manteufell estava agarrado a um tentáculo do Kraken tentando inutilmente feri-lo. Anninka não conseguia fazer nada, pois estava presa por outro tentáculo. O rapaz de chapéu estava parado. Parecia ignorar a situação dos dois.
– O que está fazendo parado aí seu retardado?! — protestava Anninka. — Não vê que estamos com problemas?! Poderia ao menos tentar fazer esses tentáculos nos soltarem e...
– Cuidado, Barin! — gritou Waclaw quando um tentáculo se atirou na direção do jovem.
Quase no instante em que o membro gelatinoso atingiria o jovem, aquilo foi cortado no meio. Fora rápido demais para Anninka acompanhar. Quando percebeu, o chapéu estava caído, mostrando o cabelo loiro e despenteado de Barin Manteufell. Seus olhos azuis lembravam o céu noturno, pouco depois do crepúsculo. Parecia ter quase 1,80, mas seu rosto garantia sua pouca-idade de simples 14 anos. O rapaz segurava em sua mão direita um sabre de esgrima, muito parecido com o de Albert, se diferenciando apenas pela cor da bainha na mão direita do mesmo.
– Não precisa me avisar de algo tão trivial, tio. — disse um tanto friamente — Não sou mais criança.
– Não sabia se voce tinha reparado nesse ataque. Vejo que não havia necessidade.
O tentáculo que segurava Waclaw logo começou a congelar, uma vez que o senhor estava diminuindo a temperatura do membro. Devido o peso, o mesmo se rachou e soltou Manteufell, que encostou uma ultima vez naquela corda gelatinosa para terminar de congelar a criatura.
O gelo foi percorrendo o tentáculo, enquanto o capitão usava sua magia para transformar mais tentáculos em gelo. Finalmente, o Kraken soltou Anninka, que precisou se conter para não fritar Barin pela sua arrogância.
* * *
Albert sentia o sangue correr frio pelo seu corpo. Uma terrível sensação de perigo o tomava, enquanto ele observava o corpo inconsciente de seu irmão envolto por nojentos tentáculos de um enorme e anormal cefalópode.
Eis que este, novamente rugiu para o rapaz, enquanto o mesmo começava a nadar na direção do tentáculo que prendia Eric. Não conseguiu se aproximar muito, uma vez que começou a receber vários ataques de outros membros. Mesmo assim, conseguia desviar com certa dificuldade. Até que percebera que a criatura havia rugido de un jeito um tanto diferente. Como se sentisse dor. Então viu alguns tentáculos começarem a congelar, enquanto o Kraken soltava Eric, que começara a afundar naquele intenso azul índigo.
Logo a besta congelou e também começou a afundar, mas a uma velocidade maior do que o rapaz. Albert tentou nadar para salvar o irmão, mas não conseguira acompanhar.
Quando seu irmão ja estava fora de seu alcance, viu algo passar muito rápido do seu lado para o fundo. Não conseguira ver o que era, mas quando olhou novamente, Eric estava subindo novamente, ainda desmaiado, o que indicava que algo o estava carregando. Então decidiu subir também, ja que seu irmão parecia estar a salvo, sendo carregado de volta para a superfície.
Quando emergira novamente, não pode acreditar em que seus olhos lhe mostravam. Era Barin, um tanto mais velho do que antes, molhado e ao lado de Eric.
– Manteufell?! — indagou.
– Sim? — disseram Barin e Waclaw ao mesmo tempo.
– Hã... Como assim? — Anninka estava totalmente perdida naquela situação.
– O capitão Waclaw é meu tio. — o loiro começou a explicar — Vim morar com ele no mar depois que minha mãe se foi. Aqui eu...
O jovem fora interrompido pelo som de um sabre sendo desembainhado e apontado na direção do mesmo.
– Eu te desafio para um duelo, Barin Manteufell.
Este suspirou com desdém.
– E o que te faz pensar que eu devo aceitar?
– Você não deixaria sua honra de lado para servir seu próprio ego.
Barin suspirou novamente. Deu um passo para afastar-se de Albert e desembainhou o sabre. Ambos se entreolharam enquanto uma tensão era criada no local.
– Este duelo se encerrará com um toque.
– É tudo que eu preciso. — Albert respondeu
Ambos se moveram, atacando-se mutuamente, fazendo ambas as lâminas se encontrarem velozmente. Então, uma sequência de novos golpes se sucederam, fazendo os sabres tinirem com os encontros. Ambos eram rápidos, e era difícil dizer se já ocorrera algum toque naquele duelo. O silêncio se fez quando Barin atingiu o abdómen de Albert num golpe direto. O loiro bufou.
– Continua cego, Verfluster. Aprenda a enxergar e só então me vencerá.
Este embainhou a espada e se retirou, indo para o que sobrava do interior do navio. Albert estava de joelhos, contendo-se para não chorar. Perdera para Barin novamente, e a dor era quase insuportável. Mesmo se tornando muito mais habilidoso do que antes, o jovem ainda era muito mais habilidoso do que ele.
– O que está acontecendo? — Eric acordara.
– Albert perdeu para Barin. Outra vez. — explicou Anninka — Acho melhor deixarmos-o sozinho.
A garota ajudou Eric a se levantar pois ainda se sentia atordoado. O barco estava bem destruído, mas ainda era capaz de levar os três para a Lituânia. Albert ficou ali, ajoelhado perante sua derrota novamente.
* * *
Com o barco avariado, a viagem fora mais demorada. Embora fossem apenas algumas horas de diferença, para Anninka foram séculos. Depois daquele Kraken, o percurso fora mais tranquilo, embora mais complicado.
Klaipeda era a única cidade portuária da Lituânia. Suas construções lembravam muito construções antigas da Alemanha, Dinamarca, Suécia, entre outras. Vários canais cortavam a cidade, e o nascer do Sol era encantador. Mas nada tirava o sentimento de angústia que Albert sentia naquele momento.
A embarcação atracara. Apenas Eric e Barin ajudavam Waclaw, o que multiplicava a quantidade de trabalho para cada um. Até Anninka teve de ajudar em algumas coisas, mas Albert estava simplesmente abatido, e não poderia ajudar. Pelo contrário, poderia até atrapalhar as coisas.
– Obrigado por nos trazer até aqui, senhor Waclaw. — agradeceu Eric
– Não tem por que, rapaz. Foi apenas uma ajudinha. Afinal, lutar no Ragnarök em dois é impossível.
– Como sabe do...
– Esqueceu-se que também sou um mago? — o senhor riu. — Agora vão logo antes que eu cobre mais pelo favor.
Albert finalmente se levantou para seguir o irmão e Anninka. Passou por Barin, que o segurou pelo ombro antes que o jovem saísse da embarcação.
– Não é a última vez que nos veremos, Verfluster.
– Pode apostar, Manteufell.
Uma pequena tensão se criou antes que o jovem fosse chamado novamente por Eric. Klaipeda os aguardava, e não seria ali que os três estariam seguros da Ordem
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