Caçador

34 Novo caso... Novos parceiros


Notas iniciais
Dedico este a LanaReyes. Volte a escrever logo, sim? Estão aí os capítulos que pediu.

— Você está brincando comigo. — Digo, olhando aparvalhado para isso.

— O que foi? — Jene pergunta.

Balanço a cabeça. Inacreditável. Eu esperava algo totalmente diferente.

— Uma mochila? Você é incrível. Nunca esperei que uma garota da sua idade fosse ter esse nível de bom-senso. Já esperava as duzentas malas cheias de roupas.

Jene dá os ombros. Está com uma roupa muito parecida com a que vestia quando encontrei ela. Uma calça jeans preta, camiseta do Guns N’Roses e tênis All Star. O colar com o pentagrama continua no pescoço, e a mecha vermelha é a mesma. Mas tem um brilho diferente nos olhos cinzentos... Sem a jaqueta de couro, a tatuagem no braço esquerdo se destaca na pele pálida, assim como a minha se destaca. Também estou usando uma camiseta (do AC/DC), então Jene não deixa de notar a minha tatuagem.

— Um pouco foi culpa de meu pai, embora não fosse levar muita coisa igual. Ele ficou xeretando na minha mala o tempo todo. — Jene passa por mim e atira a mochila no banco de trás do Dodge. Noto um punhal em sua cintura. Ela acena um tchauzinho para John e entra, imediatamente se esticando para mexer no meu sistema de som.

Solto um longo suspiro. Pelo menos nós três temos o mesmo gosto musical. Isso não vai gerar brigas. Me viro para John, que está fitando Jene.

— Cuide dela, sim?

— Como se fosse uma irmã. — John sorri preocupado, mas seu rosto relaxa um pouco. Trocamos um aperto de mãos. — Até a próxima, velhote. Tome cuidado para não enfartar, viu? Vou tentar te mandar noticias, mas você sabe. O futuro de um Caçador é sempre incerto. Jogamos dados com os Ceifeiros o tempo todo.

John sorri desanimado com a brincadeira. Eu tenho fama de me meter com Ceifeiros, embora John não saiba que sou um necromante. Está bem, vamos deixar as coisas claras: Sou o único Caçador especialista em Ceifeiros do mundo. É claro que só duas pessoas sabem disso: Megan e Joe, os únicos que já Caçaram diretamente comigo. Já fiz duplas com outros Caçadores, e já ajudei em alguns casos, mas sempre como um apoio. Nunca Cacei com ninguém.

— Vamos? — Jene grita do carro, com Jailbreak tocando. Sorrio com a ironia da letra da música.

— Ela está com bastante pressa de se meter em confusão, não? — Brinco, apontando para o carro com o polegar. John grunhe e resmunga qualquer coisa. — Bom, até qualquer hora. Cuidado com o bicho papão!

Dizendo isso, dou um tapa no ombro de John e vou para o banco do motorista. Megan se despede de John e entra também. Acelero, não dando para a chuva. Logo vou estar longe.

— Sabe dirigir? — Pergunto para Jene.

— Sim. — Ela responde curiosa. Solto um grunhido.

— Bom, nem pense em dirigir esse carro, ouviu? E nem tente fazer uma ligação direta, eu já me antecipei. É impossível fazer isso nessa belezinha aqui.

Megan revira os olhos com um sorriso.

— É normal do cromossomo Y dar apelidos para os carros.

— Não dei apelido. Mas gosto do meu carro. — Respondo. Jene assente com a cabeça, concordando comigo.

— Que tipo de motor você tem? Um Dodge Challenger 70 trabalha com motor Hemi V8, de 425cv, mas... Foi tirado da linha de montagem por gastar muito e gerar muita fumaça. Esse carro é potente, mas eu prestei atenção no escape e não parece ser um dos modelos originais.

Minhas sobrancelhas se erguem tanto que somem na franja, e por um momento olho para trás, esquecendo da estrada.

— Beleza, outra nerd automotiva. — Megan murmura encostando a cabeça no banco e olhando para longe.

— Você entende de carros?

— Sim. E sei fazer ligação direta diretamente no motor. — Jene dá um sorriso. — Um amigo meu é mecânico, de La Push. Teve algumas piadas sobre “Bella e Jacob” na escola, mas logo eles pararam. Tipo, cinco dentes arrancados, dois braços fraturados e vários narizes quebrados depois, perdeu a graça.

Olho para ela por um momento, para ter certeza que não está brincando comigo.

— Bom, você está certa. O modelo 70 tem alguns problemas. Fiz meio que uma mistura, juntando o 2006 e o 70. Deixei o modelo antigo, que é bem mais bonito, e melhorei o motor. Trabalha com 500cv agora. O consumo de gasolina foi cortado para um terço, e quase não emite fumaça mais. Fiz alguns ajustes na mecânica dele. Agora é muito mais potente. Não foi fácil ou barato, mas agora o carro está uma maravilha. Uma hora te mostro o motor. Ficou uma beleza, ainda mais com as outras adaptações que fiz.

— Para onde vamos agora? — Jene pergunta.

— Manhattan. — Respondo.

— Caso ou só de passagem? — Megan pergunta, tirando os olhos da janela.

— Joe me mandou um e-mail com um link. Abri o link e descobri uma noticia sobre alguém que foi dado como morto ter “voltado a vida”.

— Zumbis de novo não. — Megan reclama.

— Não, não são zumbis. Voltou mesmo. Procurei um pouco, e descobri mais outros três casos de curas inexplicáveis. Talvez seja uma imitação do Fé, embora esteja em dúvida. Nenhuma morte inexplicável. Bom, por que não? Não custa nada tentar.

Megan sorri sarcástica.

— Claro, ainda mais quando a grana não é nossa. O que está esperando? Pisa fundo!

Faço exatamente isso.

Notas finais
Comentários, sim? Nem que seja só um oi. Estimula bastante.