Chameleon Soul
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Naquela tarde fria de novembro, John Hamish Watson resolveu voltar ao seu antigo apartamento, e se estiver se perguntando o porque disso ser um fato importante, eu lhe explico. Alguns meses atrás, cerca de vinte e quatro, o melhor amigo de Watson havia falecido. Não fora nada calmo, não fora uma taquicardíaca, ele não morreu dormindo, fora um suicídio, por mais que John soubesse que não se tratava apenas disso.
O baixinho tomou coragem, respirou fundo e bateu na porta tão conhecida e tão querida, 221B da Baker Street, até jurou ouvir a voz idosa de Mrs. Hudson dizendo aos dois homens que dividiam o apartamento suas histórias de quando era nova, talvez falasse sobre o mofo nas paredes e os riscos nos móveis. A mais velha abriu a porta do apartamento, abriu um sorriso e abraçou o loiro.
- John! – exclamou ela.
- Mrs. Hudson! – respondeu.
Os dois se encararam por alguns minutos, ela já sabia o que ele viera fazer ali, abriu caminho para o mais jovem que abriu a porta do tão conhecido apartamento, nada havia saído do lugar desde aquele dia. Oh, maldito dia, pensou ele, pois sabia que nunca mais seria o mesmo depois de Sherlock.
Sherlock Holmes, psicopata, aberração, entre outros, era a quem Hamish devia mais do alguns favores. Sentou-se na poltrona onde encontrava o esguio amigo sentado todos os dias, geralmente mexendo em seu notebook, corrigindo a televisão e reclamando do tédio.
- Tive que me livrar daquela caveira, espero que não se importe. – comentou Mrs. Hudson, pousando as mãos sobre seus quadris.
- Poderíamos substitui-la pela dele. – brincou John, torcendo os lábios.
- Uma antiga amiga de Sherlock ligou, alguns dias atrás, procurando por você, querido.
As palavras doces de Mrs. Hudson chamaram a atenção de John.
- Ele não tinha amigas.
- O que você acha de visita-la? – ela ignorou-o
- Pode ser, eu teria algumas perguntas para ela se ela realmente era amiga de Sherlock.
A Senhora Hudson preparou um chá rápido para John, se acomodaram no carro velho e fedido da senhora e em breves vinte minutos estavam parados em uma casa branca, não muito grande nem muito pequena, mas parecia abandonada. Ela fez sinal para que John saísse do carro e fosse em direção à moça, que de uma forma inexplicável o esperava na porta. E assim ele o fez.
- Boa tarde, Sr. Watson.
- Boa tarde, Srta...
- Harrison. – completou ela, abrindo um sorriso.
John pôde observar que ela era educada, era alta, seus cabelos eram encaracolados e ruivos e possuía olhos verdes que brilhavam conforme a luz do dia. Ela abriu passagem para que ela o seguisse por dentro da casa, e por mais que não parecesse, a casa era arrumada por dentro. Eles caminharam até a sala de estar, onde John se sentou em um formoso sofá azul claro com a moça parada em sua frente.
- Como você se chama, Srta. Harrison?
- Marina. – ela respondeu sorrindo. – E sim, sei que é estranho, eu ser amiga de Sherlock e só aparecer depois de todo esse tempo, eu precisei esperar. Também sei que têm perguntas para mim.
- Sim, algumas, na realidade. – ele respondeu, olhando aos seus redores.
- Pois bem.
Ela cruzou os braços esperando por ele.
- Há quanto tempo se conhecem?
Ela sorriu de canto.
- Desde sempre, conheci ele na pré-escola. Lembro-me de uma época em que éramos namorados, coisa de primeira série, sabe? – ele concordou. – Acho que fui sua única, não?
- É, mas há teorias de que eu fui sua última.
Os dois riram, voltando ao sério logo após.
- Porque ele nunca me contou sobre você? – perguntou.
- Você conhece Sherlock, se você não perguntar ele não falaria.
- Mrs. Hudson me disse que você esteve voltando a manter contado antes do... acidente. – John constatou, abaixando a cabeça a lembrar-se.
- Sim. – ela afirmou. – sou quase tão inteligente quanto ele, e segundo o próprio, eu tenho uma falha.
- Qual?
- Eu sinto.
John assentiu.
- Marina, se você era amiga de Sherlock como diz ser, porque ele não ligou para você?
- Ele não precisou. – ela desviou o olhar.
- Não precisou?
- Na realidade, John, o motivo de estarmos tendo essa conversa era uma grande desculpa para que você pudesse descobrir que o Sherlock, na realidade, não morreu.
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