Chalé Nas Montanhas
13 Consegundo fazer amizade - Angustiados
Hoje
Eles deram uma ultima olhada em Hank, ele continuava dormindo, Grissom travou os portões que davam acesso à frente do chalé, pegou uma coberta e desceram a ladeira de braços dados.
Sara se sentia muito cansada, o dia todo tinhas sido uma delícia, mas bem cansativo, e depois ainda gastara muita energia naquele quarto maravilhoso.
_Nós não vamos demorar, não é querido ? Estou muito cansada.
_Como você quiser, confesso que também estou cansado … você … sugou o resto de energia que eu tinha !
Ela cutucou seu ombro e sorriu.
_O desejo era seu … ficou satisfeito ?
_Muito mais do que imagina. Você foi perfeita !
Ela se sentiu orgulhosa e ele parecia mais lindo ainda à luz do luar, com aquela camisa branca aberta ao peito e as calças de algodão cinza. Ela escolhera uma calça de algodão também, branca e uma bata delicada. Usavam chinelos.
Andaram por alguns metros e avistaram a praia artificial que instalaram ali. Muito bonita, algumas pedras colocadas em lugares estratégicos, areia branca e fina espalhada ao longo do perímetro e alguns coqueiros bem cuidados. Não havia nada que estivesse fora do lugar.
Eles os receberam com carinho, Paul tinha um violão e Joel uma caixa térmica enorme, assim como Anton.
Algumas esteiras estavam espalhadas na areia e eles se sentaram, deixando a coberta de lado.
Jenny ofereceu um frisante a eles, enchendo suas taças.
_Este vinho é divino, o Anton conseguiu se superar.
Allegra levava a taça aos lábios num gesto quase sensual, ela olhava o tempo todo para Grissom.
Se ele percebeu alguma coisa, ela não sabia, mas de maneira nenhuma chamaria a atenção dele para ela, ia fingir que não estava vendo. Ela era uma mulher bonita que chamava realmente a atenção, e despertar o olhar dele para ela era no mínimo, uma imprudência, não faria mesmo que estivesse louca !
Paul começou a tocar uma canção bem suave, sua voz era magnífica. Um vento suave passeava por eles.
_E então, de onde você são ? — Joel quis saber.
_Las Vegas ! — Eles reponderam juntos. Grissom estava com as pernas cruzadas, encostado a uma enorme pedra e Sara , apoiada nele.
_Aquela cidade me enfeitiça, já visitamos uma dezena de vezes.
_Anton parece uma criança com todas aquelas máquinas e … aquelas luzes. É uma cidade bonita, mas noturna. Á luz do dia ela perde um pouco o encanto. O que fazem lá ?
_Trabalhamos no departamento de criminalística.
_Polícia ?
_Mais ou menos. Somos CSI — Eles responderam juntos novamente.
_Vocês trabalham no mesmo lugar ?
_Sim – Sara respondeu sorridente.
_Como é isso ? Vocês são casados ? — Liza parecia muito interessada.
_Nosso trabalho é muito dinâmico, nem sempre estamos na mesma cena e … nós somos namorados.
_Vocês formam um casal muito bonito.
_Obrigada Jenny.
O frisante era mesmo muito bom e Sara estava se sentindo muito leve. O clima estava uma delícia, mas estava começando a esfriar.
_Está com frio, querida ?
Allegra estava muito quieta, apenas observando, e sorriu quando Grissom falou com a sua namorada.
_Um pouco.
_Venha cá !
Ele abriu as pernas e a encaixou no meio dele, a encostando em seu peito, depois jogou a coberta sobre ela.
_E agora ?
_Obrigada amor, está bem melhor.
Ela sentiu uma das mãos dele abraçar sua cintura, a outra estava ocupada com a taça.
_Vocês tem um cão, Sara ?
_Sim, o Hank, um boxer de quatro anos.
_Você também tem um não é ? — Grissom se lembrou do cão peludo que vira no hotel.
_É Max, ele tem cinco anos, e o trouxemos porque está em tratamento. Ele foi atropelado, e ainda toma muitos medicamentos.
_Mas ele está bem ?
_Sim está muito bem. Ele é um terremoto !
Sara riu, imaginando a carinha peluda dele fazendo arte. Era um fox hound.
_Ele é uma graça.
_Hank também.
_Nem que me pagassem eu teria um cão ! Prefiro gatos ! — Desta vez Allegra se manifestou. Parecia um pouco alta. — Agora já o Joel ama cães. Acho que até mais do que a mim.
Joel a olhou por um tempo, depois respondeu.
_Não acha que já bebeu demais, querida ?
_Ainda nem comecei.
Anton e Jenny se entreolharam, assim como Paul e Liza.
Sara apertou a mão de Grissom por baixo da coberta. Ele depositou um pequeno beijo em seu ombro.
Aquela mulher a incomodava, não tinha tirado os olhos de seu namorado, e ela viu … tinha malícia neles.
Anton abriu uma cesta e distribui alguns pacotes de salgadinhos, amendoins e uma cesta de frutas secas.
_Como descobriu este lugar, Grissom ?
Joel resolveu não dar muita importância à sua mulher. Ela deu de ombros e se deitou de barriga para baixo em sua esteira florida. A única diferente, e continuou encarando os dois, principalmente Grissom.
_Em uma agência de viagens, aqui é muito bonito, disseram que íamos querer voltar e eles tem razão.
_Esta gostando Sara, daquele chalé ? Está aproveitando bem ?
_Estamos sim, embora hoje seja nosso primeiro dia.
_Aquele chalé faz maravilhas com a gente … imagino o quanto esteja mesmo aproveitando !
Ela piscou para Sara, depois olhou para Grissom.
_Então há quanto tempo namoram ?
Paul parou de tocar suas musicas maravilhosas e se virou para Grissom.
_Não há muito tempo … mas nos conhecemos há …. quanto tempo , querida ?
_Há quase seis anos.
_Como é a história de vocês, se conheceram no trabalho ?
Grissom ajeitou melhor Sara sobre seu peito e ela encolheu as pernas, depois ele encostou o queixo em seu ombro, usando as duas mãos para abraçá – la. Estava tão confortável e ele estava tão carinhoso no meio de outras pessoas, isso era novo para os dois. Nunca podiam fazer isso.
_Tudo começou com uma palestra, depois ela veio trabalhar comigo.
_Olha querido, que coincidência … o Anton era meu professor na faculdade.
_Mas isso não é assédio ?
_Allegra !
Ela bebericou outro gole de vinho e soltou uma gargalhada escandalosa.
Ninguém respondeu.
_Mas então e vocês … o que fazem ? — Grissom surpreendeu Sara … ele puxando conversa ?
Paul possuía uma rede de concessionária de automóveis, Liza era decoradora e tinham dois filhos adolescentes, que estavam em um acampamento de férias.
Jenny era enfermeira padrão e Anton era reitor da faculdade de Medicina e não tinham filhos. Joel era empresário no ramos de imóveis, tinha dois filhos também do seu primeiro casamento e um neto de apenas seis meses muito bonito, ele trazia uma foto do garoto em sua carteira, e Allegra era dona de casa … uma madame, para ser mais exata !
Jenny e Anton era o casal mais simpático dos três, embora ele se descrevesse paranoico e metódico.
Ele dissera que não sabia o que Jenny havia visto nele, dissera que aprendera a relaxar com ela, eles pareciam muito apaixonados. Ele brincava com ela o tempo todo, dizia ser uma desastrada por natureza e tudo acontecia com ela.
Não demorou muito para que sua “maior qualidade” viesse à tona !
Ela derrubou sua taça de vinho na manga da camisa de Grissom.
Muito sem graça ela pedira mil desculpas, que foram aceitas por ele de imediato.
No início da madrugada, eles resolveram voltar para seus chalés, o primeiro de cima era de Joel e Allegra, o segundo de Paul e Liza, e o terceiro bem ao lado do deles, de Anton e Jenny.
Grissom e Sara ficaram conversado mais alguns minutos no portão deles.
_Grissom, me desculpe por favor, mais uma vez.
_Não se preocupe Jenny, está tudo bem.
_Existe uma lavanderia na cidade, você entrega as roupas e pega algumas horas depois, são muito cuidadosos.
_Vamos fazer isso, obrigado.
Sara bocejou, o cansaço, o vinho, o calor dos braços dele em volta de sua cintura estavam surtindo um efeito calmante.
_Desculpem, mas estou morrendo de sono.
_Boa noite querida, adorei conhecer vocês, se precisar não hesite em nos chamar.
Jenny a beijou e apenas esticou a mão para Grissom, ela fez o mesmo com Anton.
Já debaixo do edredom, bem juntinhos Sara quis saber.
_E então, gostou de fazer novas amizades ?
_Sim, querida. Gostei muito do Anton e da Jenny.
_Eu também. — Ela finalizou aceitando o beijo de boa noite dele, fechando os olhos imediatamente.
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Antes
Muito quieta, sentada na sala, olhando para o nada, seus pensamentos começaram a incomodar.
Alguma coisa estava errada, fora do lugar.
Há alguns dias, ficara chateada por ele não estar lhe dando atenção. Grissom alternava momentos de carinhos com crises de total desatenção.
Seu trabalho, por diversas vezes tomava conta de sua vida de uma maneira que a assustava.
Ela admitia que também agira daquela forma em muitos momentos, mas isso, quando eles não estavam juntos. Ela se policiava para que isso não atrapalhasse o relacionamento.
Estava se sentindo em uma corda bamba. Inúmeras vezes ele se mostrava tão atencioso que a surpreendia. Existia um carinho extremo com ela, mas em outras ele parecia tão alheio como se nem mesmo estivessem trocado um simples beijo !
Isso a assustava !
Pela milésima vez tentou buscar uma explicação e chegou à conclusão que ele se sentia muito seguro em relação à ela. Sabia que ela o amava, que estaria sempre disposta a aceitar o que fosse, até mesmo seus distanciamento. Ele se entregava ao trabalho com um zelo extremo. Admitia, e isso se tornava uma manobra bem convincente. Sabia que, ás vezes, ele precisava de paz e espaço, entendia esse seu lado "solitário", mas precisava haver um meio termo. Tudo que era extremo, se tornava muito perigoso. Tinha pensado em ter uma conversa amigável com ele, mas quando teve oportunidade, ele parecia tão cansado e esgotado que talvez não fosse realmente o momento. Estava aguardando uma nova oportunidade quando aquilo tudo acontecera.
….......
Sentado no volante de seu carro, ele parecia viajar a anos luz de distância.
Os últimos dias tinha sido muito difícil para os dois, mas parecia estar tudo bem, pelo menos ele acreditava.
Estava ciente que tinha que dar mais atenção a ela, raciocinando agora, reconhecia que estivera um tanto distante.
Ficar com ela, era tudo que mais queria, mas por inúmeras vezes a rotina e a correria constante de suas profissões os tragava para um mundo quase solitário.
Pensando com maior clareza, ele se sentia confortável em saber que ele a tinha, ela era fiel e sempre pronta para estar com ele.
O amor dela lhe dava confiança, embora sentisse que estava falhando em algum ponto e precisava descobrir !
Agora tinha acontecido aquele pesadelo.
Esfregou sua testa, estava preocupado, não sabia se a deixava pensar um pouco para refletir ou se insistia em ir atrás dela.
Pensou na complexidade de um relacionamento, e se não fosse pelo amor que sentia por ela, talvez não estivesse disposto a ter tanta responsabilidade.
Ele se sentia responsável em relação a tudo que os envolvia, seu desempenho e evolução no trabalho, a situação delicada em esconder aquele romance dos colegas e superiores, no dia a dia.
Estava magoado também, dela não confiar nele, era certo que uma mancha de batom era inegavelmente preocupante, ela tinha razão, mas não era motivo para pedir que fosse embora. Queria resolver aquela estupidez juntos.
Impotência, foi o que sentiu, ele não conseguia entender sua própria cabeça, como entenderia a dela ? Só sabia que mal conseguia manter um relacionamento da maneira que tinha que ser.
Ela precisava de tempo … talvez ele também !
Estava cansado, cheio de trabalho a fazer, precisava focar na solução de muitos problemas, ele tinha um cronograma a cumprir, talvez fosse uma boa decisão ela pedir um tempo, um espaço.
Como poderia pensar uma coisa daquelas ?
Ele descansou a cabeça no valante, maquinando tantos por quês e talvez …
Mas … e se ela gostasse de ter mais espaço ? E se ela simplesmente descobrisse que, bem lá no fundo, ele não bastasse para ela ?
Tudo o que estava confabulando consigo mesmo foi por água abaixo.
Como ia viver sem ela ? Vê – la todos os dias, e saber que ela estaria livre para ficar com outra pessoa … que poderia entregar seus beijos a outro … e se … se apaixonasse por outro homem … que tivesse todo o tempo do mundo para ela … que a fizesse sorrir.
Chega !
Ele saiu de dentro do carro, em total desespero … precisava respirar, estava ficando sem ar, talvez estivesse tendo um ataque repentino do coração … a amava muito mais do que ele próprio poderia admitir. Respirou fundo, buscando encher seus pulmões e seu coração querendo sair pela boca.
Sentiu náuseas, parecia doente. Deu alguns passos depois parou, a porta escancarada, estava angustiado.
Voltou para o carro e deu a partida. Estava com medo ! Medo de ficar sem ela !
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