Isabelle conferia o visual na frente do espelho quando Cris entrou com Ellie:

— Está muito linda, meu amor! Não acha, filha? – indagou à pequena.

— Eu estou mais bonita.

— Eu também acho. Você é imbatível, Ellie – disse Isabelle, dando um beijo na bochecha da menina e deixando uma marca de batom.

A campainha tocou e Ellie falou empolgada:

— É a mamãe! – correndo em direção à porta.

Desde a notícia de que Isabelle esperava um bebê, Ellie tornou-se arisca com ela, já sentindo ciúme, mas a moça continuava tratando a pequena com o mesmo amor.

Cris abriu a porta e viu que era realmente Mabel. Era o dia dela de visita. Iria levar a menina para passar a noite com ela no apart hotel e passariam juntas todo o dia seguinte também.

Isabelle apareceu na sala e cumprimentou Mabel, que não perdeu a oportunidade:

— Soube que está grávida, prima. Quem sabe agora não vai mais precisar roubar a minha filha, já que vai ter o seu próprio filho.

— Eu nunca quis roubar a sua filha, Mabel.

— Como você é sonsa. Ainda por cima emporcalhou a cara da minha filha com o seu batom – limpando com a fralda de pano da menina.

— E você, infantil.

Cris interrompeu:

— Olha, Mabel, é melhor levar logo a Ellie, nós estamos de saída.

— Ah, claro. Noite romântica dos pombinhos. Quando interessa, resolvem me entregar a menina.

— É seu dia visita.

— Amanhã é meu dia de visita.

— Está bem. Imaginei que iria gostar de passar a noite com ela, mas, se me enganei, pode deixá-la conosco e você volta amanhã.

— Sem chance, Cristopher – disse Mabel, pegando a bolsa da filha, a mão dela e saindo sem se despedir.

Cris comentou com Isabelle, rindo:

— Você tem razão, Mabel está cada vez mais infantil.

— Eu só não deveria ter dito isso na cara dela – rindo também.

— Às vezes é bom que ela ouça umas verdades.

— Melhor irmos logo, Alison e Greg já devem estar nos esperando para o jantar.

O casal tocou a campainha de um pequeno e aconchegante apartamento no centro de Seattle. Alison abriu com um grande sorriso e um avental:

— Sejam muito bem-vindos à minha casa – cumprimentando ambos com beijo no rosto.

Greg estava terminando de arrumar a mesa do jantar e se aproximou para também cumprimentar, dizendo:

— Chegaram na hora certa, a comida está pronta e a mesa, modéstia à parte, um capricho.

— Não melhor que a minha comida – rebateu Alison.

— Disso eu não tenho dúvida, amor – concordou Greg.

Todos se sentaram à mesa e se deliciaram com pratos da culinária francesa preparados por Alison. Isabelle elogiou:

— Nossa, Ali! Está tudo uma delícia e olha que sou filha de uma ótima chefe de cozinha.

— Aprendi muita coisa nos tempos de faculdade em Paris.

Foi a vez de Cris elogiar:

— E aprendeu muito bem mesmo.

— A minha colega de quarto já era formada em gastronomia e me ensinou muita coisa.

— Sorte a minha – comentou Greg, rindo.

— Fico contente que esteja conseguindo comer, Belinha. Comentei com o Greg mais cedo que estava com medo de pegar pesado no tempero, já que você está grávida e enjoando.

— Meus enjôos melhoraram muito, estavam mais intensos bem no começo da gestação.

Cris comentou:

— Agora estão começando os desejos, cada hora é uma coisa. Mas, claro que eu corro para achar qualquer coisa que ela queira, afinal, não posso arriscar que meu filho nasça com cara de alguma comida – rindo.

— Pois faz muito bem – incentivou Alison – A Belinha já está fazendo o trabalho duro de gestar.

Isabelle perguntou:

— E quando você vai encarar esse trabalho duro, amiga?

— Não tão cedo, ainda não me vejo mãe.

— Mas, se vê madrinha?

— Como assim? Você vai me dar o seu filho para batizar?!

— É claro que sim! Para quem mais eu daria? Somos melhores amigas de infância. Você é a madrinha natural do meu filho desde sempre. E quando você tiver o seu, ficarei muito magoada se não der pra eu batizar também.

Alison levantou-se e foi até Isabelle, abraçando-a:

— Oh, minha amiga. Eu fico muito honrada com esse convite. Prometo que serei a melhor madrinha que eu conseguir para esse bebê – passando a mão na barriga da amiga.

— Eu não tenho dúvidas disso.

— Quanto ao meu bebê, não acredito que venha tão cedo, mas, quando vier, será seu e do Cris, sem dúvida.

Todos continuaram comendo alegremente. Conversaram até tarde, até que Isabelle começou a sentir-se sonolenta e retornou para casa com Cris.

Na manhã seguinte, Isabelle foi a primeira a acordar, viu que Cris ainda dormia, mas depositou um beijo no pescoço dele, fazendo-o acordar com um arrepio. Ele se virou e deu um beijo nos lábios dela, dizendo com voz de sono:

— Bom dia, meu amor.

Isabelle deitou-se sobre ele e tomou os lábios dele num beijo, aprofundando-o com a língua. Ele interrompeu:

— Belinha, ainda estou com sono. Vamos dormir mais um pouco, hoje é domingo.

— Eu sei que hoje é domingo e Ellie está com Mabel, pensei que poderíamos aproveitar para namorar.

— Eu estou cansado.

— Está cansado ou está com medo de me tocar, porque estou grávida? Você não me toca desde que confirmei a minha gravidez.

— Não é medo, é cuidado.

— Não tenho uma gravidez de risco, estou fazendo o pré-natal, está tudo certo, podemos fazer sexo.

— Eu sei, me desculpa, eu só não me sinto confortável, não quero ficar em cima de você com o meu peso...

— Então, eu fico por cima de você.

— Eu gosto de estar no comando, você sabe disso. Também não sei se é seguro ir tão fundo no seu estado...

— Então tá bom, Cris! Durma de uma vez. Vamos dormir como irmãos até o nascimento do bebê e até o fim do meu resguardo.

— Você ainda sente vontade, mesmo no seu estado?

— É claro que sim. Não é porque vou ser mãe que deixei de ser mulher.

— Eu falo pela questão hormonal.

— Meus hormônios estão realmente à flor da pele.

— E você acha que se fizermos sexo, isso vai ajudar?

— Não custa tentar, né?

— É! – falou ele, deitado de lado e puxando Isabelle para bem perto de si, beijando-a no pescoço, passando a mão na coxa dela e levantando a camisola, puxando a perna dela e colocando-a sobre o quadril dele – Podemos aprender novas posições – tomando os lábios dela num beijo apaixonado, logo pedindo passagem para a língua.

Mais tarde estavam na cozinha muito animados, trocando beijos e sorrisos, enquanto preparavam o café da manhã. Ele comentou:

— Eu acho que não aguentaria mesmo passar meses sem te tocar.

— Gravidez não é doença, meu amor, podemos fazer isso mais vezes até o nascimento. Quando a barriga começar a ficar muito grande e me incomodar, eu falo.

— Combinado – disse ele – dando um beijo nos lábios dela.

Enquanto isso, no apart hotel, Melanie tomou um susto ao ver Mabel e Ellie tomando o café da manhã:

— Não acredito que está dando hambúrguer para a menina logo cedo. Já não basta você se entupir dessas porcarias de fast-food o dia todo!

— Por que se importa com o que ela come? Quando eu tinha a idade dela nem sabia o que eu estava comendo.

— Eu não te abandonei, eu te deixei com o seu pai, sua avó e seus tios. Quantas vezes vou ter que repetir isso? Eu só queria te dar uma vida boa, ter o conforto que temos hoje.

— Sim, estou vivendo no conforto e muito feliz, como você pode perceber – ironizou.

— Não está feliz porque não quer. Faz questão de comer até virar uma porca gorda, igual ao seu pai.

— Não fui eu que me casei com ele. Se estou engordando, é por causa da genética que você escolheu pra mim.

— Não, você nunca foi gorda, puxou a minha genética. Está engordando de tanto comer. Eu me cuido!

— A tia Sam come tanto quanto eu e é magra, logo, não puxei a genética das Puckett. Meu pai também come muito e engorda, então, a culpa ainda é sua por ter se casado com ele.

— Tenha um pouco de amor próprio e preze pela saúde da sua filha, já que me acusa de eu não ter me importado com você na idade dela, importe-se você com ela. Dê um café da manhã de verdade para a sua filha. Servem um ótimo lá em baixo. Eu estou indo lá agora.

— Então, bom apetite, mamãe. Eu e Ellie já estamos servidas.

Melanie suspirou e saiu.