Chalé Nas Montanhas
6 O "barulho" do silêncio - "Não consigo evitar "
Hoje
A varanda muito bem construída, possua algumas pilastras de apoio e uma espécie de cerca de madeira envernizada com esmero, uma escada descia para o “quintal”.
O jardim era salpicado por muitas flores e a passarela que Grissom vira parecia agora, ainda maior.
Tudo era bem maior do que ele mesmo tinha visto.
Era uma casa que acomodava tranquilamente uma família bem numerosa. Mas não se importava, os outros chalés, bem menores, estavam todos ocupados. Então lhe restara aquele. Agradeceu aos céus e se ela estivesse satisfeita, ele estaria também ! Seus propósitos estavam todos se encaminhando para o sucesso.
O lago mais abaixo, possuía uma aramado de proteção em toda a sua extensão e as cercas vivas que delimitavam a propriedade, como também notara na agência de viagens, eram bem aparadas.
Havia uma preocupação muito grande com a segurança. Tudo era bem protegido, ou com pequenos portões ou em reforçadas telas, Bom para crianças, e animais de estimação.
_Isso é um sonho. Não consigo pensar em algum lugar mais bem organizado que esse. Ele é a sua cara, amor !
_Vamos descer até o lago, parece muito bonito.
Seguiram pela passarela de pedras brancas, parando de vez em quando para admirar as flores silvestres que, com certeza, tinham sido planejadamente dispostas por algum paisagista.
Ele abriu o portão do aramado e Hank ficou os observando enquanto admiravam o lago. Uma pequena canoa estava ancorada em um deck com um sombreiro de alvenaria e telhado que parecia muito novo. Dependurados, ficavam quatro remos e algumas varas de pescar.
Um cheiro gostoso de natureza e o frescor das águas límpidas invadiram seus sentidos, trazendo uma agradável sensação de bem estar.
_Acho que não vou querer mais ir embora.
Uma gargalhada desprendeu de sua garganta e ele a puxou para junto dele.
_Está ouvindo ?
_O que ?
_O “barulho” do silêncio ?
Eles levantaram a cabeça em direção ao lago, e inspiraram profundamente.
Uma pequena cadeia de montanhas recebiam as águas calmas e pacificadoras, que suavemente se quebravam nas pedras firmes.
_Vamos subir ? Precisamos comprar algumas coisas para abastecer a despensa.
_Claro.
Eles fizeram o caminho de volta abraçados. Hank correu à frente deles e em seu sanitário canino, se aliviou.
Antes de saírem, analisaram com cuidado todos os descritivos que Jacob lhes entregara.
Regras sobre o bom uso das dependências, a manutenção imediata de algum objeto quebrado, o cuidado com os animais e para sua grata surpresa, um local destinado especialmente para eles, quando estivessem na cidade. Um hotel canino. Com atividades, brincadeiras, e veterinários — babás vinte e quatro horas por dia.
_Você viu isso, querida ?
_Parece divertido, acho que ele vai adorar.
_Tem um programa completo aqui, podemos ficar tranquilos enquanto fazemos nossas compras.
_Gil ? Como conseguiu este lugar ?
_Procurei ser minucioso com o que eu queria, me mostraram muitas opções, mas com certeza, essa foi a melhor !
Não sabia se era o jeito bem treinado de quem o atendeu, ele apenas foi se abrindo, contando detalhes que jamais falaria a alguém. Como por exemplo, a paz que precisava ter para ficar com sua namorada. Contou que quase não tinham tempo. A atendente quis saber se ela era uma pessoa que valia a pena investir. Se lembrava de ter tido que ela era a coisa mais linda que tivera em sua vida,e que por ela, tudo valeria a pena. Contou sobre Hank, descreveu em detalhes seu comportamento, que era adestrado e muito obediente. Ela quis saber sobre a importância dele em suas vidas e ele procurou demonstrar o quanto gostava de seu amigo.
Ela dissera que tinha alguns lugares perfeitos para ele, e por fim mostrara aquela maravilha onde estavam agora.
Sara o encarava de uma maneira engraçada e curiosa.
_Em que está pensando ?
_Como conseguimos falar de nossas vidas para alguém que nunca vimos !
_Como assim ?
Ele balançou a cabeça e apenas finalizou.
_Tudo por uma boa causa !
>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>
Antes
Prestando atenção na estrada e alternando olhares em direção a ela que, muito quieta, mantinha a cabeça baixa.
_Sara ?
_Oi — Ela levantou a cabeça e se virou para ele.
_Você parece triste.
_Não é nada.
Será que estava chateada por causa da viagem, que parecia nunca dar certo ? Ou era o caso ?
Ela virou o rosto, olhando pela janela, o vento batendo em seus cabelos, perfumando o interior do veículo.
_É a viagem ?
_Não
Então era mesmo aquele caso, tinha mexido com sua cabeça, e ele não queria que fizesse aquilo consigo mesma. Transferência de sentimentos.
_Sara …
Ele ponderou, precisava pensar bem o que ia dizer … como era difícil, e se ele a magoasse, ou se ela o interpretasse mal ?
Ela estava olhando ainda pela janela, e mal respondeu.
_Hum
_Este caso mexeu com você, não foi ?
Ele não teve resposta, o que significava um sim !
Ela estava chateada com aquilo tudo, por que os homens tinham que fazer as mulheres se sentirem um lixo. Claro que Faye tinha chegado ao extremo, mas quem é que se conhece o suficiente para saber do que é capaz ?
Meio sem jeito ele se virou para ela, quando pararam no sinal.
_Você … não deve fazer isso !
_Fazer o que ?
_Se machucar assim …
_Eu sei …
O que ??? Ela concordou com ele ?
Sem que ela percebesse ele arregalou os olhos, precisava dizer mais alguma coisa, seguir adiante com aquela conversa, queria muito que ela não sofresse.
_Pode me dizer o que está se passando na sua cabeça ?
Era difícil dizer a ele que era um sentimento maior que ela, talvez precisasse de ajuda, ou talvez só precisasse de um tempo.
_Sabe eu … não consigo evitar …
Ela estava triste, e entristeceu a ele também, tudo que ela fazia o afetava.
_Sabe Gil, o que vocês, homens, querem de uma mulher ? Como conseguem dizer que ama, mas que tem necessidade de ter outra pessoa ?
_Isso não é amor, Sara !
_É uma hipocrisia, jurar amor a alguém … e enganar dessa forma. Olha até perdoaria um deslize, mas não perdoaria desonestidade.
_Sara … você não pode se sentir magoada pelos outros … você tem que olhar para a sua vida.
_Eu sei ... mas não posso deixar de me importar.
_Não acha que deve viver e cuidar do que realmente gira em torno de você ?
_Talvez eu tenha esse grave defeito. Temos que nos preparar para tudo. E quer saber, chega, vou acabar brigando com você e .. não quero !
Ela cruzou os braços, como uma criança emburrada.
_Desculpe …
_Tudo bem, Gil.
Tinha sido mesmo um caso difícil, impactante, mexia realmente com as pessoas, mas as vezes não queria que ela fosse assim, ela sofria !
Fale com o autor