Chalé Nas Montanhas
5 Conhecendo - Um caso !
Notas iniciais
Vocês são demais !
Eles carregaram as malas para dentro, e tudo mais o que haviam trazido, como alguns brinquedos de Hank, a cama, a casinha e o sanitário canino, exigência das regras, que também pedia que o cão fosse dócil e adestrado.
Passeavam pelos cômodos prestando atenção em todos os detalhes.
A sala enorme, tinha uma lareira, um tapete aconchegante, e móveis de bom gosto. Não havia nada rústico. Tudo era muito moderno, de toque suave e de visão acolhedora..
O acesso à cozinha era dividido por um espaçoso balcão em alvenaria e acabamento em granito claro. Eles deixaram os explicativos e se deliciaram com a cozinha muito moderna !
Grissom estava mais que encantado, tudo exatamente como havia visto !
Havia um banheiro na parte de baixo da casa e um armário enorme debaixo da escada para os casacos.
Subiram as escadas de mãos dadas, Sara estava mais esfuziante do que nunca.
O quarto era tão aconchegante quanto todas as outras dependências. Os armários eram embutidos e extremamente limpos, a cama era ainda maior que a de seu próprio apartamento. Ele se deitou e experimentou o colchão, batendo com a mão ao lado para chamá – la junto a ele, Hank que os acompanhava, se deitou no chão, ao lado da cama..
_Agora ? Você quer que eu me deite com você aí ? E o Hank ?
_Apenas para experimentar a cama, querida !
Ela tirou as sandálias e fez o que ele pediu.
_Sara …. — os olhos dele estavam fixos nela, uma mão tocou seu braço, depois deslizou por sua extensão, indo parar em sua mão quente. — Eu tenho que te confessar uma coisa !
_Você vai me acordar daqui a pouco e vou saber que isto é um sonho ?
Ele riu.
_Não ! Isso tudo está acontecendo e você faz parte disso , tanto quanto eu !
_Que bom ! O que foi, Gil ?
_Quero que aproveite cada momento, cada segundo deste lugar. Precisava fazer isso por você, por mim, enfim, por nós dois !
Ela ficou sem palavras, apenas piscando rapidamente, digerindo … digerindo. Estava mesmo ouvindo aquilo ?
_Você é muito importante para mim ….
Ela o beijou então, como se transformasse naquele gesto, tudo o que sentia por ele. O amava cada dia mais, seus medos e suas incertezas, por hora, desapareceram.
_Sara … o Hank … — sua mão estava deslizando automaticamente para o peito e depois descendo devagar.
_Ah … eu me esqueci. Você sabe que … está me fazendo muito feliz, não sabe ?
_É o que eu espero.
Eles se levantaram e juntos abriram a porta do banheiro agregado ao quarto.
_Gil ! Maravilhoso.
Ele arqueou suas sobrancelhas.
Uma banheira imensa, redonda, quase um ofurô, disposta em um deck muito bem cuidado, uma parede de vidro dava acesso a uma visão privilegiada do vale, com as montanhas imponentes ao fundo. Linda !
_Este lugar é a coisa mais magnifica que já vi em minha vida.
A casa possuía mais dois quartos e todos com acesso à varandas.
A visão era celestial. Perfeita !
Vamos ver o outro lado, depois vamos até a cidade, tudo bem para você, Sara ?
_Tudo o que você quiser !
Antes
Grissom estava tentando encontrar uma forma de tirar alguns dias, dar folga a equipe, mas estava fracassando. Imaginava mil situações, mas não conseguia se sair bem em nenhuma delas.
Ecklie estava nervoso, e implicante, mais do que o normal, tinha anunciado que Jim havia tirado alguns dias e isso acabou, por fim, atrapalhando ainda mais as suas intenções. Não era um bom momento pra arriscar uma folga.
Sabia que Sara ficaria chateada, então, resolveu escalá-la para, junto a ele, analisar o caso naquele turno.
Um casal, que aparentemente se dava muito bem. Ele aparecera morto no chão da cozinha e, sua mulher, sentada sem reação alguma, em estado catatônico.
O olhar perdido para além daquela cena. A vizinha os encontrou quando foi chamá- la para levar o cão em um passeio, como sempre fazia. Seus gritos de horror ganharam a rua e a atenção de outro vizinho bem à frente. Tudo estava desarrumado e muitos objetos quebrados, na sala de estar, de jantar e na cozinha. Um ladrão ? Uma briga ? O assassino fugira ?
Uma ambulância foi chamada e assim que a tocaram para que fosse levada e examinada, ela repetia a mesma frase.
_Ele não podia fazer isso comigo !
_Senhora, temos que ir ao hospital !
_Ele não podia fazer isso comigo !
Grissom olhou para Sara e ela se agachou em frente a mulher, leu seu nome no relatório e a chamou muito calma.
_Sra. Mayer, a senhora tem que ser examinada.
_Ele não podia fazer isso comigo !
_E o que foi que ele fez ?
De seus olhos escuros duas lágrimas rolaram, ela apertou as mãos e só então abaixou a cabeça, balançando com veemência.
_Ele me traiu !
Os dois CSIs se assustaram quando ela levantou de repente, quase derrubando Sara, indo em direção ao marido, socando seu peito.
_Por que você tinha que fazer isso, você prometeu ! Você sempre me prometeu !
Grissom e Sara foram em direção à mulher, a afastando do marido caído e completamente ensanguentado.
_Venha, vamos conversar.
Os paramédicos viram quando Grissom acenou com a mão para que esperassem.
Sara acomodou Faye Mayers no sofá e se sentou ao lado dela.
_Será que agora … consegue me dizer o que aconteceu exatamente ?
Ela desabou no choro compulsivamente, descontrolada repetia que ele tinha prometido.
_O que ele prometeu ?
Grissom viu o quanto Sara estava se controlando, aquela calma toda escondia muito nervosismo.
Sabia que tinha que deixá – la agir. O contato físico era o primeiro indício de que a vítima confiava em seu interlocutor.
Ou seria uma eminente suspeita ? Ele achava que sim.
Entre soluços, e ainda abraçada a ela, balbuciava.
_Ele … ele me prometeu … que … nunca me trairia, ele prometeu ! Ele … mentiu.
Sara esperou que os soluços cessassem, pediu um copo de água a Grissom e serviu a ela.
_Então … você sabe quem fez isso a ele ?
Mais calma, mas não menos abalada, enxugou os olhos com as costas da mão e olhou para a CSI, confessando.
_Eu !
A partir desse momento Sara apenas ouviu, por quase meia hora, a história toda, desde que se conheceram.
Tiveram um começo de relacionamento conturbado, ele acabara de se separar e a ex-mulher não conseguia aceitar que ele pudesse já estar com outra pessoa em tão pouco tempo.
Faye confidenciou que, ao contrário do que a ex mulher pensava, nunca tinham tido qualquer tipo de contato antes, ela nem o conhecia. Eles foram apresentados por um amigo em comum, e assim como ele, ela também havia saído de uma traumática separação. O ex marido era abusivo e completamente descontrolado.
Ela fazia terapia há alguns meses e estava conseguindo se reerguer quando conheceu Jonathan Mayers.
Eles se deram bem desde o início, depois de muitas situações desconcertantes eles conseguiram um pouco de paz, quando a ex mulher arranjara um namorado também. Resolveram morar juntos e assim que o divórcio saiu, eles se casaram. Não tinham filhos, porque Faye havia perdido um bebê com a violência dos golpes que acabaram atingindo sua barriga de apenas quatro meses. Aquilo tinha sido a gota d´água e como consequências teve algumas complicações e necessitou de uma cirurgia de retirada do útero, tornando – a infértil. Tinha sido um golpe duro. Passava noites chorando sozinha e muito abalada emocionalmente. Em meio a desordem dos fatos que contava a Sara, ela confessou que teve vontade de matar seu ex marido, diversas vezes.
_Eu … eu ... acho que tenho … um gene assassino ! Sei que isso existe.
Sara se limitou a olhar para Grissom, que em silêncio apenas observava, sentado em outro sofá em frente a elas. Estava muito quieto, era necessário. Não havia necessidade de interromper, e Sara também sabia disso.
Faye continuou a descrever a sua vida, agora alternando momentos calmos e outros descontrolados. Ela tinha um problema sério de ordem psicológica. Os dois perceberam !
Contou que Jonathan era perfeito em tudo o que fazia, que em seu último aniversário lhe dera o cão de presente, para que não se sentisse tão sozinha. Ele viajava muito.
Jamais iria perceber alguma coisa se não tivesse recebido um telefonema anônimo de uma mulher a ameaçando se não o deixasse.
Foi aí que as coisas começaram a sair dos trilhos. Questionava seu marido e ele negava veementemente, sempre ! Até que um dia ela o seguiu, e o viu pegando um avião com outra mulher, contou que esperou em casa até que ele voltasse, cinco dias depois. Aquilo alimentou seu ódio, e ela se tornou um perigo real e iminente. Conseguiu atender as ligações dele, todos os dias e ainda ouvia com desgosto ele dizer que a amava !
Ela fechou os olhos e se encostou no sofá.
_Foi assim que acabei com essa tortura. Posso te dizer que … me sinto vingada, sei que vou para a cadeia, mas nenhum homem, nunca, jamais, vai me decepcionar.
….......
Agora eles voltavam para o laboratório, Grissom precisava se inteirar dos outros casos, enquanto Sara tinha um relatório minucioso para compor.
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