Caution: Wolves

5 Capítulo 5 - Sentimentos


Notas iniciais
No capítulo anterior:
Abri a porta e corri, ignorei tudo apenas corri em direção a minha casa, em direção onde estava Hana, eu precisava salvá-la dessas coisas não importa o que custasse. Enquanto corria pela estrada me lembrei de ter conseguido recuperar meu celular, olhei em meu bolso e para minha sorte ele ainda ligava, ao ligá-lo, percebi que tinham três chamadas perdidas. Eram do celular da Hana.

SENTIMENTOS


Assim que cheguei perto da minha casa eu notei a porta aberta sendo que tinha dito pra Hana não sair de lá, não abrir as portas, não importando o que acontecesse, logo percebi que algo sério a tinha feito abrir a porta e me abaixei.


Fui andando lentamente, abaixado, em direção a porta, inclinei lentamente minha cabeça por cima da pequena mureta em frente à casa, e escutei passos. Deveria ser a Hana, eu precisava entrar lá e fazer alguma coisa, ver se ela estava em perigo, e se sim, ajudá-la. Eu fui me aproximando da casa e percebia que os passos estavam cada vez mais altos, eles estavam próximos e eu começava a especular se aqueles passos realmente eram da Hana.


Se uma coisa daquelas tivesse entrado ali não sei se ela poderia ter feito algo contra eles, e se nada entrou ali qual outro motivo ela teria pra abrir aquela porta? A Hana era muito desobediente, mas em uma situação dessas tenho certeza que ela não teria me desobedecido. Ao entrar na casa percebi que os passos vinham do segundo andar e que a porta dos fundos também estava aberta, minha preocupação só aumentou, eu precisava subir lá e ver o que estava acontecendo.


Eu subia lentamente a escada e via uma sombra na parede, não me parecia ser da Hana era uma sombra de um homem alto, meu coração estava disparado eu estava a ponto de chorar naquele momento, eu não via, mas meu cérebro me dizia que a Hana não teria conseguido fazer nada contra uma dessas coisas, eu ia chorar, eu estava a ponto de derramar todas as lágrimas que guardei por toda minha vida.


Foi quando uma mão saiu de dentro do armário atrás de mim e tampou minha boca, meus olhos ficaram arregalados, a mão misteriosa me puxou pra dentro do armário. Estava escuro, eu não enxergava nada e a mão continuava tampando minha boca. Era uma mão macia, e tinha um ótimo cheiro, não podia ser da Hana, era maior que suas mãos, mas com certeza não era uma daquelas coisas, isso me aliviou um pouco.


A pessoa que me puxou acendeu uma lanterna em seu rosto, e quase me fez ter um infarto... Ela era uma jovem garota, cabelos castanhos escuros e uma pele extremamente clara, ainda mais clara que minha pele, seus olhos eram lindos, os mais lindos olhos que já tinha visto em minha vida, eram castanho claro e me passavam uma enorme calma, era como se eu fosse ser sugado por esses belos olhos.


– Você está bem? — Disse a garota enquanto apontava a lanterna em direção ao teto do interior do armário, desse modo iluminando todo o seu interior.


– S-sim... Digo, quem é você e onde está Hana?! E que merda aquela andando no corredor?! — Eu estava encantado com aqueles olhos, as coisas ao meu redor pareciam ter sido esquecidas ao vê-los, foi quando escutei os passos daquele homem e reencontrei minha sanidade.


– Desculpa ter invadido sua casa assim... Foi por impulso, eu vi uma daquelas coisas se aproximando de sua porta e vi uma garota na janela, ela tem a idade de minha irmã, não podia deixá-la para morrer, eu precisei fazer algo. Eu entrei pelos fundos e a escondi no banheiro, o tranquei e vim para este armário, aquele lá é a tal coisa e infelizmente está indo na direção do banheiro. Não sei o que houve, mas sei que ela deixou algo cair lá dentro, provavelmente o celular... Com o barulho aquela coisa logo se virou pra lá.


Aparentemente eles se guiam pelo som, mas não temos tempo pra discutir sobre eu ter entrado aqui e muito menos sobre as características dessa coisa, temos que impedi-lo de chegar ao banheiro. — Ela estava calma, me explicava tudo muito calmamente, não sei se estaria nas mesmas condições que ela com essa mesma calma, eu confiava nela, era estranho, sempre tive uma enorme dificuldade em confiar nas pessoas, nem mesmo sabia seu nome, mas já confiava nela mais do que já confiei em qualquer pessoa próxima.


– Obrigado... — Não sei o que eu estava fazendo, não tinha tempo pra isso, precisava salvar a Hana.


– Já disse que não temos tempo! Depois você poderá me agradecer... — Após dizer isso ela desligou a lanterna e segurou em minha mão, eu fiquei assustado, suei frio, porque ela estava fazendo isso?!


– Aqui. Pegue esse machado, eu já matei um deles antes, só morrem ao ter seu cérebro destruído, você pode arrancar a cabeça de um deles e não os matará, apenas se destruir o cérebro. — Ela falou isso enquanto colocava um machado em minhas mãos, ela falava de um jeito extremamente calmo para quem falava em assassinar alguém. Mas eu já havia notado que aquelas coisas estavam mortas então não me importei, além do fato de ser a Hana e eu mataria qualquer um para salvá-la. Peguei o machado, mas ainda não entendia o porquê dela não ter feito isso ainda. Consenti com a cabeça.


– Err... Eu entendo o que você deve estar pensando... Desculpe, eu realmente queria ter feito isso logo, mas enquanto lutava contra uma dessas coisas em minha casa acabei sendo atingida por estilhaços de uma janela e por conta disso minha perna dói bastante, não conseguiria correr até lá antes que ele me notasse... — Ela estava sendo sincera, e eu não queria demonstrar covardia em sua frente, não entendia o porquê de eu estar assim, nunca me importei com o que as pessoas pensassem sobre mim. Eu iria fazer aquilo, não tinha escolha.


– Ela está com um celular no banheiro, pedi que ligasse para alguém que pudesse ajudar, o que você é dela? — Agora entendia as ligações.


– Sou o irmão mais velho. Nossos pais morreram então eu cuido dela como se fosse uma filha. — Eu estava deixando meu coração falar por mim, eu dizia tudo sobre mim sem ter nenhuma cautela, o que se passava com minha cabeça que não agia diante daquilo?!


– Entendo, depois conversamos melhor, precisa fazer isso agora ou será tarde demais, veja. — Ela abriu um pouco o armário e a maçaneta do banheiro estava sendo destrancada pela Hana, ela provavelmente achou que a coisa já teria saído por conta do silêncio que estava na casa.


Ao ver aquilo, meu coração disparou, e novamente deixei meu coração agir por mim e não usei a cabeça. Empurrei a porta e corri com o machado na direção daquela coisa. A porta já estava se abrindo e os passos da coisa se aceleravam em direção ao banheiro, Hana abriu a porta.


A coisa estava em sua frente e esticava seus braços para pegá-la, notei a expressão aliviada da Hana ao me ver mudar para uma expressão de medo absoluto ao ver os olhos da coisa em sua frente, com toda força que tinha em meu corpo cravei o machado na cabeça daquela coisa em quanto ele estava tentando alcançar a Hana. Seu sangue espirrou em meu rosto e eu senti uma sensação muito boa ao matá-lo, o que era aquilo? Eu estava me sentindo bem por matar alguém? Seu corpo caiu ao chão, ele não se mexia, eu tinha certeza que havia terminado com ele.


A garota saía do armário e vinha em minha direção com um sorriso de alivio e com aqueles belos olhos de sempre.


Já estava para amanhecer, eu podia ver o sol no horizonte por uma janela no fim do corredor, meu rosto sujo de sangue e minha expressão sádica deixaram Hana assustada, ela não disse nada, mas eu notei, ela me olhou como se não me reconhecesse. Eu tinha que ter feito aquilo, ela não era idiota e logo voltou a si, aquela coisa não era um humano, não mais.


Ela percebeu que eu tinha a salvado e me abraçou. A garota misteriosa ficava nos olhando e sorrindo, quando Hana me abraçou notei que sua expressão mudou completamente, ela ficou triste, ela pensou em alguém. Provavelmente deveria ter perdido alguém importante pra essas coisas.


Recuperei um pouco de minha consciência e voltei a agir com racionalismo, sem deixar que minhas emoções falassem por mim. Eu nem sabia seu nome e ela já sabia bastante sobre mim, a única coisa que sabia sobre ela é que arriscou sua própria vida para salvar uma pessoa que nem conhece...


Quem seria essa garota? Eu realmente poderia confiar nela como havia feito até ali?


CONTINUA...

Notas finais
No próximo capítulo:
Mais uma vez aquele silêncio profundo após a morte de um deles, Hana me abraçando, a garota parada nos olhando e eu olhando seriamente em seus olhos que continuavam a me dominar. Eu iria perguntar seu nome, perguntar o que aconteceu com sua família, o porquê de ter nos ajudado e se ela sabia o porquê de estar acontecendo isso com esses homens. Mas não tive tempo, assim que pensei em fazer alguma coisa escutamos passos vindos do andar de baixo, da entrada da casa. Ninguém precisou falar nada, nós três ficamos agitados ao ouvi-los e então tínhamos que fazer algo ou acabaríamos como aquele cara morto aos meus pés.