Cave

7 O dia em que a transição dele começou


Notas iniciais
GENTE LINDA, OLHA QUEM VOLTOU! Voltei e voltei felicíssima! Sejam bem vindos novos leitores que vieram acompanhar a fic depois de ver a recomendação no face do Nalu Brasil, eu to biruta até agora, nem acreditei quando vi! Espero que gostem da história e me contem o que estão achando! :'D Trouxe um capítulo um pouco mais tretoso pra vocês hoje hihi boa leitura!

Erza coçava os olhos que ardiam com os nós de seus dedos. A luz alaranjada e fraca de uma única vela acesa em cima da mesa da cozinha irritava sua vista ainda meio adormecida na madrugada.

— Gray, quantas vezes eu preciso te dizer pra não colocar as velas diretamente na mesa? A cera derrete e estraga a madeira... – Resmungou emburrada por ter sido acordada pelo outro sem um bom motivo aparente. Ele simplesmente havia entrado no quarto em que ela dormia e chacoalhado seus ombros até que ela acordasse, puxando-a para a cozinha da casa antes que pudesse questionar o motivo de tudo aquilo.

Gray estalou a língua, irritado.

— Ao inferno com a madeira da mesa! ISTO É SÉRIO ERZA! – Disse, esforçando-se para não gritar e acabar acordando os outros. Ele andava de um lado para o outro de forma inquieta enquanto a ruiva apenas o observava, sentada em uma das cadeiras de maneira desajeitada.

— Se é tão sério assim, pare de agir feito um louco e diga logo o que tens para me contar, ou vou voltar a dormir. – Falou de modo sereno, mas um sombrio mau humor perfurava Gray através do olhar castanho de Erza.

Gray engoliu em seco. Temia a ira da outra por motivos de sensatez, e jamais ousaria acordá-la no meio da noite não fosse por algo realmente importante. Ele estava em um conflito interno tão grande que não conseguia dormir pensando nisso, precisava dividir aquela preocupação com alguém. Respirou fundo e parou em frente a ela, encarando-a com firmeza.

— Lucy está escondendo alguma coisa, Erza.

Erza não reagiu, fazendo apenas uma careta entediada. Por que se surpreenderia? Afinal, já sabia o que era aquilo que a loira escondia.

— Do que estás falando, Gray?

— Já é a segunda noite consecutiva que ela dorme fora de casa! Não esperas que eu realmente tenha acreditado naquela besteira toda de ela ter ficado na casa do Bacchus por causa da tempestade, não é?! Eu te conheço melhor que isso, sei que não a farias sair tarde da noite de casa, e sei muito bem que se ela tivesse dormido lá, aquele bêbado idiota teria tentado alguma gracinha, e ela não teria passado o dia suspirando e sorrindo para o céu. Hoje mais cedo eu vi que ela havia deitado na cama para dormir, e cerca de uma hora atrás, quando fui olhar de novo, a cama dela estava vazia!

A expressão de Erza endureceu sem que ela se desse conta, e Gray percebeu isso.

— Tu estás sabendo de alguma coisa, não estás? – Questionou desconfiado, lendo as reações da outra.

— Eu não sei do que estás falando. – Desconversou.

— Seja lá qual for o segredo da Lucy, tu estás a ajudando a encobri-lo! – Ele chegou mais perto dela, impondo certa pressão psicológica pra fazê-la justificar aquela loucura toda. – O que está acontecendo?

— Não é nada demais, Gray. Não é algo que necessite nossa preocupação. – Deu de ombros. Não gostava da ideia de Lucy passar as noites fora de casa também, mas confiava no julgamento dela e procurava manter-se tranquila. Mas aparentemente, Gray não ficaria satisfeito com o mistério.

— É como eu imaginei então, realmente estás envolvida nisso! Conte-me, Erza!

Erza hesitou por um momento enquanto media suas palavras. O olhar preocupado de Gray a deixava aflita, sabia que ele se preocupava e não ficaria em paz até saber onde Lucy estava. Suspirou cansada, procurando manter-se relaxada enquanto revelava o que sabia que iria desagradar muito a ele.

— Lucy está namorando. – Pausou, certificando-se que ele não se alteraria. – Ele mora em outro vilarejo, e eles estavam se encontrando na floresta ao longo dos últimos dias. Provavelmente se cansaram disso e agora ela está passando o tempo com ele em sua casa, o que me deixa bem mais tranquila já que a floresta não é um lugar nada seguro, como sabemos bem.

E lá estava a reação que Erza esperava: um espanto tamanho ao ponto de fazê-lo recuar alguns passos com os olhos arregalados.

— Mas o q... Namorando?! Desde quando?! – Elevou a voz, agitando os braços ao redor de seu corpo enquanto falava. — Quem é esse cara? Onde ele mora? Alguém já o alguma vez?

— Ei, ei, calma! Eu não sei dizer. Não sou incisiva como tu és para cair em cima da Lucy com esse questionário todo. Tenho certeza de que na hora certa ela o trará aqui para que todos nós possamos conhece-lo.

Ele pareceu assombrado com aquilo.

— O QUE?! Como não sabe?! Erza, ele pode ser um maluco, um tarado! Lucy faz parte da nossa família, e eu não vou permitir que ela passe noites com um cara que eu não faço nem ideia de quem seja ou o que faz!

— Achas que se ele fosse um maluco ou um tarado ela ainda estaria se encontrando com ele? Sejamos racionais, por favor. – Pausou, suavizando a tensão em suas sobrancelhas, fazendo uma expressão um tanto tristonha. — Eu achei que já tivesse superado isso, Gray...

Ele só se irritou mais a partir daquela insinuação. Praguejava todas as vezes em que Erza tinha a audácia de tocar naquele assunto.

— Não acredito que estás jogando isso na minha cara agora, Erza. De novo. – Repreendeu com um olhar gelado. — Isto é ridículo! Eu superei faz tempo e não sinto mais nada por ela!

— Estás tentando enganar a mim ou a si mesmo depois desse ataque de ciúmes que acabaste de dar aqui na minha frente? Gray, vá tomar um ar, coma alguma coisa e volte a dormir, temos que trabalhar cedo e tenho certeza de que Lucy voltará para casa bem, assim como sempre faz.

Sem dizer ou sequer ouvir uma só palavra a mais, ela levantou-se e dirigiu-se para o quarto onde dormia, pretendendo retomar seu sono e deixar aquela conversa para trás. Estava um pouco preocupada tanto com Gray quanto com Lucy, sentia que algo potencialmente daria errado muito em breve, mas não decidiria nada antes do restante daquela madrugada de sono e uma boa conversa com a loira pela manhã.

Gray ficou alguns instantes na companhia do silêncio da cozinha, pensando, planejando. Ele estava um tanto incrédulo com a falta de preocupação e até mesmo interesse da ruiva naquele assunto. Incrédulo e confuso, não imaginou que ela trataria aquilo com tanto desdém, e torcia para que aquilo fosse apenas uma errônea impressão.

Gostaria de não ter que lidar com aquilo sozinho, mas se ela se recusava a ajuda-lo, teria de fazê-lo por si próprio.

— Isso não vai ficar assim. Eu não consigo deixar que fique assim. – Resmungou baixinho para si mesmo, em seguida pegando uma brilhante maçã que estava em uma vasilha no meio da mesa da cozinha, preparando-se para voltar para sua cama.

“Seja lá para onde estejas escapando na madrugada, Lucy, da próxima vez eu vou definitivamente descobrir.” – Pensou enquanto mordia a fruta com certa determinação.

••

Lucy despertou de repente, mas demorou para abrir os olhos. Sabia que poderia tirar o máximo de proveito daquela ocasião e permitiu que todos os seus outros sentidos acordassem antes de sua visão.

Permitiu que sua audição alcançasse o barulho de gotículas de água, formadas por uma intensa umidade, se desprendendo das estalactites e caindo em pequenas poças no chão, denunciando que ela estava dentro da caverna.

Permitiu que seu olfato captasse o cheiro de folhas secas debaixo de seu corpo, constatando que estava deitada na cama de folhas improvisada.

Permitiu que seu tato revelasse que dois calorosos braços a abraçavam com firmeza há horas, fazendo seu coração dar uma leve acelerada por descobrir que seguia na companhia daquele ser.

E por fim, permitiu que seu paladar identificasse o suave gosto da boca de Natsu ainda na borda de seus próprios lábios, fazendo-a relembrar do beijo que acontecera pouco antes de ela adormecer profundamente ali, no mesmo lugar onde tudo aquilo se passou.

Aquilo resumia o que era estar com Natsu. Ter todos os seus sentidos e instintos aflorados cem por cento, a todo tempo. Era a adrenalina do desconhecido com a tranquilidade de um amor correspondido. Era tudo o que ela poderia desejar sentir ao lado de alguém, e que nunca imaginou que conseguiria.

Abriu os olhos devagar, concedendo à sua visão o prazer de apreciar plenamente aquela aventura que era estar apaixonada por Natsu, e encontrou os olhos oliva do outro a fitando com serenidade. Um sorriso se formou no rosto de Lucy imediatamente, e ela aconchegou-se mais entre os braços dele, chegando um pouco mais perto.

— Oi. – Sussurrou baixinho, com a voz ainda meio rouca do recente despertar, encostando a ponta de seu nariz na dele.

Ele fechou os olhos devagar e não respondeu, apenas emitiu um baixo som dentro de sua garganta, fazendo Lucy dar uma risadinha. Era tão típico dele.

— Tu és tão quentinho, Natsu... – Pausou a fala para passar um braço pela cintura de Natsu, colando seu corpo ao dele e sentindo a temperatura dele irradiar para dentro de seu próprio corpo e sorriu satisfeita. — Eu queria tanto poder ficar aqui o dia inteiro...

Os músculos de Natsu endureceram por um momento, e Lucy pensou em recuar um pouco, ponderando a possibilidade de ele não gostar de ser abraçado, mas descartou-a assim que o sentiu apertá-la com mais força contra seu peito.

— Então fique.

Uma risadinha escapou de sua garganta.

— Eu gostaria, mas sabes que não posso.

— Por quê?

Lucy se afastou um pouco, procurando olhar em seus olhos.

— Eu tenho que ajudar minha família, precisamos nos preparar para o inverno. Eu provavelmente estou atrasada e todo mundo já tomou café a uma hora dessas. Devem estar preocupados... – Refletiu. Gostaria de poder sempre chegar em casa antes que todos acordassem e percebessem sua ausência, mas era difícil sair dali imediatamente após acordar, já que o que ela mais queria era realmente ficar ali por tempo indefinido.

— Não. – Respondeu ríspido, causando certa surpresa na outra.

Lucy afastou um pouco, quebrando aquele abraço e sentando-se nas folhas quebradiças e arqueou as sobrancelhas, confusa.

— Não...?

A testa de Natsu se franziu numa careta quase irritada.

— Não volte. Fique aqui.

Aquela reação não fora nem um pouco esperada por Lucy, que ficou com certo receio ao identificar um tom autoritário em sua voz. Já fora capaz de perceber que ele não estava acostumado a lidar com outras pessoas, então tinha que ser paciente e manter a calma para lidar com aquilo sem irritá-lo.

— Natsu... Eu realmente tenho que ir. – Falou baixinho, cautelosa.

Natsu percebeu que ela parecia um pouco temerosa, e não gostou daquilo. Ele gostava de vê-la sorrindo, e apesar de estar acostumado a causar medo nos outros, agora era inadmissível para ele que Lucy o temesse.

Todos os outros poderiam sair correndo e gritando, mas não agora, não ela. Suspirou discretamente para tentar se acalmar um pouco e mudar sua abordagem.

— Não Lucy, fique aqui. Por... Por favor. – O pedido soou quase inaudível, e Lucy quase não consegui acreditar nisso. Natsu pedindo para que ela ficasse ali, por favor? Definitivamente imprevisível, e isso a quebrou completamente, quase a fazendo jogar-se naqueles braços e esquecer que possuía uma vida fora daquela caverna. Mas sua consciência jamais a permitiria fazer algo assim, por maior que fosse sua vontade.

— Perdoe-me Natsu, eu realmente preciso cumprir com minhas tarefas, além disso preciso buscar comida e novos panos para trocar teus curativos, entende? – Ele desviou o olhar, direcionando-o para o chão e fazendo uma careta insatisfeita. — Mas eu vou voltar, eu sempre volto, sabes disso. – Concluiu, afastando as mechas róseas da franja que cobriam aquele belo rosto dele.

Natsu olhou rapidamente nos olhos de Lucy, mas desviou-os novamente logo em seguida, sua expressão mudara completamente ao perceber que ela o encarava com um sorriso. Lucy teve o privilégio de vê-lo corar mais uma vez, mesmo que timidamente, enquanto algo parecido com um beicinho infantil se formava nos lábios dele, e a loira não conseguiu reprimir um risinho.

— O que foi agora?

Ele abaixou o rosto, querendo esconder sua fraqueza estampada em seu rosto selvagem, mas puxou ar para dentro de seus pulmões, tomando coragem para mais um pedido.

— Será que... Antes de ires, será que tu poderias...

— O que?

— Fazer a tua magia... Uma última vez?

Foi impossível evitar que os dentes de Lucy aparecessem em um imenso sorriso transbordando felicidade, e isso fez com que Natsu arregalasse os olhos e ficasse mais encabulado ainda. Não estava ainda no estágio de ter compreendido o que era tudo aquilo, mas sabia bem que não queria que acabasse.

Lucy segurou as mãos dele, fazendo um delicado carinho ao longo de seus dedos, e isso pareceu tranquiliza-lo.

— Bobo, é claro que pos-

Não foi capaz de terminar sua frase já que no intervalo de um pequeno segundo, aquela figura tímida e encolhida que era Natsu há um momento atrás levantou-se e atacou-a de uma maneira súbita, agarrando a cabeça da loira com suas duas grandes mãos e beijando-a com ferocidade. Sem aviso, sem cerimônias, sem delicadeza, e no fim, sem ar remanescente nos pulmões dela, que ficou completamente sem fôlego com o susto e com a intensidade em que ele a beijava.

Direcionando uma das mãos para a pequena cintura de Lucy, ele puxou-a para si, pressionando seus dedos com tanta força por cima da roupa que ela vestia que um pequeno rasgo se formou na ponta de duas de suas garras, chegando até a pele de Lucy e arrepiando-a por inteiro.

O hálito quente de Natsu a deixava tonta e enfeitiçada, fazendo-a esquecer completamente de qualquer compromisso que não fosse derreter-se no calor daquele corpo que parecia curioso para descobrir até onde aquela magia poderia leva-lo.

Mas para a surpresa de Lucy, ele parou. Soltou-a e se afastou com certo receio desenhado na expressão de seu rosto.

Lucy permaneceu estática por um momento e apenas pestanejou, ainda alterada com aquele beijo súbito e intenso, mas agora também confusa com aquela reação incomum.

— O que houve? – Perguntou preocupada. – Algo errado?

— Não. – Respondeu, ríspido, e foi só então que Lucy percebeu que ele tinha uma de suas próprias escamas na palma de sua mão, e olhava para aquilo com uma clara confusão, mas antes que a loira pudesse questioná-lo, jogou o item para longe e voltou a deitar-se, virando para o lado contrário. – Eu vou te esperar.

Lucy estranhou aquela cena toda, mas achou melhor deixa-lo sozinho naquele momento. Mais tarde poderia tentar descobrir o que havia acontecido, mas aquela parecia não ser a melhor ocasião.

Levantou-se, ajeitou suas roupas amarrotadas, batendo-as para livrar-se da poeira do chão da caverna e juntou seus pertences.

— Eu estarei de volta hoje à noite, eu prometo.

Ele não respondeu, sequer grunhiu, e Lucy sentiu que algo estava errado, e descobriria isso se possível ainda naquela noite. Sumiu entre as árvores da floresta pouco tempo depois.

••

O passar das horas estava sendo particularmente torturante naquela tarde. Particularmente dolorido, angustiante. Por mais de um motivo.

Os tetos da caverna poderiam muito bem estar prestes a desmoronar por conta dos fortes golpes dados pela criatura que vivia dentro da mesma contra suas paredes. A aflição às vezes chegava a ser tanta que ele não conseguia parar de golpear as pedras ao seu redor até encontrar certo alívio ao ver-se sangrando. Mordia com força os próprios lábios para evitar urros de dor, não gostaria de atrair visitantes indesejados.

— Está acontecendo comigo também... Está acontecendo comigo... – Repetia, vendo as gotas vermelhas-escuras de seu sangue no chão misturando-se com algumas escamas que haviam soltado de sua pele dos cotovelos entre um golpe e outro contra as rochas úmidas. – Não pode estar acontecendo...

Lucy, naquela manhã, falhara em perceber a quantidade de escamas que haviam caído de Natsu ao longo da noite, ficando misturadas entre as folhas da cama que compartilharam. Aquela porção média de seus braços, antes escamosa e um tanto rija havia desaparecido, deixando uma superfície lisa de pele recém-formada e sensível no lugar onde costumavam estar.

Até ela ir embora.

Foi uma praga quase instantânea, assim que o cheiro dela desapareceu do ar da caverna, novas escamas começavam a se formar por baixo de sua pele e começavam a romper seu caminho até a superfície. E doía. Muito. Doía tanto que ele não conseguia pensar, forçando-o a agir como o animal que parte de seu corpo era.

E não eram apenas as escamas que ele costumava ter que estavam sendo substituídas. Novas estavam surgindo. Em suas pernas, em suas costas.

Ele sabia exatamente o que estava acontecendo, e isso o deixava apavorado ao ponto de querer fugir dali, para longe. Voltar para o buraco de onde veio, mesmo que não existisse mais ninguém lá.

Mas sabia que quanto mais longe dela ele ficasse, mais dor sentiria. E não seria apenas por conta das escamas.

Notas finais
É isso gente, a medicina domina minha vida e continuo não podendo dar previsões de postagem dos capítulos já que eu sequer terei férias :'( mas saibam que vou me esforçar pra trazer os próximos o quanto antes! Gostaria de agradecer especialmente às pessoas que recomendaram a fanfic aqui no Nyah!, gente, eu dei um grito quando vi. MUITO OBRIGADA MESMO, vocês são incríveis, e me motivam muito a escrever mais e mais essa fic! E então gente, sobre o capítulo! O que acharam da reação do Gray?! Muitos de vocês previram que ele iria tentar ir atrás desse segredo da Lucy, o que será que vai acontecer quando ele descobrir? E essa final, o que será que está acontecendo com o Natsu?! :O aiaiaiai tantas coisas, eu malvada aqui não contando nada HAISODHASO por enquanto! Logo vocês saberão mais! Espero que tenham gostado, até a próxima amores ♥