Notas iniciais
Maáááá Oieeeeeeeeeee! Chegando mais um capítulo da história. A Juliana posta ou não posta? POSTA! Então bora!

Acordo ao lado dela. E como é bom! A abraço mesmo que ela esteja dormindo tranquilamente. Que sensação maravilhosa tê-la de volta à minha vida. Para ser sincero nem imaginava há algum tempo atrás que iria cair de amores pela Gi. Fico imaginando se ela sente o mesmo por mim. E a resposta chega... A minha pequena me agarra mesmo com os olhos fechados, se ajeita para mais perto de mim.

Beijo sua testa e aos pouquinhos, tento me ajeitar para continuar a dormir. Tento... mas, não consigo.

— Você está bem? – ela me pergunta.

Abro os olhos e a vejo sorrindo. Este sorriso que tanto gosto.

— Sim e você?

— Muito bem, aliás.

Dou risada. A minha pequena é assim, sincera.

— Que tal dormirmos mais um pouquinho? – proponho.

— Hum... Para dizer a verdade, não tenho mais sono.

— Está empolgada, hein? – brinco.

E ela sussurra em meu ouvido:

— Você nem imagina...

Aos pouquinhos a Gi começa a beijar o meu pescoço, enquanto isso, aliso seus cabelos e percorro suas costas com as minhas mãos. Ela tem uma pele tão macia e gostosa de tocar. Ela avança para o meu peito de forma lânguida, parece até uma gata, beija meus mamilos e a sensação... Ah, que sensação deliciosa. A minha namorada é a única que me desperta mesmo quando não tenho a mínima intenção de fazer amor... Mentira, sempre tenho! A puxo para cima e a beijo. Demorado, delicado que, aos poucos, cresce com voracidade.

Nos soltamos, ela me encara e... sorri. E continua a sessão de beijos, eu adoro. A Gi chega ao meu ventre e explora com a boca cada cantinho. Na altura do campeonato, imagina como devo estar... Exatamente! Assim mesmo! Meu coração bate tão acelerado que posso até ouvi-lo.

Agora... ela chega num ponto que... bem... Tudo que faço é sorrir e fechar os olhos.

******

“Acordo meio tonto e estou em cima da minha árvore. Só minha, aliás! Olho em volta para me localizar onde estou. Ah, sim, a casa do barbudo. Pois é, a humana voltou com ele. Não sei se é para comemorar ou enrolar uma cordinha por volta do pescoço e dar um pulo. Se bem que... não iria me matar por isso.

Olho para baixo e dou de cara com aquele peludo insuportável enrolado naquele espaguete vermelho. E não é só isso! Tem monte de bonequinhos entorno do seu corpo que cheira a tapete molhado. Ah, qual é! A minha língua é um sistema ultramoderno de limpeza e conservação dos meus pelos. Sempre estão brilhantes para que me conserve belo em tempo integral.

Pulo de modo que fique longe deste idiota, que aos poucos tem se esforçado para fazer amizade comigo. A troco do quê? Será que ele não percebe que gatos e cachorros não são amigos? Aliás, será que ele compreende algo nessa vida? Para mim, vai ver que só a hora que seu dono o chama para comer ou passear e isso já está de bom tamanho.

Pronto! Estou no chão. Mas, meu pescoço coça. É porque me levaram no veterinário e depois me deram banho. E preciso? Para completar o descaso, me enfiaram uma gravatinha azul. Coço com a minha pata dianteira e a maledeta não sai. Agora, tento com a pata traseira. Mas o quê? Tinha elástico para segura-la! Quando consegui tirá-la, parece castigo, o elástico dá uma beliscada na minha pele. Com a boca a jogo longe e vai parar no meu colega.

O cara é tão xarope que nem acorda. Só mexe com a pata para joga-la do lado. O que ele tem na cabeça? Um prato de ração? Francamente!

Me espreguiço e ando até a porta do quarto do casal amorzinho. Enche, viu? Quando eles se enfiam aí, não tem um evento que os tire. Poderia miar para avisá-lo: Um meteoro! Mas, quanto você aposta que eles nem ligariam? São piores que os meus companheiros de rua. Bando de assanhados.

Bem, o que me resta? Vou circular pela casa e ver se sobrou algo nos potinhos. Que estado cheguei! Comer resto de comida de dias passados... Ninguém se importa com um gato faminto?

Dou de encontro com o peludo fedorento. Ele abana o rabo e se abaixa de modo que só a parte traseira fica levantada. O que ele quer? Ignoro e bloqueia o meu caminho. É tonto? Bebeu, idiota? Desvio mais uma vez e aí ele se joga literalmente na minha frente e rola em si mesmo. Ah, vá te catar! Pulo por cima dele e vou para cozinha. Não tô a fim de brincadeira, entendeu, energúmeno?

Avisto as tigelinhas e nada. A água está amanhecida e a minha ração babada. Lógico que não fui eu! Afinal não babo!

— Calma que a mamãe vai trocar sua comidinha.

A voz é da humana. A encaro e ela está toda enrolada em lençol. É, danada! Só quer fazer festinha com o humano e eu que é bom...

Do lado dela está o peludo fedorento. Ele abana o rabo, a humana se abaixa e o acaricia. Hein? E minha comida?, mio.

— Vou trocar as duas tigelinhas, né?

— Queridinha! Vou tomar banho enquanto isso, tudo bem?

Agora é o humano barbudo. Ele está... pelado?! Descabelado! Cara porco! Onde já viu humano andar por aí e na cozinha pelado? Pô! Mais respeito!

A humana chega perto dele e o beija. Aí ele faz cosquinha nela, e ela nele...HEIN? CADÊ A MINHA COMIDA???, dessa vez reclamo alto!

— Calma! – os dois falam ao mesmo tempo.

E o fedorento faz uma cara como estivesse morrendo de rir por dentro! Idiota!”.

****

Estamos levando o Mozart para passear. De mãos dadas, desta vez quem o guia sou eu.

— Muito bem, garota! Você se sai melhor do que eu. – diz o Jú.

“É tão bacana passear com a mamãe e o papai!”

Aos poucos dá para perceber que o cachorro está com a língua de fora. Será que é sede ou cansaço?

— Você trouxe a garrafinha do Mozart, né? – indago para meu amorzinho.

— Sim.

E aí o Júlio olha para o cachorro e fala:

— Parece que ele está com sede. Perai, Gi.

Puxo a guia e ele fica quietinho. Mas os seus olhinhos brilham quando o Jú disponibiliza o cantil para ele beber.

“Ufa! Já era tempo!”.

Enquanto o Mozart bebe água, o Jú comenta:

— Sabe... Meus pais vêm para São Paulo. Eles querem te conhecer.

Não sei o que me dá, mas sinto um frio na barriga, engulo seco e digo:

— É verdade?

Ele levanta a cabeça e me encara com um sorriso.

— Duvido que eles não gostem de você.

— É...

Ele levanta, arruma o cantil, enquanto o Mozart passa a língua por volta da boca. Parece que o cãozinho fica satisfeito. O Jú volta a pegar a minha mão e continuamos a andar.

— Gi, estou com uma ideia aqui...

— Qual? – indago tão rápido que até eu me surpreendo.

— Que tal ajeitarmos as duas famílias para se conhecer. Assim...

— Tem certeza? – falo sem pensar.

— Por quê? Você não gostou da ideia?

O que me deu? Nem eu sei. Me sinto insegura, sem chão. Sempre me dou mal quando entram famílias no meio. Sem contar que fico pensando o que minha mãe irá aprontar na reunião. Se for em minha casa, até dá para controla-la, mas, se for na casa do Júlio? É capaz de que alguém saia sem alguma coisa de valor da reunião.

— Não... não é isso...

— Medo?

O olho de certo modo preocupada, não quero magoa-lo, mas para minha surpresa, ele se aproxima e dá um selinho.

— Está tudo bem, bobinha! Já passamos por coisas piores...

— Mas, Jú...

— Foi só uma sugestão, certo? Não é para a senhorita querer pular de paraquedas.

— Tudo bem.

*****

Fico matutando um jeito de falar com o irmão da Gi. Ela já contou bastante sobre o Márcio, que o cara é centrado e mais conciliador da família. Bem, se ao menos pudesse falar com ele... O que quero? Organizar um jantar surpresa com as duas famílias. Assim todo mundo se conhece e posso pedir a mão dela em casamento. Como nos velhos tempos. Não sou chegado a convenções, confesso. Mas com a Gi, sei lá, me arriscaria me vestir de pinguim para leva-la ao altar. E oh, os tempos mudaram, quem diria que Júlio Sardinha, ou melhor, Schiavon, se tornasse esse tipo de cara.

Uma das hipóteses seria pedir o telefone do rapaz para minha namorada. Ele poderia ajudar a organizar com a família dela. Afinal, já cogitei com a minha família e disse só para esperar mais um pouquinho. Mas fico pensando... ela ficou de certo modo apavorada quando só mencionei: jantar, duas famílias, se conhecerem, imagina pedir o telefone do seu irmão. Parece que a Gi tem uma grande admiração por ele. E que segurou sua barra em determinados tempos.

Mas há outra hipótese... mexer no seu celular e apanhar o número do seu irmão. Não sou um cara que vasculha a intimidade da companheira, aliás, todo mundo precisa de privacidade mesmo que se ame com todo fervor.

Então começo a estudar uma maneira de mexer no celular dela. É... por mais que fale, mas sei que me sentirei mal por fazer isso. Durante o final de semana não parece grandes possibilidades. Droga! Mas tem a semana, não é? E para ser sincero ela começa tumultuada. Sinto que vêm mudanças por aí.

*****

— Você reparou que tem muitos burburinhos no jornal? – ela me indaga enquanto come uma broinha airosa com café expresso.

— Também achei. Não sei, Gi, mas pode esperar que vêm mudanças por aí.

— Você acha?

O dia está relativamente frio, e até um pouco mais frio para essa época do ano. Bem, para mim, a partir de 19 graus já é frio. Sangue do interior, onde o Sol é escaldante. Mesmo que more há um bom tempinho em São Paulo.

— Sim! Talvez reformulações? Tem acontecido nas grandes editoras, empresas, sei lá...

— Espero que seja para melhor. – ela diz.

Estamos em um café pequeno, mas aconchegante na Vila Madalena, dando uma parada nas reportagens. E são esses momentos que fazem do meu dia melhor.

— Vou ao banheiro. Você guarda as minhas coisas? – ela me pergunta.

— Sim!

E assim que ela sai, lá está ele... em cima da mesa, dando sopa para minha curiosidade. O pego e olho para o lado a fim de verificar que ela esteja longe o suficiente para não me ver. Saco o meu celular e já aciono contatos. Assim que conseguir, à noite ligo para o rapaz. Será que está como irmão? Márcio? Foi mais fácil que imaginava: Márcio (irmão). Rapidinho digito o número, confiro, adiciono e marco: Márcio (irmão da Gi). Recoloco o celular na mesma posição que ela deixou e disfarço naturalidade, tomando mais um gole do meu café. Dentro uns dois minutos, ela chega.

— Pronto, voltei!

— Quer mais alguma coisa? – indago.

Ela dá um sorriso travesso e dispara:

— Você!

E gargalho.

*****

“Ih, o papai deve estar nervoso. Ou preocupado. O conheço como a palma da minha mão, ops, pata. Quando ele anda de lá para cá é que tá matutando coisa.

Chego mais perto e coloco o focinho na sua perna pedindo atenção.

— O que foi, camarada?

Com uma das minhas patas tento fazer carinho na sua perna. Ele se abaixa e faz cafuné na minha cabeça. O que será que ele tá tão apreensivo?

— É, amigão! Vou ter que tomar uma decisão complicada.

Complicada? Que decisão? Isso não sei, mas ele se levanta e vai até a sala com o celular na mão. Ele não vai terminar com a mamãe, né? E aí fico do seu lado e o encaro.

— Vou ver se o irmão da mamãe nos ajuda em uma coisinha. – ele me avisa.

Ufa, menos mal! E fico esperando o que ele irá fazer”.

Aciono o número do Márcio, respiro fundo e espero ser atendido. Dali a pouco... cai na caixa postal. Deixo recado? Fico na minha? Melhor tentar mais tarde.

Vou tomar banho, arrumo as tigelas do meu amigo e acompanho o andar das horas no relógio. Vou tentar mais uma vez. E lá vou eu de novo, na sala, com o Mozart do meu lado, como fosse meu cão de guarda, celular em punho e disco o mesmo número.

— Alô?

É ele, ufa!

— Alô, Márcio? É o Júlio, namorado da Giovanna.

— Ah, o barbudinho! Fala cunhado! Mas... como você conseguiu o número do meu telefone? A Gi deu para você?

Deu? Bem, não propriamente o número, mas...

— Sabe o que é... Bem, queria um auxílio seu.

— Auxílio?

E ao longe escuto: “O que foi, prin?”. Prin? Será que essa é a Ana, a cunhada da Gi?

“Ah, é o namorado da Gi, prin!”. E depois: “O barbudinho? Bem que o queria conhece-lo pessoalmente”.

— Desculpe, é a minha esposa.

— Ah, sim! A Gi falou sobre ela.

— Bem ou mal?

— Bem, fique frio. Pois então...

— Você brigou com a Gi e precisa de ajuda? Olha, ela é meio maluquinha, estourada, mas tem bom coração.

— Não! Não é isso!

— Não?

— É que quero organizar um jantar com a minha família e a de vocês, mas gostaria de fazer uma surpresa para Gi.

— Ah, é?

— É! Você pode me ajudar?

— Claro, cara! O que tem em mente?

Respiro aliviado. E agora é só começar a arrumar os detalhes e fazer um pedido que há um tempo tenho cogitado: “Gi, quer casar comigo?”.

Notas finais
E aí, garotada? Mataram as saudades do Ernesto e o Mozart? É, sei que os dois têm uma boa legião de fãs. E.... uma cena JulioVanna mais ( ͡ ͡° ͜ ʖ ͡ ͡°) ... O glossário está bem curtinho. Bora? Glossário – Chamem os Bombeiros. Cosquinha – beijinho de esquimó ou borboleta. Quando um esfrega as laterais do nariz no outro. Então, como estava falando... AI!!! (gato sem-vergonha pula nas costas da autora e sobe até se alojar no seu ombro). “Autora humana, eu preciso mesmo ver o meu futuro ‘dono’ pelado para lá e para cá?” — Aaaaaah, virou um gato domesticado, então? Dono... “Modo de falar, autora humana. Me faço de estúpido para não ir para guerra...” — Você não presta, Ernesto! “Autora humana, claro que presto! Até porque sou a estrela dessa...” Miiiiiiiiiiiiiiiiiiauuuuuuuu — O que foi, Ernesto? “Bobalhão! Fica abanando esse rabo, mordi mesmo!”. — Mozart, juízo! Ernesto, volte aqui! Aqui! Oh, inferno! Bem, semana que vem... um capítulo daqueles! Beijos e muito obrigada por ler a história! — Ernesto! Mozart! Voltem aqui! (autora corre atrás dos bichos).