Century Loved (Sendo Revisada)

30 Chapter 29 - “Jantando” o desconhecido


Notas iniciais
Vamos ler conversamos no final.

18 de Novembro 2039


POV Jacob

De tudo o que estava acontecendo o que nós menos precisávamos era de JJ discutindo com Willian por causa de ciúmes. Quando eles subiram para Inglaterra ele já sabia o que poderia enfrentar principalmente com Dr. Erick que já tinha demonstrado interesse em Will. Depois de terminar de conversar com JJ procurei por Renesmee.

– Está no quarto.

– Futriqueiro! Sai da minha cabeça! — resmunguei com o Edward que nem me ao menos me deixou farejar o ambiente em busca da minha mulher e já foi se intrometendo.

– Já passamos dessa fase Jacob.

Quantos anos?

– Uns trinta...

Pois é, mas eu ainda não consegui me acostumar com você invadindo meus pensamentos.

– Mal agradecido!

Intrometido.

Eu saí rindo em direção ao quarto. Essa rixa entre Edward e eu já tinha terminado há muito tempo. Mas a implicância tinha se tornado um costume irônico.

– Implicando com meu pai de novo amor?

– Velhos hábitos são difíceis de morrer.

– Vem cá sobe aqui.

Renesmee estava deitada dando batidinhas com a mão no colchão me convidando-me a ficar deitado com ela. Ela estava com uma roupa de dormir. Acho que devia se chamar baby doll era de seda preta com renda totalmente sensual.

– Está ansioso por amanhã? – Ela me perguntou enquanto eu me acomodava.

– Sim... Só uma pena que não poderei entrar. As buscas na península Olimpic foram decepcionantes. Eu estava tão confiante que me encontraria logo. Ao mesmo tempo em que estou ansioso estou com medo de que esse instituto não dê nenhum resultado. Estou entre a esperança e o pessimismo.

– É totalmente normal e aceitável... Estamos todos assim. Mas algo me diz que algo bom vai acontecer. Que estamos perto. Não se preocupe se o seu corpo estiver lá Carlisle fará tudo para transferi-lo para o CP.

– Tomara. Não vejo a hora de poder te abraçar te tocar de verdade e de te amar.

– Eu também meu amor. Mas já estou grata por ter você ao meu lado... Por saber que está vivo. Que você está aqui comigo e que o nosso amor ultrapassa qualquer barreira.

Nessie sempre foi muito carinhosa, mas depois de tudo o que nos tinha acontecido ela ficou mais. Sempre estava perto de mim, sempre me tocando, como se para ter certeza de que eu não iria fugir dali. Me fazendo cafuné ela começo a cantarolar¹ quase sussurrando ao pé do meu ouvido.

Nunca pensei que pudesse me sentir assim... Como se estivesse vendo o sol pela primeira vez... Desvanecer com um beijo seu. A cada dia te amo mais e mais. Ouça o meu coração você pode ouvi-lo cantar? Me dizendo para dar tudo a você. As estações podem mudar de inverno a primavera. Mas eu amo você até o fim dos tempos.

Haja o que houver, haja o que houver. Eu te amarei até o dia da minha morte.

De repente o mundo parece um lugar tão perfeito. De repente se move com uma graça tão perfeita. De repente minha vida não parece um desperdício. Tudo gira em torno de você... E não há montanha tão alta nem rio tão extenso. Cante esta canção e eu estarei ao seu lado. Nuvens de tempestades podem se formar e estrelas podem colidir, mas eu amo você até o fim dos tempos.

Haja o que houver, haja o que houver. Eu te amarei até o dia da minha morte....



19 de Novembro de 2039


POV Willian


Uffa... Esse era o meu sentimento, tranquilidade. JJ e eu estávamos bem novamente e quando lhe disse do jantar com Erick fiquei apreensiva e com medo de que brigássemos novamente, mas isso não aconteceu. Agora eu tinha todo o apoio dele. Ligamos para a sua família falamos com Alice que ficou eufórica quando soube que estávamos bem. Mais uma vez fiquei a par das buscas deles e também contei sobre a minha última cartada na Inglaterra. Carlisle me alertou para ter cuidado, ele não sentia segurança em Erick. Desejamos boa sorte a eles e eles a nós. JJ ainda ficou conversando com o pai dele por alguns minutos. Eu saí do quarto, mas mesmo assim foi impossível não escutar Jacob mandando ele segurar a onda comigo e parar de ciúmes excessivos. Filho, confiança é tudo em um relacionamento! Está bem pai... Eu aprendi a lição.

Estávamos nos arrumando para ir ao CP quando meu tele link toca. Olhei para o visor era o numero do Dr. Erick.

– É o Dr. Erick. Faz silêncio. – Pedi ao mesmo tempo JJ fez uma careta engraçada. O bom disso é que atendi com um lindo sorriso no rosto.

– Alô...

– Dr. Erick. Estava pensando no senhor agora mesmo. – Menti. Ao mesmo tempo que vi um sorriso abrir em seu rosto.

– Olá Willian. Que bom, fico feliz em saber. E eu já lhe disse que pode me chamar apenas de Erick. E deixar o senhor de lado.

– Verdade. É que é difícil tirar o costume da formalidade. Principalmente você que é um homem tão importante. Mas bem, diga-me o que trás a satisfação de falar com você logo pela manhã?

– Bom... Eu fiquei preocupado te procurei ontem e não te encontrei.

– Ah Erick... Você não vai acreditar. Acredita que nessa altura do campeonato eu peguei um resfriado?

– Isso é algo realmente difícil de acreditar nos dias de hoje. Mas você está bem? Tem que fazer exames pode ser algo mais grave. O resfriado foi erradicado há anos.

– Bom... Não acho que tenha sido causado por algum vírus acredito que foi causado por desleixo meu. Dormi com a janela aberta... Estava tão cansada que nem percebi. Aqui na Inglaterra nessa parte do ano é frio demais. Mas já tomei um coquetel com umas vitaminas e hoje acordei novinha em folha.

Como você consegue mentir tão fácil assim? – JJ me perguntou mentalmente. E quase que eu rolei os olhos na frente do Erick.

– Fico muito feliz em saber disso. Por um momento fiquei preocupado que isso prejudicasse o nosso encontro hoje. Você não tem ideia de como aguardo por esse dia.

– Assim você me lisonjeia Erick. Pode ficar tranquilo. Inclusive eu já estou saindo para o CP. Nós nos encontramos lá?

– Não. Infelizmente. Por isso te liguei também. Ah que horas posso passar aí para te buscar? Às oito horas está bem pra você?

– Está perfeito. Então nos vemos mais tarde.

– Sim. Tenha um bom dia. Beijos.

– Obrigada, para você também Erick. Tchau.

Beijos... Ah Erick assim você me lisonjeia...

­Eu não aguentei e tive que cair na gargalhada... Simplesmente impagável JJ imitando o Erick... E o mais engraçado ainda era ele me imitando. Ele ficava irresistível.

– Está fazendo charminho pra nos atrasarmos?

– Willian você é muito convincente para o meu gosto. É de arrepiar. E meu pai ainda me pede pra “segurar a onda”. Queria ver se fosse ele.

– Sabe que eu te amo não é mesmo? Desde que você deu aquela cabeçada no armário no laboratório e virou pra mim que me vi perdidamente apaixonada por você. Hoje eu sei e você também sabe que se me pedir pra parar com isso tudo eu faria sem nem mesmo pestanejar. Basta apenas me pedir.

– Eu nunca faria isso com você meu amor. Nunca tiraria a oportunidade de você encontrar seu pai.

O dia passou rápido não sei se era porque eu não queria, mas o tempo sempre é assim age contra a gente. Quando queremos que ele passe logo ele enrola... Nunca faz o que a gente deseja. Cheguei a essa conclusão quando terminava de me arrumar. JJ fechava o zíper do meu vestido quando recebi uma mensagem do Erick informando que me estava me aguardando no lobby do hotel. Um frio de expectativa e medo subiu pela minha coluna. Era a minha ultima cartada. Logo me despedi de JJ e desci ao seu encontro.

Erick sempre se portou muito elegante, atencioso e carinhoso. Pelo menos comigo, mas todos o temiam em qualquer lugar em que ele estivesse. Ele exalava poder, e mesmo com todas suas gentilezas isso me assustava muito. Apesar de sempre trajar camisa social e gravata por debaixo do jaleco branco, hoje ele estava diferente, mesmo estando dentro de um terno de linho caro, muito bem cortado que obviamente fora feito sob medida ele tinha um “Q” jovial e a expressão “vestido para matar” lhe caía muito bem. Ele como eu, estava investindo todas as suas apostas, só que em jogos diferentes.


– Willian.

– Erick.

– Você está radiante. Não pensei que pudesse ficar mais linda do que já é.

– Obrigada Erick, você também está maravilhoso.

Ranrrrss. – JJ rosnou na minha cabeça e eu quase gargalhei na frente do Erick. Tive que literalmente morder a língua para não cometer essa gafe. – Se cuida! E volte logo pra mim. Eu te amo. – Ele me recomendou.

Nesse momento eu também queria ter esse poder e devolver essas mesmas palavras e o carinho de JJ. Ter seu apoio foi fundamental para que me sentisse segura o suficiente estivesse à coragem pra seguir até o fim. Entrei em uma espécie de limusine só que em um modelo do qual eu nunca tinha visto a venda no mercado. Mesmo com os novos carros lançados no pós-guerra aquele modelo era totalmente diferente dos que eu já tinha visto. Não haviam rodas, pelo menos elas não estavam visíveis, fiquei me perguntando como seria a sensação de andar dentro daquele veículo. A viagem até o lugar desconhecido pra mim durou uns vinte minutos e conversamos trivialidades durante todo o percurso. Estávamos chegando, quando olhei pela janela e vi um castelo. Mas pensando em Erick e toda sua “gloria” por que ele não me levaria a um castelo.

– Nossa! — Foi o eu deixei escapar mesmo tentando não parecer muito impressionada. Assim que o chofer abriu a porta pra mim e me deparei com a belíssima construção tão linda e exuberante. – Mora aqui?

– Sim. Sempre que estou na Inglaterra fico aqui. Sempre admirei castelos e assim que pude mandei construir o meu.

Era gigantesco magnífico e surpreendente. Digo surpreendente, pois assim que coloquei meus pés lá dentro me deparei com uma decoração totalmente inesperada para um castelo. Totalmente inesperada para qualquer lugar do mundo. Quando vi o exterior do castelo como todo mundo imaginaria, eu imaginei uma decoração totalmente provinciana e cheia de relíquias, quadros raros enfim... Mas não, era tudo tão diferente... não tenho palavras pra descrever.

– Erick. Eu nunca vi nada assim antes.

– É eu sei, poucos viram querida. Hoje eu detenho aproximadamente 50% de toda tecnologia do mundo. E tenho tecnologia trinta anos à frente de toda tecnologia divulgada no planeta.

Bom isso explicava tudo... Uma das coisas mais incríveis que vi foi a TV. Ela era um simples tampo de vidro aplicado na parede. Com apenas um comando de voz ela ligou mostrando as noticias do jornal local. Não havia fios e nem botões, só a placa de vidro. E eu feliz com minha velha TV de led. Por um momento me senti uma ignorante.

– Isso é maravilhoso. Por que não colocam no mercado?

– Willian... É tudo uma manipulação. Tudo que o é criado é lançado primeiramente em versões inferiores para que haja a movimentação do comércio. Até a disputa de marcas não passa de uma jogada de marketing.

– Isso é um ponto em que eu nunca pensei.

– Não é nada mais nada a menos do que a manipulação das massas.

Erick em todo tempo foi muito gentil me mostrou alguns cômodos. O que mais me impressionou foi a sala das ilusões que é como ele chama mas na realidade o nome era sala de realidade virtual. Algo totalmente novo e incomum. Entramos nela e ele me perguntou se tinha algum lugar do mundo onde eu queria conhecer eu parei para pensar um pouco e me lembrei de quando Renesmee me disse sobre a lua de mel dela em Bora Bora... Sorri com o pensamento... Não. Isso não seria possível.

– Qualquer lugar?

– Sim. Diga-me.

Me surpreendi com a realidade do lugar aos poucos as imagens foram aparecendo e logo me vi a beirar mar. Era fascinante, o cheiro de sal e peixe ao longe... O calor do sol esquentando a pele, a maresia. Olhei mais a frente e vi as ondas se aproximando senti vontade de tirar os saltos.

– Vamos tire os sapatos e sinta é sensacional!

Tirei os saltos e senti os grãos da areia branca e quente debaixo dos pés a brisa suave do oceano e me aproximei assim que veio a próxima onda a senti atingir meus pés refrescando-os da areia morna. Era tudo tão lindo. O mar tão transparente, o céu tão azul. Mesmo Renesmee tendo me contado com seu jeito especial somente agora eu entendia a nostalgia dela. Eu pude sentir. Era maravilhoso estar ali, junto das ondas, olhando o movimento das gaivotas. Imaginei como seria bom estar em um lugar tão paradisíaco assim com JJ. Saí dos meus devaneios quando Erick falou ao pé do meu ouvido.

– Você escolheu um lindo lugar. É relaxante. Uma pena que hoje ele já não seja assim. Bem, você deve estar faminta. – Ele falou se afastando ao ver que me incomodei com sua aproximação tão repentina. – Vamos jantar?

Como em um estalar de dedos todo aquele ambiente desapareceu e estávamos novamente naquela sala gigantesca.

– Alfred.

– Mostre à senhorita Willian onde fica o toalete.

– Pois não.

Alfred era um senhor de feições agradáveis que aparentava estar chegando à casa dos seus sessenta anos. Deveria ser um sobrevivente da guerra. Por um momento me senti tentada a perguntar. Mas controlei meus impulsos de curiosidades. Não era o momento pra isso. Assim que entrei e me vi ao espelho vi que eu realmente precisava me recompor. Aquele sol escaldante e aquela maresia me fizera suar. Assim que me recompus voltei e o tal do Alfred me conduziu até a sala de jantar. Assim que me sentei vários empregados apareceram trazendo bandejas que continha cheiros totalmente agradáveis trazendo consigo a promessa de um jantar maravilhoso.

– Você tem muitos empregados. Pelo menos não fica sozinho aqui nesse castelo.

– Você diz eles? Apontou para os empregados que nesse momento estavam nos servindo. – São ciborgs.

Eu estava levando o garfo à boca quando ele me respondeu. Eu fiquei totalmente sem palavras. Por um triz que não pergunto a um robô sobre o seu passado. Hilário. O que ele poderia me responder?

– São incríveis não é mesmo? Tenho trabalhado e investido nessa tecnologia há anos. Logo eles estarão à venda.

Eu já tinha visto robôs trabalhando antes em serviços essenciais como transporte público e limpeza urbana. E eles realmente aparentavam ser robóticos. Mas aqueles eram incrivelmente parecidos à raça humana. Erick realmente conseguiu me deixar impressionada.

– Bom Willian você já deve ter percebido que eu cativo um carinho especial por você não é mesmo. – Disse ele interrompendo meus devaneios sobre a alta tecnologia.

– Bom eu não vou negar, e me pergunto o que você viu em mim.

– Pode parecer clichê se eu te responder que você me lembra muito uma pessoa que foi muito especial pra mim?

– De maneira alguma. Mas tenho que ser sincera em dizer que a sua aproximação realmente me assustou. Você é um homem muito importante e imponente. Chega a ser assustador.

– Tem medo de mim?

– Não. – Menti. – Eu na verdade apenas me expressei mal.

– Tudo bem eu entendi. Gosto da sua sinceridade. Se incomoda se lhe fizesse algumas perguntas? Quero conhecer você melhor.

– De maneira alguma. Pode fazer. Se sentir que devo respondê-las.

– Sempre sincera. Isso me fascina em você e a faz mais parecida...

Ele interrompeu seu devaneio sem me dizer o nome da tal mulher na qual eu fazia tão parecida. Deu-me vontade de perguntar, mais parecida com...? Mas havia coisas mais importantes a serem discutidas e não podia perder meu tempo questionando os passados amorosos do Erick e na verdade nem me importava com isso. Eu estava esperando o momento certo para fazer as perguntas certas. Ele aparentava ser incrível, mas eu não me via sendo a mulher dessa excentricidade toda.

– Você tem relacionamento com filho de Carlisle? O Jacob Cullen.

– Sim. – O percebi enrijecendo quando apertou o garfo com uma força desnecessária. – Somos grandes amigos. – Completei mentindo.

– Ah isso era notável. Estão sempre juntos. Acho que ele é apaixonado por você. – Ele chutou jogando verde. Após a reação a primeira pergunta percebi que Erick não era um homem que costuma perder. Senti o medo atravessar minha pele.

– Impossível. Invejoso sim. Melhor amigo, talvez. Apaixonado? Pode ser uma possibilidade. Romanticamente falando totalmente descartada. – Meu amor me perdoe. – pensei. – JJ é gay.

Um sorriso apareceu em seu rosto. Era um misto de alegria, vitória e satisfação. Sem contar a surpresa.

– Bom, ele disfarça bem.

– Sim. E eu estou falando demais. JJ não tem coragem de expor isso. E eu peço a sua discrição. Contei-lhe um segredo que não é meu.

– Sobre o quê mesmo?

– Obrigada.

– Me diga, quais são seus hobbies suas paixões. Seus ídolos.

Ponto! Que oportunidade maravilhosa. Essa eu não deixaria de maneira alguma passar. Ele abordando o assunto ficou muito mais fácil não iria parecer que eu estava procurando por alguém já que era ele quem fazia as perguntas.

– Bom... Ídolo eu não tenho. Desde criança sempre fui muito curiosa e estudiosa. Na grande maioria aprendi tudo sozinha lendo vários livros de todos os tipos de assunto e estudos e posso ditar isso como um hobby. Então um dos doutores e estudiosos no qual mais identifico e que chega a ser mais perto de um ídolo e eu acho suas teses maravilhosas é o Dr. Jeremy Walker. Mas acredito que ele não sobreviveu à guerra, pois nunca vi uma tese dele que seja depois de 2011. – Erick ficou pensativo. Eu fingi que não notei sua reação e continuei “tagarelando”. – Já ouviu falar dele?

– Sim. Claro. Erick e eu estudamos juntos. E ele não está morto. É um dos meus cientistas mais fabulosos na área de genética robótica.

– Engraçado. Nunca tive o prazer de encontrá-lo no CP daqui.

– É claro que não. Jeremy é um cientista exclusivo e tem seu próprio laboratório em Hastings².

Assim que ele falou me veio a lembrança da carta que meu pai me deixou ...“O segredo está no nome... Não diga o seu verdadeiro nome pra ninguém...” Então era isso, quando ele disse que o segredo estaria no nome não estava falando do meu sobrenome verdadeiro e sim do falso. Ninguém poderia saber ou obter uma ligação entre nós e isso já me era obvio. Mas eu nunca poderia ter imaginado que meu sobrenome poderia ser uma pista da localização do meu pai. E pelo o que ele tinha me falado na carta. O meu nome era uma dica.

– E adoraria realizar um sonho seu. Suponho que conhecer Jeremy seria seu sonho não é mesmo?

– Sim... Você não tem ideia do quanto.

– Sou um pouco ciumento. Mas não vejo mal em apresentar Jeremy a você. Quem sabe ele não lhe mostre um de seus projetos.

– Há pode ficar tranquilo. Não tenho o poder de roubar Dr. Jeremy de você.

– Não estava me referindo a Jeremy e sim a você.

Aquela tinha sido direta. Como JJ diz na cabeça do prego. Os empregados começaram a retirar as louças do jantar e a servir a sobremesa. Enquanto isso eu fiquei submersa em pensamentos. A alegria era tão grande que as lágrimas ameaçaram transbordar. Mas eu tive que segurar fundo.

– Willian.

– Sim.

– Desculpe-me por ser direto, mas eu tenho que esclarecer tudo com você. Creio que você já percebeu que cultivo sentimentos por você desde que a encontrei naquele elevador no CP do Canadá. Quero saber se tenho chances. Não sou homem para desistir nos meus desejos e preciso saber o que terei que fazer para conquistar você.

Naquele momento a sobremesa que tinha acabado de ingerir desceu goela abaixo como se eu tivesse engolido uma pedra de cimento seca. Eu não queria lhe dar esperanças ao mesmo tempo em que estava tão perto do meu pai que não poderia e maneira alguma perder essa oportunidade. Resolvi ser verdadeira parcialmente.

– Vou ser sincera.

– Por favor. Eu prezo por isso. É o que mais admiro em você.

– Eu me sinto bem quando estou com você. Nunca é igual, digo, nossas conversas. É agradável estar perto de você. Mas nunca cogitei algo, como posso dizer...

– Romântico?

– Sim. Romântico.

– Então vamos dar tempo ao tempo não é mesmo?

– Não quero lhe dar falsas esperanças Erick. Não estaria bem com isso.

– Não se preocupe comigo. Há muitos anos sou dono do meu nariz e vacinado posso lidar muito bem com isso.

Após o jantar ele me levou a uma sala onde tinha uma lareira. Apesar de toda sofisticação o lugar era muito aconchegante. Uma música leve tocava no ambiente.

– Me concede uma dança antes que eu a leve de volta para seu hotel. Isto é se quiser voltar. Pode dormir aqui tenho vários quartos disponíveis.

– Concedo a dança e agradeço o convite, mas prefiro voltar ao hotel.

Dançamos umas duas musicas dentro de mim um turbilhão de informações, sentimentos e sensações duelavam dentro de mim. Ao mesmo tempo em que sentia medo de Erick uma fascinação me tomava. Ele era um homem apaixonante. Dominador. Ao mesmo tempo em que me sentia atraída por ele e seus galanteios meus extintos ou algo parecido com sexto sentido me alertavam para tomar cuidado. Erick era um homem experiente e sabia muito bem conquistar tudo o que desejava. Isso era um fato. Eu apenas tenho que tomar cuidado e não confundir meus objetivos, perder meu alvo e magoar aos que mais amo nessa vida.

Entrei no quarto e encontrei um JJ preocupado e nervoso. Ele estava tão submerso que somente segundos depois que eu entrei foi que ele correu até mim me tocando e analisando como se estivesse procurando algum arranhão.

– Eu estou bem amor. Relaxe.

– E aí me diz como foi? Conseguiu alguma informação? Ele tentou abusar de você? Ele...

– Calma! Por partes amor. Vamos começar pelas más notícias primeiro certo?

– Ok.

– Bom, ele se declarou pra mim...

– O quê?!

– Amor a gente já sabia que isso ia acontecer. Não entre em desespero.

– Não, não, não... Espere aí me conte isso direito. Deu esperanças a ele?

– Não, claro que não. Mas também não o dispensei. Deixe-o entender que poderia continuar tentando.

– Will... Eu vou ficar louco! Por que você fez isso? Por que não dispensou logo esse psicopata?

– Amor, ele sabe onde está o meu pai! Ele vai me levar até ele.

– Como assim? Por que não me disse isso antes?

– Falei que lhe contaria primeiro as más noticias lembra?

– Certo. Desculpe-me. Diga-me como foi que conseguiu saber disso?

Contei a JJ tudo o que tinha acontecido, como foi o jantar os principais assuntos abordados na conversa que tive com Erick. Contei a ele que disse a Erick que ele era gay. JJ surtou!

– Calma meu amor. Ele estava desconfiado de você.

– Calma? Você só pode estar brincando...

Contei sobre eu ter a pista da localização onde meu pai estava o tempo inteiro e nunca ter entendido. Se tivesse captado a mensagem antes não precisaria ter tido todo esse trabalho. Talvez até não precisasse me envolver ou até mesmo entrar em contato com Erick.

– E quando vai encontrar seu pai?

– Essa é outra das boas notícias, aliás, é a melhor. Ele passa aqui amanhã cedo. Vamos pra Hastings. Vou ficar dois dias lá. Ele já ia. À verdade é que quando ele soube que eu era “fã” do Dr. Jeremy me convidou a ir junto.

– Vou ficar dois dias sem você?

– Infelizmente. Mas é por uma boa causa.

– Bom então vamos aproveitar o tempo perdido.

JJ era malicioso e tudo nele era motivo para acabar nos amando, bem dessa vez eu concordei ficar longe dele por dois dias era um tempão pra mim também.

Agora deitada nos braços de JJ eu estava em estado total de euforia. Não conseguia dormir, a ansiedade para que amanhecesse rápido me agoniava. Logo aquela velha disputa com o tempo reiniciou. Vários questionamentos vinham a minha mente. Será que meu pai iria me reconhecer? Como será a minha reação ao estar frente a frente com ele? Como será a reação dele a me ver? Tantas coisas na minha cabeça. E lutando contra tudo isso eu adormeci.

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1 — Musica da Nessie: Come What May — Filme Moulin Rouge

2 — Hastings é uma cidade e um distrito no sudeste da Inglaterra, no condado de East Sussex. A população era de cerca de 84 000 habitantes em 2000. FONTE:Wikipédia


Notas finais
Bjks...
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¸.·´¸.·*´¨) ¸.·*¨)
(¸.·´ (¸.·´ Diê Kellner ;)