Notas iniciais
Bom, mais um cap (:
Espero que gostem e comentem ^^
Boa leitura LOL

Fiquei parado encarando a porta e a luminosidade que saia pela fresta. Acho que tinha congelado ali, respirando fundo com um pouco de força, apertando as mãos. Acho que sentia um pouco de vergonha também, por ser tão vulnerável aos olhos profundos do homem que provavelmente estava dentro do quarto.

Aquela imensidão iluminada e luxuriosa que parecia poder te ver sem roupas e esquecer o seu próprio nome.

- O que faz aqui fora? – o dono dos olhos perguntou, atrás de mim, com aquele corpo quente perto do meu.

Como podia reconhecer tão bem a sua voz? Só havia escutado tal som uma vez na vida e me parecia ser tão conhecido.

Ele passou a minha frente, e abriu a porta, se apoiando na mesma, olhando-me, esperando que eu passasse pelo portal. Porém eu não conseguia me mover. Não conseguia dar um passo a frente, ou correr dali.

Ele esperou pacientemente, com uma mão dentro do bolso da calça e a outra apoiada na porta. Vestia veludo e seda nas cores preta e azul bem escuro, como da outra vez.

O rei deu um suspiro e passou o braço pela minha cintura, puxando-me gentilmente para dentro, fechando a porta com o pé.

- Não precisa ficar paralisado desse jeito meu querido... – ele falava baixo e rouco, me fazendo arrepiar.

Fomos até uma mesa redonda na varanda coberta, com uma mesa posta para dois. Ele puxou a cadeira de um lado, para que eu me sentasse, para somente então ir ao seu lugar.

Me ajeitei na cadeira de veludo, o olhando. Ele estava com as mãoscruzadas sobre a mesa, ainda me olhando.

- Por que devo a honra de ser convidado para um jantar particular com o rei? – falei meio baixo, sem muita confiança.

Ele pareceu pensar por um tempo, olhando mais para a chuva que caia para fora do pequeno telhado da varanda do que olhava para mim.

- Não sei, na verdade. – ele começou calmo. – Mas quando veio desmaiado para um quarto, gostei de da sua aparência. – ele falou direto dando-me um sorriso malicioso.

- M-minha aparência? – gaguejei.

De tantas qualidades que tenho, ele toca logo nesse ponto, tão superficial.

- Sim, claro. – ele se ajeitou na cadeira, comendo-me com os olhos. – Penso que consegue tudo o que quer com esse rosto de criança e esses cabelos cinza bagunçados.

- Como é? – perguntei chocado.

- Estou errado? – o rei franziu o cenho.

- Completamente majestade. – disse com ironia a segunda palavra.

- Não conseguiu um jantar comigo pelas suas outras habilidades. – ele sorri e tomou um gole de uma taça com detalhes em prata.

- E quem sugeriu que eu queria jantar com o senhor? – me levantei com as mãos na mesa.

- Quem não quer? – ele indagou.

- Eu não quero! – quase rugi para ele. – Não sei se sabe, majestade, mas nem todos do reino o idolatram pela sua aparência ou charme. – falei irritado e comecei a andar para a porta.

- Não sou somente aparência e charme! – agora ele estava visivelmente irritado, e vinha andando atrás de mim.

- Agora sabe como me sinto. – falei abrindo a porta pesada de madeira.

- E você é mais do que aparência? – ele riu com as mãos na cintura.

Com a porta aberta olhei para trás, e andei até ficar parado bem a frente de Brendon.

- Muito mais, meu rei. – dito isso desferi um tapa em sua bochecha e sai pisando forte.

Mas como ele ousa dizer isso? Só por que ele é rei acha que pode tudo!

Andei em passos firmes pelo castelo até a saída, onde a carruagem ainda estava lá. O rei não havia me seguido, muito menos mandado os guardas me seguirem por conta do tapa.

Recusei a carona e andei até em casa, enfurecido debaixo da chuva. Queria voltar lá e falar varias verdade para aquele menino metido a rei. Mas sabia muito bem que isso não acabaria nem um pouco bem, ainda mais depois de abusar da minha sorte espancando aquele rosto lisinho e lindo.

Arg, lindo, ele bem que podia parecer um ogro de conto de fadas, ou algo assim, para aprender uma lição.

Entrei em casa batendo a porta, e tirando as roupas molhadas deixando-as esticadas em uma grade na frente da lareira. Fui ao banheiro ainda batendo o pé como uma criança, e me enxuguei com uma toalha, e fui deitar no sofá, sem roupa mesmo, dormir debaixo da colcha fina que ficava sobre o sofá, dando um pouco de cor ao bege claro do móvel.

Não queria subir e deitar com Jared, meu mau humor podia muito bem arruinar seu sono.

Dormi rápido e acordei com alguém cutucando minha bochecha, provavelmente o loiro que se apossava da minha casa.

- Você tem visita. – ele falou baixinho, mordendo minha orelha.

Me sentei no sofá, segurando a colcha para cobrir partes que não deviam estar a mostra, e olhei o enorme guarda a minha frente. Ele deu um passo ao lado, e Brendon estava lá, com os braços cruzados e a cara amarrada de forma hilariante.

- Quem é esse? – ele perguntou olhando o loiro agarrado no meu braço, sentado atrás de mim.

- Sou Jared Lockhart. – o loirinho falou envergonhado.

- Hm. – o rei resmungou, e voltou seu olhar a mim. – E esse Jared Lockhart é o que seu?

- Meu amigo. – Não que seja do seu interesse. Acrescentei em pensamento.

- Em fim, quero que saia comigo. – ele ergueu a sobrancelha, olhando-me malicioso novamente.

- Não será possível majestade. – falei com respeito.

- Porque? – ele descruzou os braços.

- Tenho que trabalhar. – falei simples.

- Bom, eu sou o Rei Brendon DeLuise, acho que com um pedido especial, seu patrão pode lhe ceder um dia de folga. – ele falou. – Onde trabalha?

Não respondi, não queria passar a tarde com ele, falando sobre coisas fúteis e outras bobagens, e ainda por cima me insultando.

- Onde ele trabalhara Lockhart? – ele se dirigiu diretamente a Jared, como uma flecha em fúria.

- Na loja de vinho do senhor Joseph, senhor. – ele falou meio tremulo se apertando mais ao meu braço.

O rei de cabelos cor de petróleo apenas deu um toque no ombro do seu guarda, que logo saiu da casa, e outro guarda entrou tão grande quanto o outro.

- Problema resolvido. – ele sorriu de lado. – Eu espero você se vestir. – ele continuou sorrindo e se sentou em uma das poltronas.

- Tenho trabalho a fazer em casa. – falei franzindo o cenho, tentando me livrar dele e voltar a minha vida normal.

Ele me olhou de lado, desafiador.

- Acho que nunca conheceu os calabouços do palácio. – ele sorriu sádico.

- Como é? Vai me prender por não sair com você? – a que ótimo, só me faltava essa.

- Não, vou lhe prender por bater no rei. – ele falou se referindo a noite passada. Pude ouvir Jared quase ter uma parada cardíaca atrás de mim. – Porem se me der o prazer da sua companhia, posso muito bem esquecer o acontecido. – ele sorriu, cruzando as pernas.

- Eu vou me vestir. – falei serio, enrolando a colcha fina no corpo e indo ao quarto.

Coloquei uma roupa simples, mas fui devagar no processo, esperando que o rei fosse embora, e me deixasse em paz. Desci as escadas, mas minhas esperanças foram embora quando o vi sentado na mesma poltrona na qual estava antes.

Ele se levantou e ajeitou um pouco a roupa, olhando-me de cima a baixo. Esperou que eu descesse as escadas, e me deu seu braço para segurar, como um perfeito cavalheiro.

Segurei em seu braço forte, e fui conduzido a porta, e depois a carruagem — a mesma da noite passada.

Fiquei em silencio a vigem toda, me corroia de vontade de perguntar par onde íamos, já que a carruagem não rumava para o castelo e sim a outra direção.

Não sei exatamente quanto tempo se passou, mas chegamos a um bosque lindo, com árvores altas e carregadas de folhas e flores, e alguma até com frutos suculentos que faziam alguns galhos se entortarem. A carruagem obviamente não passava pelo bosque, então saímos dela, e começamos a andar para dentro da mata densa e verde.

Um criado nos seguia com cestas grandes uma mala nas costas enorme, que mal conseguia imaginar o peso daquilo.

Não andamos muito, mas a caminhada foi um tanto cansativa por pular os troncos e pedras, mas o final foi recompensador. Era o alto de uma colina com visão para todo o feudo do rei Brendon DeLuise.

O criado arrumou uma toalha quadrada bordada no chão de folhas fofas, e acima dessa espalhou travesseiros igualmente bordados, encostados na árvore e em algumas pedras colocadas perto. Ainda em cima da toalha abriu a outra cesta e arrumou um café da tarde delicioso e bem arrumado com pães, frutas, queijos e vinhos.

Cansado da viagem logo me sentei em meio aos travesseiros sempre acompanhado pelo rei, que abraçava minha cintura, acariciando por cima do tecido de leve, deixando-me arrepiado.

Brendon tentava puxar conversa a qualquer modo, mas contentava-me em bebericar o vinho e olhar a paisagem.

Mas quanto mais bebia vinho mais me aconchegava em seu colo, e apertava seu corpo contra o meu, então mal percebi quando tentava me aconchegar entre suas pernas para que meus olhos pudesses se fechar com calma.

Notas finais
Bjs
G Wentz