Notas iniciais
Boa leitura a todos!

— Senhorita Ribeiro, quando você quiser – diz Francisco, com certa pressa.

— Tudo bem, só mais um minutinho – disse Natasha. Calma Natty, é só o teste que vai definir sua vida daqui para frente, sem pressão; pensou. Respirando fundo, deu um passo à frente e iniciou seu discurso:

— Bom dia classe! Hoje vamos falar sobre mecânica quântica! Todos prontos?! Sim? Então va-

— Senhorita?! – exclamou Schmitt. Você está dando aula para alunos de graduação, não para crianças da quinta série! Mais seriedade por favor!

Endireitando sua postura tortuosa, Natasha olhou bem fundo nos olhos do avaliador e diz:

— Eu sinto muito, estou um pouco nervosa. Se me deixar tentar mais uma vez eu promet-

— Veja bem, já estamos aqui faz meia hora e essa já é sua terceira tentativa. Enquanto não conseguir controlar o seu emocional é melhor buscar outro emprego. Existe uma lista enorme de candidatos para essa vaga, pessoas mais velhas e melhor instruídas do que você. Agora, se me der licença, eu preciso avaliar o próximo candidato – diz Schmitt, indicando com o olhar a saída da sala.

Aceitando sua derrota, Natasha cumprimenta educadamente àquele que havia destruído suas oportunidades de lecionar na melhor faculdade do país, mas mentalmente, o deseja uma morte horrível. Sai da ampla sala e depara-se com seus concorrentes que esboçam um enorme sorriso no rosto. Ela, porém, sai da sala com a cabeça erguida. Não vou dar esse prazer para eles, pensou. Passando pelo corredor e descendo as escadas, Natasha dirige-se até o banheiro e tranca-se em uma das cabines. Ela passa algum tempo escutando cuidadosamente se alguém está por perto. Não identificando nenhum barulho, coloca sua cabeça entre as pernas e começa a chorar. Ela permanece em posição fetal por alguns minutos até começar a escutar um barulho na cabine do lado. Burp, burp, burp. Parou. Burp, burp, burp. Levantando-se, ela enxuga rapidamente seu rosto que, por causa do lápis de olho, ficou todo borrado, e sai da cabine. Dirigindo-se a porta ao lado ela bate e pergunta:

— Moça, você está bem? Algum problema ai dentro?

Silêncio. Ninguém responde. Desconfiada, Natasha decide ver se alguém está realmente usando o sanitário. Vagarosamente ela vai baixando a cabeça. Curva-se. Então, uma mão saí pelo vão inferior.

— Ahhh! – grita Natasha.

— Calma, mulher! Eu só quero papel higiênico! Tá ali encima da pia, pega o rolo pra mim! – diz uma voz de dentro da cabine.

— Pelo amor de Deus! Por que não respondeu quando eu perguntei? – diz Natasha, indo em direção a pia e pegando o rolo de papel.

— Você não ouviu? Parece que tinha alguém morrendo aqui dentro! – retruca a voz.

— Como assim?! – questiona Natasha, ainda trêmula pelo susto.

— Não sei querida, era um barulho estranho. Parecia que estavam matando um bode aqui na cabine ao lado, que barulho horrível! – responde a voz.

— Ah, aquilo... – diz Natasha, já entendendo do que se tratava o som e passando o papel para a mão da cabine.

— É cada coisa! – diz a mulher, saindo do banheiro junto com o som da descarga. Mas, Ahhhh! O que é isso Jesus! – grita ela, agora fora da cabine.

— Não está tão ruim assim! Eu andei chorando um pouco...mas só isso! – retruca Natasha.

— N-não é v-você! N-no e-espelho! – diz a mulher, trêmula!

Natasha vira-se quando...

— AH!

Notas finais
Por favor, deixem seus comentários sobre o humor e sobre o que vocês esperam da história. Garanto que vou surpreender vocês! Obrigado por ler!