Chalé Nas Montanhas

9 Novos amigos - Cuidando de Hank e uma proposta !


Hoje

Depois da refeição simples, mas muito saborosa, eles andaram de mãos dadas por toda a “cidade”, entraram em cada canto do complexo, sempre muito lotado, até pararem em um pequeno, mas bem abastecido estabelecimento para algumas compras de gêneros alimentícios.

Nunca haviam feito compras juntos, e foi muito engraçado.

Ele pegava um produto da prateleira e o analisava, como se fosse uma prova crucial para o desfecho de um crime. Ele repetiu aquele gesto uma, duas, três vezes.

_Gil ? Você não pode simplesmente pegar uma coisa de que goste e jogar no carrinho ? Tem sempre que ler tudo, sobre tudo ?

_Hã ? — Ele parecia não saber o que dizer.

_Você deve fazer isso com tanta frequência que acaba sendo até involuntário, não é ?

_É … talvez … bem … eu não sei. Acho que sim.

Ela riu dele, de sua expressão confusa, depois tocou seu rosto com os toques delicados de seus dedos.

_Relaxe, são apenas compras.

Ele suspirou e ficou olhando para o enorme espelho na parede acima de algumas prateleiras. Um homem de cabelos grisalhos os observava com um sorrisinho no rosto.

_Desculpe, acho que você tem razão. — Eles acabaram de abastecer o carrinho e foram para o caixa.

Enquanto aguardavam na fila, viram um grupo de pessoas entrarem conversando animadamente.

Uma loira que chamava muita atenção, e encarou Grisom descaradamente, um homem talvez uns vinte anos mais velho, depois um outro casal bem mais jovem, na faixa dos trinta … trinta e cinco anos e por último o mesmo casal simpático que viram bem mais cedo, no hotel e no restaurante.

_Precisamos descobrir quem está hospedado no chalé real ! — Alguém falou.

_Talvez devêssemos dar as boas vindas mais tarde, podemos lhes fazer uma visita ! — Outro respondeu.

Grissom olhou para Sara e cochichou.

_Será que estão falando de nós ?

_Eu não sei … “chalé real “ ?

_É … acho que é o nosso, pode ser que o chamem assim.

_Se for, acho que vamos ter visitas hoje !

Ele tocou em seu braço e se aproximou mais ainda de seu ouvido.

_Não quero receber visitas … eu quero você … só para mim !

Sara arregalou seus incríveis olhos castanhos, quase âmbar, e sorriu.

_Ei … o que aconteceu sobre “provar para mim que pode fazer amigos” ?

_O que há de errado em querer ficar sozinho com você ?

_Eu acho o máximo, vou adorar passar cada momento do seu lado, mas uma visita não significa que vão se instalar conosco !

Ele parecia meio desconfiado, queria saber se era realmente deles que estavam falando. A resposta veio logo em seguida. Alguém se aproximou do proprietário.

_Ei Edgard, você sabe quem está no Chalé XVI, já os recebeu aqui ?

Antes que ele respondesse, Grissom se adiantou, surpreendendo Sara.

_Somos nós ! -

_Vocês ? Olha que coincidência... pessoal … venham até aqui !

Os outros se aproximaram e formaram uma roda em volta deles.

Sara ficou completamente desconfortável, depois tentou relaxar.

_Olá, meu nome é Joel, desculpem o mau jeito, nós nos hospedamos nos outros chalés e sempre nos encontramos nesta época. Este ano, nossos amigos que costumam ficar no XVI não puderam vir. Então pensamos em tentar fazer contato, quem sabe podemos nos divertir juntos.

Grissom ficou sem ação, e Sara o acompanhou.

_Deixe – me nos apresentar. Como já disse sou Joel, esta é minha … mulher Allegra, Paul e Liza, e Jenny e Anton. Você são …?

Todos acenaram com a cabeça, os observando atentamente.

_Grissom e Sara.

_E então, estão gostando ?

_Muito ... é um lugar sensacional.

_Aquele chalé é um espetáculo à parte … então Grissom, sempre gostamos de fazer novos amigos, vocês se importam ?

_Não … — Mas ele se importava, de certa maneira, tinha que se expor e ele ainda tinha que conviver com a ideia, mas tinha praticamente prometido a ela, então faria o possível para cumprir.

Sara estava incomodada em como aquela loira chamativa olhava para ele.

_Hoje a noite, vamos nos encontrar em uma praia particular, costumamos beber e jogar conversa fora em volta de uma fogueira. Gostaria que nos acompanhassem, é só descer pela estrada, uns duzentos metros apenas, vai ver uma placa.

_O que você acha, querida ?

_Por mim, sem problemas.

Eles se despediram, e depois Joel completou.

_Não precisam levar nada, são nossos convidados, apenas um cobertor, faz um fiozinho por aqui, à noite !

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Antes

Alguns dias depois, Grissom ajeitava a coleira de Hank para seu passeio diário, quando percebeu seu focinho muito seco e quente, além de notar que ele não fizera muita festa ao vê – lo como era de costume.

_O que foi, garoto ?

Neste momento, a campainha tocou.

Tinham combinado de se verem, e matarem a saudade, já que há quase uma semana as coisas pareciam não se acertarem..

_Sara … acho que Hank não está bem, parece febril, além de estar muito quieto.

Ela se agachou ao lado dele e percebeu os olhinhos vermelhos e lacrimejantes.

_Acho que você tem razão. Ele me parece muito triste. Vamos levá – lo ao veterinário.

_Você … quer me esperar … aqui ?

_Não … eu quero ir com você, é claro !

Ele sorriu de lado, mas parecia muito preocupado. Era um cão saudável e nunca ficara doente.

_Vou apenas levá – lo para uma pequena volta para ele se aliviar e podemos ir.

Ela seguiu com ele para fora e momentos depois estavam sentados na sala de espera da clínica.

Hank estava deitado no chão de piso emborrachado e um pequeno cão tentava brincar com ele.

Uma mulher muito bonita parecia olhar com atenção para o casal à sua frente.

_Essa raça é encantadora.

_É sim — completou Grissom.

A dona do pequeno Willy, como era chamado o cãozinho saltitante, se sentou ao lado deles.

_O que ele tem ?

_Ainda não sabemos.

Hank se mexeu e soltou um gemido baixo, passando uma das patas nos olhos lacrimejantes.

_Ele parece um pouco incomodado e meio triste.

_Pois é, nós percebemos.

No momento em que a veterinária surgiu na sala, Hank espirrou.

Ela os cumprimentou e tomou a coleira de suas mãos.

_Vamos ver o que tem esse garoto bonito.

Eles a acompanharam, depois em silêncio ela o examinou minuciosamente, realizou alguns procedimentos, radiografias, sempre o tratando com muito carinho e atenção, e depois devolveu o cão a eles, se sentando em sua cadeira.

Ela explicou que ele estava resfriado e elogiou Grissom por ter percebido tão rapidamente, evitando a progressão do quadro para uma sinusite ou até mesmo uma pneumonia. Como era o início, o tratamento surtiria um efeito muito mais rápido e o desconforto do cão, seria breve.

Receitou alguns anti-inflamatórios, explicando que num estágio avançado, seria necessário a inalação com vapor, o que não era o caso dele.

A primeira dose foi dada no consultório mesmo, e ela marcou seu retorno para dali há uma semana, no mesmo momento em que os remédios cessariam.

Dirigindo de volta para casa, Sara observava o fiel amigo deitado muito quieto, no banco traseiro, seguro pelo cinto.

_Olha a carinha dele, Gil ! Estou morrendo de pena, vamos cuidar dele direitinho, não é ?

_Claro que vamos, ele é um cão forte e vai se recuperar com facilidade.

_Estou orgulhosa de você ! Está se saindo um bom pai !

Ele sorriu para ela, apertando sua mão delicada.

_Mesmo que pudéssemos, nossa viagem ia acabar ficando para depois, mais uma vez !

_Não me importo com isso nesse momento. É uma causa justa.

_Não está brava ?

_De jeito nenhum … até porque estou achando que isso nunca vai se concretizar !

_Veremos, senhorita Sidle, veremos !

_Vamos fazer uma aposta ?

_De que tipo ?

_Se você conseguir, pode me pedir o que quiser … qualquer coisa … mas vou te dar um prazo determinado. Um mês !

_Hum … isso me parece bom !

Ela nunca tinha visto aquela expressão de malícia no rosto dele !

_Grissom ! Que cara é essa ?

_Qual ?

_Essa que você fez agora … o que pensou em me pedir ?

Ele deu uma gargalhada. Outra coisa que raramente fazia, ou seja, quase nunca !

_Na hora certa vai saber, mas fique ciente que posso pensar em muitas coisas, muitas possibilidades.

_Jesus ! Já me arrependi, vamos desfazer nosso acordo.

_De jeito nenhum, você tem que ser uma mulher de palavra ! Não seja mesquinha, Sara !

_Mesquinha eu ? E você, com essa cara de safado, que eu nunca vi ?

_Safado ?

_Alguma coisa parecida.

_Não vai se arrepender, eu prometo.