Caçador

7 Crio um novo Departamento para o FBI


— Zonzo pelo Sangue do Morto? — Megan pergunta, olhando pela janela para a delegacia.

— Provavelmente. — Respondo, também olhando. Na noticia, não foi divulgado para onde o Vampiro foi levado, mas não é muito difícil hackear o sistema da policia local.

— Mas por que ele estava bebendo? Eles nunca matam na hora. O que houve? — Megan reflete, espantada.

— Não sei. — Tenho alguns palpites, mas são bem obscuros. — Mais uma pergunta para acrescentar no interrogatório.

— E como vamos tirá-lo de lá? Rapto ou transferência com credenciais falsas?

— Tentar por credenciais, se não der certo, Plano B. — Respondo.

Megan assente. Ela abre a porta do Dodge, e olha para a delegacia. Suspira.

O delegado está sentado, com um café expresso em sua frente na mesa. O crachá o identifica como Delegado Jeff. Cabelos castanhos curtos, levemente grisalhos, jaqueta jeans e calças compridas. Uma porta fechada provavelmente leva para as celas.

— O que desejam? — O delegado pergunta, largando o jornal que estava lendo na mesa.

— Ver seu preso, o “vampiro”. — Faço aspas com os dedos. – Sou o agente Jones. Essa é Clayr — aponto para Megan. – Somos do Departamento de Casos Especiais.

— Posso ver os distintivos? — O delegado pede, com um ar irônico. Tiro o meu do bolso do jeans, e mostro para ele. Megan faz o mesmo. São falsos, é claro, mas ele provavelmente não sabe disso. — Não sabia que existia um Departamento de Casos Especiais.

— Exatamente. — Respondo. — Ninguém sabe.

— Ahã. — Ele nos olha, avaliando minha camiseta preta do AC/DC e calça jeans informais, e o jeans de Megan e camiseta de flanela. — Não são meio jovens para um cargo tão alto?

— É, provavelmente. — Respondo. — mas é que eu praticamente nasci no FBI, e tirar doutorado em Ciências Criminais na Havard com apenas 15 anos deve servir para alguma coisa.

O delegado me olha com uma cara de espanto, então se levanta e contorna a mesa resmunga alguma coisa. O truque do diploma na Havard sempre dá certo.

O delegado pega uma chave no bolso, e abre a porta. Entramos num corredor de uns 10 metros de comprimento, com celas pequenas de cada lado. Apenas uma está ocupada. Imagino que os outros estão em penitenciarias ou coisa do gênero. Na verdade, é um milagre ter uma delegacia dessas aqui, e ainda mais estar com o preso.

— Ele não causou muitos problemas. Só fica sentado ali, em silêncio. — Jeff fala, apontando para o preso. Examino-o com interesse.

Uns vinte anos, cabelos castanhos claros. Pele pálida, roupas casuais, meio manchadas de sangue. Ele nos olha com uma expressão vazia.

— Abra. — Falo simplesmente.

— Tem certeza? Que ele...

— Eu sei me cuidar. — Respondo, pegando uma ampola no bolso. Só que em vez de tranquilizante, tem Sangue do Morto dentro dela.

Jeff dá os ombros, e abre a cela. O Vampiro parece tentar se levantar, mas sou mais rápido. Injeto toda a ampola em seu pescoço. Ele revira os olhos e desmaia.

Jogo o corpo por cima do ombro, como um saco de batatas, e me preparo para sair.

Jeff parece meio constrangido.

— Olhe... Tem certeza disso? Não parece muito oficial nem nada do tipo, e... — Ele hesita.

— Confie em mim. Isso é para seu próprio bem, e do resto da cidade. Vamos descobrir o que houve com as vitimas. Se precisar de nós, estamos no Hotel Zarric.

Jeff acena. Espero que ele nunca precise nos procurar, até por que, não existe nenhum Hotel Zarric.

Vou para o carro, com Megan me seguindo. Ela abre a porta de trás, e jogo o Vampiro lá para dentro.

— Sabe, para alguém que só se alimenta de sangue, você é bem pesadinho.

Dou partida no Dodge, antes que o delegado tenha tempo de fazer nada mais além de olhar surpreso para meu carro Dodge Challenger preto. Olho para o Vampiro no banco de trás, que geme levemente. É, esse vai ser um longo dia.