Caçador

36 Descobrimos a verdade! Isto Non Ecsiste


Notas iniciais
Saiu pequeninho... Mas eu tinha de fazer assim.

Fico batendo nos joelhos, copiando o ritmo de bateria de Nirvana. A recepcionista disse que o médico ia vir em breve, mas esse carinha está demorando.

Depois de mais alguns minutos, um cara de trinta e poucos anos e jaleco branco aparece vindo do corredor do hospital. Esse é o Robert, pelas fotos que vi. Ignoro os pacientes ao meu redor, em espera, cujos qual o médico cumprimenta educadamente. Humpf, bonzinho.

— Olá, desculpe incomodá-lo. Sou Jaime. Essa é minha parceira, Ellen. Somos do FBI.

— Obviamente sabem meu nome. O que o FBI deseja com um humilde doutor? — Ele pergunta com bom humor. É, não é um necromante. Só de olhar para a cara dele consigo ver isso.

— Nada de sério, pode poupar a cerimônia e as formalidades. Apenas queremos fazer umas perguntas pequenas.

— Se quiserem me seguir... — O médico nos leva até a sala dele.

Uma sala normal de médico, nada de mais. Não deixo de notar um pequeno crucifixo na parede.

— Bom, o que desejam? — Ele pergunta amigável.

— Apenas umas curiosidades. — Megan começa. — Você teve três pacientes que se recuperaram rapidamente...

— Ah, sim. Os “milagres”. Sei de quem estão falando. — Noto uma pequena defensiva colorir seu tom. — O que querem saber sobre eles? Já coloquei tudo que sei no prontuário de cada um. Foram casos estranhos, é verdade, mas não consigo imaginar no que atraiu o interesse do FBI.

— Suspeitamos de uma nova droga, e queríamos saber sua opinião. — Tomo as rédeas da conversa, com uma suspeita se formando. Uma suspeita que me assusta mais do que qualquer coisa que já Cacei. — O fato de dois terem sido dado como mortos. Uma nova droga que os deixa em suspensão... Você que os examinou, qual é a sua opinião profissional sobre isso?

Harlam relaxa ao ouvir isso, se recostando na cadeira com um ar pensativo. Bingo.

— Teriam que fazer mais exames para confirmar, mas... Não vi nada estranho em seus exames de sangue para levantar essa hipótese. É claro que posso ter deixado passar alguma coisa, mas... Não, não estão usando nenhuma droga. Estou convicto disso.

— Está certo. Era isso. — Me levanto. — Obrigado por sua ajuda.

Aperto a mão do médico. Ele parece animado, até confiante, quando nos dá bom dia. Fico em silencio até estarmos longe do hospital, então explodo.

— Puta merda, mas que porra. — Continuo praguejando por mais alguns minutos, ignorando os olhares surpresos das pessoas ao meu redor. — Cassete, agora a coisa vai ficar feia.

— Vai parar com isso e me explicar logo o que houve? — Megan pede exasperada.

Respiro fundo para me acalmar.

— Eu sei o que ele é. E é por isso que estou praguejando.

— E o que é? — Megan pergunta.

Olho para ela de relança, então falo, colocando entonação na voz.

— Você acabou de ver Robert Harlam, ou simplesmente, Cristo.

Notas finais
Por essa ninguém esperava, tenho certeza.