Champions
6 Capítulo 5 - Noite num hotel em Berlim
Notas iniciais
Gina ja não estava mais com o braço sangrando, mas a queimadura ainda era muito dolorosa. Eric decidiu levá-la a algum pronto-socorro para que pudessem tratar melhor aquela queimadura antes que pudesse ser fatal. Parecia estar muito fundo, talvez uma queimadura de segundo grau.
– Tem um pronto-socorro a três quadras daqui — disse Gina — , siga por aquela rua.
– Como sabe? — indagou Albert.
– Eu viajava muito, inclusive ja andei muito por Berlim. Só confiem e vamos.
Eric assentiu e os três foram para o local. 8 minutos de caminhada e eles chegaram. Assim que entraram, já avisaram um médico qual era o problema, e ela foi levada para uma sala para tratamento. Eric e Albert puderam acompanhá-la. O médico umedeceu um pano esterilizado com soro fisiológico para limpar o ferimento e resfriar a queimadura. Precisou aplicar hipoclorito de sódio para desinfetar, então enfaixou o ferimento para fechá-lo.
– Como ela conseguiu uma queimadura tão grande e séria assim? — o médico questionou Eric.
– Ah... — o rapaz pensou um pouco. — Água quente. Estávamos fazendo um experimento e ela acabou derramando água quente.
– Entendo. Bem, vocês precisam trocar as faixas a cada dois dias, sempre desinfetando com soro ou sabonete anti-séptico.
Eric agradeceu a ajuda e foi buscar Gina e Albert para que fossem embora. Precisavam de algum lugar para ficar. Por sorte, Eric foi um pouco esperto e pegou uma pequena quantia de dinheiro que guardava a um certo tempo, além de ter pego mais um pouco de seus pais. Seu irmão mais novo e a ruiva também tinham dinheiro. Ao todo eles tinham 973 euros. Talvez fosse suficiente para eles chegaram ao menos até a Hungria, e depois eles dariam um jeito.
Após procurarem um pouco e pedirem várias informações, conseguiram encontrar um hotel consideravelmente barato, com boas acomodações. Por apenas 64 euros eles conseguiram um quarto para uma noite, o que já era suficiente. Era uma suíte com uma cama de casal, duas estantes (vazias) e um banheiro simples. Havia apenas uma janela, sem sacada.
– Acho melhor você tomar banho primeiro para relaxar — Albert falou para Gina — , esses hotéis costumam fornecer algumas coisas para o banho, mas talvez você tenha que vestir a mesma roupa.
– Como sabe tudo isso irmão? — indagou Eric. — Nunca viajamos.
– Tenho um amigo que o pai tem um hotel. Daí ele fala muitas coisas do tipo.
Gina, sem perder muito tempo entrou no banheiro e ficou lá por vários minutos. Albert ficou limpando seu sabre e seu irmão apenas brincava com um pequeno floco de neve, feito graças à uma magia fraca de categoria Nix.
– Voce luta bem com isso aí irmão — o mais velho falou, quebrando o silencio — , aprendeu a manusear só com as aulas de esgrima?
– Em partes. Eu também costumava treinar escondido quando ninguém estava em casa.
– Você tem muita habilidade, realmente.
Eric fez o floco de neve girar ao redor de sua mão.
– Como você aprendeu a fazer tantas magias em apenas dois dias?
– Eu tenho um livro comigo, e fico lendo para memorizar. Parece que minha encarnação anterior era muito habilidosa com magias de vento, água e neve. Com as outras ele não era tão habilidoso, mas era capaz de usar mesmo assim.
– No metrô voce usou apenas neve e vento. Por que não usou água?
– Essa magia é como um controle, ao contrário das outras. Para utilizar magia de categoria Aqua, é preciso ter uma fonte do elemento, além de que é necessário estar calmo e sereno. No metrô eu estava agitado e com medo.
– Entendo. Gina não parecia estar com medo ou algo assim.
– Isso por que eu não estava. — Gina saiu do banheiro usando um roupão — Sobre o que estavam conversando?
– Por que voce está de roupão?! — indagou Eric, enquanto desviava o olhar.
– Mais confortável. Agora responda a minha pergunta.
– Es...Estávamos conversando sobre minha magia...
– Ah. Era só isso então. — a ruiva de deitou na cama, com cuidado pelo braço — Pode ir tomar banho Albert. Se quiser, ainda tem outro roupão.
– Ok.
O mais jovem se levantou, embainhou seu sabre e o levou junto para o banheiro.
– Ele não desgruda daquilo? — a moça indagou.
– Quando ele se sente ameaçado ele leva isso para todo lado.
– Entendi.
Houve silêncio por alguns segundos. Foi Eric que o quebrou.
– No metrô...
– Sim?
– Você me salvou. E falou meu nome corretamente.
– Ah... Bem... — corou. — Isso foi por que voce se descuidou. Idiota. Não foi como se eu estivesse preocupada.
– Não foi o que pareceu.
– Calado. Foi exatamente isso.
– Gina...
Ela fez silêncio, e Eric sentou-se na cama ao seu lado.
– Por que você me odeia?
Novamente, Gina fez silêncio. Eric insistiu na pergunta, mas em vão. Logo após, Albert saiu do banheiro. Usava a mesma calça e meias, mas estava sem camisa.
– Pode ir irmão. — disse — Não peguei o roupão, pode pegar se quiser.
– Tudo bem.
Se levantou e foi para o banho. Albert ficou conversando um pouco com Gina enquanto isso. Eram apenas assuntos aleatórios, como comida favorita, e coisas assim. Mas um assunto foi peculiar:
– Lá no metrô... Você estava batendo naquele homem como se ele fosse papel. Eu estava me matando pra derrotar outros três, e só consegui por que meu irmão me ajudou com um deles.
– Ah. Eu simplesmente comecei a bater nele por instinto. Quando me dei conta eu estava com um braço queimado e ele estava com um buraco no pescoço.
– Então... Voce se lembra de algo enquanto batia nele?
– Não. Nada.
Albert sentiu um frio em suas costas enquanto olhava para a garota com uma expressão de espanto. A mesma se levantou, olhando fixamente nos olhos do mais jovem com um olhar meigo e protetor, ao mesmo tempo que era hipnotizante e ameaçador.
– Albert? Você está bem?
– Ah... Si... Sim, eu só... Bem...
Ambos se entreolhavam fixamente. Os olhos de Gina pareciam esmeraldas atraindo Albert. Logo ele começou a aproximar seu rosto ao da garota, e por um breve momento seus lábios se tocaram, sendo interrompidos por Eric, que saiu do banheiro, trajando as mesmas roupas.
– Desculpem... Interrompi algo?
– Não, não. — disse Gina levemente corada — Vamos dormir. Amanhã ainda precisamos andar mais ainda.
– Concordo. — falou o mais jovem — Vamos ter que dividir essa cama. Nós três.
– Pra mim tanto faz, só quero dormir.
– Digo o mesmo.
Eric se deitou do lado oposto ao que Gina estava. Albert se deitou entre os dois, de costas para o irmão.
– Boa noite — os três acabaram falando em conjunto.
* * *
Eram 8:12 quando Gina acordou. Albert ja estava acordado, sentado na janela, com seu sabre ao seu lado. A ruiva se aproximou, olhando para fora da janela.
– Não acha cedo para estar com seu sabre?
– Acho que não. — o rapaz suspirou — Eu sinto estar sendo observado desde que saímos daquele metrô.
A expressão calma da garota se tornou uma expressão de preocupação. O mais jovem nem mesmo fez contato visual, apenas olhando os carros se moverem na larga avenida em frente ao hotel. Foi puxado por Gina, quase caindo da janela.
– Mas o que deu em...
– Olha... — ela o interrompeu.
Um homem encapuzado observava de uma janela do prédio em frente. Assim que Albert o viu, o homem se afastou, sumindo dentro do quarto.
– Vamos sair daqui. Acorde seu irmão.
A ruiva foi vestir suas roupas, sem se importar com a presença de Albert, enquanto este foi acordar Eric. Assim que acordou, Gina avisou-lhe da situação e falou para os três sairem logo dali. O mais velho se levantou num pulo e colocou os sapatos.
Os três saíram dali às pressas. Por pouco Gina não esqueceu-se de devolver as chaves à portaria. A jovem conduziu-os para um ponto de táxi, tentando serem discretos para não serem seguidos ou algo assim. Entraram no veículo, olhando ao redor antes de entrarem.
– Para onde querem ir, jovens? — perguntou um senhor já de idade avançada, olhando pelo retrovisor.
– Szczecin. — respondeu Gina — Polônia.
– Garota, são mais de 90km até lá, essa corrida vai custar mais de 150 euros.
– Não tem problema. Apenas dirija.
O homem ligou o carro e começou a dirigir para o destino dos garotos. Logo já estavam numa rodovia que ligava a Alemanha à Polônia. No entanto, alguns minutos depois, entraram numa estrada separada, que levava à uma floresta. Albert e Gina começaram a desconfiar.
– Esperem garotos, acho que tem algo errado com o motor do carro. Já volto. — o senhor saiu do carro e abriu o capô.
– Saiam do carro! — gritou Albert ao ver que o capô estava aberto.
Os três se apressaram em sair do carro, que de repente havia explodido. Gina pode ver o velho soltando um "jato" de chamas pelas mãos.
– Lapidem Nix! — o irmão mais velho falou no mesmo instante que os pés do senhor congelaram no chão, empedrados em gelo.
– Nada mal Verfluster. — disse — Vejo que aprendeu um básico. Mas...
Os pés do senhor descongelaram e o mesmo lançou um feixe de raios contra o rapaz, que se defendeu com uma parede de pedras que se formou na frente do jovem.
– ...eu estou num nível muito superior ao seu, rapaz.
Albert e Gina podiam apenas observar, enquanto os dois magos estavam prestes a se enfrentar.
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