Stella passou uma loção pós banho, colocou um moletom e seguiu pra sala onde Mac a aguardava ha um tempo. Ao vê-lo ali parado próximo à varanda da sala não resistiu ao riso.

MT – O que foi? – perguntou ao vê-la encostada na parede.

SB – Você com esse roupão ficou muito engraçado! – disse entre risos – nunca pensei em te ver assim.

MT – É bom que isso fique aqui, viu Bonasera – disse em tom de ameaça.

SB – Ah, claro... – segurou o riso – mas você pode fazer uma pose pra foto?

MT – Fala isso porque não é você no meu lugar – ele foi em sua direção.

SB – Até porque esse roupão em mim fica infinitamente mais sexy – respondeu provocando-o.

MT — Se você preferir posso tirar o roupão e você veste e… — ele parou e olhou para o corpo dela tentando imaginar como ela ficaria no roupão — você vai ficar divina!

SB — Mac! — ela o repreendeu.

MT — Você que começou! — disse sorrindo.

SB — Já sei que não posso brincar com você — ela saiu em direção à cozinha.

MT — Agora falando sério… você não tem algo maior pra mim não? — disse acompanhando-a.

SB — Já disse que tenho alguns vestidos ali…

MT — Ah não obrigado… acho que vou ficar com o roupão mesmo.

SB — Você está ótimo, só não abre muito as pernas porque né… ninguém merece!

MT — Pode deixar que farei o possível para manter as pernas fechadas… mas já lhe aviso que vai ser difícil haja vista que… — ele pensou bem antes de completar a frase.

SB — haja vista que…?

MT — Deixa quieto — respondeu com o rosto corado — o que você está fazendo ai?

SB — Vou fazer uma sopa pra gente.

MT – Quer ajuda?

SB – Já que se ofereceu, você pode ir cortando as cenouras pra mim — disse colocando a vasilha com cenouras em cima da mesa onde Mac estava sentado.

MT – Não, você não entendeu... eu me ofereci por educação. Agora você tem que negar por educação — disse sorrindo.

SB – Ah! Tá bom... isso comigo não funciona – disse já entregando-lhe uma faca – lave-as antes e depois que terminar.

MT – É sopa de quê mesmo?

SB — Se chama fasolada. É uma sopa típica da Grécia.

MT — Você e seus pratos típicos da Grécia… — disse fazendo pouco caso.

SB — Se não quiser avisa logo que eu faço o suficiente só pra mim.

MT — Não que é isso… adoro seus pratos típicos.

SB — Hum… — disse fazendo bico.

MT — Stella, tem como você segurar as contas pra mim amanhã no laboratório? — perguntou depois de um tempo — Eu tenho ensaio com a banda e vou precisar sair um pouco mais cedo.

SB — Poxa Mac… eu te pedir a mesma coisa.

MT — Sério? Algum encontro?

SB — Claro que não! Você sabe que estou sozinha.

MT — Então…?

SB — Tenho uma partida de softbal, que aliás você está convidado.

MT — Humm… isso é um problema.

SB — É? Porque?

MT — Eu tenho ensaio e você o jogo… e juntos temos o laboratório.

SB — É verdade...e agora?

MT — Bem… — ele pensou um pouco — agora eu desmarco o ensaio, te cubro no laboratório e você vai pro jogo.

SB — Não Mac. Eu dou meu jeito… não precisa desmarcar seu ensaio.

MT — Que jeito? — ele lhe entregou as cenouras já cortadas — e seu jogo é mais importante que o ensaio. Eles podem fazer isso sem mim.

SB — Ah Mac — disse toda derretida — você é um amor! — deu-lhe um beijo no rosto deixando-lhe corado.

MT — Mas vai ficar me devendo mais essa!

SB — É verdade, tenho que te pagar.

MT — Não precisa. Fica como cortesia.

SB — Não mesmo! Você já faz muito por mim… insisto em te pagar.

MT — Já que insiste, faz assim: você paga o almoço amanhã, pode ser?

SB — Fechado então!

MT — Tem mais alguma em que eu possa te ajudar?

SB — Você está perguntando por educação ou quer mesmo ajudar? — perguntou sorrindo.

MT — Não — ele sorriu — quero mesmo ajudar..

SB — Já está tudo pronto, agora é só esperar cozinhar. Daqui uns vinte minutos podemos nos servir — ela saiu em direção à sala sendo acompanhada por Mac.

SB — Mac, onde você colocou sua roupa mesmo?

MT — Pendurei no box pra escorrer um pouco, porque?

SB — Não acredito que você fez isso! — ela foi em direção ao banheiro.

MT — Você não falou onde colocar então eu só pendu...Stella, não. — disse constrnagido ao vê-la pegando suas roupas.

SB — Odeio roupa pendurada no box!

MT — Desculpa, eu não sabia que….

SB — Cueca preta, Mac! — ela o interrompeu — que sexy! Adoro homens de cueca preta! — ela o provocou.

MT — É só dizer onde devo colocar — disse com o rosto corado e tomando-lhe as roupas.

SB — Tem um varal na área de serviço — respondeu rindo dele — pode colocar lá.

MT — Acho que é melhor eu ir embora — disse ao voltar — já está tarde.

SB — Até que eu poderia te oferecer meu carro e dizer que você pode ir, mas a chuva ainda está muito forte e eu não fiz aquele tanto de sopa atoa! — disse em tom ameaçador — você vai ficar e vai comer!

MT — Sim senhora! Mas depois eu vou embora, com ou sem o seu carro.

SB — Isso a gente vê depois. Vamos comer que já está pronto — falou já se servindo.

MT — Stell, onde você aprendeu a fazer esses pratos? Porque você cresceu em um orfanato e até onde eu sei você não sabe muita coisa de suas origens.

SB — Aprendi por aí… peguei receitas em sites, pratos que experimentei em restaurantes. Outros aprendi uma vez que fui pra lá… ainda não sei muito da culinária grega. O que sei tento fazer no dia a dia — respondeu um pouco reflexiva — isso me faz pensar estar mais próxima de quem eu poderia ser se minha mãe não tivesse morrido e eu tivesse voltado pra Grécia — completou se levantando da mesa deixando o prato.

MT — Stella, não vai terminar de comer?

SB — Perdi a fome! — respondeu já no seu quarto.

MT — Stella! — Mac saiu atrás dela — Stella...ei… — ele parou perto da porta ao vê-la sentada na cama de costas pra ele — Stella. Desculpa. — ele deu um passo adiante mas logo parou sem saber ao certo o que fazer ou dizer.

SB — Não é culpa sua — disse ainda olhando a cidade pela janela à sua frente — sempre me pergunto que rumo minha vida teria se nada disso tivesse acontecido. Se minha mãe não tivesse entrado naquele carro ou mesmo se eu estivesse com ela naquele acidente….

MT — Ei não fala assim! — ele a repreendeu — se nada disso tivesse acontecido, eu não estaria diante da maior detetive de Nova York, diante de uma mulher que, embora seja teimosa, é a melhor amiga que qualquer pessoa no mundo possa querer, uma mulher brilhante que apesar das dificuldades, das perdas, conseguiu o seu lugar de glória — dizia buscando o seu olhar — se nada disso tivesse acontecido Stell, hoje eu não seria o homem que sou.

SB — Fala isso pra me colocar pra cima — disse forçando um leve sorriso.

MT — Falo isso porque é a verdade — ele passou o braço por cima dos ombros dela trazendo-a para si — nunca se esqueça disso — finalizou dando um beijo em sua testa.

SB — Fica aqui essa noite? — perguntou aconchegando-se em seu colo — acho que não quero dormir sozinha.

MT — Não posso Stell...não tenho roupa pra ir trabalhar amanhã, não tenho escova de dente, nada..

SB — Escova eu devo ter uma nova no armário, quanto à roupa você pode passar no seu apartamento antes de ir pro laboratório…

MT — Ah, e eu vou dormir de roupão?

SB — Pode dormir sem se quiser…

MT — Você está é querendo me ver pelado, não é mesmo dona Stella?? — falou brincando tirando um sorriso dela.

SB — Oh droga! Você me descobriu!

MT — Vem — ele a puxou pelo braço — vamos terminar a sopa.

SB — Já deve estar fria, Mac — ela o seguiu até a cozinha.

MT — Então pelo menos fica aqui comigo enquanto eu arrumo a cozinha.

SB — Não precisa Mac, eu faço isso.

MT — Não, deixa que eu cuido disso — disse já juntando tudo e levando até a pia — contra quem você vai jogar amanhã?

SB — É contra o time de Boston. Estamos disputando as eliminatórias.

MT — E quais são as chances de ganhar?

SB — Ah.. não muitas — ela deu um leve sorriso — perdemos uma das melhores arremessadoras.

MT — Imagino que estão contando com a rebatedora então?

SB — É...isso significa que tenho que dar o meu melhor nesse jogo.

MT — Uma pena que não poderei estar lá.

Mac terminou de lavar a louça que estava suja. Depois seguiu com Stella para a sala onde conversaram por um bom tempo. Ele esperava que a chuva passasse logo para que pudesse ir embora, sabia que Stella não o deixaria partir naquele dilúvio ainda mais com suas roupas ainda molhadas. As horas foram passando de modo que eles não perceberam. Mac realmente estava se sentindo em casa. A única coisa que o incomodava era o fato de estar praticamente pelado. A todo momento se policiava a fim de não mostrar o que não devia.

MT — Eu me lembro de um cachorro que gostava de ficar deitado na calçada em frente à casa onde eu morava — dizia sorrindo sentado no chão com as pernas cruzadas — toda vez que eu voltava da escola ele estava lá. Eu sempre dava a volta pelos fundos pra despistá-lo.

SB — Ele não tinha dono não? — ela perguntou deitada no sofá onde Mac estava encostado.

MT — Tinha, mas ele sempre fugia. Precisei fugir dele umas cinco vezes até aprender que toda vez que eu voltasse da escola eu deveria entrar pelos fundos…

SB — Como nós paramos nesse assunto mesmo? — perguntou sorrindo.

MT — Não faço a menor ideia — respondeu bocejando em seguida — estou começando a analisar melhor seu convite pra dormir aqui hoje…

SB — Ora veja só... vencido pelo cansaço, Taylor?

MT — Eu prefiro dizer que foi pela chuva…

SB — Ah claro… como quiser — disse se levantando sendo acompanhada por Mac — vem, vou te mostrar onde você vai dormir.

MT — Achei que fosse na sua cama… — ele brincou.

SB — Vai sonhando… Nunca nenhum homem dormiu na minha cama!

MT — Sério Stella? Você nunca foi pra cama com ninguém?

SB — Não foi isso que eu falei…- disse pegando as cobertas já no quarto de hóspedes.

MT — A ta...achei que você fosse virgem.

SB — Mac! Isso não te diz respeito!

MT — Por quê, você é?

SB — Não é da sua conta!

MT — Foi o quê, voto de castidade? — ele continuou provocando-a.

SB — Boa noite Mac. Qualquer coisa estou no meu quarto — falou já saindo.

MT — Stella — ele a chamou antes mesmo que ela chegasse à porta.

SB — Sim.

MT — Você disse que tinha uma escova. Acho que vou precisar dela agora

SB — Ah é mesmo… vem — ela o chamou até seu quarto — usa o meu banheiro que no outro não tem creme dental.

Mac assim o fez, escovou os dentes e em seguida voltou para o quarto que Stella o havia mostrado. Stella apenas encostou a porta deixando uma pequena fresta assim que Mac saiu de seu quarto . Seguiu para o banheiro escovou os dentes e passou uma água no rosto. Ela pensou duas vezes antes de se despir para dormir. Como estava com visitas pensou que não seria muito conveniente mas no fundo sabia que não conseguiria dormir com qualquer peça de roupa no corpo. Antes mesmo de chegar à sua cama já estava completamente pelada. Em seu quarto Mac rolava na cama tentando encontrar uma forma mais confortável de dormir com aquele roupão. Por mais que tentasse era complicado dormir daquele jeito. Ele apenas conferiu se aporta estava fechada e lançou longe o roupão também ficando pelado. Que alívio — ele pensava, mas mal se deitou na cama quando ouviu um barulho de coisas caindo no chão vindo do quarto ao lado o deixando preocupado. Ele rapidamente se levantou, pegou o roupão novamente, o vestiu e foi conferir o que era. Ao chegar à porta bateu levemente chamando por Stella mas não obteve resposta. Chamou novamente e nada então decidiu entrar.

MT — Stella? — chamou novamente entrando devagar no quarto — Stella! — ele correu ao vê-la caída no chão próximo à cama — Stella — chamou mais uma vez esperando que ela o respondesse.

Ele conferiu sua pulsação e percebeu que estava fraca, então a colocou na cama cobrindo-a em seguida. — Stella — ele chamava mas não obtinha resposta.

MT — Stella… — ela começou a voltar a si — o que aconteceu? — perguntou preocupado sentado ao seu lado.

SB — Minha cabeça… — falava confusa — dói muito.

MT — Deve ter batido com força. Vou te levar no hospital — disse já se levantando.

SB — Mac, não. Não precisa, vou ficar bem…

MT — Stell… — ele voltou a sentar-se ao seu lado — tem certeza, é melhor irmos ao médico ver se está mesmo tudo bem. Você bateu forte com a cabeça…

SB — Não Mac… só preciso do meu remédio.

MT — Onde está?

SB — Hum… — ela fez esforço para se lembrar — deve estar no armário do banheiro.

MT — Toma — disse voltando com os remédios e um copo d’água — o que aconteceu Stella?

SB — Eu não sei — recostou-se na cabeceira da cama puxando o cobertor — lembro-me de ir me deitar e de repente tudo ficou escuro, eu perdi o equilíbrio e… quando vi você estava do meu lado.

MT — Eu vou chamar um médio — ele insistiu.

SB — Não Mac, fica aqui — ela apertou sua mão — eu estou com medo… fica aqui comigo.


Mac a abraçou forte, envolvendo-a em seus braços por um bom tempo. Ele insistiu por vezes em levá-la ao hospital mas ela teimava em não ir, de que era desnecessário e que aquilo foi apenas um mal estar. Vencido pela teimosia dela, ele deitou-se ao seu lado até que ela adormecesse, estava preocupado com o que poderia ser e demorou a pegar no sono. Enquanto esperava o sono chegar ficou observando-a, acompanhando sua respiração, a expressão de seu rosto… por vezes franzia o cenho demonstrando certo incômodo. Já passava das três da manhã quando Mac começou a ficar embriagado de sono. Tentou dormir mas o roupão o incomodava, decidiu por tirá-lo. O frio o levou a compartilhar o coberto com Stella forçando-o a se achegar mais perto dela. Um certo constrangimento por ambos estares nus tomou conta dele mas o seu sono era maior quando por fim dormiu...