Caution: Wolves

6 Capítulo 6 - Adeus Yokohoma


Notas iniciais
No capítulo anterior:
Recuperei um pouco de minha consciência e voltei a agir com racionalismo, sem deixar que minhas emoções falassem por mim. Eu nem sabia seu nome e ela já sabia bastante sobre mim, a única coisa que sabia sobre ela é que arriscou sua própria vida para salvar uma pessoa que nem conhece...
Quem seria essa garota? Eu realmente poderia confiar nela como havia feito até ali?

ADEUS YOKOHOMA


Mais uma vez aquele silêncio profundo após a morte de um deles, Hana me abraçando, a garota parada nos olhando e eu olhando seriamente em seus olhos que continuavam a me dominar. Eu iria perguntar seu nome, perguntar o que aconteceu com sua família, o porquê de ter nos ajudado e se ela sabia o porquê de estar acontecendo isso com esses homens. Mas não tive tempo, assim que pensei em fazer alguma coisa escutamos passos vindos do andar de baixo, da entrada da casa.


Ninguém precisou falar nada, nós três ficamos agitados ao ouvi-los e então tínhamos que fazer algo ou acabaríamos como aquele cara morto aos meus pés.


– Hana! Você está bem? — Precisávamos sair logo dali, mas antes eu tinha que saber se Hana estava ferida, eu já havia visto o que acontecia com alguém que foi ferido por eles e não queria isso pra Hana.


– S-sim... E agora Yadomi?! Tem mais deles lá em baixo não é mesmo?! — Ela estava assustada e mesmo falando baixo para não atrair a coisa lá em baixo ela falava com intensidade.


– Sim, provavelmente há. Hana, você tem que sair com ela pela janela no fim do corredor, vocês podem subir no telhado e pular no arbusto logo ali, no máximo sofrerão alguns arranhões. — Disse enquanto olhava para a garota misteriosa e apontava para a janela no fim do corredor.


– M-mas e você? — A Hana estava muito assustada e provavelmente já sabia qual era a minha intenção, por isso a insegurança em perguntar.


– Eu vou ficar e pegar algumas coisas, não podemos sair de mãos vazias, pode ficar tranquila eu posso cuidar daquilo lá em baixo. E, além disso, aquela janela é um pouco pequena pra minha altura. Não se preocupe, sabe que posso fazer isso, não é verdade? — Disse enquanto sorria para tentar acalmá-la, na verdade eu não tinha tanta certeza se conseguiria fazer isso.


– Tudo bem eu a levarei, nos encontraremos no ponto de ônibus da estrada ao sul da casa. — Disse a garota, após ficar muito tempo calada. Ela estava calma e parecia ter entendido o porquê de eu querer ficar mais um pouco.


A garota pegou na mão de Hana sem nem deixar que ela se despedisse, não havia tempo pra isso. A garota levantou a Hana e a ajudou a pular a janela, após isso ela também pulou. Logo ouvi o som dos arbustos e percebi que tudo tinha ocorrido como planejado.


Agora era a minha vez, a minha parte do plano, eu precisava agir silenciosamente e pegar só o mais necessário.


Primeiramente peguei minha mochila que estava no quarto da Hana, por sorte no primeiro andar só estava a sala e a cozinha. Tirei todo meu material escolar da mochila para desocupá-la, na mochila tinha um pacote de batatas fritas, deixei lá, poderia ser útil mais tarde. Coloquei meu celular na mochila enquanto continuava a procurar coisas que poderiam ser úteis.


Fui ao banheiro e tive de passar por cima do corpo do homem que matei, ele fedia muito, era como se sua decomposição já tivesse começado antes de eu tê-lo matado. Tive certeza que eles morriam antes de se transformar nessas coisas irracionais.


Abri o armário do banheiro e peguei todos os remédios que encontrei, lá tinham alguns antibióticos que poderiam ser úteis em caso de ferimento, além de algumas bandagens e um pequeno vidro de morfina. Percebi que não havia mais nada para ser pego nesse andar, eu precisava descer até a cozinha e conseguir alguma arma branca.


Quando me preparava para descer ouvi um pequeno choramingo que vinha de baixo da minha cama. E me lembrei do cachorro que estava antes com a Hana, havíamos esquecido dele.


Ao olhar em baixo da cama lá estava o cão... Aquele cachorro o qual a Hana levou pra casa. Eu ainda não sabia o porquê de ele estar na minha casa, nem o porquê da Hana tê-lo pego, mas, sabia que a Hana não ia gostar nem um pouco se eu o deixasse aqui. Puis ele na mochila, tomei cuidado para por em um bolso vazio, ele era pequeno então não tive problemas com isso, ele ficou com a cabeça pra fora da mochila e seu corpo se encaixava bem nela. Eu a fechei até o limite, deixei a parte onde o cão estava com a cabeça aberta.


Ainda com o machado que a garota me deu eu desci lentamente a escada com a mochila nas costas.


Lá estava ele, aquela coisa andava de um lado pro outro como se estivesse bêbado ou algo parecido. A madeira da escada era antiga e fazia barulho ao pisá-la, o homem que andava pela sala logo se virou ao ouvir o barulho daquela velha madeira da escada.


Rapidamente ele ficou como um animal selvagem, sua velocidade aumentou e seus olhos dourados focaram em mim. Ele rugiu, iria me atacar! Ao perceber que ele vinha até mim eu corri em sua direção como meus extintos me mandavam fazer.


– VOCÊ DEVERIA ESTAR MORTO! — Gritei enquanto cravava o machado em sua cabeça, ele tentou me alcançar com seus braços enquanto eu tentava tirar o machado de sua cabeça, mas logo parou e finalmente morreu, eu chutei seu corpo putrefato retirando meu machado daquele homem que cheirava à morte.


Agora com toda a casa livre fui em direção à cozinha e peguei duas facas de cortar carne, era patético, mas, era a minha melhor opção naquele momento, nenhum de nós poderia ficar desarmado e se não há outra escolha tem que ser isso. Prendi as facas em minha cintura.


Peguei alguns enlatados no armário, nem olhei para ver quais eram apenas os coloquei na mochila e voltei a fechá-la.


Eu estava pronto para ir ao encontro de Hana e da garota misteriosa. A mochila estava totalmente cheia, e o cachorro respirava ofegante como se estivesse animado com tudo aquilo...


– Adeus Yokohoma. Não foi bom enquanto durou. — Disse enquanto saia da casa e sorria. Era estranho, apesar de todo aquele caos, eu finalmente estava livre do tédio que assombrava meus dias naquele lugar, minha vida estava a ponto de se tornar um pouco mais interessante. Havia algo de errado comigo? Ou é normal gostar de uma situação assim? Uma situação onde as leis humanas não o perseguem?


CONTINUA...


Notas finais
No próximo capítulo:
Ao passar pela porta senti uma sensação de alívio, uma liberdade como nunca havia sentido antes, era uma total quebra de rotina, eu me sentia bem...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.