Caçador

37 Eu adoro Doritos...


Notas iniciais
O título tem alguma coisa a ver com o capítulo? Bom, caçar demônios faz algumas pessoas enlouquecerem.

Megan fica parada em choque por vários minutos. Depois de um tempo, cutuco ela e a faço me seguir até o apartamento. Só lá ela recupera a voz.

Como assim Cristo? Que história é essa?

— Espere mais um pouco. Vamos conversar com Jene junto. É bom para ela ir pegando prática.

Megan me segue apartamento a dentro, ainda pasma com o que eu disse.

Jene está na cozinha com um saco de Doritos na mão. Olho de relance para o relógio. É, está ficando tarde, e não comi quase nada durante todo o dia. Pego uma Coca na geladeira e esvazio a latinha. Então resgato outro saco de Doritos e abro. Vamos precisar comer alguma coisa mais substancial hoje, mas no momento estou improvisando. Ao contrario de outras pessoas, que ficariam com o estomago embrulhado ou nervosas demais para comer, eu fico com mais apetite.

Conto rapidamente, entre porções do Doritos, nossa entrevista com o médico para Jene, e também minhas hipóteses originais sobre o caso. Termino falando sobre minha ideia sobre o que ele é.

Jene solta uma gargalhada.

— Muito boa, e eu achando que você é ateu. Meu amigo, Deus não existe, não sei se alguém te falou. — Jene fica me olhando divertida, então fica séria ao ver nossas caras. — Que foi? Você é ateu, não é?

— É, mais ou menos. Eu não cultuo Deus, e queria que Morte se apressasse em matá-lo, as infelizmente ele existe.

Jene engasga com a Pepsi e deixa o pacote de Doritos cair no chão.

— Ele, o que... Como... Diabos?

— Eles também existem. Me escute, é difícil e demorado de explicar, mas... Deus existe. Só tire aquele papinho religioso do meio. É um ser imensamente poderoso que foi e é cultuado por diversas pessoas. Se criou o mundo ou não, isso eu não sei. Só sei que fica na dele e não se mete, o que é ótimo. Pelo que sei, só a foice da Morte é capaz de matá-lo, e é difícil pra caramba roubar algo da Morte.

Megan revira os olhos.

— Como se você já tivesse tentado. — Fico em silêncio, um silêncio culpado. — tentou?

— Uma vez... Isso não vem ao caso. O que importa é que Cristo está de volta.

— Perá, me explica isso direito. Cristo, tipo, Jesus Cristo e tudo mais? — Jene pergunta, resgatando o Doritos no chão.

— É, tipo isso. — Respondo urgente. Respiro fundo tentando me acalmar. Um ataque de hiperatividade agora iria ser meio ruim. — Você sabe sobre o Anti-Cristo, meio humano e meio demônio. Bom, Cristo é como denominamos um meio Anjo e meio humano. Filho de um Anjo com uma Humana. Só houve um caso até agora, por isso estou dando piripaque. Filho do Arcanjo Gabriel com uma humana.

— O dito cujo de Jerusalém. Sei, ouvi falar. — Megan comenta. — Vá direto ao ponto, por que acha que esse é um Cristo?

— Por que — eu respondo —, os poderes batem. Reviver os mortos, curar os doentes, só falta andar sobre a água e multiplicar comida e coisa do tipo. E também, eu fiz um teste. Notou que ele se encolheu um pouco quando apertou minha mão, e depois ficou abandando a mão levemente, discretamente?

— Sim, e daí? — Megan pergunta.

— Bom... Molhei a palma da mão com um pouco de Óleo Sagrado. Era só um palpite, já que ninguém testou usar água benta em um Anti-Cristo, mas deu certo. Ele tem sangue de Anjo, e apostei nisso quando molhei a palma.

— Você não existe! — Jene exclama. — Conseguiu fazer isso na hora... Bom, já que tem certeza, o que planeja fazer?

— Matá-lo. — Eu respondo. Megan e Jene se entreolham, hesitando.

— Mas... Bom, eu não sou especialista, mas ele é um humano. Nosso trabalho é proteger os humanos. E ele não devia ser do bem? — Jene pergunta.

Eu hesito antes de responder. Talvez eu esteja sendo precipitado, mas meu instinto me guia nessa direção. E meu instinto nunca mentiu.

— Não necessariamente. Não deixe a religião contaminar seu julgamento. Com um bom marketing, até Lúcifer consegue seguidores. Temos que impedi-lo. — Afirmo convicto. — Não iremos simplesmente conversar com ele e convencê-lo, e ele sabe dos seus poderes, notei isso na conversa. Se estivesse apenas curando os doentes, eu sairia da cidade imediatamente e jogaria uma pedra sobre isso. Mas ele já trouxe duas pessoas de volta à vida. Isso está errado. Os Ceifeiros vão se meter, e vai virar um banho de sangue. Preciso relembrar o que aconteceu com o último? — Pergunto. Nenhuma das duas responde. — Se os Ceifeiros se meterem, haverão problemas na cidade. Temos que evitar isso a todo custo. E ele não é um humano puro. Sou contra eliminar quem não merece, mas temos poucas escolhas.

Nenhuma das duas se manifesta. Então Megan suspira e se recosta na cadeira.

— Bom, chame Judas e vamos começar a festa.

Notas finais
Por hoje é só. Mas logo eu posto mais capítulos. Tenho mais dois, e um deles é bem comprido. O maior que já fiz até agora.