Cause I love you
6 Noite Fria
Notas iniciais
:))
Logo a conversa foi interrompida pelo toque de um celular.
SB – Deve ser o meu – disse pegando o telefone no bolso da calça aliviada por ter sido interrompida.
MT – Não, é o meu – ele também tinha tirado o telefone do casaco e logo o atendeu – Taylor. [...] Já estou chegando.
SB – Problemas?
MT – Só mais um caso. Vamos? – disse entrando no prédio.
SB – Como se encontra nossa vítima? – perguntou acompanhando-o.
MT – Morta! – respondeu segurando um sorrido.
SB – Você entendeu minha pergunta, Mac.
MT – Não sabemos ainda. Flack pediu para subirmos. Ele vai nos passar mais informações.
Os dois pegaram o elevador e foram se encontrar com Flack. Feito isso se dirigiram para a cena do crime. O caso foi fácil de resolver, estava claro que tinha sido suicídio. A vítima já vinha fazendo acompanhamento com psicólogo o que os ajudou a chegar a um motivo. No final do dia já estavam com tudo resolvido.
SB – Então é isso, caso resolvido – dizia se levantando da cadeira e entregando a pasta para que Mac guardasse no armário de arquivos.
MT – Parece que sim – pegou a pasta, deu uma última conferida e a guardou.
SB – Estou liberada então? – perguntou já se levantando.
MT – Claro, pode ir.
SB – Vou passar na sala de descanso pra pegar um café antes de ir, posso trazer um pra você se quiser.
MT – Se isso não for muito incômodo, eu aceito.
SB – Já volto então – disse indo em direção à porta e parando junto a esta – preto com açúcar, certo?
MT – Isso mesmo! – ele confirmou com um sorriso de canto.
Mac ficou observando Stella se distanciar da sala. Analisava sua forma de andar, o jeito como colocava as mãos próximas ao corpo enquanto caminhava, como sorria para as pessoas que encontrava no caminho. Ela era fascinante.
LM – Oi Stell, dia cheio hoje? – perguntou ao encontrar com Stella no corredor.
SB – É, a semana começou bem agitada. Tem um tempo para um café?
LM – Claro! – disse acompanhando-a – O Flack disse que por pouco você não chegava à cena do crime de pijamas.
SB – Exagero dele – respondeu sorrindo – só que a cena era perto de casa.
LM – Dinna já foi embora?
SB – Sim, foi ontem no fim da tarde. Parece que você não gostou muito dela...
LM – Tem alguma coisa nela que me incomoda, não sei... talvez o jeito que ela te olha, parece que está o tempo todo a te observar de um jeito diferente, parece que ela te deseja como um homem deseja uma mulher...
SB – Impressão sua, Linds – interrompeu – vai querer com açúcar? – perguntou tentando fugir do assunto.
LM – Por favor. Pode até ser impressão minha, mas ela tem algo muito estranho. Enfim... o jogo ta de pé amanhã?
SB – Está sim, você vai né?
LM – Lógico! Não perderia por nada! Já combinei com o Danny de irmos depois do expediente, isso se a cidade colaborar.
SB – Isso me lembra de que tenho que acertar com o Mac pra ele me liberar um pouco mais cedo amanhã.
LM – Que horas que começa?
SB – Vai começar as 8 mas tenho que estar lá as 7 pra trocar de roupa e aquecer.
LM – Achei que o Mac já estava sabendo.
SB – Na correria que estávamos hoje acabei esquecendo de avisá-lo.
LM – Mas você não tinha o convidado antes?
SB – Não – respondeu de imediato – Vai querer com açúcar? – perguntou novamente.
LM – Mais açúcar? Você não tinha colocado não? – indagou percebendo que Stella tinha ficado um pouco nervosa.
SB – Ah! É verdade – respondeu sem graça – acho que me distrai com a nossa conversa.
LM – Stell, ta rolando alguma coisa entre você e o chefe?
SB – Claro que não! – disse entregando o café a Lindsay – quantas vezes vou ter que dizer que eu e o Mac somos só amigos? – completou um pouco alterada.
LM – Ta, calma! Não precisa ficar assim.
SB – Acontece que todo mundo nesse laboratório insiste em me colocar como namorada do Mac. Poxa! É tão impossível assim um homem e uma mulher serem apenas grandes amigos?!
LM – Não é isso Stell, mas vocês têm tantos pontos em comum que não nos surpreenderia se estivessem juntos.
SB – É, mas não estamos!
LM – Ta bom, não se fala mais nisso!
AR – Hey meninas! Chá das cinco?! – disse entrando na sala.
DF – Você quis dizer das sete né Adam?!
SB – Oi meninos – cumprimentou-os séria.
DF – Algum problema Stella? – disse preocupado percebendo sua expressão.
SB – Não Don, não é nada.
DF – Então porque essa cara?
SB – Lindsay e sua mania de ser cupido.
AR – Já até imagino do que se trata...
SB – Ah, vai começar de novo... – disse interrompendo-o.
AR – Mas quer saber de uma coisa Montana? – falou se aproximando de Stella – suas cogitações sobre Stella e Mac não podem ser possíveis porque eu Stella estamos juntos! – disse com um leve sorriso no rosto fazendo com que todos se virassem para ele.
SB – Estamos?! – perguntou surpresa.
AR – Ainda não, mas não vai demorar muito para você perceber o homem que existe em mim!
SB – Ah claro que sim – disse se levantando e dando a volta por traz do Adam levando as mãos até seus ombros – e quando isso acontecer vamos construir uma família feliz, ter uma casa na praia, enchê-la de filhos e ter quatro cachorros – completou em meio a uma risada.
AR – Não precisamos de quatro cachorros minha querida, mas gostei da idéia da casa na praia, só preciso ganhar um pouco mais pra isso... – finalizou um pouco frustrado.
SB – Se bem que... – disse se afastando um pouco – você não é de se jogar fora Adam... passa no meu apartamento mais tarde pra gente conversar – completou brincando.
Adam se encheu de esperanças, o papo continuou por mais uns quinze minutos quando Stella se lembrou de que estava devendo um café pro Mac.
SB – Eita, o café do Mac! – disse se levantando e indo em direção à máquina de café.
DF – Acho que não precisa mais, olha ele ai.
MT – Falando de mim? – disse entrando na sala.
SB – Mac, seu café! – sorriu entregando-lhe o copo.
MT – Achei que ia levá-lo na minha sala...
AR – A que nível de subordinação chegamos.... – disse com ironia.
SB – Adam! – repreendeu-o com o rosto corado.
AR – O que foi? Só que se você fosse minha não te trataria desse jeito.
MT – Como assim “se você fosse minha”? Perdi alguma coisa? – perguntou se sentando em um dos sofás que tinha na sala.
LM – Nada, ainda... – diz em um tom bastante sugestivo.
MT – Você e Adam estão juntos Stell? – perguntou voltando-se para Stella.
SB – Claro que não! – respondeu de imediato – você sabe que o Adam só fala besteira!
LM – Bem gente, enquanto vocês ficam ai discutindo o triângulo de vocês, eu vou voltar para minhas análises – disse saindo da sala.
DF – Eu vou acompanhá-la, ainda tenho alguns mandados pra cumprir ainda hoje – logo saiu também.
MT – Acho que cheguei na hora errada...
AR – Não,que é isso chefe...
MT – Posso voltar depois se você quiser ficar mais a vontade com a Bonasera – disse com um sorriso de canto.
SB – Mac! – repreendeu-o – é o quê? Complô da equipe contra mim hoje?
MT – Estou brincando – disse sorrindo – mas por que demorou com o café?
SB – Me perdi no tempo conversando com o pessoal... me desculpe.
MT – Tudo bem.
AR – Mac ainda vai precisar de mim?
MT – Não, por que? Já está indo?
AR – Sim. Já conclui tudo o que me propuseram a fazer nesse dia fatídico! – disse se fazendo de vítima.
SB – Nossa... como é sofrida a vida do nosso técnico de laboratório – disse passando a mão na cabeça dele – acho que precisamos contratar mais pessoas para ajudar o Adam. O que acha Mac?
MT – Vou ter que discordar de você, Bonasera. Acredito que o mais viável é demitir o Adam e contratar outra pessoa mais eficiente.
SB – Tem razão Mac, com corte de orçamento que estamos tendo, temos que procurar pelo barato e eficiente.
AR – Posso ficar mais um pouco e tentar salvar meu emprego... – disse todo confuso.
MT – Não é preciso Adam – respondeu sorrindo – no que depender de mim o seu emprego está mais que garantido aqui no laboratório.
AR – Ufa! Isso me deixa um pouco aliviado. Mas se quiser eu posso ficar, não tem problema, ainda tenho tempo pra...
SB – Boa noite Adam! – disse interrompendo-o.
AR – Boa noite, eu já vou. Vou deixar vocês a sós – falava todo atrapalhado – devem ter muita coisa pra conversarem. Afinal vocês...
MT – Tchau Adam – interrompeu-o.
AR – É, tchau. Boa noite.
SB – Acho que não conseguiria substituir o Adam – sorriu sentando-se ao lado de Mac.
MT – Realmente. Ele é meio atrapalhado, mas tem me servido muito bem todas as vezes em que o solicitei.
Stella parou um pouco e analisou o que Mac acabara de falar. Tentou mas não conseguiu segurar o riso.
MT – Não soou bem o que eu disse né? – falou rindo também.
SB – Com certeza não! – respondeu com um enorme sorriso no rosto.
MT – Ah! Vamos lá Bonasera! Não duvide da minha masculinidade!
SB – Eu não duvido, mas que você está pondo-a a prova...
MT – Você entendeu o que eu quis dizer.
SB – É, eu entendi – respondeu recostado-se no sofá – mas não repita isso, ok?!
MT – Pode deixar, vou ficar mais atento.
SB – Hey Mac! Fiquei sabendo que está tocando em uma banda. – disse depois de um bom tempo que ficaram em silêncio.
MT – É... estou tocando baixo. Mas não é nada de mais. Só um passa tempo.
SB – Engraçado, não consigo te imaginar em um palco diante de uma multidão ou mesmo se apresentando em público.
MT – Sério? Por que não?
SB – A ideia de você sendo o centro das atenções não condiz com o a imagem que tenho de você.
MT – Isso me faz te perguntar qual a imagem que tens de mim.
SB – Temia que fizesse essa pergunta... Mas vamos lá. – disse olhando-o nos olhos – vejo um homem sistemático que ama a profissão e procura nela um refúgio para suas frustrações sentimentais...
MT – Frustrações sentimentais? – interrompeu-a.
SB – Sim! Frustrações sentimentais. Acho que você faz do laboratório o seu refúgio e quando chega em casa conta as horas pra voltar pro seu casulo. Assim, todo o relacionamento ao qual está exposto é o profissional. Tem medo de se envolver por achar que está traindo a última e talvez única mulher que amou, por isso canaliza todos os seus pensamentos para o seu trabalho, e quando arriscou se abrir novamente a um relacionamento, acreditou ter se certificado de que o melhor é viver só, pois assim não se machucaria nem machucaria quem estivesse ao seu lado...
Mac ouviu aquelas palavras calado, sabia que cada uma dela tinha um fundo de verdade. Mas o que mais lhe intrigava era como Stella o conhecia tão bem. Como pode ela saber de sua intimidade, coisas que ele nunca contou a ninguém nem ao menos deixou transparecer. Era notável que ela o conhecia mais do que ninguém.
MT – Profunda sua análise – disse depois de um tempo em silêncio – vejo que me conhece melhor que qualquer um nesse laboratório. Mas ainda tem muito o que aprender Bonasera – finalizou levantando-se do sofá saindo em direção a sua sala.
SB – Hey Mac! Não ficou chateado, ficou? – perguntou acompanhado-o – Mac! Espera!
Stella saiu a passos rápidos atrás de Mac tentando acompanhá-lo. Logo estavam na sala dele.
SB – Mac. Falei algo que te machucou? – perguntou preocupada.
MT – Não, claro que não... é que a verdade as vezes dói.
SB – Poxa... desculpa – ela se aproximou mais dele – não deveria ter dito aquilo.
MT – Tudo bem. É bom ouvir certas coisas. É como um tapa que nos faz acordar pra vida – disse encostando-se na mesa – mas devo dizer que está enganada quanto aos relacionamentos no trabalho. Saiba que cada um aqui é importante pra mim, e se quero voltar logo pro laboratório é porque gosto de estar perto da minha família. É isso o que vocês são, minha família.
SB – Nossa Mac... Não sabia que tinha tanta consideração pela equipe – disse com os olhos marejados.
MT – Mais do que você imagina.
[...]
MT — Não estava indo embora? – perguntou depois de um tempo em silêncio.
SB – É estava, e é melhor eu ir logo – disse dando uma olhada pela janela e vendo que chovia bastante – com essa chuva, vou demorar chegar em casa.
LM – Mac, já estou indo – disse entrando na sala – está ficando tarde e com essa chuva que está caindo o trânsito já deve está parado.
MT – Ta ok, Linds. O Danny já foi?
LM – Está descendo comigo agora.
MT – Ta OK então. Boa noite.
LM – Boa noite chefe. Tchau Stella – disse dando-lhe um beijo no rosto – nos vemos amanhã?
SB – Claro! E como está o namoro?
LM – Melhor impossível! Estamos nos amando cada dia mais! – respondeu empolgada.
MT – Isso significa que logo teremos um casamento!
LM – Também não é pra tanto. Vamos com calma.
SB – Quero ser a madrinha!
MT – E eu o padrinho – disse fazendo com que Stella corasse.
LM – Sendo assim vamos adiar logo o processo – disse fazendo com que todos rissem – bem gente, agora eu vou. O Messer está me esperando. Bom descanso pra vocês.
– Tchau Linds. – falaram quase juntos se despedindo dela que logo foi ao encontro de Danny.
A chuva estava cada vez mais intensa deixando Stella preocupada. Aos poucos o laboratório ia se esvaziando e mais uma vez Mac ficava por último no laboratório na companhia de Stella.
SB – É... mais uma vez só nós dois – falou percebendo que estava m praticamente a sós no laboratório – não é a toa que falam tanto que a gente tem algum envolvimento.
MT – Sério que falam isso da gente?
SB – De qual que é Mac! Vem me dizer que nunca ouviu esses boatos?
MT – É... pode ser que eu tenha ouvido uma ou outra coisa, mas nada de mais.
SB – Não te incomoda Mac? Essas pessoas fazendo especulações sobre sua vida sentimental?
MT – É como você disse: são especulações.
SB – Admirável a maneira como simplesmente ignora certas coisas a sua volta. Enfim... – disse se levantando do sofá – é melhor eu ir. Pegar um táxi essa hora não vai ser fácil até porque eles estão de greve.
MT – Tem certeza que vai sair nessa chuva?
SB – Não tenho outra opção – disse já na porta – boa noite Mac. Vê se não fica até tarde aqui.
MT – Não se preocupe, não vou demorar muito aqui. Bom descanso Stell.
Mac ficou na sala conferindo relatórios como sempre. Não demorou o muito o telefone tocou. Era Sinclair que o chamava até sua sala. Mac estranhou, não era hábito de Sinclair ficar até aquela hora no laboratório, ainda que contra sua vontade ele se dirigiu até a sala dele. Depois de um bom tempo conversando voltou pra sua sala para guardar os relatórios pendentes, pegar suas coisas e ir embora quando se surpreendeu com a presença de Stella que o aguardava ha um tempo.
MT – Stella! Achei que já tivesse ido embora.
SB – É...já estava na portaria quando me lembrei que não tinha dinheiro pro táxi nem para o metrô. Tem que como me emprestar uma grana até amanhã? – disse sem graça.
MT – É claro que não! Faço questão de te levar em casa, até porque está tarde, os taxistas estão de greve e o metrô lotado.
SB — Não Mac, não precisa. Eu pego o metrô e está tudo resolvido.
MT – Não mesmo! E com essa chuva então... Está decidido, você vai comigo.
SB – Mac!
MT – Sem mais! Vamos – disse puxando-a pela mão.
Mac fechou a porta de sua sala e seguiu com Stella para o elevador. A chuva estava cada vez mais forte e relampeava bastante, o que deixava Stella muito preocupada pois quando chovia daquele jeito a energia oscilava bastante e a idéia de pegar um elevador nessas circunstância não lhe parecia muito agradável.
SB – Mac, o que acha de pegarmos as escadas?
MT – Por que? Vamos de elevador.
SB – Você sabe que a energia oscila muito com esse tempo e temos grandes chances de ficarmos presos.
MT – Medo de elevador, Bonasera?
SB – Não é isso, mas não estou afim de perder tempo presa em um elevador...
MT – Ainda mais se for comigo, não é?
SB – Claro que não seu bobo! – disse dando-lhe um tapa de leve no ombro – aliás, seria interessante ficar presa no elevador com você – disse-lhe com um tom malicioso – imagino o que tanto poderíamos conversar.
MT – Eu prefiro não imaginar – disse sorrindo.
SB – Ah! Fala sério! Não acredito que faltou energia — disse ao ficar tudo escuro.
MT – Podia ser pior. Poderíamos estar presos no elevador – usou de seu sarcasmo.
SB – É... vamos ter de pegar as escadas.
MT – E o metrô também.
SB – Achei que a gente ia de carro.
MT – Deixei o carro na garagem do prédio e sem energia não tem como abrir o portão.
SB – Nunca concertaram o gerador do subsolo?
MT – Colocaram um gerador meia boca que não suporta nada. Ai a energia é direcionada para os setores com maior prioridade.
SB – Como o necrotério – disse interrompendo-o.
MT – Exatamente!
SB – Já vi que chegar em casa hoje vai ser mais difícil do que imaginei.
Os dois pegaram as escadas, estas, iluminas apenas por luminárias de emergência.
Já eram quase dez da noite e apesar de Nova York nunca parar, as ruas pareciam estar mais vazias, o que não era de se estranhar diante da chuva forte que caía. Mac e Stella caminhavam pelas calçadas procurando se abrigar da chuva na tentativa de conseguir um táxi livre, o que era muito difícil aquela hora ainda mais no meio de uma greve. Insistiram por um bom tempo até que decidiram ir de metrô que para o desespero de Stella, estava lotado.
MT – Tem certeza que quer ir de metrô?
SB – É isso ou não chegamos em casa!
MT – Você é quem sabe... ainda tem algumas quadras até chegar à estação.
SB – Vamos logo Mac! Ta frio e tudo o que eu quero é um banho quente.
MT – Pega meu casaco, pelo menos frio não vai passar – disse já tirando o casaco e dando a ela.
SB – Não precisa Mac, dá pra agüentar até chegar em casa.
MT – Deixa de ser teimosa Stella. Não quero que pegue um resfriado.
SB – E você vai ficar sem?
MT – Minha camisa é de manga, já você esta só com essa regata que não cobre nada!
SB – Vai falar da minha roupa agora? – disse já vestindo o casaco dele.
MT – Não, mas da próxima vez coloca uma blusa maior.
SB – Da próxima vez eu coloco uma burca – respondeu sorrindo enquanto tentava parar um táxi.
MT – Não adianta Stella, os poucos que estão rodando estão ocupados. É bom andarmos um pouco mais rápido porque sinto que essa chuva vai ficar ainda pior.
Os dois andaram por mais 4 quarteirões até chegar à estação mais próxima. Stella tentava parar todo táxi que via ao longo do caminho e todas as tentativas foram frustradas. Depois de alguns minutos de caminhada chegaram à estação e como era de esperar estava lotada. Pegaram o primeiro trem que saiu e cerca de vinte minutos depois já estavam descendo na estação próxima ao prédio onde Stella morava. A chuva ainda caia com intensidade e eles caminhavam com pressa evitando ao máximo se molharem o que foi inevitável já que não tinham muitos edifícios com marquises nas proximidades. Em pouco tempo chegaram ao prédio onde Stella morava mas levaram tempo suficiente para ficarem encharcados.
MT – Parece que desse lado da cidade não faltou energia.
SB – O que pra mim é um alívio! Não consigo me imaginar tomando um banho gelado com o frio que está fazendo.
MT – Pronto, chegamos! – disse ao chegarem na portaria – daqui eu vou pra casa.
SB – Claro que não! Você vai subir, se secar e esperar a chuva passar!
MT – Ah, não... tenho que ir pra casa. Só vim mesmo te deixar.
SB – De qual que é Mac! Vamos sobe. Não posso deixar você sair nessa chuva desse jeito. Anda vamos – falou já puxando-o para dentro do prédio.
MT – Ta bom! Mas só até a chuva passar.
SB – Boa noite Sr. Cartner – cumprimentou o porteiro.
PC – Boa noite dona Stella.
SB – Hum...vejo que aprendeu a me chamar sem formalidades – disse sorrindo – alguma correspondência hoje?
PC – Não.
MT – Ola Sr. Cartner. Tudo bem?
PC – Detetive Taylor! Quanto tempo?!
MT – É... Já tem um tempo que não apareço por aqui.
PC – A última vez foi no ano passado no aniversário de dona Stella, não foi?
MT – Acho que sim... os dias corridos no laboratório não nos permite muitas visitas.
PC – Entendo... Se me permitem – disse observando-os – é melhor vocês trocarem de roupa antes que peguem um resfriado.
SB – também acho. Vamos Mac
MT – Boa noite Sr. Cartner.
PC – Boa noite detetive. Boa noite dona Stella.
SB – Boa noite Sr. Cartner – disse indo em direção ao elevador.
[...]
MT – Caramba, que chuva! – falava enquanto entrava no apartamento de Stella.
SB – Nem me fale! – disse já tirando o casaco de Mac que estava todo encharcado – espera um pouco que vou pegar uma toalha pra você se secar.
MT – Não acredito que isso vá resolver muita coisa, mas já ajuda...
SB – Então tira essa roupa e coloca um roupão.
MT – Você está brincando, não é?
SB – Por quê? Algum problema?
MT – Você não acha que eu vou ficar só de roupão?
SB – Mas você mesmo disse: uma toalha não vai resolver – disse já entregando o roupão pra ele – o banheiro é por aqui – guiou-o pelo corredor até o banheiro.
MT – Stella, não precisa. E eu já estou indo embora.
SB – Tá louco Mac! Olha a chuva que está caindo lá fora! Nunca que eu vou te deixar sair desse jeito.
MT – Stella...
SB – Não insista! – interrompeu-o já o empurrando pra dentro do banheiro — aproveita e toma uma banho.
MT — E que roupa eu visto?
SB — Você pode ficar só de roupão. Eu não me importo. Mas se quiser tenho alguns vestidos que eu acho que te servem...
MT — Muito gentil da sua parte mas vou ficar com o roupão mesmo.
SB — Como quiser, mas se mudar de ideia...
MT — Eu não vou mudar de ideia — interrompeu-a.
SB — Como quiser — respondeu sorrindo — qualquer coisa estou no banho.
MT — Já está fazendo muito. Obrigado.
SB — Disponha chefe — sorriu.
Ainda que contra a sua vontade Mac fez o que Stella mandou. Ele sabia que não a faria mudar de ideia e no fundo não queria ficar com aquela roupa encharcada. Um banho cairia muito bem. A sensação de chegar em casa e ter alguém cuidando dele lhe agradava, ainda que esse alguém fosse sua colega de trabalho. Apesar de querer passar horas no banho ele não demorou muito. Não que não se sentisse à vontade. Stella era uma ótima anfitriã e sabia fazer com que as visitas se sentissem em casa, pelo menos sempre foi assim quando Mac a visitava. Ela também não demorou muito no banho. Sabia que Mac a esperava e ainda pretendia preparar algo para eles comerem.
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