Cerejeira
9 9 - Sentimentos confusos
Kakashi olhou para o relógio ao lado da cabeceira, ainda eram quatro horas da manhã quando ele finalmente se levantou depois de tanto brigar com a insônia.
Não conseguia tirar Sakura da cabeça, os seus beijos, os seus olhos verdes encarando-o com timidez, sua boca pequena e doce na dele... todos esses pensamentos deixavam-no atordoado, ainda não entendia como tudo aconteceu, foi tão rápido que ele não teve tempo de digerir todos aqueles sentimentos confusos.
Ele se arrastou para longe do cobertor e foi em direção à cozinha onde colocou a chaleira para ferver, depois depositou dois pequenos papéis de chá em uma xícara e esperou que a água fervesse.
Lá fora o céu ainda estava escuro, salpicado com as últimas estrelas da noite. Um vento gelado balançou os cabelos de Kakashi, trazendo o cheiro das cerejeiras. Sakura. A antiga pupila veio à sua mente mais uma vez, entre tantas mulheres da vila porque ele foi justamente se apaixonar por ela? Porque se declarou? O que ele esperava que ela fosse responder?
Eram tantas perguntas que ele teria esquecido a água no fogo se não fosse pela chaleira que gritava em meio ao silêncio da madrugada.
Ele estava absorto em seus pensamentos quando ouviu o barulho de passos no corredor que se aproximavam da sua porta, pôde ver uma sombra parada bem em frente, em seguida duas batidas na porta.
— Hokage! — Era a voz de Yamato, seu tom era de urgência — O senhor está acordado?
Kakashi foi até a porta abrindo-a lentamente.
— O que foi?
Yamato não respondeu de imediato, na verdade não sabia como, sua expressão era de tristeza e dor. Aos poucos retirou algo do bolso e entregou para o outro.
— Foi encontrado há pouco na área dos escombros, reconhece?
Kakashi pegou o objeto nas mãos: uma bandana vermelha. Sakura. O cheiro adocicado não deixava dúvidas.
— Sakura.
— Sim, senhor — respondeu Yamato — Tentamos contato com ela, mas não tivemos resposta. Ela não está em casa e também não atende o telefone.
Kakashi sentiu o quarto girar, o coração disparado no peito o impedia de falar, a notícia o deixara tonto. As lembranças dos últimos dias com Sakura invadiram sua mente, deixando-o atordoado, se perguntando a todo instante quem poderia ter feito aquilo. Sasuke foi o primeiro nome que surgiu em sua cabeça, ele havia admitido que estivera no campo os observando no dia do atentado. Será que ele também estava por trás disso?
— Kakashi, você está bem?
O Hokage se sentou, de repente suas pernas não conseguiam mais sustentar o peso de seu corpo.
— Precisamos fazer alguma coisa.
Continuou Yamato.
— Você já avisou o Naruto?
— Ele está vindo para cá junto de Sai. Vão junto com alguns anbus procurá-la.
— Eu também vou.
— Não — respondeu Yamato prontamente — O senhor é o Hokage agora, precisa deixar isso nas mãos dos outros.
— Mas ela é.... — Kakashi gritou, estava fora de si, descontrolado, não se reconhecia — Minha aluna.
Disse por fim.
Yamato ficou ali por alguns segundos estudando o rosto do colega. Havia algo de diferente na atitude de Kakashi, algo que ele nunca viu e portanto não soube interpretar. Ele também estava triste por Sakura, na verdade também não conseguia lidar com os próprios sentimentos naquela hora.
— Eu sei, mas precisa ficar aqui, Konoha precisa de você.
E eu preciso dela. Pensou Kakashi.
— Estamos pronto Hokage.
A voz de Sai soou longe, quase como um sussurro. Kakashi estava perdido em pensamentos enquanto encarava a vila de sua sala.
Naruto não tinha dito nada desde que havia passado pela porta, havia uma perturbação em seu chakra.
— Podem ir.
Respondeu Kakashi com tristeza.
— Posso conversar com você Kakashi-sensei?
A voz de Naruto soou fria, quase como se não tivesse perguntado e sim afirmado.
Pela primeira vez o Hokage se virou para encará-los e viu o olhar duro de Naruto sobre ele.
Droga. Ele sabe. Pensou.
— Claro Naruto.
— Vou esperar no portão da vila. — Disse Sai fechando a porta atrás de si.
— O que está acontecendo?
Quis saber Naruto.
— Acho que Sakura foi raptada.
— Não é sobre isso que eu estou falando, e você sabe.
— Naruto — Kakashi pensou em dar explicações, mas não encontrou argumentos, estava irritado e preocupado demais para pensar em dar satisfações para o antigo aluno — Eu não preciso me explicar pra você.
Os rosto do mais novo ficou vermelho, a resposta do antigo sensei não era bem o que ele esperava.
— Como assim não deve se explicar pra mim? — gritou Naruto socando a mesa do Hokage — Você acha que pode simplesmente sair por aí se engraçando com a Sakura?
— Você tem algum problema com isso?
Havia vergonha no rosto de Naruto, ele mal conseguia falar.
— E-Eu não tenho nada com isso, é só que... ela é a Sakura e...
— E? Não superou o seu romance infantil com ela?
— Isso não tem nada a ver!
— E o que é? Prefere que ela fique com o Sasuke?
— O que?! De jeito nenhum! Ele não a merece!
— E quem a merece então?!
Ambos ficaram em silêncio, não havia muito mais a ser dito. Kakashi sentia-se impotente por não poder sair e procurá-la. Ele confiava nos meninos e na organização, mas queria ele mesmo resgatá-la e mais ainda, queria acabar com a vida da pessoa por trás disso.
— Escute Naruto, eu não tenho tempo agora pra falar com você sobre isso — Disse massageando as têmporas — Só vá buscá-la, por favor. Traga-a de volta.
Naruto ficou ali, encarando estático o sensei, nunca o tinha visto perder a compostura daquela forma, nunca o tinha visto tão envergonhado e tão... apaixonado. O garoto então apenas assentiu e desapareceu corredor a fora.
Kakashi o viu através da janela correndo em direção à entrada da vila para encontrar-se com Sai.
Por um segundo sentiu a perturbação no chakra de alguém próximo, familiar.
— Há quanto tempo está ai Yamato?
O Ninja pareceu se assustar, estava parado ao lado da porta fora da vista de Kakashi.
— Ehr... Acho que ha algum tempo...
— Vai me julgar também?
Suspirou Kakashi.
— Não. Sakura bem... ela já é uma mulher, não é mais a nossa aluna.
— Sim.
— Alguém mais sabe?
— Eu não sei, acho que Sasuke desconfia de alguma coisa.
— O que você vai fazer a respeito?
— Ainda estou pensando sobre isso.
Os dois ficaram em silêncio por um momento. Yamato tinha milhões de perguntas, mas aquele não era o momento apropriado.
— Vou indo, preciso ficar em comunicação com a organização.
— Tudo bem.
Antes de sair Yamato se virou para o amigo.
— Só não faça... nenhuma besteira, tudo bem? Lembre-se: você é Hokage agora.
— Como vou esquecer?
Yamato saiu pela porta fechando-a. As pernas estavam bambas, o coração parecia acelerado no peito. Sakura. A imagem dela veio à sua mente. Ela havia se tornado uma mulher linda e independente, e isso de alguma forma começou a mexer com ele há algumas semanas, quando a encontrou no hospital.
Ele se lembrou das amenidades que trocaram, do sorriso dela e de como esse sorriso não saía de sua cabeça há dias. Droga. Agora Kakashi estava pensando nela também, talvez não na mesma força com que ele pensava. O que iria fazer?
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