Celle, o retorno
29 A dinda
Isabelle conferia o visual na frente do espelho quando Cris entrou com Ellie:

— Está muito linda, meu amor! Não acha, filha? – indagou à pequena.
— Eu estou mais bonita.
— Eu também acho. Você é imbatível, Ellie – disse Isabelle, dando um beijo na bochecha da menina e deixando uma marca de batom.
A campainha tocou e Ellie falou empolgada:
— É a mamãe! – correndo em direção à porta.
Desde a notícia de que Isabelle esperava um bebê, Ellie tornou-se arisca com ela, já sentindo ciúme, mas a moça continuava tratando a pequena com o mesmo amor.
Cris abriu a porta e viu que era realmente Mabel. Era o dia dela de visita. Iria levar a menina para passar a noite com ela no apart hotel e passariam juntas todo o dia seguinte também.
Isabelle apareceu na sala e cumprimentou Mabel, que não perdeu a oportunidade:
— Soube que está grávida, prima. Quem sabe agora não vai mais precisar roubar a minha filha, já que vai ter o seu próprio filho.
— Eu nunca quis roubar a sua filha, Mabel.
— Como você é sonsa. Ainda por cima emporcalhou a cara da minha filha com o seu batom – limpando com a fralda de pano da menina.
— E você, infantil.
Cris interrompeu:
— Olha, Mabel, é melhor levar logo a Ellie, nós estamos de saída.
— Ah, claro. Noite romântica dos pombinhos. Quando interessa, resolvem me entregar a menina.
— É seu dia visita.
— Amanhã é meu dia de visita.
— Está bem. Imaginei que iria gostar de passar a noite com ela, mas, se me enganei, pode deixá-la conosco e você volta amanhã.
— Sem chance, Cristopher – disse Mabel, pegando a bolsa da filha, a mão dela e saindo sem se despedir.
Cris comentou com Isabelle, rindo:
— Você tem razão, Mabel está cada vez mais infantil.
— Eu só não deveria ter dito isso na cara dela – rindo também.
— Às vezes é bom que ela ouça umas verdades.
— Melhor irmos logo, Alison e Greg já devem estar nos esperando para o jantar.
O casal tocou a campainha de um pequeno e aconchegante apartamento no centro de Seattle. Alison abriu com um grande sorriso e um avental:
— Sejam muito bem-vindos à minha casa – cumprimentando ambos com beijo no rosto.
Greg estava terminando de arrumar a mesa do jantar e se aproximou para também cumprimentar, dizendo:
— Chegaram na hora certa, a comida está pronta e a mesa, modéstia à parte, um capricho.
— Não melhor que a minha comida – rebateu Alison.
— Disso eu não tenho dúvida, amor – concordou Greg.
Todos se sentaram à mesa e se deliciaram com pratos da culinária francesa preparados por Alison. Isabelle elogiou:
— Nossa, Ali! Está tudo uma delícia e olha que sou filha de uma ótima chefe de cozinha.
— Aprendi muita coisa nos tempos de faculdade em Paris.
Foi a vez de Cris elogiar:
— E aprendeu muito bem mesmo.
— A minha colega de quarto já era formada em gastronomia e me ensinou muita coisa.
— Sorte a minha – comentou Greg, rindo.
— Fico contente que esteja conseguindo comer, Belinha. Comentei com o Greg mais cedo que estava com medo de pegar pesado no tempero, já que você está grávida e enjoando.
— Meus enjôos melhoraram muito, estavam mais intensos bem no começo da gestação.
Cris comentou:
— Agora estão começando os desejos, cada hora é uma coisa. Mas, claro que eu corro para achar qualquer coisa que ela queira, afinal, não posso arriscar que meu filho nasça com cara de alguma comida – rindo.
— Pois faz muito bem – incentivou Alison – A Belinha já está fazendo o trabalho duro de gestar.
Isabelle perguntou:
— E quando você vai encarar esse trabalho duro, amiga?
— Não tão cedo, ainda não me vejo mãe.
— Mas, se vê madrinha?
— Como assim? Você vai me dar o seu filho para batizar?!
— É claro que sim! Para quem mais eu daria? Somos melhores amigas de infância. Você é a madrinha natural do meu filho desde sempre. E quando você tiver o seu, ficarei muito magoada se não der pra eu batizar também.
Alison levantou-se e foi até Isabelle, abraçando-a:
— Oh, minha amiga. Eu fico muito honrada com esse convite. Prometo que serei a melhor madrinha que eu conseguir para esse bebê – passando a mão na barriga da amiga.
— Eu não tenho dúvidas disso.
— Quanto ao meu bebê, não acredito que venha tão cedo, mas, quando vier, será seu e do Cris, sem dúvida.
Todos continuaram comendo alegremente. Conversaram até tarde, até que Isabelle começou a sentir-se sonolenta e retornou para casa com Cris.
Na manhã seguinte, Isabelle foi a primeira a acordar, viu que Cris ainda dormia, mas depositou um beijo no pescoço dele, fazendo-o acordar com um arrepio. Ele se virou e deu um beijo nos lábios dela, dizendo com voz de sono:
— Bom dia, meu amor.
Isabelle deitou-se sobre ele e tomou os lábios dele num beijo, aprofundando-o com a língua. Ele interrompeu:
— Belinha, ainda estou com sono. Vamos dormir mais um pouco, hoje é domingo.
— Eu sei que hoje é domingo e Ellie está com Mabel, pensei que poderíamos aproveitar para namorar.
— Eu estou cansado.
— Está cansado ou está com medo de me tocar, porque estou grávida? Você não me toca desde que confirmei a minha gravidez.
— Não é medo, é cuidado.
— Não tenho uma gravidez de risco, estou fazendo o pré-natal, está tudo certo, podemos fazer sexo.
— Eu sei, me desculpa, eu só não me sinto confortável, não quero ficar em cima de você com o meu peso...
— Então, eu fico por cima de você.
— Eu gosto de estar no comando, você sabe disso. Também não sei se é seguro ir tão fundo no seu estado...
— Então tá bom, Cris! Durma de uma vez. Vamos dormir como irmãos até o nascimento do bebê e até o fim do meu resguardo.
— Você ainda sente vontade, mesmo no seu estado?
— É claro que sim. Não é porque vou ser mãe que deixei de ser mulher.
— Eu falo pela questão hormonal.
— Meus hormônios estão realmente à flor da pele.
— E você acha que se fizermos sexo, isso vai ajudar?
— Não custa tentar, né?
— É! – falou ele, deitado de lado e puxando Isabelle para bem perto de si, beijando-a no pescoço, passando a mão na coxa dela e levantando a camisola, puxando a perna dela e colocando-a sobre o quadril dele – Podemos aprender novas posições – tomando os lábios dela num beijo apaixonado, logo pedindo passagem para a língua.
Mais tarde estavam na cozinha muito animados, trocando beijos e sorrisos, enquanto preparavam o café da manhã. Ele comentou:
— Eu acho que não aguentaria mesmo passar meses sem te tocar.
— Gravidez não é doença, meu amor, podemos fazer isso mais vezes até o nascimento. Quando a barriga começar a ficar muito grande e me incomodar, eu falo.
— Combinado – disse ele – dando um beijo nos lábios dela.
Enquanto isso, no apart hotel, Melanie tomou um susto ao ver Mabel e Ellie tomando o café da manhã:
— Não acredito que está dando hambúrguer para a menina logo cedo. Já não basta você se entupir dessas porcarias de fast-food o dia todo!
— Por que se importa com o que ela come? Quando eu tinha a idade dela nem sabia o que eu estava comendo.
— Eu não te abandonei, eu te deixei com o seu pai, sua avó e seus tios. Quantas vezes vou ter que repetir isso? Eu só queria te dar uma vida boa, ter o conforto que temos hoje.
— Sim, estou vivendo no conforto e muito feliz, como você pode perceber – ironizou.
— Não está feliz porque não quer. Faz questão de comer até virar uma porca gorda, igual ao seu pai.
— Não fui eu que me casei com ele. Se estou engordando, é por causa da genética que você escolheu pra mim.
— Não, você nunca foi gorda, puxou a minha genética. Está engordando de tanto comer. Eu me cuido!
— A tia Sam come tanto quanto eu e é magra, logo, não puxei a genética das Puckett. Meu pai também come muito e engorda, então, a culpa ainda é sua por ter se casado com ele.
— Tenha um pouco de amor próprio e preze pela saúde da sua filha, já que me acusa de eu não ter me importado com você na idade dela, importe-se você com ela. Dê um café da manhã de verdade para a sua filha. Servem um ótimo lá em baixo. Eu estou indo lá agora.
— Então, bom apetite, mamãe. Eu e Ellie já estamos servidas.
Melanie suspirou e saiu.
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