Certo e Errado

2 Anjo ou Demônio?


Depois de um tempo tudo fez sentido, fiquei sem falar com Gabriel, mas vi que estava certo, que era verdade. Acredito sim que são anjo e demônio! Marquei um encontro com ele em uma lanchonete perto do trabalho. Lá, ele ficou realmente feliz por eu crer em suas palavras.

— E então anjo, o que devo fazer? — Perguntei esperando que ele me mostrasse qual caminho seguir.

— Apenas siga com a sua vida, não desista. Lute contra seus pesadelos até que eles desapareçam! Vou continuar ao seu lado até que se livre completamente da culpa.

— Obrigado; Gabriel. — Disse um pouco mais tranquilo.

Mas minutos depois, tudo que eu acreditava até o momento seria questionado. Uma mulher caminhava em nossa direção, olhos verdes e cabelos ruivos. Nunca imaginaria que ela aparecesse na “realidade”. Fiquei meio paralisado e surpreso, ela sentou ao nosso lado encarando Gabriel furiosamente.

— Maldito. Sempre enganando pobres almas; não é Gabriel? — indagou a ruiva.

— Saia daqui demônio! — Ele falou também com uma expressão nada agradável. Eu apenas observava a conversa dos dois.

— Demônio? O que acha de demônios Gabriel? Responda sinceramente.

— Demônios são criaturas desprezíveis, falsas, enganadoras, manipuladoras e que só praticam o mal.

— Ah é? Então isso deve ser elogio para você. — Ela me fitou com seus lindos olhos verdes e afirmou — Ele é o Demônio, e eu sou o Anjo.

— Anjos fazem pessoas se matarem?! — Questionou Gabriel com sarcasmo.

— Escute Maike... — Ela ignorou-o e continuou falando para mim. — Isto não é real, você está sonhando. Morrer é a única forma de voltar para sua vida, onde Natane ainda vive.

Eu fiquei sei saber o que dizer ou em quem acreditar. Só consegui dizer:

— Suicídio é errado.

— E como você sabe o que é certo e o que é errado?

— Sei porque são coisas que aprendi minha vida inteira.

— Por que acredita que as pessoas que te disseram isso estão certas?

Não sabia mais o que responder para ela, mas ainda acreditava mais em Gabriel, que disse com raiva:

— Então você, suposto anjo, afirma que o melhor para ele é se matar?

— Sim, se livrar deste lugar surreal.

— Tem como provar o que está dizendo? — Perguntei a mulher.

— Pense Maike, não está se esquecendo de ninguém? Alguém importante?

— Meu Deus! Como pude me esquecer?