Notas iniciais
Primeiro episodio de CL em 2012.
No final conversamos!!

17 de Novembro de 2039


POV JJ


Assim que abri a porta e Will saiu do nosso quarto eu percebi o quanto eu tinha sido infantil e idiota. Extremamente idiota, um verdadeiro imbecil. Por um triz que eu não me transformava na frente dela, arriscando destruir todo o quarto, arriscando machucá-la. E o pior ameaçando destruir o nosso amor. Eu não me transformaria para atacá-la não, isso nunca, mas a transformação é como um mecanismo de defesa quando canalizo minha raiva na mutação ela me trás força. Com os instintos “animais” posso analisar os meus sentimentos sem tanta “emoção”. Tive que respirar fundo muitas vezes e segurar meus extintos, me dominar e não deixar o animal tomar conta de mim.

Eu tinha sido absurdo em não a permitir falar, ela já estava preocupada e nervosa o suficiente. Eu sabia disso muito bem. E eu permiti que o ciúme falasse mais alto. Eu não era um burro, eu sabia o motivo dela agir assim. Nós não estávamos ali em lua de mel. Era uma missão a missão para encontrar seu pai. Eu vi que ela tinha feito de tudo para não apelar a “ajuda” do Dr. Estranhos, mas só de pensar nele tentando algo com ela... Foi ai que perdi minha razão. Eu vi tudo na minha mente, assim que a encontrei pensativa. O vi a beijando, tomando-a pra si e ela se sujeitando a ele. A fúria me tomou e eu esqueci separar minha imaginação da realidade e a tratei como uma qualquer. Como se não a conhecesse. Como se ela não fosse o amor da minha vida, aquela que eu escolhi para passar a eternidade ao meu lado. Como se não soubesse do seu amor por mim. JJ o que você fez? A culpa estava me corroendo e a dor em meu peito estava insuportável. Por que eu fiz isso?

Fiquei rondando no quarto andando de um lado para o outro pensando no que eu poderia fazer. Correr atrás dela nesse momento não daria boa coisa. Ela estava furiosa, e também, com razão nunca tinha visto ela assim, aliás, nem eu tinha ficado tão nervoso assim. Tinha uma leve impressão que pioraria as coisas se a procurasse agora. Por que fui tão idiota? Idiota! Idiota! Idiota!Agora ela estava sofrendo. O pior é que eu podia sentir sua dor, e isso me corroía ainda mais... aumentava o meu próprio sofrimento, ela estava muito magoada e eu não tinha ideia de como reverter essa situação.

Depois de tanto rodar pelo quarto e pensar resolvi ligar para minha família. Meu pai com certeza ficaria furioso, ele já tinha me avisado meses antes, mas a gente só aprende quando apanha não mesmo? Lembro o que ele me disse JJ você é tão inteligente, mas quando se trata da Willian você é totalmente irracional. Controle-se ou vai acabar magoando o seu imprint.

Bom... Eu ligaria para tia Alice. Ela era expert em fazer ambientes agradáveis e era uma cúpida de mãos cheias. Falaria com ela... Claro, além de falar com todos, mas não queria um alarde. Tia Alice de todos foi quem mais gostou de Willian, mesmo elas tendo convivido apenas uma semana juntas. Lavei meu rosto, respirei fundo algumas vezes me tranquilizei e liguei pra eles.

– Oi, Vô.

– JJ que saudades. Tudo bem com vocês? Como está tudo aí na Inglaterra? Alguma novidade?

– Não, nenhuma. E Will quer mudar os planos pra ver se consegue algum resultado. Temos apenas três meses aqui, e ela está preocupada. Mas e vocês como estão? Cadê todo mundo? Como andam as buscas? Alguma novidade? – Resolvi mudar o foco da conversa, mas acho que meu avô percebeu minha ansiedade.

– Estão todos aqui. Espere um pouco. – Vovô colocou o tele link em algum lugar e abriu o foco da imagem saindo da frente e indo se sentar ao lado da vovó.

– Oi. Família!

– Oie... – Responderam todos, mas uma voz era distinta e diferente de todas e nesse momento vi papai ficar de pé rosnando para tio Emmett o xingando com a voz de aeromoça e todos rindo. Mamãe rapidamente mudou a seleção do tom assim que conseguiu remover o controle das mãos do tio Emmett enquanto ele e tia Rose rachavam de rir.

– Loira estupida e ogro nojento isso vai ter troco. – Retrucou meu pai, com o timbre de voz “normal”.

Isso foi bom que dispersou um pouco da tensão que eu mesmo estava sentindo. Uma nostalgia me cobriu e pela primeira vez percebi que eu estava morrendo de saudades da minha família. Mais calmo resolvi retomar a conversa.

– Estou com saudades... Digam-me como estão as buscas?

– Bom... Filho. – Respondeu meu avô. – Descartamos encontrar o corpo do seu pai pela península Olimpic. Varremos cada canto e simplesmente não está em lugar algum.

– E agora? Papai, TahaAki não lhe disse que encontraria? Era para o corpo estar perto da onde o senhor estava quando a bomba surgiu.

– JJ na verdade ele disse que eu teria que procurar meu corpo, mas não deu dicas ou indícios de onde estaria. Então a península Olimpic está definitivamente riscada da nossa lista de busca. E por enquanto só nos resta uma clinica de sobreviventes que foram resgatados logo após o ataque nos USA.

– Mas se existe essa clinica porque não foram nela primeiro?

– Ficamos sabendo dela ontem. Assim que esgotamos nossas alternativas Jasper começou a pesquisar sobre possíveis sobreviventes da guerra e ficamos sabendo sobre esse instituto. É um instituto do governo. Em um lugar em Washington muito reservado e protegido. Parece que alguns sobreviventes sofreram mutações e são cobaias de estudos científicos.

– Então porque ainda estão aí? Há uma grande chance papai de o senhor estar lá.

– Sim... Mas ligamos lá agora pouco para obtermos informações. Falamos que estamos procurando um familiar e tivemos que agendar uma visita para amanhã. Se der tudo certo. E eu sinto que estamos no caminho certo.

– JJ, cadê Willian? – Minha mãe fez a pergunta sobre a qual eu estava esperando desde o momento em que liguei para eles... Protelei um pouco a responder. Por alguns poucos momentos conversando com eles pude me “esquecer” do meu sofrimento.

– Bom foi por isso que eu liguei... Nós brigamos feio agora pouco. E ela saiu louca de raiva de mim. Agora ela deve estar na outra suíte no vigésimo terceiro andar.

– Como é que é? — Tia Alice me questionou enquanto se levantava do sofá e corria para frente da câmera.

– Eu meio que tive uma crise de ciúmes e a gente brigou. – Respondi sem jeito.

– Alice saia da frente por que todos nós queremos participar dessa conversa. – Tia rose falou e logo todos estavam na tela olhando pra mim.

– Não quero discutir isso com todos vocês. É constrangedor e eu já estou sofrendo demais.

– Eu te disse, não foi?

– Ah pai. Por favor.

– Vamos conte-nos o que aconteceu.

– Bom... Como eu disse, ela está preocupada, pois o nosso tempo aqui está finalizando e não vasculhamos tudo. Mesmo que ficássemos aqui na Inglaterra não teríamos acesso aos laboratórios. Então ela pensou em uma estratégia e antes que ela me contasse alguma coisa eu fiz a maior burrada de toda minha vida e acabamos discutindo feio. Eu a magoei profundamente. Eu fiquei com tanto ciúmes, que acabei explodindo com ela... Falei coisas horríveis, disse que não seria corno, que não aceitaria que ela me fizesse de besta. A verdade é que eu não estou suportando os galanteios do Dr. Estranhos e vê-la tão receptiva me fez morrer de ciúmes.

– Filho, mas você já sabia que seria assim. E Willian te ama.

– Eu sei... Sei de tudo o que vocês vão falar... Não preciso de mais broncas. Só a dor que ela está sentindo já é o suficiente pra me ensinar. Estou quase dilacerando aqui. Eu liguei pra falar com vocês porque quero ajuda. Não tenho ideia de como me reaproximar dela. Ela está magoada, triste e furiosa.

– Quer dizer que JJ entregou Willian de mãos beijada para o Dr. Erick? Parece até que é filho de Edward e não neto!

– Emmett, para de ser sem noção, JJ já está nervoso o suficiente não acha?

– Amor eu só estou falando a verdade. Se alguém quisesse me tirar de você minha ursinha, eu faria de tudo para te agradar e ficar mais perto e não arrumar uma briga e te entregar de bandeja para o rival. Por acaso não foi isso que Edward fez? Entregou a namorada para o lobo? ahahahaha!

– Amor, já chega!

– Está bem ursinha eu parei.

– E o imprint Jake, permite isso?

– Edward, JJ acima de tudo é humano, como eu também sou. Temos emoções humanas normais...o imprint não faz de nós um robô, ou fantoche. Provavelmente se ela não nutrisse sentimentos por JJ talvez ele aceitasse isso para ver seu imprint feliz... Iria sofrer, pois além do imprint ele também é apaixonado por Willian. Fazemos tudo o que o nosso imprint deseja, mas não somos impedidos de ter sentimentos.

– Ei eu ainda estou aqui. Será que tem como vocês pararem de conversar como se eu não estivesse presente? Na verdade eu queria falar apenas com tia Alice se não for pedir demais. Já que os meus sentimentos são discutidos entre vocês como se eu fosse um experimento.

Tia Alice bateu palmas em comemoração. Logo após isso me despedi de todos prometendo ligar novamente pra falar sobre como foi a reconciliação. Eles ameaçaram ir para Inglaterra arrancar minha cabeça se eu não me entendesse com ela.

– E aê lobo mal?! Pronto pra consertar sua burrada? Nós vamos fazer o seguinte...


POV Willian


Acordei totalmente desnorteada, sem saber exatamente onde estava com a cabeça explodindo, e sentido dores por todo o corpo. Estava com a sensação de que tinha levado uma surra. Sem contar com a sonharada estranha e sem sentido que tive durante toda a noite. Várias imagens em várias situações sem explicação... Sabe aquela sensação letargia, quando você esta tentando fazer algum movimento sem conseguir se mover rápido o sufiente, sonhos onde eu estava com a mente entorpecida demais para falar, como se estivesse bêbada de sono. Em toda minha vida nunca tinha me sentido assim. A luz do sol estava batendo no meu rosto, e aí eu me lembrei de que não tinha puxado as cortinas. Puxei o travesseiro sobre a minha cabeça decidida a não sair dali meus planos teriam que esperar um pouco, eu não estava em condições de mover um dedo sequer, mas a dor não deixou que continuasse dormindo e aos poucos fui despertando e percebendo coisas ao meu redor e fazendo suas devidas constatações. A primeira era a luz do sol, eu não estava no abrigo, não estava no Canadá. Eu estava na Inglaterra; Segunda, dor de cabeça, muita por sinal, ontem JJ e eu, aliás, só JJ, ele havia brigado feio comigo. Motivo da dor no corpo também; Terceira, fome, tinha algo cheirando muito gostoso ali por perto, quando tinha sido a ultima vez que eu tinha comido mesmo?; Quarta, perfume suave de flores, nesse momento senti uma vontade imensa de abrir os olhos e conferir a decoração do quarto, mas só de pensar na ideia de abrir os olhos minha cabeça latejou em protesto me dizendo fora de cogitação!; Quinta, cheiro de frésias e almíscar, JJ; Um sorriso involuntário brotou no meu rosto...

O quê? JJ? Como que em um impulso assustado eu me sentei de supetão na cama, meu corpo protestou semicerrei os olhos afim de diminuir a claridade e o vi. Ele estava à frente da porta do quarto vestido em um Smoking com o cabelo devidamente penteado para trás como se fosse a uma festa de gala, com um buquê de rosas vermelhas carola nas mãos. Eu por um momento achei que estava sonhando, mas as dores insuportáveis me diziam que eu estava acordada, muito bem acordada. Totalmente confusa e sem reação, aliás, com algumas reações a primeira foi a fala.. – Você poderia fechar a janela pra mim, por favor? – Minha garganta ardeu. Será que tinha alguma parte do meu corpo que não estaria protestando?

Ele prontamente atendeu o meu pedido e eu sempre me esquecia daquele dom absurdo dele, só me lembrava dele quando o via em ação, mesmo as cortinas sendo automáticas o controle remoto estava na mesinha ao lado da porta onde ele estava. E ele nem sequer se incomodou em pega-lo.

– Willian...

Eu não o deixei continuar e com a mão indiquei que se calasse. A escuridão aliviou um pouco a dor na minha cabeça, mas eu não estava preparada para conversar, eu estava destruída, fisicamente quanto emocionalmente. Eu precisava me recompor.

– Acender luzes a 20%. – Comandei.

Agora que o ambiente estava menos agressivo abri os olhos novamente e olhei ao redor do quarto e descobri o motivo pelo qual senti o perfume de flores, havia flores de todos os tipos espalhadas pelo quarto. Pétalas cobriam todo o ambiente. Agora sim eu fiquei sem reação e olhei para JJ que vinha devagar em minha direção como quem sente o terreno antes de pisar pra saber se é seguro.

– Amor, me perdoa?

JJ se ajoelhou em minha frente e eu reunir coragem para encarar seus olhos e ali pude enxergar toda emoção transpassada em sua voz. Ele também estava sofrendo e essa verdade estava estampada em seus olhos.

– Me dê um momento eu preciso me recompor.

Sentada na cama eu me arrastei até colocar meus pés no chão. Fiquei um tempo ali com as mãos na cabeça massageando as têmporas como se assim conseguisse eliminar aquela dor incessante.

– Está sentindo dor?

Quem viu o semblante da fera ontem não imaginava que também teria a fisionomia de um cachorro sem dono. JJ estava desolado e o meu ego amou saber que ele estava sofrendo. Só de ver o rosto, aliás, minto, só de sentir seu cheiro ao acordar eu já o havia perdoado, já estava morta de saudades. Há oito meses que dormíamos e acordávamos juntos, há oito meses que eu dormia sem a necessidade de um cobertor, pois, o calor do corpo de JJ me aquecia a noite inteira, há oito meses que nos amávamos sempre que tínhamos vontade e sempre era muito bom. Eu não me cansava do corpo dele, de seus beijos e caricias. Eu tinha ficado muito mal acostumada e não mais suportaria ficar longe dele... Ficar nesse estado de letargia e dor me provou que não sobrevivo sem ele. Mas de inicio eu não iria lhe dar esse gostinho, ele iria provar do próprio veneno nem que fosse somente uma colher.

Fingindo ignorá-lo fui em direção ao banheiro e ao me olhar no espelho eu pude ver e entender o desespero do JJ. Eu estava um caco, vestida com a mesma roupa que usei o dia inteiro ontem no centro de pesquisas. Havia olheiras enormes em meus olhos e eles estavam inchados e vermelhos, isso tudo sem contar com o rímel de que escorreu junto com as lágrimas deixando boa parte do meu rosto com manchas negras. Meu cabelo parecia um ninho de passarinho de tão embolado... Estava parecendo que eu tinha ido à guerra e voltado. Uma verdadeira zumbi.

Liguei a banheira e joguei todos os sais, enquanto ela enchia resolvi escovar meus dentes, a minha boca estava com um gosto horrível. Fiz minha higiene e logo após me deleitei dentro da banheira me afundando dentro dela. Era incrível o poder de uma água quente. Meus músculos relaxaram automaticamente e depois de tudo o que tinha acontecido pude descansar. Eu sabia que JJ estava do lado de fora em papos de aranha me esperando e eu também estava na mesma situação doida para ouvir tudo o que ele tinha a me dizer, mas resolvi apreciar o momento. Passei o xampu no meu cabelo três vezes, logo após apliquei o condicionador e massageei meu coro cabeludo, me mimando ao máximo e expulsando definitivamente aquela dor de cabeça. Assim que a água começou a ficar morna saí da banheira. Penteei meus cabelos os desembaraçando completamente, quando eles eram escuros não viravam esse ninho tão fácil assim. Sequei-me e me dispus a passar um creme por todo o corpo. Uma hora e quarenta minutos depois saí do banheiro me sentindo totalmente linda e renovada. Abri a porta vagarosamente. JJ ainda estava ali, agora sentado na beirada da cama, a mesma tinha sido arrumada e algumas pétalas de rosas cobriam a mesma. Como forças contrárias que se atraem, eu caminhei em direção a ele. Ele me estendeu a mão e fez com que eu sentasse na cama, como uma boba apaixonada fiz tudo o que eu disse que não ia fazer. Sentei-me e antes que eu pudesse abrir a boca, ele falou.

– A gente se difere dos animais irracionais por que pensa e fala, e na maioria das vezes a gente se parece com eles porque acaba falando sem pensar. Foi exatamente isso que aconteceu comigo falei sem pensar ofendi você. Você se defendeu e isso criou um clima que jamais deveria ter acontecido. Como conseqüência a gente fica sozinho, para de falar um com o outro...Volta a pensar sobre tudo o que aconteceu e se arrepende muito. Sem contar com o sofrimento. Eu gostaria que nada disso tivesse acontecido. Mas infelizmente o tempo não volta atrás. O que foi dito ficará na lembrança e continuará machucando por um tempo. Eu quero que você saiba que eu senti sua dor, ouvi você chorar e se perguntar o por quê? Foi essa mesma pergunta que eu me fiz, e pra te ser bem sincero, eu não sei a resposta. Não sei o que me deu, nem sei o passou pela minha cabeça ao falar tudo aquilo. Mas ouvi você chorar e saber que o motivo das suas lágrimas foi algo que eu falei, algo que eu fiz, acabou comigo. E eu agora só posso pedir e esperar que você me perdoe.

Eu chorava. Eu estava indiguinada, fula da vida com JJ por tudo o que ele tinha feito. Eu planejava curtir minha fossa e quem sabe um dia poder reatar com ele, eu realmente sofri muito e as palavras que ele tinha proferido a mim realmente tinham me magoado, mas em meio a toda essa dor eu descobri que o amava com todas as minhas forças e o que doía mais do que tudo o que tinha acontecido era a conseqüência de ter que ficar longe dele. Eu não esperava uma atitude tão romântica e tão rápida da parte dele. JJ sempre foi muito amoroso e carinhoso, mas eu nunca tinha percebido o esse lado romântico. Ele ia continuar com aquele lindo discurso, mas ele estava tão lindo, tão romântico, tão arrependido... E eu, estava com tantas saudades parecia que tínhamos ficado dias separados e não apenas horas. Não suportei, por mais que quisesse fazer charme e deixar que ele implorasse um pouco mais eu não aguentei... a lição já estava aprendida, a dor já tinha sido suficiente. Pulei em seu colo lhe derrubando de encontro ao colchão e atacando seus lábios... Os meus já estavam implorando por um beijo, por matar a saudade, por perdoar e acabar logo com esse sofrimento. JJ estava como se diz por aí “pisando em ovos” e não iria tomar nenhuma iniciativa sem ter plena certeza de que estaria perdoado.

– Isso responde a sua pergunta? – Indaguei terminando o beijo e sussurrando em seu ouvido.

– Sim. Mas eu preciso terminar de falar...

– Depois. – Eu lhe cortei. – A única coisa que quero é que nunca mais briguemos e que nunca mais se afaste de mim.

– Foi você quem saiu da suíte. – Ele disse fazendo graça.

– Sim... Saí pra não arrancar sua cabeça...

– Desculpe-me meu amor eu...

– Xii... Cala a boca e me beija!


Depois de fazermos as “pazes” meu estômago protestou querendo atenção. JJ tinha caprichado e o cheiro da comida no cômodo ao lado estava me convidando desesperadamente.


– Onde conseguiu tudo isso?

– Posso responder isso com apenas uma palavra. Alice!

– Bom então depois eu ligo para agradecê-la. Ajudou muito. E você está lindo demais... Quando te vi pensei que ainda estava sonhando.

– Bom então quem deve agradecer a dona Alice sou eu...

– Sim... Agradeceremos a fadinha depois.

– Amor... Eu ainda quero me desculpar formalmente... Sei que você não conseguiu resistir meu charme... Mas eu preciso me redimir. Eu fui muito injusto com minhas palavras e magoei você demais. Desde que te conheci eu sempre soube desse seu desejo por encontrar seu pai. Sei o quanto é importante sei o quanto você está se esforçando. Eu quando se trata de você perco as estribeiras. Mais uma vez me perdoe... Eu fui um tremendo egoísta.

– Amor... Eu aceito seu pedido de perdão. Mas eu também tenho uma parcela de culpa. E também quero me desculpar. Eu me foquei demais e me esqueci completamente de dar valor a você, à sua presença, ao seu apoio e ao seu amor. Não foi de proposito, mas de alguma maneira fiz você se sentir menos importante do que realmente é e isso te feriu. E ferir você é como ferir a mim mesma... Quero muito encontrar meu pai, mas, mais que tudo isso eu jamais quero perder você. Acho que foi por isso que sofri tanto. Por favor, não vamos brigar mais. Nunca mais promete?

– Prometo. Eu também não suporto ficar sem você!

– Estamos quites?

– Mais ou menos... ainda quero mais uns beijos!

– Quantos você quiser.

Acabamos faltando à especialização no CP Inglaterra e ficamos o dia inteiro curtindo um ao outro naquela suíte, eu ainda me perguntava como não percebi a presença de JJ em toda aquela arrumação. Se bem que ele diz que quando estou dormindo pode explodir uma bomba ao meu redor que eu não percebo.

De tudo isso que aconteceu pode se tirar algo bom. Aquela discursão nos serviu de lição pra entendermos que não vivíamos mais sem a presença e apoio um do outro. O quão importante e sério o nosso relacionamento tinha se tornado. Agora nós tínhamos uma dimensão da extensão do nosso amor. Descobrimos que ao ferir o outro estávamos ferindo a nós mesmos. Enfim, nós nos amamos, matamos a saudade e conversamos bastante e ele me contou as novidades sobre a possível chance do corpo do pai dele estar em um instituto onde havia alguns sobreviventes em Washington.

– Will...

– Hum?

– Sobre o que você queria me falar ontem?

– Ah amor... Eu sei que você não suporta o Dr. Erick. Sei que as cantadas e galanteios dele deixam seu sangue fervendo de raiva, mas eu acho que vou ter que ser mais receptiva. Não que eu goste. Bom... É muito lisonjeiro, mas não ao ponto de mexer no que eu sinto por você. É minha última chance, minha ultima cartada aqui na Inglaterra.

– Ah Will você falando assim... Eu fico louco só de pensar no Dr. Estranhos pondo as mãos dele em você. Foi de imaginar isso que perdi o senso ontem e brigamos.

– Eu sei meu amor. Mas por isso queria conversar com você ontem. Eu de maneira nenhuma quero as mãos dele em cima de mim... Já tem tempos que ele esta flertando... e eu o estou cozinhando em banho Maria para não afastá-lo totalmente. Há algo nele que também me dá calafrios. Como você diz ele é realmente estranho, mas meus extintos dizem que ele pode me ajudar. Ele era amigo do meu pai... Ele pode ter alguma informação do paradeiro dele.

– E como você pretende fazer isso? Vai se jogar pra cima dele do nada?

– Hum... pois é... É aí que eu ia contar o que você não sabe...

– O que é?

– Ontem ele me convidou para jantar. E eu aceitei.



Notas finais
Mereço reviews? Recomendação? To aguardando!
Bjks e até a próxima!
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(¸.·´ (¸.·´ Diê Kellner ;)