Caçador
25 Combate final. E AGORA vocês sabem que não fui só eu que destruí a casa!
Notas iniciais
Você pode estar se perguntando como se luta com magia, e se vamos usar os feitiços mais poderosos e todo aquele blábláblá, estou certo? Pois bem, vocês se enganaram um pouco.
Tenho seis balas no Colt .45. Seis tiros, e cada um pode matar Harren se acertar. O problema vai ser acertar. Não vai ser tão fácil contra ele. Mas... Uma vez os Winchester usaram o Colt para tentar matar um demônio e ele parou a bala usando telisinesia. Mas isso não vai dar certo para Harren. A magia do Colt está na arma e nas balas feita para ele. No meu .45 o truque são as balas. Qualquer pistola com esse calibre pode usá-las e matar o que quer que seja. E as balas são imunes a poderes sobrenaturais.
Enquanto cogito isso tudo, antes de poder sacar uma arma que seja, Harren saca duas pistolas. Arregalo os olhos e me jogo para o lado, bem na hora. Duas balas passam pelo lugar onde eu estava apenas um segundo antes.
Harren dispara de novo. Rolo pelo telhado, escapando por pouco das balas que abrem buracos na madeira do teto. Desde quando demônios usam armas?
Harren descarrega os pentes das duas pistolas. Para a minha sorte, parece que ele é ruim de mira. Harren joga as armas fora. Aproveito a chance e pulo na direção dele. Harren ergue uma mão e me para no ar. Com um movimento de pulso, me joga para longe.
Rolo para diminuir o impacto da queda, e fico agachado. Que diabos é isso? Eu devia ter proteções contra telesinese de demônios!
Harren estende a mão novamente. Me encolho, esperando ser jogado do telhado, mas dessa vez nada acontece. Ele olha para suas próprias mãos, incrédulo. Então raiva substitui a surpresa no rosto. Entendo de súbito o que foi. Foi o necromante que me parou, e não o demônio. Por isso minhas defesas não funcionaram. Só que Harren não sabe usar os poderes da sua casca, por ser possessão forçada. Melhor pra mim.
Saco a faca com cabo de osso. É uma das facas dos curdos, feita para matar demônios. O exemplar mais conhecido é o que é portado por Ruby na série Sobrenatural, e depois os Winchester roubaram a faca. A minha tem o mesmo formato, apenas um pouco mais comprida. Passei muito tempo estudando os entalhes na lâmina para tentar recriar a faca, mas não está dando muito certo. Não consegui traduzir e reproduzir completamente o ritual. E nem adianta me perguntar como tenho ela. É uma história muito comprida. Apenas saibam que passei por poucas (ou melhor, muitas) e boas para conseguir ela. Trabalhão dos infernos, quase literalmente.
Corro até Harren. Ele tenta novamente, sem sucesso, me empurrar com telesinese. Enfio a faca até o cabo em seu tórax. Harren arregala os olhos e solta um gemido, mas sem a luzinha de neon laranja que devia aparecer dentro dele. Noto que a faca não parece estar presa.
Pulo para trás, me afastando dele e olho para a faca. Então solto um gemido desanimado. Estou segurando só o cabo. A lâmina se dissolveu quando atingiu Harren.
— Seu bastardo filho da mãe! — Eu praguejo mais um pouco. — Tive um trabalhão para conseguir a faca!
Jogo o cabo inutilizado para o lado. Agora só me sobra meu punhal. Um lado do gume é de prata, o outro de ferro puro. Ótimo para matar lobisomens e ainda dispersar fantasmas. Infelizmente vai ter o mesmo efeito de uma lâmina comum contra Harren. Vou ter que apelar para magia, e usar o Colt.
Segurando o punhal com a mão esquerda, me aproximo de novo, desferindo um golpe. Harren deixa o golpe acertá-lo no braço e segura meu pescoço com a mão direita. Antes que ele possa me estrangular, consigo falar uma palavra:
— Nerc’ampr.
Encosto um dedo da mão direita em Harren. Ele solta um berro de dor, e se afasta. Começo a falar o exorcismo, mas Harren me impede, jogando um saquinho na minha direção.
Solto um ganido quando noto que é um saco de bruxa.
Pronuncio uma palavra e atiro o punhal no saco, trespassando-o. A lâmina brilha negra e incendeia o saco, o fogo se apagando logo depois de ele queimar por completo. Pego um dos frascos de água benta e abro, jogando nos olhos de Harren. Ele solta outro berro de dor.
Rapidamente pego o cantil e abro, despejando todo na cabeça de Harren. Ele berra mais alto, e tenta se afastar. Com habilidade, pego o pote de sal e faço um circulo em volta dele. Quando Harren consegue se endireitar, já está preso no circulo.
— Eu saio daqui de dentro em um segundo.
— Só preciso de meio. — Respondo, sacando o Colt. Os olhos de Harren se arregalam.
Eu disparo, gritando uma palavra. Harren pronuncia a mesma palavra, ao mesmo tempo. Uma grande explosão de fogo negro sai de mim, seguindo a bala. Em contra partida, chamas verdes se propagam de Harren. O choque das duas é demais para o já frágil teto de madeira.
A última coisa que penso antes da casa desabar, é que tomara que o tiro tenha acertado.
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