Caçar. Passado. Presente. Futuro.
8 Desencontros
Notas iniciais
“A despedida não é o fim, pelo contrário, é o começo de uma nova aventura.”
Por Katherine Brooke:
Ver a minha irmã no chão foi à pior das sensações. Mesmo com o braço machucado e a dor mais do que intensa, eu simplesmente esqueci tudo ao meu redor, só queria vê-los bem. Ela e Sam. Dean já falava com o irmão, pedindo pra ele ficar acordado.
As duas ambulâncias pararam perto da praça e paramédicos desceram apressadamente. Eram sete no total. Dois deles já preparavam uma maca e carregavam minha irmã para ela.
– Ei – eu desci, mesmo com dificuldade dos braços de Dean, mas ele continuou segurando meu braço em seu pescoço – digam que ela vai ficar bem!
– Não sabemos senhores – respondeu um deles. Outro deles já agarrava meu braço para cuidar dos ferimentos – a garota teve um corte bastante fundo, perdeu muito sangue.
– E meu irmão? – Dean, mesmo com a cara de durão, parecia querer chorar – ele vai ficar bem não é?
– Fiquem calmos, por favor – pediu outro.
Fomos todos direcionados as ambulâncias, minha irmã foi colocada em uma assim como Sam. Eu e Dean nos entreolhamos sérios dando forças uma ao outro. Fui levada junto com a minha irmã e colocada na mesma ambulância, antes de eu e o Dean sussurrarmos um para o outro um “boa sorte”.
...
– A senhorita perdeu sangue, mas a bala nem ao menos entrou em seu corpo. Foi apenas de raspão. Cuide desse ferimento e tome os remédios adequados, e ficará boa em alguns dias – o doutor falou e foi música para meus ouvidos.
– E a minha irmã doutor? – perguntei ao mesmo.
– Bom Katherine, aquela garota é durona mesmo – ri um pouco com ele – ela teve perda de sangue e o corte foi profundo, mas já conseguimos regular tudo e fechar o ferimento. Mas nada demais.
– E porque ela apagou?
– Bom, ela teve perda continua e talvez com o susto que levou com você fez com que ela desmaiasse. Mas está tudo bem.
– E o Sam? E o Dean? – estava esperançosa.
– Bom Dean está bem, só alguns arranhões. Mas o Sam teve algo mais grave. Mas acalmasse senhorita, já retiramos a bala e em breve ele estará em alta.
O Dean veio me ver e com isso concluímos que tínhamos que comer alguma coisa. Passaram-se algumas horas e Emily teve alta. Ela estava com um curativo na perna e outro no braço. Um corte no rosto, mas continuava com o mesmo deboche estampado no sorriso.
– Ems! – abracei-a com todas as forças que a mesma reclamou de que eu tinha batido em seu braço machucado.
– Você está bem? – ela perguntou preocupada – fiquei tão nervosa! Achei que perderia você! – ela disse.
– Garota, foi você que passou mais tempo numa cama de hospital, eu estou bem! – rimos um pouco.
– Cadê o Sam? E o Dean? – ela perguntou.
– Bom o Dean está bem, só alguns arranhões.
– Miserável sortudo – ela disse, mas sem raiva na voz e sim um tom de brincadeira.
– Já o Sam receberá alta em algum tempo.
...
Passado alguns dias, Sam teve alta e nós voltamos para o hotel. Assim que paramos na frente dele, minha irmã e Dean entraram no hotel brigando de novo, enquanto eu fui em direção à praça que havia acontecido toda a briga e luta.
– Obrigada – falei a Sam, quando o vi se aproximar de mim, envergonhada pela primeira vez na minha vida.
– Pelo quê? – perguntou Sam com um sorriso.
– Ah qual é? Você levou um corte e tanto por minha causa, obrigada mesmo.
– Não a de quê. Obrigada por destruir o fantasma miserável. Onde foi parar Verônica mesmo? Apaguei antes que descobrisse.
– Bom, digamos que ela vai passar um bom tempo com o uniforme laranja. Se não a vida toda, por agressão, porte ilegal de arma e assassinato.
Sorrimos com a notícia. Ele me parou e me puxou pela cintura. Nossos narizes se encostaram e eu estava surpresa por essa atitude do Winchester mais novo. Como assim? O Sam? Deve ser ilusão. Mas não. Ele me beijou com um carinho estonteante. Fechei os olhos e agradeci aos céus por Emily e Dean terem “brigado”. Não sei quanto tempo passamos ali.
Um assovio fora dado e nos afastamos assustados. Emily nos observava da janela do motel. Ela piscou para nós com um sorriso no rosto:
– Só quero avisar que partimos de manhã – ela falou, mesmo tendo nos interrompido, entendi o porquê daquilo, ela queria me proteger e sabia como fazê-lo sendo sutil ao mesmo tempo.
Infelizmente, aquele aviso tinha que chegar, mais cedo ou mais tarde em meus ouvidos.
Por Sam Winchester:
–Dean? – chamei-o assim que entrei no quarto – vamos arrumar nossas coisas, amanhã vamos embora lembra?
– Ah sim – ele disse – eu vi hein!
– O quê? – me fiz de desentendido.
– O beijão seu com a Katherine. Você está amarradão nela!
– Calado – fechei a porta do banheiro na cara dele. Não queria conversar sobre a Katherine. Não com o que viria a seguir.
...
Por Dean Winchester:
De manhã cedo, estávamos todos carregando as malas para o Chevelle e o Impala a fim de irmos embora. Via de relance as caras de Katy e Sam, eles não queriam ir, isso era fato. Mas não havia escolha, eu queria por logo o pé na estrada. Tudo bem que eu vou sentir falta da Katy, ela é uma ótima amiga. Mas da Emily, eu queria manter distância.
As últimas malas foram arrumadas e os porta-malas fechados. Reunimos-nos entre os dois carros, todos escondendo os próprios sentimentos:
– Tchau Ems – falou Sam abraçando-a fortemente. Porque ela era tão legal com ele? Quer dizer, com todo mundo menos comigo? Saco!
– Tchau grandão – ela brincou – cuide-se.
– Você também baixinha – ele disse e eles se desvencilharam – e obrigada pelo esforço. Teria sangrado até morrer se não fosse por você.
Ela riu e ele também.
Fui em direção a Katy e a abracei que retribuiu de bom grado.
– Tchau Katy – despedi-me.
– Tchau loirinho – ela bagunçou o meu cabelo quando nos separamos – e vê se tenta não engravidar ninguém – ela sussurrou brincando em meu ouvido. Me afastei um pouco e Emily fez o mesmo, para dar privacidade a Katy e o Sam.
Por Sam Winchester:
– Não vou vir com aquele papinho de “será que vou te ver de novo?”. Pode esquecer – ela disse rindo e eu ri também.
– Tudo bem então eu pergunto, será que vou te ver de novo? — cheguei mais perto dela.
– Não sei, sabe como a Emily é. Imprevisível, de uma hora para a outra ela pode dizer, vamos para o Himalaia ou coisa parecida – rimos mais um pouco – mas ela sabe o que faz. É uma pirralha muito esperta.
– Com certeza.
O assunto morreu. Tenho certeza que queríamos falar mais, mas nossas vozes não saiam. Simples assim. Meu Deus, depois eles são os complicados?
– Sam? – ela chamou.
– Sim?
Ela me abraçou. Do nada. Fiquei surpreso, mas retribui o abraço.
– A gente se vê por ai Sammy – ela brincou com o apelido.
– Tomara Katy – nos separamos.
– Então...
– Então...
Aproximei-me dela e dei-lhe um beijo na bochecha. Ela sorriu. Já disse como o sorriso dela é bonito?
Por Emily Brooke:
Dean olhou para mim e foi se aproximando meio desconsertado com as mãos nos bolsos da jaqueta. Ele parecia mais jovem naquele momento, ou eram meus olhos?
– É eu acho que é um tchau – ele disse — nos encontraremos de novo, Brooke.
– É o que veremos Winchester – desafiei-o — a menos que você saia por ai me caçando.
– Caço muitas coisas. Você não vai ser problema.
Ele se aproximou mais ainda de mim. Uma distancia perigosa. Mas me mantive firme encostada ao capô do Chevelle. Onde aconteceu nosso beijo. Balancei a cabeça a fim de me livrar desses pensamentos. Não quero lembrar disso. Não agora.
Vi de rabo de olho o “casal” se aproximar. Katherine foi para o meu lado enquanto Sam foi para o lado de Dean. Sam e Katy acenaram, Katy entrou no carro me jogando um olhar significativo, terminado por uma piscadela. Sam pareceu ter entendido, pois entrou no Impala também.
– Adeus Winchester – falei.
– Adeus... – ele sorriu malicioso enquanto seguia para o Impala, abriu a porta do motorista e apoiou os dois braços no teto do Impala olhando para mim – linda!
E fechou a porta do carro me deixando furiosa.
Por autora:
Emily se dirigiu ao lado do motorista e entrou no Chevelle furiosa. Foi igual à primeira vez que se viram, brigando. Katherine riu da irmã. Os motoristas deram partida quase no mesmo momento e então se separaram, por fim, cada um indo para um lado da estrada. Agora era tarde demais. Cada um havia seguido o seu caminho. Não havia mais volta. As irmãs iriam para um lado e os irmãos para o outro... Ou não!
Fale com o autor