Chains

2 Confiança é algo sério


Notas iniciais
Olá! Antes queria agradecer aqueles que leram e gostaram do primeiro capítulo. Sei que foi bem curtinho e pretendo fazê-los maiores daqui pra frente. Outra coisa. A fic está sendo baseada no mangá, ou seja, se você não leu, pode ter muita informação que desconheça, além de, claro, conter spoilers. A história começa após finalizar o incidente do Nadai em Sensui. Espero que gostem! :D

Porto de Bruma

Yona e os outros haviam acabado de chegar a cidade portuária de Bruma, localizada no território da tribo da água. Após o incidente com nadai na cidade de Sensui, o grupo decidiu continuar no território da tribo da água para investigar o quanto a droga havia se alastrado e qual a dimensão dos estragos causados por ela.

– Antes de irmos até lá seria melhor que alguém desse uma verificada geral – sugeriu Yoon enquanto observavam a cidade ainda um pouco distantes.

– Pode deixar isso comigo. – respondeu Jae-ha se voluntariando.

– Hm, talvez seja bom levar alguém com você. – disse Yoon refletindo – Não podemos correr o risco de você ir aonde não deveria e voltar sem as informações que precisamos.

– Sinto-me ofendido Yoon – falou Jae-ha fingindo estar sentido – Como pode duvidar de mim? – terminou colocando a mão no peito.

– Não vou nem responder – devolveu Yoon com um olhar de censura.

– Então Zeno vai com Ryokuryu – falou Zeno alegremente com a mão levantada.

– Ahhhh...mas eu queria ir com o Jae-ha também – disse Yona tristemente.

–Claro Yona querida, você pode vir e...

– E...? – perguntou Hak interrompendo Jae-ha com a lança apontada em sua direção.

–...e podemos comprar um lindo presente para o Hak – finalizou Jae-ha com um sorriso provocador.

– Sério? Podemos mesmo? Temos dinheiro pra isso? – perguntou Yona ansiosa e esperançosa.

–NÃO! NÃO TEMOS! AGORA CHEGA DISSO! – interrompeu Yoon zangado – Vão logo vocês dois se não ficaremos aqui falando a tarde toda!

–Ok, calma mãe, se não vai acabar infartando com todo esse stress – brincou Jae-ha

– Eu vou infartar se ficar olhando pra cara de vocês ai parados! – rosnou Yoon

– Então Zeno e Ryokuryu estão partindo – respondeu Zeno já pulando nas costas de Jae-ha

– Será que da próxima vez você poderia subir de forma mais sutil? Se não eu acho que em breve terei sérios problemas na coluna – lamentou Jae-ha antes de pular em direção a cidade.

– Ryokuryu é jovem, aguenta qualquer coisa! – disse Zeno sorridente.

– Não diga o que você não sabe – respondeu Jae-ha suspirando.

Enquanto Jae-ha e Zeno dirigiam-se até a cidade, o resto do grupo saiu a procura de um bom lugar para montar acampamento, já que não tinham dinheiro para se hospedar em nenhum lugar. Com a visão de Shin-ha, não foi difícil encontrar um lugar ideal rapidamente.

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Jae-ha e Zeno aproximaram-se rapidamente da cidade. Decidiram que seria melhor aterrissar um pouco antes da entrada para que não fossem vistos por nenhum dos moradores, o que poderia gerar uma série de problemas. Bruma era uma cidade diferente das demais que até então nossos amigos haviam visitado. Por estar próximo a divisa com Sei, fora construído um muro em volta de toda a cidade para que fosse melhor protegida. A entrada e saída de todas as pessoas também era acompanhada por guardas que ficavam a postos em todos os portões.

– O que acha? Podemos pular o muro e correr o risco de sermos vistos ou então podemos tentar entrar passando pelos guardas – sussurrou Jae-ha

– Vamos tentar os portões primeiro – sugeriu Zeno.

Assim decidido ambos partiram em direção a uma das entradas. Encheram dois sacos com pedras e puseram por cima dos ombros com a intenção de se passar por comerciantes. Zeno, claro, teve dificuldade em manter o equilíbrio carregando um saco pesado de pedras.

– Ei, vocês dois. – falou um dos guardas – O que vieram fazer em Bruma?

– Somos comerciantes vindos de Sensui – respondeu Jae-ha sorrindo com naturalidade.

– É mesmo? E o que vocês vieram vender aqui? – perguntou outro guarda desconfiado.

– Estamos vendendo frutas senhor – dessa vez Zeno quem respondeu

– Frutas hein? E será que poderia me mostrar essas frutas? – perguntou um dos guardas.

Nesse momento Jae-ha sentiu-se aflito. Pelo visto não haveria outra maneira a não ser passar a força. Mas antes que pudesse fazer qualquer movimento, Zeno se adiantou.

– Claro, podem ver – respondeu Zeno tirando o saco das costas.

Os guardas então se aproximaram para checar a mercadoria, porém no mesmo instante um garoto passou correndo por entre eles. Os guardas imediatamente se levantaram e foram atrás do garoto, que ria a fazia careta para seus perseguidores.

– Volta aqui seu moleque – gritava um dos guardas zengado

Vendo uma brecha, os dois dragões se adiantaram e passaram pelos portões agora desprotegidos. Continuaram a caminhar por alguns minutos sem olhar para trás, até que tivessem afastados o suficiente da entrada.

– Por que penso que aquilo tem algo a ver com você? – perguntou Jae-ha curioso

– Zeno deu uma moeda para o menino distrair os guardas – respondeu rindo e coçando a cabeça.

– Você as vezes me surpreende. Deve ser a sabedoria dos mais velhos – falou Jae-ha brincando.

Após se livrarem das pedras, os dois partiram com objetivo de conhecer melhor a cidade. As ruas estavam muito movimentadas e logo descobriram que a cidade estava promovendo um evento que reunia diversos comerciantes da região, assim como alguns estrangeiros também. Com um fluxo de pessoas muito grande, decidiram que iriam se dividir para abranger o maior número de pessoas e lugares que pudessem, marcando um horário e um ponto de encontro para se reunirem.

– Caso veja algum sinal de confusão, não aja sozinho, ok? – alertou Jae-ha

– Não se preocupe, Zeno é bastante cuidadoso – respondeu o dragão amarelo.

– Ok, nos vemos em breve – falou Jae-ha se misturando a multidão.

Apesar de ficar um pouco preocupado com Zeno, tinha que admitir que adorava a sensação de andar sozinho por uma nova cidade. Mesmo juntando-se a Yona e os outros por vontade própria, Jae-ha sempre sentia a necessidade de ter seu espaço. Sentia-se vivo quando conhecia novos lugares e pessoas. Era um curioso por natureza, sempre querendo ver mais e mais do mundo.

Andou por entre ruas largas e vielas estreitas interagindo com os moradores que encontrava pelo caminho. Não tinha problemas em socializar com todos os tipos de pessoa, parecia atrair as pessoas com seu sorriso simpático e receptivo. Não notou porém quando esbarrou em um vulto encapuzado que cruzou sua frente de forma apressada.

– Ops, me desculpe! Você está bem? – disse ele oferecendo a mão para que a pessoa se levantasse

– Aiai, estou bem sim, obrigada – respondeu a garota segurando sua mão.

Jae-ha não havia percebido que se tratava de uma mulher até que o capuz escorregou de sua cabeça ao se levantar. Ele a encarou por um instante, admirado por sua beleza. Seus olhos eram verdes e o cabelo loiro, cumpridos até o meio das costas. Claro, ele não perderia a oportunidade de observar uma garota de perto, seja ela quem fosse.

– Sinto muito senhorita – disse ele novamente dando seu sorriso encantador

– Ah, está tudo bem, não me machucou – respondeu ela esquivando-se do seu olhar.

– Mesmo assim, sinto-me mal por tê-la feito cair. Tem algo que eu possa fazer para recompensá-la? – perguntou ele segurando sua mão.

– Ah bem....- disse ela parecendo apreensiva e olhando para os lados – er...não é necessário, estou bem, sério. – terminou de falar parecendo querer se desvencilhar de sua mão.

– Bom, não é o que está parecendo. A senhorita está fugindo de alguém? – perguntou ele ao notar seu nervosismo

– Fugindo? Não, não! – respondeu ela apressadamente

– Bem, pois me parece que sim. Não se preocupe, eu vou ajudá-la. Mas precisa confiar em mim, você confia? – perguntou ele olhando diretamente em seus olhos.

– Bem...eu...

–POR ALI, PROCUREM POR ALI! NÃO DEVE ESTAR MUITO LONGE! –gritou um soldado próximo a eles.

A garota rapidamente se escondeu atrás de Jae-ha. Os guardas não vinham na direção dos dois, porém ela não saiu até que não fosse possível mais ouvir seus gritos.

– Então é deles que está fugindo? – perguntou Jae-ha assim que ela saiu de trás dele.

– Olha, eu agradeço, mas você deveria ir embora. – respondeu ela já se virando e indo embora.

– Espere – ele a interrompeu segurando em seu pulso – Me leve com você. – pediu ele insistente.

– Eu já disse... – ela parou no meio da frase ao ouvir os gritos dos guardas se aproximando novamente – Ok, mas venha depressa então! – respondeu puxando-o pelo braço

Jae-ha apenas sorriu como resposta, deixando-se guiar pela garota. Ele a observava enquanto caminhavam. Suas roupas estavam rasgadas e suas mãos machucadas. Ele não sabia dizer ao certo o que havia acontecido com ela, mas não parecia ter sido algo bom. Não demorou muito até que entrassem em um beco que levava a uma pequena e ainda mais estreita passagem. Por fim, chegaram a uma pequena vila.

– Esse lugar é bem escondido, hein? – perguntou ele curioso enquanto examinava o lugar.

– Vem, por aqui – respondeu ela pegando novamente em seu braço e o arrastando para dentro de uma pequena casa

O lugar era minúsculo e bem abafado. Não havia quase nada no aposento, a não ser uma sacola e um pedaço de pano esticado em um dos cantos.

– Você mora aqui? – perguntou ele espantado.

– Bem...sim – respondeu ela sem graça, dirigindo-se para a sacola que estava jogada perto dela.

Jae-ha observou a garota que remexia sua sacola de pertences. Sentia-se triste por vê-la viver em uma situação tão precária. Queria ajudá-la de alguma forma.

– Você tem comido? – perguntou ele sério.

– Ah, eu como de vez em quando. Bem, aqueles guardas estavam atrás de mim porque peguei essas maças de um comerciantes – falou ela mostrando duas maças na mão – Eu sei que não deveria roubar, mas eu estava realmente com fome – terminou abaixando a cabeça.

– Não fique assim – disse Jae-ha segurando suas mãos próximas a ele – Você fez isso apenas para sobreviver. – falou olhando firmemente para ela.

– Eu sei mas....

– Não justifique – interrompeu-a colocando o indicador em seus lábios. – Eu vou ajudar você. Tenho algum dinheiro comigo, vamos sair e comer alguma coisa. O que acha? – sugeriu ele sorrindo.

– Você tem dinheiro mesmo? – perguntou ela

– Sim, não é muito, mas podemos comer algo decente – sorriu ainda mais para ela.

– Bem, obrigada. Mas gostaria de comer as maças antes. Me sentiria mal de não comê-las, já que eu as roubei. Afinal, poderiam estar alimentando outras pessoas – falou ela mostrando as duas frutas para ele.

– Tem razão. Vamos comê-las antes e depois saímos. Fechado? – perguntou ele piscando para ela.

Assim a garota ofereceu uma das duas maças em sua mão. Elas eram enormes e pareciam bem suculentas. Apesar de não estar com fome, Jae-ha decidiu comer para não fazê-la sentir-se mal.

– A propósito, ainda não me disse seu nome? – perguntou ele após dar a última mordida.

– Lana. E o seu? – devolveu a pergunta a ele.

– O meu é Jae-ha – respondeu com o maior sorriso encantador que conseguiu dar.

– Bom Jae-ha, espero que tenha um bom descanso – falou Lana devolvendo o sorriso na mesma intensidade.

– Descanso? Mas por que eu teri....

Jae-ha não teve tempo de terminar sua frase, pois logo sua visão foi escurecendo até chegar a escuridão total. A última coisa que o dragão verde conseguiu enxergar foi um par de olhos profundamente verdes encarando-o com desdém.

Notas finais
Primeiro gostaria de me desculpar por qualquer erro! Segundo, agradecer por quem não desistiu e continuou lendo a fic! Espero que estejam gostando! ;)