Celle, o retorno

32 A surpresa de Freddie


Sam perguntou para Isabelle:

— O que seu pai está aprontando?

— Eu não faço ideia, mãe.

Freddie começou o discurso:

— Há exatamente 25 anos eu e Sam resolvemos unir nossas vidas para sempre. O começo não foi fácil, éramos muito jovens, inseguros, tínhamos uma filha para criar antes de alcançarmos os 20 anos. Nossa história de amor começou confusa, entre idas e vindas, entre “eu te odeio”, mas “eu te amo”, queremos ficar juntos, mas precisamos terminar, porque somos muito diferentes. Depois de mais de duas décadas, finalmente entendemos que nossas diferenças são complementares, o que falta em mim, eu encontro nela. Então, já não sabemos mais viver um sem o outro. Por isso, que hoje, aqui, com todos os nossos familiares e amigos, eu gostaria de homenagear a mulher da minha vida, a mãe dos meus filhos e em breve a avó do meu neto ou neta, que está a caminho, relembrando em fotos e vídeos a nossa história.

Carly tomou a palavra:

— Eu me sinto parte dessa história, porque Sam e Freddie sempre foram os meus melhores amigos, criamos o ICarly juntos. Eu fui a madrinha de casamento, eu sou a madrinha da filha deles, a Belinha, que agora é também a minha nora, e eu filmei o exato momento em que eles assumiram esse amor “encubado” – rindo e provocando risos nos convidados também – Quando a Sam resolveu se internar numa clínica psiquiátrica por imaginar ser loucura amar o Freddie, até então, o principal alvo daquilo que hoje chamam de “bulliyng” – mais risos – Por isso, eu me dei a liberdade de pegar emprestado o controle remoto que a Sam usou por anos no ICarly – mostrando a todos – Para dar o play nesse vídeo, direto do túnel do tempo – apertando um botão do controle, que iniciou um vídeo num telão sobre o palco.

Vídeo:

— Eu não me importo com o que pensam os fãs sobre a minha relação com o Freddie, eu sei que isso nunca vai acontecer... – falou Sam.

Freddie pede para ouvirem mais um depoimento, Sam se opõe, mas ele insiste, então entrega a câmera para Carly e abre o Pera Pad.

— Olá, sou eu, Freddie – diz ele no Pera Pad – Muita gente diz que talvez, sei lá, devemos sair juntos e outros se perguntam se Sam está louca por querer isso. Mas, ninguém pergunta como eu me sinto...

Sam interrompe:

— Falamos sobre isso.

— Não, você falou. Você disse como se sentia, enquanto comia aquele troço.

— Aquele troço era o melhor.

— Sim, é muito importante como a Sam se sente, mas o que eu sinto também é importante.

— Já entendi. Se quer me humilhar na internet na frente de milhões de pessoas, vai em frente, eu não me importo, vai as forras por todas as vezes que te humilhei...

Freddie larga o Pera Pad sobre a mesa e caminha a passos firmes na direção de Sam, tomando os lábios dela num beijo.

Ao cessarem o beijo, ela pergunta:

— Isso é sério?

— Uhum. Acho que nós dois estamos loucos.

— E agora?

Guppy Gilbert começa a gritar na TV: “Seddie!”.

Todos os convidados aplaudem ao final da exibição, Sam sorria, sentindo-se emocionada e feliz com a recordação.

Carly pegou o microfone:

— Esse foi o começo oficial de Seddie. Preciso contar para todos que eles já tinham dado uns beijos antes disso – rindo e arrancando risadas da platéia – Mas, obviamente, negavam qualquer coisa até então – ainda mais risos – Começaram um namoro conturbado, eu virei terapeuta de casal – risos – Foram meses entre discussões e beijos, até o término sem sentido – risos – Uma recaída em Los Angeles e uma surpresa inesperada, mas, muito feliz: a nossa Belinha, que em breve também será mamãe.

Foi a vez de Freddie:

— Eu e Sam nos conhecemos com apenas 8 anos de idade, no apartamento da Carly, e foi antipatia a primeira vista – risos – Mas, como hoje estamos chegando aos 40 ou um pouco mais – mais risos – Eu resolvi editar um vídeo com um resumão, como bom nerd que sou – risos.

Carly deu o play com o controle e uma sequência de fotos começou a aparecer, com a música de fundo:

“Faz muito tempo, mas eu me lembro você implicava comigo

Mas hoje vejo que tanto tempo me deixou muito mais calmo

O meu comportamento egoísta

Seu temperamento difícil

Você me achava meio esquisito

Eu te achava tão chata

Mas tudo que acontece na vida tem um momento e um destino

Viver é uma arte, é um ofício, só que precisa cuidado

Pra perceber que olhar só pra dentro é o maior desperdício

O teu amor pode estar do seu lado

O amor é o calor que aquece a alma

O amor tem sabor pra quem bebe a sua água

E hoje mesmo eu quase não lembro que já estive sozinho, que um dia seria seu marido, seu príncipe encantado

Ter filhos, nosso apartamento, fim de semana no sítio, ir ao cinema todo domingo só com você ao meu lado

Mas tudo que acontece na vida tem um momento e um destino

Viver é uma arte, é um ofício, só que precisa cuidado

Pra perceber que olhar só pra dentro é o maior desperdício

O teu amor pode estar do seu lado

O amor é o calor que aquece a alma

O amor tem sabor pra quem bebe a sua água

O amor é o calor que aquece a alma

O amor tem sabor pra quem bebe a sua água

O amor é o calor que aquece a alma

O amor tem sabor pra quem bebe a sua água”

Sequência das fotos:

— Sam, Freddie e Carly aos 8 anos no apartamento da morena, com Spencer ao fundo fazendo uma careta;

— O trio aos 10 anos no Ridgway, no primeiro dia de aula;

— Os três no primeiro dia de ICarly aos 13 anos;

— Sam e Freddie abraçados, já namorados, aos 16 anos;

— Sam e Freddie beijando-se, ainda namorados;

— O quarteto ICarly no IGoodBye, incluindo Gibby;

— Sam, Freddie e Isabelle bebê, no colo da mãe, em Los Angeles;

— Sam e Freddie no casamento civil em Los Angeles;

— O casal no casamento religioso em Seattle;

— Sam grávida de Eddie e Nick ao lado de Freddie com Isabelle no colo, aos 4 anos, no apartamento do casal em Seattle;

— Sam com Eddie no colo, Freddie com Nick no colo (bebês) e Isabelle na frente do casal;

— O casal no primeiro dia de aula dos gêmeos, com os pequenos e Isabelle, no colégio;

— A família em viagem a Los Angeles: Isabelle aos 6 anos, Mabel aos 4 anos, Eddie e Nick com 2 anos. As meninas na frente do casal e os meninos no colo em frente a uma bela praia;

— Sam e Freddie, com os 3 filhos (8 e 4 anos) junto com Carly e Gibby (com Mabel, aos 6 anos e Cris aos 8) durante um almoço de domingo;

— A renovação de votos do casal em Las Vegas;

— Os dois com Bolinha;

— O casal com os filhos adolescentes num shopping de Seattle (17 anos e 13 anos);

— Na foto mais recente com os três filhos adultos durante um passeio à beira-mar;

— Na última, uma bonita foto dos dois se beijando numa selfie recente.

Todos aplaudiram. Sam continham-se, segurando as lágrimas. Isabelle percebeu e abraçou a mãe, também se sentia emocionada e teve que limpar uma lágrima que teimou em cair, deviam ser os hormônios da gravidez.

Freddie pegou o microfone:

— Foram tantos momentos felizes ao lado da minha Sam que estes são apenas uma parte muito pequena do todo. Agora, eu gostaria de convidar a minha esposa para subir ao palco e me dar a honra de uma contradança.

Sam levantou-se sem graça, sob aplausos, e subiu no palco. Freddie a tomou pela mão e pediu à banda:

— Quero que toquem a música que estava tocando no nosso primeiro beijo, quando tínhamos 14 anos, e que virou a nossa música: “Running Away”.

A banda começou a tocar e a cantar a música:

“Que eu te disse eu sabia o seu nome

Mas parece que eu perdi

Eu digo que é meu próprio jogo

Este não é o seu problema

Eu não sei se eu vou mudar

Desperdiçando tempo e outro dia

Eu continuo fugindo

Mesmo das coisas boas

Que eu te disse que não é assim tão mau

Sentado aqui sonhando

Que eu te falo que estou no caminho certo

Desta vez, quero dizer que

Eu não sei se eu vou mudar

Desperdiçando tempo e outro dia

Eu continuo fugindo

Mesmo das coisas boas”.

Freddie pegou a mão de Sam e a puxou pela cintura para mais perto, iniciando a dança, com os rostos colados. Ele cochichou pra ela:

— Quando nos beijamos pela primeira vez, ainda fugíamos um do outro, mas, desde que nos encontramos, não há mais razão para fuga.

— Já fugimos um do outro por tempo demais. Há muito tempo, não posso mais negar que te amo, meu nerd.

— Eu também te amo, minha Rainha Benson.

Ao terminar a dança, todos aplaudiram, admirando o belo casal.

Um garçom entrou com um bolo. O casal desceu e o cortou juntos. Dividiram o primeiro pedaço em três partes e entregaram cada parte para cada um dos 3 filhos. Em seguida, brindaram com a champanhe, servindo a todos os convidados. Isabelle brindou com água.

A festa continuou animada e em pouco tempo, a pista de dança estava cheia.

Cris comentou com Isabelle, sentados à mesa:

— É admirável a história de seus pais. Será que seremos como eles?

— Eu sempre admirei os meus pais, mesmo que às vezes eu não compreendesse como podiam estar juntos brigando tanto – rindo – Mas, eu acredito que teremos a nossa própria história, embora eu deseje que ela seja tão feliz quanto a deles.

— A nossa história já está sendo muito feliz: teremos o nosso bebê, eu vou resolver a situação com a Mabel e eu quero me casar com você, quero te ver linda entrando na igreja de véu e grinalda, para que daqui a 25 anos também possamos comemorar as nossas bodas de prata.

— Só um detalhe: Eu sou judia. Não penso em me casar na igreja, mas na sinagoga.

— Pode ser isso também. Com você eu me caso até no espaço.

Os dois deram um beijo estalado nos lábios.

Nick passou a festa toda fitando Valentina, que desviava o olhar e se fazia de distraída. Eddie simplesmente comeu, bebeu e dançou com outras garotas, inclusive com Sophie, que aparentava ter uma queda de menina por ele, mas que ele tratava como irmã.

Valentina levantou-se para ir ao banheiro e Nick aproveitou a oportunidade, abordando-a quando saiu de lá:

— Você quer dançar? – perguntou ele de supetão, assustando a moça.

— Que susto, Nick! – colocando a mão no peito.

— Como sabe que sou o Nick? Eu e meu irmão somos idênticos.

— Eddie é muito mais educado que você.

Nick riu e falou:

— Não vou levar isso em consideração. O que você pensa que é falta de educação, é determinação. Não sou um “mosca morta” igual ao meu irmão.

— Bom pra você – tentando sair.

Nick segurou Valentina pelo braço:

— Você ainda não respondeu se quer dançar.

— Solta o meu braço!

Eddie viu a cena e se aproximou:

— Nick, solta o braço da moça. Não foi essa a educação que recebemos.

— Lá vem o meu irmãozinho politicamente correto, metido a bom samaritano – soltando o braço de Valentina.

Valentina disse:

— Eu não quero dançar com você, Nick! Eu quero dançar com o Eddie, que é um cavalheiro – tomando o braço do rapaz.

Eddie conduziu Valentina para a pista de dança e Nick observou a cena bufando de raiva.