Cave

6 O dia em que eles descobriram a magia


Notas iniciais
OI GENTE LINDA *aparece de repente se desviando dos pedaços de lixo sendo tacados* Primeiramente, eu devo me desculpar pela ausência. Sério gente, me perdoem, mas com a faculdade estava inviável postar os capítulos semanalmente, as novas provas estão chegando e eu tenho muita coisa para estudar ainda, então fui obrigada a atrasar um pouco e, creio que por conta disso, os próximos também irão atrasar. Mas mesmo que atrasem, eu vou continuar postando, isso eu prometo! Eu to amando muito escrever essa fic, e os comentários de vocês estão me incentivando demais, sério mesmo! Espero que não desistam de acompanhar a fic e que gostem desse capítulo que tá recheado de Nalu! Boa leitura!

Lucy suspirou um pouco alto demais, porém propositalmente. O silêncio que fazia no fundo daquela caverna no meio da noite era quase enlouquecedor, e a situação em que ela se encontrava a deixava tão tensa que ela não era capaz de pensar em nada para dizer. E então, um suspiro era a sua única possibilidade de amenizar um pouco aquele sufoco da ausência de qualquer som.

Estava deitada novamente naquela mesma pilha de folhas secas, a qual ela tinha plena certeza de que estava mais fofa naquela noite. Provavelmente Natsu havia reunido mais algumas para poder ficar mais confortável, e conseguido. Seu velho cobertor fino a envolvia de uma maneira que formava quase um casulo, e ela abraçava o próprio peito, deitada de barriga para cima, perfeitamente estática.

Ela não ousava mover sequer um dedo, pois sentia o peso do olhar de Natsu em cima de si, e isso a deixava em um nível de agonia além do tolerável. Ela não aguentaria ficar assim por muito mais tempo, mas tentou acalmar-se fechando os olhos e tentando dormir.

Ela saiu de sua casa naquela noite na esperança de dormir da mesma maneira do que na noite anterior. Ela queria o calor dos braços de Natsu, queria senti-lo perto dela. Dormir era a última de suas intenções.

Lucy tinha um milhão de dúvidas que circulavam sua mente diariamente, todas relacionadas a Natsu. Porém, apesar de já se sentir segura para deitar-se ao lado dele, ainda achava que certas perguntas que ela gostaria de fazer a ele não seriam bem-vindas ou sequer respondidas.

O que exatamente ele era? Quem o havia machucado daquela maneira? Para onde ele iria depois de se recuperar?

A última pergunta era a que mais perturbava a sua paz. Ela havia se apegado a sua pequena rotina secreta, se apegado a aquele homem que dava mais ouvidos a seus próprios instintos do que palavras. O segredo da existência dele, o qual Lucy estava vivendo para proteger, estava a cada dia mais ameaçado, e a loira tinha plena consciência disso, apesar de não saber o que fazer a respeito.

Não conseguia se imaginar permitindo que ele fosse embora... Mas afinal, o que ela poderia fazer?

Ele não apenas tinha duas pernas para partir, mas também tinha duas enormes e escamosas asas para voar para longe dela. Seu peito doía com o pensamento.

Decidiu que lidaria com a situação quanto chegasse seu tempo. Por enquanto, ela teria que aproveitar enquanto ainda podia. Tomou coragem e decidiu agir, afinal sabia que o tempo não demoraria mais a passar só por sua mera vontade, e suas dúvidas não seriam sanadas sem que ela realizasse perguntas.

Virou seu corpo devagar em direção a ele, parcialmente desfazendo-se do casulo de cobertas e finalmente ficando confortável após tantos minutos de agonia, já que ela jamais tivera o costume de ficar deitada de barriga para cima.

Os olhos esverdeados de Natsu inspecionaram cada pequeno movimento dela enquanto a mesma se ajeitava ao seu lado. Ele também estava deitado de lado, apoiando sua cabeça em um de seus próprios braços.

— Podemos... Conversar? – Pediu Lucy com cautela.

Natsu não respondeu, apenas balançou a cabeça. Ele não expressou surpresa, mas não esperava por aquilo.

Lucy se aninhou melhor entre as folhas alaranjadas, preparando-se para o que esperava ser um longo diálogo. Daria um jeito de fazer todas as suas perguntas de uma maneira não tão direta.

— De... De onde tu vieste? – Perguntou baixinho, olhando-o nos olhos, vigiando suas reações, pronta para recuar com suas perguntas caso achasse que fosse necessário.

Ele demorou um pouco a responder, como se tivesse calculando suas palavras.

— De longe... Muito longe daqui.

Lucy se segurou para não fazer uma careta, já que isso não lhe ajudava em nada. Suspirou baixinho, procurando outra maneira de continuar buscando suas respostas sem ser com uma abordagem muito incisiva.

— E existem outras pessoas nesse lugar longe daqui? – Uma maneira discreta de perguntar se ele tinha amigos, família, qualquer relação sociável com outro ser da mesma espécie... Seja ela qual for.

A sombra nos olhos de Natsu pareceram se aprofundar por um instante enquanto ele guardava completo silêncio. Alguma coisa naquela pergunta parecia tê-lo perturbado de alguma maneira, e Lucy pôde ler perfeitamente sua angústia através do contato visual ininterrupto que mantinham. A cada segundo que ele continuava sem falar nada, uma camada fina de um suor frio e nervoso ameaçava querer se formar na testa pálida de Lucy.

Não era isso que ela queria com aquela conversa, e ela já estava preparando-se para pedir desculpas, mas os lábios avermelhados de Natsu se entreabriram antes disso, prontos para formarem uma resposta.

— Não mais. – Respondeu, tão baixo quanto um sussurro, mas claro como se tivesse sido soletrado.

Existiram outras pessoas em algum momento, mas alguma coisa acontecera, e por isso, não existiam mais. A dedução a fizera engolir em seco.

Lucy sabia que este assunto era claramente terreno perigoso, e querer insistir em falar sobre isso seria como caminhar em um campo minado. Infelizmente, a curiosidade dela batalhava contra sua sensatez naquele momento, forçando-a a dar mais um passo dentro daquele tema.

— E... Existem outros assim... Assim como tu?

A testa dele se franziu e seus lábios se apertaram, formando assim uma careta de clara insatisfação. Por instinto, Lucy recuou um pouco seu corpo para trás e desviou seus olhos dos dele. Ela havia exagerado, e sabia disso. Mesmo depois de todos esses dias, mesmo ele já confiando nela, aparentemente seu passado era algo que ele não estava disposto a discutir.

— Lucy... Tu acreditas em magia? – Surpreendeu-a com uma curiosa pergunta repentina.

Os olhos castanhos da loira voltaram a procurar o rosto do outro, que agora voltava a ter aquela típica expressão neutra que costumava carregar na maioria do tempo em que ela o contemplava.

Ele pareceu não ter deixado de fita-la ao longo de todo esse tempo, e não parecia mais incomodado como há poucos instantes atrás, o que conferiu a Lucy certa tranquilidade para refletir acerca de sua pergunta.

Lucy era tão cética para essas coisas quanto tinha a obrigação de ser. Não fazia muito tempo desde que uma jovem do vilarejo vizinho havia sido condenada a uma morte na fogueira por ter levantado suspeitas de ter alguma relação com demônios, portanto ela não podia se dar ao luxo de alegar que acreditava em coisas assim. A igreja não permitia, e não perdoaria.

Mas apesar disso, se ela tivesse a liberdade para dizer o que realmente pensava, ela diria que gostaria de acreditar na beleza no inexplicável.

— Magia? Como magia de bruxas ou algo do tipo? – Questionou defensivamente. Sabia que não fazia diferença admitir aquilo para Natsu, mas não se sentia confortável falando isso em voz alta.

Os olhos répteis esverdeados dele desviaram até o teto úmido e gotejante da caverna.

— Algo do tipo... – Concordou de maneira vaga, contribuindo para o ar refletivo que tomava seu semblante.

Lucy se viu querendo acreditar em magia com todas as suas forças, inclusive possuir alguma que a possibilitasse ler a mente de Natsu naquele momento, que parecia viajar por diversas memórias e fatos curiosos sobre a vida dele, todas as coisas que faziam sua curiosidade lhe morder as orelhas.

Não seria hoje, mas em algum momento ela descobriria cada uma delas.

Desfez-se de seu próprio debate mental assim que percebeu que Natsu voltou a olhar para ela de maneira confusa, ainda esperando por uma resposta.

— Ah. E-Eu não sei... Acho que não. Por quê?

Um arrepio gelado percorreu a espinha dorsal de Lucy ao perceber que o olhar dele sobre ela se aprofundara.

Tudo nele era misterioso, diferente, fora do comum. Até mesmo seu silêncio era capaz de não ser ordinário. Era um silêncio denso que fazia seu corpo pesado e fraco, deixando-a incapaz de qualquer tipo de reação que não fosse esperar pela próxima ação de Natsu.

— Estás mentindo pra mim. – Afirmou, mas com um tanto de incerteza atrás de suas palavras, e Lucy arregalou os olhos, confusa. – Estás mentindo. És uma bruxa.

De alguma maneira os olhos de Lucy se arregalaram mais ainda depois daquilo, e seu queixo caiu, enfatizando seu espanto.

— Como é?! Do que estás faland-

Ele não permitiu que Lucy terminasse de falar. Usou uma de suas mãos para pegar delicadamente um dos ombros dela, e Lucy sentiu seu corpo derreter-se com o calor que provinha dele, só então percebendo a intensidade das saudades que realmente estava daquela sensação.

— Foi algum feitiço, ou alguma poção misturada na comida. Eu não sei o que fizeste, mas está claro que há algo de errado em mim. – Continuou com serenidade na voz, mas seu rosto transparecia certa tensão. – Eu não sou mais dono dos meus próprios pensamentos, todos os dias, a todos os momentos, teu rosto invade a minha mente de maneira constante. Todas as vezes que tu te afastas de mim, meu corpo dói constantemente até que retornes. Uma dor estranha e incômoda, que não me deixa ficar quieto num canto, mas muito menos permite que eu vá embora. – Lucy permanecia da mesma maneira, em um estado de choque agravado enquanto tentava digerir tudo o que ele lhe dizia, e seu corpo só ficou ainda mais tenso assim que sentiu a mão dele começar a deslizar de leve ao longo de seu braço. – O cheiro da tua pele me intoxica de uma maneira que me faz esquecer o cheiro de todas as flores que já senti na vida... E desde que dormiste ao meu lado, sinto meu corpo formigar toda vez que estás perto de mim e não estou te tocando...

O rosto dele de repente começou a assumir uma careta de dor. Natsu refletira sobre tudo aquilo ao longo dos últimos dias, e a frustração de não entender o que estava acontecendo o irritava ao ponto de querer destruir as paredes daquela caverna a socos. Mas não ousava fazer algo que comprometeria as vindas dela. Não arruinaria as poucas horas que tinha com Lucy naquele aconchego escuro que passara a sentir-se confortável dentro.

Natsu suspirou pesadamente, mais uma vez irritando-se com seu coração que batia de maneira desesperada dentro de seu peito como se quisesse encontrar um caminho para fora de seu corpo subindo pela sua garganta. Mas sua raiva de dissipou ao perceber a tonalidade rósea que as bochechas de Lucy tinham tomado.

Os olhos dela tinham agora um brilho diferente, e a nova tonalidade de suas bochechas tiveram um efeito curioso no estado conflituoso de Natsu, que vagarosamente direcionou sua mão até o delicado rosto de Lucy, escorregando seus dedos pelo queixo da mesma.

— E a tua boca... Eu não sei qual é a razão disso, mas eu tenho vontade de ficar olhando pra ela o tempo todo. E eu... Quanto mais eu olho, pior eu fico... – Continuou.

— M-Minha boca?

— É frustrante, toda vez que olho para ela acontece alguma coisa dentro de mim, como se minhas entranhas se retorcessem. Como se fosse algum tipo de feitiço que me adoece. – Pausou, olhando de maneira quase faminta para os lábios rosados entreabertos de Lucy, passando delicadamente seu polegar ao entorno dos mesmos. — E só piora... Quando eu faço isso...

Lucy estava atônita. Perfeitamente sem saber como reagir, ou se sequer deveria reagir. Ela não estava nem um pouco acostumada com um Natsu tão comunicativo. O diálogo de hoje fora maior do que os de todos os outros dias somados, e isso só demonstrava o quanto ele realmente estava angustiado com tudo o que estava sentindo. Lucy só podia imaginar por quanto tempo ele ficou rebatendo aquilo dentro de sua mente.

É claro, para ela estava tudo bem explícito. Ela sabia o que ela estava sentindo, e agora também sabia o que ele sentia. Mas aparentemente, aquela criatura desconhecia o que era amar, e dar-se conta disso fez com que Lucy a enxergasse com ainda mais ternura a partir daquele momento, e por isso pôde enfim se acalmar. Pela primeira vez desde que o conhecera, tinha certeza de tudo que estava acontecendo dentro da cabeça rosada de Natsu.

Ela segurou a mão áspera que a acariciava com delicadeza, deslizando a ponta de seus dedos delicadamente por ela, vigiando as caretas que Natsu fazia a cada nova carícia, e ela não conseguiu reprimir um pequeno sorriso.

— Não sou bruxa nenhuma, mas dessa “magia” eu entendo. – Disse de repente, soltando uma pequena risadinha divertida, e Natsu pareceu perdido depois daquilo. — E o que acontece se eu fizer... Isso?

A loira foi aproximando seu corpo devagarzinho, e a cada centímetro mais perto, o corpo de Natsu ficava cada vez mais tenso. Ele não parecia estar acostumado a ser pego de surpresa e não entender o que estava acontecendo. Era como um homem perdido no meio de um tiroteio, ele simplesmente não sabia para onde direcionar sua atenção.

Lucy segurou então o rosto dele com suas duas mãos, passando seus polegares pelas bochechas dele bem devagarinho, e os olhos dele se arregalaram em espanto. Mesmo vendo que ele parecia extremamente confuso e estático de espanto, ela sabia que o coração dele funcionava a sua máxima potencia, sabia também que um milhão de borboletas batiam suas asas ferozmente dentro do estômago dele.

Sabia disso porque era bem o que ela sentia também a medida que ia aproximando seu próprio rosto do dele.

— Pa-Pare com isso! – Pediu ele um tanto desesperado ao ver que tudo ficava cada vez mais intenso a medida que o rosto dela se aproximava, fazendo-o beirar o desespero.

— Calma, Natsu. – Sussurrou, detendo sua aproximação por breves instantes. — Calma... Não vou lhe fazer mal. Confie em mim. Por favor.

Natsu engoliu em seco, mas mesmo hesitante, decidiu confiar nela. Era o que ele havia feito até agora, e não havia se arrependido sequer uma vez por isso, mas isso não mudava o fato de que estava tão nervoso que seus braços e pernas tremiam de leve.

— Lucy... O que... O que está acontecendo? – Perguntou baixinho, lutando contra a própria vontade de se render àquela sensação desconhecida.

A loira encostou suas testas, sentindo o fervor da pele do outro contrastando com a temperatura ordinária da sua própria, sentindo os leves tremores de nervosismo vindo do corpo dele. Ela sabia o quanto ele estava confuso, mas sabia também que logo faria com que tudo fizesse sentido de repente.

— Feche os olhos. – Pediu.

— Por quê? – Questionou desconfiado. Ele já estava bastante amedontrado com o que estava acontecendo enquanto vigiava tudo de olhos bem abertos, portanto fechá-los não soava muito convidativo a ele.

— Apenas... Apenas feche. – Sussurrou. – Vai ficar tudo bem num instante. Eu prometo. – Concluiu com um sorriso singelo, porém sincero, a última coisa que Natsu viu antes de atender ao pedido de Lucy, vetando um de seus sentidos e aguçando todos os outros, deixando aquela situação ainda mais intensa.

A respiração pesada de Natsu arrastava-se contra a pele fina do rosto de Lucy criando leves arrepios. Quando seus narizes encostaram, o corpo de Natsu saltou de leve em um pequeno susto, mas ele se recuperou rapidamente já que agora a loira passava seus dedos ao longo das mechas rosadas dos cabelos dele.

Natsu lembrou-se da última vez em que teve seus cabelos acariciados, há alguns dias atrás quando deitou-se no colo dela. Eram pequenos flashes de memórias, mas grandes o suficiente para trazer-lhe a mesma sensação de conforto que sentiu aquele dia, e seu corpo pareceu finalmente se acalmar um pouco, com exceção de seu peito e estômago, que ainda estavam numa inquietude incessável.

— Não é magia... Mas a sensação é como se fosse isso... – Sussurrou Lucy pouco antes de por fim, aproximar seus lábios dos dele suficiente para os selar em um contato delicado, que gerou um arrepio intenso no corpo inteiro de Natsu.

Toda a dúvida que ele sentia imediatamente se dissipou depois daquilo. A maciez da pele fina dos lábios de Lucy fez tudo parecer ter sentido, como se ele estivesse enxergando com clareza pela primeira vez depois de passar a vida inteira no escuro.

Era definitivamente como se fosse mágica o fato de ele conseguir sentir tantas coisas ao mesmo tempo por causa de algo tão simples. Não só os sentimentos dele, bem como os dela também ficavam claros naquele selar de lábios tão singelo, porém tão impactante para ele.

O primeiro contato foi quebrado assim que Lucy se afastou um tantinho, apenas para distribuir pequenos selinhos ao longo da extensão da boca de Natsu, criando pequenos estalinhos a cada um, formando sorrisinhos logo após todos eles.

Decidiu parar por ali e afastar-se dele, já que ele provavelmente estava sendo acometido por um turbilhão de dúvidas dentro de sua cabeça. Sequer sabia se ele tinha alguma ideia do que Lucy estava tentando fazer, mas fora impedida prontamente de se afastar por braços fortes que bruscamente a puxaram para mais perto, forçando-a a abrir os olhos.

E enxergando Natsu com uma expressão de puro fascínio.

Sem dúvidas, sem medos, sem nervosismos e ansiedades. Apenas claro e puro deleite.

— Faça de novo. – Pediu, quase desesperado. – Lucy... Faça a sua magia de novo.

A loira deixou a surpresa de lado para soltar uma risadinha sapeca. Jamais esperaria por uma reação dessas, que fora melhor do que qualquer uma outra que ela pudesse tentar imaginar.

— Eu já falei que não é magia. – Voltou a se aproximar, esfregando a ponta de seu nariz vagarosamente na dele, fazendo-o arrepiar-se mais uma vez. – Isto é um beijo.

— Mas a sensação é como se fosse... – Repetiu ele as palavras dela num sussurro, tomando a iniciativa de voltar a encostar seus lábios nos de Lucy, sentindo ela sorrir entre o novo beijo deles.

Lucy não conseguia se lembrar a última vez em que havia se sentido tão plena e feliz. Ela conquistara algo muito além do que ela queria naquela noite.

Os braços quentes e fortes de Natsu a envolviam de uma maneira protetora, e pareciam não querer soltá-la ou sequer permitir que ela se afastasse por nada nesse mundo. Estavam tão próximos um do outro que Lucy conseguia sentir os batimentos do coração dele em seu próprio peito, como se até mesmo as funções involuntárias de seus corpos estivessem entrando em sincronia pela primeira vez.

De maneira natural, Lucy entreabriu seus lábios depois de um tempo para começar a aprofundar aquele beijo, umedecendo levemente a porção inferior dos lábios de Natsu, que, perdido no meio de tantas novas informações e sensações, apenas se deixou levar e confiou no que Lucy fazia, acompanhando-a da maneira que a falta de experiência o permitia.

Mas não demorou muito até que ele entendesse como aquela magia funcionava, e sem se dar conta, alguns segundos depois, estava sentindo o gosto doce da boca de Lucy, permitindo que ela provasse do gosto selvagem e quente de sua própria, suspirando pesadamente vez ou outra, procurando manter alguma sanidade em si.

Era como se seu corpo estivesse flutuando, como se estivessem deitados em uma macia nuvem e, se lhe perguntassem, Natsu iria dizer que não precisava de mais nada para viver naquele momento. Apenas ela, ali, com ele.

Depois de alguns minutos de beijos e carícias que se intensificaram ao ponto de deixar ambos com o sangue fervendo, Lucy sentiu que deveria parar por ali por enquanto. Afastou-se devagarinho, selando seus lábios delicadamente uma última vez e procurando seus olhos verdes com um sorriso já formado.

Não eram necessárias palavras ali, já que Natsu se declarava de um milhão de maneiras possíveis e diferentes através do olhar apaixonado que dividiu com ela, e Lucy pode jurar que a sombra de um sorriso se formou na boca dele. Seu estômago se apertava em ansiedade só de pensar no dia em que ela o veria sorrir de verdade.

A loira se aninhou dentro do abraço do outro, encostando a cabeça no peito dele, escutando seus fortes batimentos e fechou os olhos, deixando que aquele som vital servisse como canção de ninar para ela enquanto esperava pelo sono. Natsu afundou o nariz nas mechas loiras do cabelo de Lucy, da mesma maneira que havia feito na noite anterior, procurando embriagar-se com o cheiro dela enquanto podia, e sentindo uma pontada de dor ao pensar que ela iria para casa pela manhã.

Uma expressão de profunda angústia se formou no rosto dele, coisa que Lucy não foi capaz de ver, apenas sentiu os braços dele se apertando mais forte ao redor dela pouco segundos antes de cair no sono.

Mas Natsu não dormiu. Sequer fechou os olhos por horas.

— Irás te tornar meu tesouro, Lucy. E quando essa hora chegar, eu não vou mais deixar tu saias de perto de mim. – Sussurrou para si mesmo, olhando para a pequena figura loira de Lucy encolhida em seu peito, em seguida beijando delicadamente a testa dela. – Nunca mais.

Notas finais
E então, o que acharam do capítulo?! Parece que os dois ainda tiveram a chance de passar mais uma noite juntos, mas será que isso vai continuar assim? E as últimas palavras do Natsu, o que vocês acham que significa?! :O Ah! E a capa nova da fic? Finalmente tomei vergonha na cara e desenhei uma capa que combinasse com o enredo, eu gostei do resultado, e vocês? Me contem o que acharam nos comentários! ♥ eu prometo que vou tentar não demorar tanto para postar os próximos, tenhamos fé e oremos! hdoasidhsai Beijinhos ♥