Chains
3 Homenagem
Notas iniciais
De quem são essas vozes? Meu estômago...
Jae-ha não teve muito tempo de refletir antes de colocar tudo para fora.
– Vamos Jae-ha, ponha tudo para fora!
– Ele vai ficar bem?
O dragão verde ainda não conseguia identificar de quem eram e de onde vinham aquelas vozes. Na verdade, não conseguia nem ao menos saber o que estava acontecendo. Sua única certeza era a de que não estava se sentindo bem. Seu estômago doía como o inferno.
– Já acabou? Consegue abrir os olhos agora?
A sim, adoraria abrir os olhos se pudesse! – pensou irritado
Seu corpo estava pesado e o enjôo ainda não havia cessado. A sensação era horrível. Além da dor e da ânsia, sentia como se tivesse perdido o controle total sobre si mesmo. A confusão por não saber o que se passava também não era a melhor sensação do mundo.
– Ei olhos caídos, levanta logo. Você já entreteve bastante a todos com esse show.
Jae-ha reconheceu prontamente a voz de Hak. Não pôde deixar de sorrir antes de respondê-lo:
– Aposto que está aproveitando, não é Hak?
– Cada segundo – respondeu o ex-general rindo.
Finalmente conseguiu abrir os olhos. Deparou-se com Yoon, Hak, Zeno e Yona encarando-o. Yona parecia preocupada, ao contrário de Yoon, que parecia bastante irritado. Zeno apenas sorriu ao ver o olhar do companheiro encontrar os dele, enquanto Hak sustentava um sorriso provocador.
– Bom dia bela adormecida – cutucou Hak novamente
– Não consigo pensar como esse poderia ser um bom dia – murmurou Jae-ha ainda tonto.
– Raijuu, ajude ele a levantar para sairmos logo daqui – pediu Yoon impaciente.
– Ok ok – concordou suspirando.
Hak aproximou-se do dragão verde, colocando um de seus braços por cima de seus ombros.
– Ahhh Hak, que feio aproveitar-se de mim assim quando estou sem condições de reagir – comentou ele sorrindo.
Num movimento rápido Hak soltou-o, fazendo com que caísse diretamente de cara no chão.
– Hak! – exclamou Yona brava
– O que? Escorregou – justificou-se fingindo inocência.
– Aiai, será que alguém poderia me dar uma mão aqui – resmungou Jae-ha ainda estirado no chão.
– Zeno ajuda – respondeu alegremente o dragão amarelo colocando um dos braços do companheiro nos ombros, assim como havia feito Hak.
– Obrigado Zeno, mesmo não conseguindo me levantar – agradeceu Jae-ha desapontado ao ver o amigo falhar na tentativa de erguê-lo.
– Pode deixar, eu levo – falou Hak, novamente pegando-o
– Obrigado sunshine – sorriu Jae-ha sendo arrastado.
Enquanto Hak o ajudava a se locomover, pôde finalmente analisar a situação com detalhes. Aparentemente não estavam mais dentro dos muros da cidade de Bruma. Mesmo andando mais devagar com intuito de poupá-lo, chegaram rapidamente ao acampamento, o que o fez deduzir que seus companheiros haviam erguidos as barracas bem próximo a cidade.
– O que aconteceu? – perguntou Kija correndo em direção ao grupo recém chegado com Shin-ah logo atrás, observando-os.
– Ressaca – respondeu Hak sem muita importância
– O que? Como você pôde? – perguntou Kija desapontado ao irmão dragão.
– Prometo te contar tudo assim que me lembrar dos acontecimentos – respondeu ele suspirando.
– Ou talvez seja melhor guardar os detalhes para si mesmo – acrescentou Hak.
– Sempre pensando o pior de mim, Hak – falou Jae-ha brincalhão.
– Cada um tem a fama que merece – respondeu Hak dando de ombros
– Mas a gente precisa saber quem foi a pessoa que envenenou o Jae-ha! – falou Yona aflita.
– Envenenou? – questionou o dragão verde se desvencilhando de Hak para se sentar no gramado.
– Sim, você foi envenenado – suspirou Yoon.
– Zeno encontrou Ryokuryu caído do lado de fora da cidade, próximo ao local que havíamos marcado de nos encontrar – respondeu Zeno.
– Caído hein? – perguntou com a mão no queixo – Deve ter sido uma linda visão me ver dormindo como um anjo – acrescentou sorrindo.
– Mais lindo ainda essa sua nova ‘‘tatuagem’’ – comentou Hak como quem não quer nada
– Verdade! Estava querendo perguntar sobre isso desde que vocês chegaram – comentou Kija aprontando em direção ao dragão verde.
– “Tatuagem”? – perguntou Jae-ha curioso
Zeno não conseguiu se conter ao tentar segurar a gargalhada. Yona mantinha uma das mãos sobre a boca, segurando o riso. Yoon revirou os olhos e resmungou algo, enquanto Hak sustentava um largo sorriso de gozação.
– Haha, adoraria que me contassem o que é tão engraçado para que eu possa rir junto com vocês também – falou sorrindo
– Rir? Imagino que depois de ver isso a última coisa que vai fazer vai ser rir – acrescentou Hak.
– Humpf – lamentou Yoon – Tem um lago logo aqui atrás. Basta ir até lá e dar uma boa olhada no reflexo.
O dragão verde pareceu refletir sobre a questão, mas antes de fazer qualquer movimento, Shin-ah se ergueu e partiu na direção apontada por Yoon.
– Aonde você vai Shin-ah? – perguntou Kija.
O dragão azul nem se deu ao trabalho de responder e apenas sumiu por entre a mata. Não demorou muito porém para que retornasse com uma vasilha cheia de água, oferecendo-a para Jae-ha.
– Aqui, Ryokuryu – disse ele timidamente.
– Obrigado Shi-ah kun – agradeceu ele pegando o recipiente e colocando prontamente em direção de seu rosto.
.......Silêncio. Todos observavam Jae-ha que encarava seu rosto refletido na vasilha. A expectativa era alta. Até que uma gota de suor escorreu pela lateral do rosto de Ryokuryu.
– Continua sendo um rosto encantador, porém. – comentou ele rindo sem graça.
– Onde alguns enxergam beleza, outros apenas enxergam a verdade – acrescentou Hak sorrindo amplamente – Sugiro que deixe ela permanentemente.
– Está bem engraçado mesmo – comentou Yona divertidamente.
– Que bom que divirto você, Yona querida – respondeu ele ainda sorrindo.
Não demorou muito até que todos caíssem na gargalhada. Todos, exceto claro, Shin-ah, que apenas observava tudo sem aparentemente entender a situação.
– Ok, ok, já perdeu a graça – falou Jae-ha procurando um pano para se limpar.
– Desculpa olhos caídos, mas isso nunca vai perder a graça – falou Hak – Afinal, não é todo dia que podemos ver uma linda “tatuagem” escrito Cachorro bem no meio da sua testa!
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