Century Loved (Sendo Revisada)

31 Chapter 30 - Reencontros III


Notas iniciais
Oie...Fiz com muito esforço e carinho, espero que gostem..

20 de Novembro 2039


POV Renesmee


À tardinha um pouco antes do anoitecer começamos a nos preparar para irmos ao instituto onde estavam algumas pessoas que tiveram contato e sobreviveram à radiação nuclear. A noite não era o horário habitual de atendimento aos visitantes, mas lhes dissemos que viríamos de longe e que não podíamos demorar muito. Todos queriam ir, inclusive Jacob, mas lá não era permitida a deambulação de civis. Jacob estava ansioso e chateado ao mesmo tempo por não poder ir, mas não seria o único. Iria apenas eu papai e o vovô Carlisle.



– Promete que se me encontrar não vai sossegar até me tirar de lá?



– Prometo meu amor. Aliás, nem preciso prometer algo tão obvio assim. A mais interessada em te ter de volta sou eu.



– E se eu não estiver lá? Procuramos tanto pela península Olimpic. Foi tão frustrante. Está sendo tão frustrante. Tudo o que eu queria quando tive a chance era voltar é ficar perto de você, mas agora isso não está mais sendo o suficiente. Quero te abraçar, te apertar e te beijar.



– Eu sei disso. Fique tranqüilo. Se você não estiver lá, nós o procuraremos em cada canto desse planeta. Eu não descansarei até poder lhe abraçar e lhe beijar novamente. Pelo menos como deve ser.



– Vamos Renesmee. Estamos prontos. – Meu pai me chamou.



– Já estou descendo.



Dei-lhe um beijo bem demorado no focinho. Ele me lambeu molhando todo o meu rosto. Aquela situação realmente já estava ficando constrangedora. Mas não verbalizei meu pensamento Jake já estava ansioso e estressado o suficiente.



– Eu te amo! Fique bem, volto logo e espero que com notícias boas.



– Tudo bem. Vai com Deus. E eu também te amo.



Saímos de encontro ao desconhecido. Quando chegamos ao instituto fomos muito bem recepcionados, assim que nos identificamos fomos encaminhados para uma sala e aguardamos sermos atendidos pela supervisora de plantão.



– Boa noite. Sou Jeniffer em que posso ajudá-los?



Ela entrou e o cansaço estava visível em seus olhos, fiquei imaginando quanto tempo ela estaria ali fazendo o seu plantão. E se o seu cansaço não prejudicaria no seu atendimento. Respondemos ao seu cumprimento e vovô tomou a palavra.



– Estou procurando um sobrinho meu. Acredito que possa ter sobrevivido.



– Bem, vocês não são os primeiros a virem atrás de seus entes queridos, muitos estão irreconhecíveis e espero de coração que vocês o encontrem aqui. Também perdi muitos nessa guerra estúpida e sei o tamanho do sofrimento a qual vocês devem estar passando. Mas antes vou ter que verificar alguns detalhes com vocês. É o protocolo.



– Sem problema algum. – Respondeu o vovô. – Pode realizar seus procedimentos como achar necessário.



Como já sabíamos o que iria ser pedido levamos toda documentação necessária. Para entrarmos lá teríamos que tomar dose da vacina anti-radiação. Como eles perfurariam uma agulha em papai ou no vovô? Seria impossível. Com isso Jasper fez toda documentação onde comprovava o uso das vacinas inclusive para mim. A fim de que passássemos por toda a burocracia imposta pelo sistema.



Enfim conseguimos entrar e Jeniffer nos encaminhou para a área onde ficavam os leitos.



– Aqui dentro é totalmente protegido. – Jeniffer explicava para nós – Cada indivíduo sobrevivente absorveu a radiação ao ponto de sofrer uma mutação personalizada. Com isso impedimos o contato do paciente ou paciente ou com qualquer outro profissional da equipe de saúde.



Era incrível o cuidado, logo nos pudemos conferir tudo o que Jeniffer explicava. Havia vários leitos e eles eram separados por boxes de vidro temperado e os agentes de saúde entravam em seus boxes com roupas que lhes protegiam dos pés a cabeça. Na verdade faltava bem pouco para eles serem confundidos com algum astronauta ou os antigos apicultores.



Andamos por todo complexo do instituto e procurei atentamente por cada sobrevivente na esperança de encontrar o meu amor. Após uma hora e quarenta minutos de deambulação voltamos frustrados para sala de Jeniffer. Eu estava acabada, não sabia como olharia para o Jake e lhe diria que não fomos felizes em nossas buscas mais uma vez.



– Jeniffer, muito obrigada. Vimos o quanto são ocupados por aqui e o quanto foi prestativa em nos ceder um pouco de seu tempo.



– Renesmee não é mesmo?



– Sim.



– Então Renesmee. Como disse anteriormente também perdi muitos entes queridos e se tivesse a mais leve desconfiança de que algum deles pudessem estar vivos não hesitaria em nenhum momento em procurá-los. Mas se acalmem tem muitos pacientes que foram transferidos e vou lhe mostrar um catalogo que tenho informatizado aqui, quem sabe não o encontramos.



– Certo. – Lhe sorri.



Uma chama ardia dentro de mim. A velha esperança voltando. Com um comando de voz ela ligou o computador e pediu para que ele lhe dispusesse as pastas que queria abrir. Logo em seguida varias fotos foram sendo carregadas e ela começou a nos mostrar paciente por paciente. Já tínhamos visto milhares de fotos e a esperança estava indo embora quando meu pai falou.



– Espere. Volte três fotos, por favor.



Ela voltou e eu vi uma massa morena toda deformada, sem cabelos sem rosto. Parecia um boneco Ken de plástico que foi jogado na fogueira e ficou totalmente derretido. Olhei para o papai e perguntei mentalmente acha que poderia ser ele?



– Acho que poderia ser ele. – Ele confirmou minha pergunta.



– Tem como saber o sexo? Está praticamente irreconhecível – Eu questionei.



– Só um momento.



Se aquele fosse Jacob eu não queria nem pensar no tanto que ele sofreu. E decidi confiar no olhar do meu pai e do meu avô.



– Abrir pasta paciente número 3832.



Assim que ela enviou o comando de voz o computador zuniu processando as informações em poucos segundos os dados foram aparecendo em nossa frente.



PACIENTE Nº 3832



DATA DE ADMISSÃO: 28 de Abril de 2019


IDADE ÓSSEA: ~25 anos

SEXO: Masculino

NÍVEL DE CONTATO: Radiação em 100%

PERMANECIA NO INSTITUTO: 10 Dias


A lista com as informações era enorme e assim que as fotos começaram a surgir eu mudei de foco. E passei a olhar as imagens. As primeiras eram horrorosas e mesmo que aquela pessoa não fosse Jacob não conseguia conter minha emoção ao ver a tragédia que tinha acontecido com aquela pessoa. As fotos foram passando e a situação só piorava eram fotos de vários ângulos. Meu coração quase parou quando uma foto passou pelo monitor. La estava à maior prova totalmente intacta isenta de toda aquela massa cozida e retorcida. A tatuagem Quileute. A maior prova que aquele ser era o meu marido. Eu não consegui me conter. A emoção foi demais.



– Meu Jake. – Sussurrei. – o que fizeram com o meu amor.



Meu pai logo me abraçou me dando apoio. Ele disse rápido e baixo em meu ouvido calma, Jacob não sentiu nada. Ele ficou isento de todo esse sofrimento. Se acame. Agora precisamos saber onde ele está. Mesmo com a lógica em suas palavras eu não consegui me conter.



– É ele? – Jeniffer questionou.



– Sim. Nós parece que sim. Ele possuía uma tatuagem parecida com essa. Jeniffer você sabe nos dizer onde ele se encontra hoje?



– Bem, pela data de admissão dele aqui no instituto eu ainda não tinha sido remanejada para este setor. Mas aqui em sua ficha diz que ele foi transferido para o complexo da Dra. Brenda.



– E onde podemos encontrar essa doutora?



– Bom isso complica um pouco. Pelo que eu sei e pelo que consta nas datas de transferência aqui a Dra. Brenda faleceu aproximadamente um ano após o regate desse paciente.



Quando tudo parecia bem tinha que ter algo pra impedir. Eu estava com tantas emoções aflorando em mim. Querendo crer que aquele era o meu Jake e agora que tudo parecia dar tão certo a pessoa que tinha resgatado o seu corpo daquele instituto não estava mais acessível para que pudéssemos saber para onde o tinha levado.



– E agora onde ele poderá estar?



– Só um momento eu vou tentar adquirir mais algumas informações.



Ao invés de usar comando de voz ela pegou um teclado e começou a digitar comandos no computador. A cada momento eu ficava mais ansiosa.



– Bem. Pelo que pude ver aqui. Dra. Brenda trabalhava em parceria com o seu namorado o Dr. Jeremy Walker. Ele saiu daqui de Washington há mais de dez anos. Foi transferido para algum lugar na Europa.



Jeremy Walker...



– Renesmee, Jeremy o pai de Willian. – Meu pai disse confirmando meus pensamentos.



Oh meu Deus! Verdade. É Verdade! Ela o encontraria hoje não é mesmo? Nada poderia ser mais favorável.



POV Narrador



Às sete horas da manhã Willian já estava dentro da limusine junto com Erick a caminho do aeroporto. Ela estava muito ansiosa e seu coração galopava no peito por causa de tanto nervosismo.Ela não imaginava qual seria a reação do seu pai, não sabia o lhe diria quando estivesse frente a frente com ele. Não sabia como iria lidar com Erick por perto.


– Ansiosa?



– Ansiedade é apelido... Estou entrando em colapso.



– Fique tranquila. Jeremy é um homem muito tranquilo e simples.



– Você diz isso... Mas de maneira alguma consegue me acalmar.



Antes mesmo de piscar, eles já estavam no ar, em uma decolagem tão suave que ela quase não sentiu a aceleração da aeronave. Diferente da aeronave em que ela e JJ vieram do Canadá que apesar de ser uma das ultimas lançadas no mercado não se comparava com o transporte que usufruía naquele momento.


– Bom. Nós vamos fazer o seguinte. Tenho alguns compromissos e infelizmente não vou poder ficar o tempo inteiro com você como gostaria. Vou te apresentar pessoalmente ao Jeremy e a noite nós nos reencontramos em um jantar pode ser?



A situação não poderia lhe ficar mais favorável pensou Willian. Ela já estava pensando em como lidaria com Erick o tempo inteiro cheirando seu pescoço.



–Tudo bem. Não quero atrapalhar sua agenda. Nós nos encontramos no jantar então.



Em uma hora depois a contar a partir do momento em que Erick buscou Willian no hotel eles já haviam aterrissado em Hastings e estavam entrando na garagem do laboratório. O lugar era muito protegido e Willian se viu presa por alguns instantes enquanto era cadastrada no sistema de segurança. Digitais, identificação das córneas e reconhecimento de voz. Logo após isso ela acompanhou Erick por vários corredores. Ele sempre muito gentil, sempre procurando conquistá-la. E ela agradecia por logo não precisar mais ter que aturar tantos galanteios como se estivesse adorando tudo aquilo.





Já fazia 11 anos que Jeremy estava em Hastings e não havia um só dia em que ele não pensasse em sua garotinha. Após a morte de sua esposa não havia nada mais precioso do que Willian. E para manter essa preciosidade intacta ele teve que se afastar dela.


– Dr. Jeremy.



– Sim, Sofia. Pode falar.



– Dr. Brum ligou informando que virá hoje. Aproximadamente em vinte minutos ele estará chegando e pediu que o Senhor estivesse à disposição. Disse que lhe tem uma tarefa especial.



– Como se eu fosse um de seus escravos.



– O que disse senhor?



Sofia era um androide com 1,70 metros de altura tinha cabelos achocolatados e incríveis olhos verdes além de um corpo com formas muito bem definidas. Ela havia sido programada para cuidar da agenda, recepção de pessoas e da alimentação de Jeremy ali dentro do laboratório. Depois da morte de Brenda ele ficou um pouco relapso a esses detalhes e acabava esquecendo-se até de se alimentar direito e nos horários corretos. Quando a fome apertava ele comia qualquer coisa. Sofia foi criada e adaptada para servi-lo quando ele chegou perto de adquirir sua primeira úlcera.



– Nada. Está liberada para receber Dr. Brum.



O que Erick queria? Questionava-se Jeremy. Sempre que ele vinha a Hastings era apenas para verificar a fabricação dos ciborgs. Ele não se preocupava em visitar Jeremy o que ele agradecia muito. Erick era apenas um homem mimado em excesso, burro em certos pontos e com muito dinheiro nas mãos. Uma combinação muito perigosa, Jeremy bem sabia. Sempre que queria alguma coisa de Jeremy ele fazia uma tele conferência. Ele sabia que Erick era perigoso, extremamente, mas Jeremy não permitira que ele lhe fizesse mais algum mal. E a fim de manter sua vida e a de sua filha protegida ele tomou precauções. Ao longe Jeremy pode escutar a voz galante e conquistadora de Erick conversando com alguém. Ele não deixaria ser percebido, mas ficou indignando, sempre sentiria ódio e repulsa. Como Erick ousava trazer “turistas” em seu campo de trabalho.



– Jeremy.



Um arrepio de indignação tomou conta dele enquanto Erick entrava no seu laboratório. De costas para a entrada do laboratório Jeremy podia observar através de um tubo de ensaio espelhado a entrada e o caminhar altivo de Erick “o rei do mundo” pensou sarcástico. Ele respirou fundo a fim de tranquilizar-se e amenizar a expressão odiosa que obviamente deveria ter em face e virou-separa cumprimentar Erick. Ele não esperava pelo choque no qual foi tomado quando viu a mulher que viera acompanhada a ele. Ao olhar em seus olhos o choque lhe tomou. Aqueles olhos, os olhos de Brenda. Lembrou-se da pequena menininha de apenas três anos com aparência de cinco com longos cabelos castanhos. Ele soube imediatamente quem era ela. Ela enfim o encontrou. Diante de tanta alegria e choque com a surpresa inesperada.Forçou-se a falar.



– Erick. Surpresa em ter você por aqui.



– Só vim trazer essa estudante para lhe conhecer e conhecer o seu trabalho. Ela tem um futuro promissor. Veio fazer uma especialização aqui na Inglaterra e descobri que ela é uma grande estudiosa e fã das suas teses. Jeremy, quero lhe apresentar Willian.



É claro que era Willian ele soube no preciso momento em que colocou os seus olhos nela. Ela estava extremamente nervosa e Erick de alguma maneira estava alheio a toda essa euforia dela.



– Muito prazer seja bem vinda.



– Obrigada. É uma honra conhecer o senhor.



– Há algum problema em deixa-la acompanhado sua rotina por dois dias? Sabe que não gosto de atrapalhar.



– Não, de maneira alguma. Vai ver muito bom ter companhia. Já enjoei de Sophia. Será bom conversar com alguém que compreenda mais do que comandos de voz.



– Bem, Willian. Vou deixar você nas mãos de Jeremy. À noite nos encontramos?



O sangue de Jeremy ferveu ele conhecia aquele semblante. Nojento! Erick estava cortejando Willian. Sua menininha.



– Sim com certeza. – Ela respondeu educadamente.



Assim que Erick saiu eles ficaram se encarando. Willian estava sem saber como agir, que assunto tomar, ela não estava totalmente certa se seu pai a havia reconhecido. Tinham se passado tantos anos. Sua fisionomia ao conceito dela continuava a mesma, com exceção dos cabelos descoloridos algo que Jeremy notou e gostou, pois ela com seus cabelos ao natural deveriam ser a fotocópia da mãe. Mas ela não sabia muita coisa sobre sua mãe ele lembrou. Pensamentos e mais pensamentos rodeavam a mente dos dois. De algo ele tinha certeza ele a reconheceria em qualquer lugar que encontrasse. Jeremy só sabia pensar em como sua menininha a garotinha que tinha deixado em um abrigo anos atrás enfim estava em sua frente. A emoção era palpável as lágrimas alegres se apresentavam sem dar pausa, mas diante de toda aquela alegria de toda nostalgia Jeremy se assustou, ela havia chegado com Erick seu pior e único inimigo. Will não sabia de nada entre os dois será que ela mantinha algum romance com ele. O desespero lhe tomou.



– Senhor. Dr. Erick já saiu do complexo.



– Obrigado Sofia. Pode se retirar.



Como se estivesse esperando a liberdade às palavras de Sofia foram como uma carta de alforria.



– Filha. – Ele exclamou



– Papai!



Willian correu em sua direção já com lágrimas nos olhos a satisfação em revê-lo e de estar em seus braços novamente.



– Pensei que o senhor não tinha me reconhecido.



– Eu te reconheci assim que olhei pra você. Tão linda, os mesmos olhos de sua mãe. Não sei como Erick não se deu conta disso, ou talvez tenha sido exatamente isso que despertou o interesse dele por você.



– O senhor percebeu? Eu sinto tanto nojo e repulsa quando ele se aproxima demais, ou sussurra qualquer coisa no meu ouvido. Mas eu não quero falar sobre isso agora. Pai! Pai, como você me fez falta, como eu sonhei em um dia te encontrar. Como eu estou feliz nesse exato momento!



– Não mais do que eu minha querida!



– Ah papai eu não via a hora de poder sair do abrigo e começar a procurar pelo senhor. Sonhei com isso durante toda a minha vida.



– Filha conte-me como conheceu Erick como conseguiu chegar até mim?



Willian narrou-lhe toda sua história até chegar ali. Contou de Carlisle e de JJ de como disfarçaram o relacionamento para que Erick não descobrisse. Do tanto que procurou o pai no CP da Inglaterra e que só há dois dias atrás foi que decidiu como cartada final aceitar jantar com Erick e poder ter alguma chance de encontrar o paradeiro do pai.



– Ah filha estou tão feliz e ao mesmo tempo tão preocupado. Vi nos olhos de Erick o interesse dele por você e sei como ele é perigoso e das coisas que é capaz de fazer para obter o que deseja.



– Mas o que ele fez para que o senhor diga que ele é tão perigoso assim?



– Ele matou sua mãe.



Jeremy respondeu direto, mas em sua voz havia ódio rancor e muita raiva. Willian viu o semblante de alegria de seu pai mudar com a lembrança triste. Ao mesmo tempo em que um amargor subiu pela sua garganta trazendo um gosto horrível da bílis. Um frio na espinha chegou anunciando o medo de tudo o que já tinha sentido, mas que não tinha ideia. Ela não sabia nada da mãe só que apenas essa morrera antes dela nascer, e pela primeira vez soube como ela viera a lhe faltar. Fora ceifada. Assassinada. Começou a pensar nas oportunidades que perdeu ao crescer sozinha, ao crescer sem a mãe. Sem o amor de seus pais. Lembrou-se do tanto que queria apenas uma foto, histórias que tivessem informações sobre a mulher que nunca tinha visto e a primeira noticia que recebera foi como um baque em seu coração.



– O q-q-quê? – Ela gaguejou.



Tudo o que Jeremy queria era matar a saudade da sua filha agora que ela lhe contara queria conhecer JJ e a família Cullen que abraçou o segredo dela e lhe ajudou a chegar até ele. Ele iria lhe contar tudo, mas se tivesse pensado e programado certamente não contaria sobre o assassinato da mãe logo de cara. Aquilo chocou Willian de uma maneira cruel e ele percebeu.



– Desculpe-me minha querida, fui rude. Não quis. Não pude impedir foi minha reação. Erick traz tudo de pior que há em mim.



– Mas porque ele fez isso?



– É literalmente uma longa história, vamos para uma sala mais reservada e confortável. Não posso lhe contar por pedaços.



– Tudo bem. Conte-me. Quero saber sobre tudo. Eu sempre fico imaginando como foi que as coisas aconteceram. Sempre quis saber se fui desejada, se fui amada. Sempre quis saber como era a minha mãe, sua personalidade... Enfim, eu cresci ansiando tantas coisas. Eu quis tanto ter vocês comigo.



Um turbilhão de emoções percorria na mente de Will. Agora o que mais a preocupava era em como iria se portar diante do assassino de sua mãe. Ódio puro ódio percorria em suas veias, cada palavra que escutava de seu pai sobre sua mãe, sobre o relacionamento deles fazia com que imaginasse como poderia ter sido tudo tão lindo. Tão perfeito e tão diferente.





POV Jeremy


Éramos muitos jovens quando tudo começou. Conheci Erick e Brenda ainda no colégio. Erick era o tipo que chamaríamos de mauricinho bad boy tinha tudo o que se podia comprar era um rapaz bonito e tinha várias garotas morrendo aos seus pés. Ao contrário de mim que era um bolsista, seus avos não eram pobres, mas não dispunham de tantos recursos. Meu pai era um policial e minha mãe professora. Desde criança eles bastante perceptivos perceberam que eu tinha uma inteligência acima da média e fizeram tudo o que estava ao alcance deles para que eu pudesse explorar todo meu potencial. Foi lá naquele colégio que vi sua mãe pela primeira vez, foi como uma visão, uma miragem em meio ao deserto, foi amor a primeira vista. Um uma loucura, é era sim. Como poderia amar alguém somente ao olhá-la a primeira vez, mas foi assim que aconteceu. Ficamos amigos e logo descobrimos afinidades. Agora você deve estar se perguntando se a amava antes mesmo de conhecê-la porque não me declarei? Amava-a com todas as minhas forças, mas acima de tudo queria que fosse feliz. Sabia que não era o momento, na verdade tive medo de que ao dizer o que realmente sentia a fosse perder de vista completamente. Preferia tê-la como amiga e a ter por perto sempre do que me declarar e nunca mais pudesse encontrá-la. Brenda era a mulher mais linda, mais inteligente que conheci. E assim ficamos amigos. Logo depois Erick entrou para o nosso grupo, e por muito tempo eu não entendia o interesse dele por nós, ele não era o que podíamos chamar de inteligente. Sempre ficou clara a sua arrogância e prepotencia, mas ele sempre foi muito bom comigo o que contradizia toda a minha lógica. Foi aí que se formou o trio. Ficamos inseparáveis Erick começou a sonhar alto e ele tinha condições para isso e nos levou junto com seu sonho, pretendíamos formar a maior indústria farmacêutica do mundo. Enquanto eu e Brenda estudávamos e procurávamos nos aperfeiçoar Erick empurrava com a barriga... Ele não precisava, ele tinha os recursos e nós éramos a mão de obra. Ao finalizarmos o doutorado já não éramos os adolescentes de antigamente. Éramos adultos com um futuro pronto e garantido nas mãos. Nessa época Brenda começou a sair com um antigo mentor, um tempo depois quando já estavamos juntos ela me confessou que foi para me fazer ciúmes, pois ela também sempre tinha sido apaixonada por mim. Nós marcamos a data do nosso casamento e convidamos Erick para ser o nosso padrinho nessa época ele era um grande amigo. Estávamos muito bem, Erick tinha comprado uma indústria farmacêutica em ruínas e conseguimos levantá-la ao ponto de torná-la uma das melhores do mundo. Mas isso era pouco para o tanto que sonhávamos. Em um dado momento Erick nos chamou e disse o que estava para acontecer, falou da possível guerra e que estava providenciando abrigo nuclear para todos os colaboradores da Brumering. Não me pergunte como ele conseguiu saber sobre a guerra. Eu não quero nem imaginar que tipo de contatos ele tem no mundo. Com isso o nosso casamento teve que ser adiado. Um ano depois da guerra saímos em campo a fim de pesquisar as ações causadas por tantos megatons de radiação nuclear lançados na atmosfera pegamos de tudo para pesquisar. Foi quando algo interessante aconteceu. Eu fiquei com a equipe do meio ambiente e Brenda foi visitar alguns refúgios com sobreviventes atingidos pela guerra. Lá ela encontrou um homem que estava sendo encaminhado pelo exercito. A curiosidade a tomou e ela correu para analisá-lo, de todos os sobreviventes ele era de longe o caso mais curioso. Voltamos ao abrigo e ela voltou com esse homem desacordado e totalmente desfigurado. Logo percebemos que ele era um caso raro e especial e que deveria ser secreto e fora do acesso de pesquisadores curiosos. Enfim... Logo ele se tornou a coqueluche minha e de Brenda. Descobrimos que a radiação não tinha tido o feito que causaria em um simples ser humano, foi como se ele tivesse sido cozido em alta pressão. A pele totalmente escaldada sem pêlos pelo corpo. Parecia um pedaço de plástico retorcido. Sempre que olhávamos para ele nos perguntávamos como ele ainda se mantinha vivo. Aos poucos ele foi se recompondo em oito meses ele já estava com uma pele nova e com pêlos nascendo pelo corpo, mas ainda não tinha saído do coma. Até aquele momento nós já tínhamos feito varias pesquisas nele e ficávamos abismados com os resultados que se seguiam. O que mais nos chocou foi descobrir inicialmente que ele possuía 24 pares de cromossomos Ele era a cura do mundo. Com seus genes diferentes conseguimos descobrir a cura de várias patologias. Com isso o apelidamos de Adão XXI.


Dois anos depois eu tive a maior e melhor das notícias do mundo. Você! Sua mãe me contou que estava grávida de dois meses. Nessa época o mundo entrou em colapso e não tivemos muito tempo para compartilhar a notícia.


­- E minha mãe gostou da notícia?



Gostou sim. Nessa época Brenda e eu estávamos com 35 anos. Nossa vida sempre foi tão corrida que nunca tínhamos parado e pensado vamos dar um tempo e formar uma família. Você foi uma feliz surpresa na vida da sua mãe. Ela ficou radiante diante da noticia de ter você. Foi perceptível a mudança dela. Ela me disse que foi algo que sempre quis e que nunca tinha identificado. Dizia que em meio àquela guerra você era o refrigério que Deus tinha dado a ela. Infelizmente nessa época Erick estava voltando da Inglaterra e ficaria instalado no abrigo conosco por um tempo. Decidimos que ele seria o padrinho do nosso filho, já que o casamento ficou adiado para uma melhor oportunidade. Não sabíamos dos sentimentos de Erick e nem do que ele poderia ser capaz. Até que em um certo dia eu estava no laboratório quando Brenda chegou correndo quase desfalecendo em meus braços.



Flash back



– Jemy! Jemy. Ajude-me.



Ela estava pálida e suando frio. Ao ver seu desespero e sua situação um frio invadiu minha espinha. Naquele momento eu soube que a perderia.



– Brenda o que aconteceu?



– Eu fui envenenada – Ela respondeu aos sussurros.



– Quem fez isso? – Perguntei com o desespero tomando conta de mim.



– Erick.



– Como? Ele já está aqui? Por que fez isso?Eu vou matá-lo.



Ia saindo em disparada quando senti suas mãos geladas tentando me segurar.



– Não. Por favor. Fique eu preciso falar e não terei muito tempo.



Eu podia sentir a vida se esvaindo dela e o desespero me tomando. O que eu faria sem ela?



– Jemy... Erick é ambicioso e invejoso demais. Perigoso demais. Você precisa sobreviver você precisa salvar nosso bebê nosso pequeno Willian.



Flash Back OFF.



As lágrimas tomavam conta do meu rosto, contar isso pra Willian era como reviver todo aquele desespero.



– Como o senhor conseguiu me salvar. Ocultar-me do Erick?



Apliquei um soro anti radiação nela. Ela já tinha tomado a sua dose diária e por isso não morreu imediatamente. Pelo o que eu entendi Erick voltou a sí e quando percebeu o que havia feito fugiu. Para todos os efeitos ele não tinha se encontrado com Brenda. E até hoje ele pensa que eu não sei o que aconteceu com sua mãe. Ele acha que ela morreu instantaneamente, pois a deixou caída no chão. Assim que eu a estabilizei e a conectei nos aparelhos sua ultimas palavras foram o pedido para que eu salvasse você, depois disso, ela nunca mais voltou. Consegui manter seu corpo vivo artificialmente por quatro meses à custa de medicamentos e através de aparelhos, enquanto isso filtrava seu sangue e fazia de tudo para salvar você. Já tínhamos avançado muito em pesquisas e descoberto muitas curas. Aquele ser que tínhamos encontrado era totalmente imune a qualquer um dos males que atingiam os legítimos homo sapiens. Eu não tinha alternativa e sua mãe já estava em falência, sobrevivia apenas por causa dos aparelhos. Você também já estava sofrendo e não iria suportar por muito tempo ao mesmo tempo em que o corpo da sua mãe estava te expulsando. E meio a esse desespero a única coisa que vinha em minha cabeça era a voz dela me dizendo “você precisa salvar nosso bebê nosso pequeno Willian”. Eu não tinha muito que fazer. Na verdade eu não sabia o que fazer. Você estava por um fio não dava tempo de estudar alternativas então agi por puro instinto. Sem ter certeza do que estava fazendo. Voltei às antigas técnicas de tratamento contra o câncer do passado. Não verifiquei compatibilidade corri em direção ao nosso projeto Adão XXI e lhe fiz uma punção óssea a fim de recolher um pouco da medula dele e assim que retirei o necessário corri até sua mãe e cuidadosamente fiz o transplante em você ainda dentro do útero de Brenda. O seu estado estava crítico e você não suportaria mais que algumas horas. Você estava com apenas dois meses e algumas horas depois do envenenamento da sua mãe e eu arrisquei todas as minhas alternativas e possibilidades. Nós não sabíamos nem que gênero você era, não tínhamos tido tempo de pensar nos nomes. Mas ela lhe chamou de pequeno Willian.



– Porque Willian? É algo engraçado... É um nome que geralmente é dado a homens. Eu sempre gostei, achei legal a diferença. Era exclusivo como eu. Mas passei aperto quando era mais nova.



Sua mãe apesar de ser uma mulher muito inteligente e ocupada tinha um hobie e uma paixão por Willian Shakespeare. Acho que se ele tivesse existido em nossos tempos eu certamente não teria tido muitas chances com ela. Eu acredito que foi uma homenagem ao poeta que ela mais amou e ao que passaria a mais amar no futuro.



Voltando a você e a sua recuperação em poucas horas houve mudança em seu estado, eu acompanhei cada passo da sua transformação. Foi impressionante a força e a saúde que foram tomando conta do seu corpo.


Aos seis meses de gestação você era mais forte que sua mãe e o corpo dela não suportou te sustentar mais e aí você nasceu prematura. Digo prematura somente pelo tempo de gestação, pois você estava saudável como um bebe que sofreu o processo completo de uma gestação normal. Só que sua fisiologia não era igual à de um humano normal com 23 pares de cromossomos. A mutação daquele ser na qual estudávamos se adaptou perfeitamente em você a transformando e lhe tornando em uma menininha linda e muito saudável. A regeneração celular que lhe aconteceu foi incrível algo totalmente surpreendente e que mudaria toda a historia da humanidade.


– E como Erick ficou sabendo da morte da minha mãe?



– Assim que ela morreu antes mesmo de tentar te salvar eu liguei pra ele. Tinha que ter certeza que aquele verme não voltaria aqui. Liguei e deixei transpassar toda minha dor e sofrimento, mas não o meu ódio, falei que a encontrei desacordada na sala de pesquisas e que constatei que ela tinha sofrido um acidente e que não tinha sobrevivido. Ele, aquele crápula, disse que sentia muito, que até tinha chegado a passar no abrigo em que estávamos, mas que não houve tempo para nós visitar, que se tivesse ido provavelmente estaria ali comigo para me ajudar no luto, mas que agora estava longe e impossibilitado de voltar. Era tudo o que eu precisava.



Assim que você nasceu eu deixei sua mãe partir e descansar como deveria, como lhe era de direito. A partir daí comecei uma nova vida cuidando de você. Para todos você era uma garotinha que tinha sido encontrada em um abrigo domestico que não suportou toda a agressão da guerra levando seus pais a tomarem uma decisão. Eles em sua última alternativa lhe protegeram como podiam se expuseram a radiação pra que você sobrevivesse por mais tempo. Então eles ligaram para a guarda mundial. Quando eles chegaram e lhe encontraram seus pais já tinham morrido e você estava sozinha e quase morrendo de inanição. Havia vários casos assim tanto é que no abrigo em que você cresceu haviam outras crianças.


Aos poucos fui percebendo que você tinha um metabolismo muito rápido e o seu desenvolvimento acelerado. Aos seus três anos de idade você já aparentava ter cinco e o seu QI era superior ao de uma criança de 10 anos. Nessa época eu já tinha avançado muito nas pesquisas que eu e Brenda tínhamos iniciado no projeto Adão XXI, através de seu DNA singular puder fazer varias descobertas para a ciência. Nesse mesmo tempo Erick ficou sabendo do meu progresso como cientista e me convidou para ir a Hastings. Disse que tinha feito instalações especiais e exclusivas para mim. Para todos os efeitos ainda éramos amigos e eu não tinha motivos aparentes para negar. Não queria deixar você, mas não podia ficar nem muito menos te levar. E não queria imaginar o que ele poderia fazer se soubesse de sua existência. Se soubesse que conseguir manter sua mãe viva por mais quatro meses após seu assassinato. Então lhe escrevi aquela carta mudei seu sobrenome e lhe deixei aos cuidados de Maria. E de alguma forma naquele momento tentei acreditar que nos encontraríamos mais a frente.


– Nossa que historia! Eu nunca imaginei que as coisas tinham acontecido assim. Percebi que crescia rápido demais, que era mais inteligente que as outras crianças. Mas só percebi mesmo que era diferente quando aos 15 parei de crescer e os meus sentidos começaram a se aguçar. Agora me diga uma coisa. E esse projeto Adão XXI ainda existe? Ele se deixa ser manipulado?



– Sim ainda existe nesses 12 anos muita coisa se aperfeiçoou, através do DNA dele comecei a estudar mais profundamente a genética robótica. O que me permitiu explorar a confecção de órgãos sintéticos e artificiais compatível ao ser humano. E ele foi à base principal para a criação dos ciborgs. Sobre se deixar ser manipulado... Isso é algo que sempre me perguntei. Quando o encontramos ele estava desacordado e com os varios traumas era normal ele está naquele estado, mas assim que se recuperou completamente e que ficou estável ele não retornou a consciência como esperávamos. E até hoje ele está assim em estado vegetativo. – Percebi que Willian ficou pensativa com tudo que o lhe dizia, mas ao falar do Projeto Adão XXI ela ficou distante. – Willian? Tudo bem?



– Esse homem está aqui? Eu poderia vê-lo?



– Sim. Vamos eu te levarei até ele.



Enquanto andávamos pelo laboratório fui lhe falando mais sobre o projeto as descobertas. Ela acenava concordando, resmungando uns sim's, entendo, muito interessante. Mas sua curiosidade em ver o ser que lhe pode proporcionar a cura era demais. Assim que entramos no quarto onde ele se encontrava ela disse:



Oh meu Deus é o pai do JJ.



Notas finais
Gentem...
Seguinte... Gostaram? Mereço reviews, recomends? Me digam!! Preciso saber o que acharam desse episodio...
*´¨)
¸.·´¸.·*´¨) ¸.·*¨)
(¸.·´ (¸.·´ Diê Kellner ;)