Castle

16 XVI - Barcos de Sal


Notas iniciais
Heyyyyyyyy guerreiros! Aii gente, eu amei esse capítulo! O momento Romanogers ficou muito fofo. Nem tenho tanta coisa pra falar aqui pq quero que leiam rápido! E comentem, lógico. Desculpe a demora! Esse é grandinho pra compensar.

Todo o homem é culpado do bem que não fez. — Voltaiere

Steve

Ouvi batidas na porta que me fizeram levantar a cabeça. Chequei o rosto pálido e desacordado de Wanda antes de me levantar. Abri a porta, e o médico fez uma reverência e passou por mim, indo até a morena. Abriu a maleta, e a examinou novamente.

Sentei, esperando. Ela vestia uma camisola branca de mangas compridas, os cabelos pousavam arrumados sobre os ombros. Seus olhos estavam celados, não pareciam querer abrir, e sua expressão era perturbada.

Esfreguei os olhos, sentindo o coração apertar por ve-la nessa situação. Era meu dever ter cuidado dela, Bucky e Natasha deixaram o que eles mais amam em minhas mãos e ela foi encontrada convulsionando numa poça de sangue de madrugada.

— Isso é bom. — o médico grisalho murmurou.

— O que?

— Não há fatores anormais em seu sistema, nenhum veneno, não me parece ser doença grave. Minha hipótese foi que ela se levantou passando mal, algo como gripe forte, febre, sinusite, e se feriu no escuro. A febre junto com o susto desencadeou uma convulsão. — Ele se levantou, cobrindo-a. — Sua temperatura está alta mas melhor. Mas parece que... Ela entrou em coma.

— Em coma? — Indaguei, encarando-o.

— Sim. Para se recuperar.

Suspirei, jogando o corpo para trás de frustração. Me sentia tão impotente.

— Ela vai acordar?

— Impossível saber. Se acordar, vai ser no tempo do organismo dela.

"Se" ela acordar.

— O melhor a se fazer é monitora-la, temperatura, manter um nível bom de nutrientes, manter a princesa confortavel e rezar.

Assenti, olhando para seu rosto mais uma vez.

— Me deixe entrar! — alguém gritou lá fora. Franzi o cenho, começando a ouvir argumentação dos soldados, mas rapidamente imaginei quem poderia estar fazendo escândalo.

Bufei.

— Melhor você sair. — O médico juntou suas coisas rapidamente, me seguindo até a porta, que em seguida eu abri.

— Até que enfim! Que direito você acha que tem de me proibir de ve-la?

— Se eu deixar você entrar, para de gritar, Bevvan? — Cruzei os braços, e ele soltou um suspiro incontente. Ajeitou a roupa, e passou por mim.

Fechei a porta e observei ele analisa-la. Não como um irmão analisa a irmã, mas como se estivesse de cara com um desconhecido cujo não tem nenhuma empatia.

— Ela está morta?

— Não.

— Que pena. — Ele disse, e eu revirei os olhos. — Vai morrer?

— Não.

— Ah. — Ele se sentou na cama, perto dela. — Você sabe que é sua culpa, certo?

Suspirei, tentando manter a calma com ele.

— Sua e daquele James. Garotas burras, olha o que acontece quando se tem sentimentos. — O ruivo praguejou, cruzando os braços. — Sorte que meu pai não liga para ela, ou ele estaria morto.

— O que você quer aqui, Bevvan?

— Hm. O que você está disposto a me dar pra proteger Natasha?

Senti meu coração palpitar. Raiva borbulhava por minhas veias e eu tive vontade de agarrar seu pescoço agora mesmo.

Mas não pude. Outra confusão lá fora me interrompeu.

— Cadê ela? — Ouvi antes de Bucky entrar no quarto.

Ele soltou todo o ar que segurava, ficando instantaneamente pálido. Não consegui dizer nada, e Bevvan se levantou. Ele parecia prestes a desabar.

Seus passos pesados por conta da armadura vacilaram até sentarem ao seu lado na cama, segurando sua mão delicadamente.

— Wanda.. Meu Deus. — sua voz falhou, e vi seus olhos encherem de lágrimas. Ele olhou para mim, completamente alarmado. As mãos tremendo, os olhos exalando dor. — O que aconteceu?

— Ela está em coma. — Me aproximei dele, me abaixando ao seu lado. — Sinto muito, James... Eu...

— Sai. — Ele disse, e senti como se tivesse me dado um chute.

— Podia ser pior, cabeludo. — Bevvan disse, e eu e Bucky encaramos o ruivo.

— Que inferno é esse, quem é esse cara?

— Eu sou o príncipe Bevvan Romanoff e sou irmã da sua esposa em estado semi morto aí, sugiro que me trate melhor.

— Fica quieto por um segundo! — Explodi, me levantando.

— Saiam daqui! — Bucky gritou, com lágrimas escorrendo de seus olhos, e Bevvan sorriu com isso. Agarrei seu paletó e o puxei de lá. Fechei a porta, largando-o no corredor, e andei rápido até o salão. Se ele sabia, Natasha não demoraria descobrir.

Encarei os recém chegados, dando falta de cavelos ruivos no meio deles. Ah, não, Deus. Não, por favor. Senti minha respiração falhar, o desespero e nervosismo começaram a crescer.

— Cadê ela? — gritei, descendo as escadas como um raio.

— Ela está bem. — Sam me parou, tocando meu peito para me fazer parar. — Ficamos sabendo sobre a condição de Wanda no meio do caminho. E ela... Foi embora. Não quis ninguém com ela, tampouco disse onde iria. — fechei os olhos, respirando fundo. Droga, Natasha.

— Eu sei exatamente onde ela está. Preparem meu cavalo. — Ordenei a um guarda, que assentiu e saiu andando.

— Steve, isso é extremamente imprudente.

— Eu resolvo tudo quando voltar. Não posso deixar ela lá sozinha.

— Cadê o filha da puta do Bevvan? — Um garoto alto com sotaque carregado parou ao meu lado. Seus cabelos eram castanhos como os de Wanda, mas encaracolados. Ele tinha um piercing no nariz, e mandíbula redonda, trincada como se estivesse prestes a bater em alguém.

Ou seja, é definitivamente um Romanoff.

— Você deve ser Tthomas.

— Você deve ser o cara que está noivo da minha irmã.

— Ele está lá em cima. — respondi, temendo que ele virasse um soco na minha boca se eu não o fizesse, e ele sorriu.

— Obrigado, Majestade.

(...)

Cavalguei por cerca de meia hora. Normalmente seria mais tempo de viagem até a cidadezinha, mas eu estava muito rápido. Com medo. Estamos em guerra, ela podia estar em perigo.

Assim que avistei as pequenas casas, parei. Uma das estradas levava diretamente a vila, onde os aldeões tentavam tocar suas vidas em paz, e outra, levava até onde Natasha com certeza estava.

Desci o estreito caminho de cavalo, já avistando. O barco de madeira naufragado na costa do lago de água salgada extremamente bonito e cercado de verde. Natasha sentada em cima delo barco. No mesmo instante, tive um flashback.

"- Nat! Natasha, para! — gritei. Minha voz era muito fina aos dezessete.

E nessa época, a ruiva com quatorze já cavalgava muito melhor que eu. Ela andava muito rápido, eu estava extremamente preocupado de ela se machucar. Em alguns minutos vi ela virar a esquerda, sem ter ideia do que pensava. Virei também, vendo uma vila. E depois, desci a estrada estreita com certo receio de cair. Mas ela, cavaleira astuta, desceu a toda velocidade, e o cavalo acabou tropeçando a a lançou na areia.

— Natasha! — gritei, abandonando o cavalo ali mesmo. Comecei a correr até ela, descendo o morro a toda velocidade, e quando ia alcança-la, ela levantou e correu também. Droga, ela fazia muitas coisas melhor que eu nessa idade. Consegui alcança-la só quando ela entrou num barco abandonado por um furo em seu casco. Entrei também, rapidamente subindo as escadas até o convés. E ela só parou.

Encarando o sol, ela parou. E se sentou na borda, colocando as mãos entre o rosto.

Suspirei, e me sentei ao seu lado, analisando-a. Ela tinha areia por todo o vestido, e os cotovelos cobertos tinham marcas de sangue, assim como os tornozelos, sangue que vinha dos joelhos.

— Você está machucada, Nat.

— Eu sei. Não sou cega. — Ela disse, de modo grosso, e pareceu se arrepender. Então ela me olhou, vendo meus olhos azuis brilhando por causa do sol intenso.

Os dela estavam na mesma situação.

— Ela vai voltar.

— Você não sabe disso. Meu pai mandou prender ela, Steve. Numa torre. Nas montanhas! Ela é doida.

— Mas ela ainda é sua mãe. E vai voltar.

— Talvez eu nem queira que ela volte, mesmo. — Ela fez um bico, cruzando os braços.

— Quer sim. — Ela revirou os olhos.

— Droga, Rogers.

Ri pelo nariz, começando a ajeitar seus cabelos. Tirei um pouco de areia de sua franja, depois rosto, e ela só me observava. Meu toque nela sempre a acalmava. E eu adorava encostar em cada centímetro do seu rosto perfeito.

— Agora que você está arrumadinha ela vai voltar. — Ela sorriu levemente, e só consegui pensar no quanto ela é linda.

— Teve uma vez que ela me deu uma cebola pra comer. — Segurei o riso, apenas olhei para baixo. — Ela fez maria chiquinhas no Matteos, vestiu ele com as roupas da Wanda, alegando depois que achou que era ela. Tudo bem, pode rir.

Sorri, apenas ouvindo-a. Ela sorria também.

— Ela sentou em cima do hamster do Pietro. Com aquela bunda enorme obviamente ele morreu, e Pietro chorou por dias. Bevvan disse que a alma dele foi pra dentro da bunda dela. — Natasha gargalhou, rapidamente me contagiando. Ela parou, olhando para mim de novo. — Ela foi uma mãe ruim. Mas era engraçada. Não queria que ela fosse presa.

Dei um sorriso falso. Naquela época Natasha não sabia que a mãe tinha atirado a criada da janela do próprio quarto.

Segurei a mão de Natasha, subindo sua manga para ver o machucado. Ela fez uma carera quando estiquei tudo.

— Meu pai vai brigar comigo.

— Ele não precisa ver. Só ralou, daqui a pouco sara. — ela assentiu, e continuou olhando pra mim. Não soltei sua mão.

— Posso te beijar?

Arregalei os olhos, esperando a risada, mas ela estava falando sério. Eu quera beija-la. Então assenti. Mesmo ela não parecia saber direito o que fazer.

Mas devagar, ela aproximou nossos rostos. Demorou uma eternidade até nossos lábios se juntarem. Ficamos só nisso por alguns segundos, e eu puxei-a mais para perto de mim. Sua língua pediu permissão, e logo, junto a minha, ela dançava. Senti um fogo que nunca tinha sentido antes, não queria parar.

Ela continou me beijando, comigo agarrado a sua cintura. Era meio errado pela nossa diferença de idade, mas nenhum de nós dois ligou.

Depois, ela sorriu.

— Porque você fez isso?

— Para prticar, ué.

— Praticar pra que? — arqueei uma sobrancelha.

— Pra beijar outras pessoas, dãh!

— Eu sei! Mas ninguém precisa praticar.

— Todo mundo precisa praticar. — revirei os olhos, irritado. Eu queria beija-la de novo, mas ela levantou.

— Vamos nadar. — Ela segurou minha mão, e saímos do barco abandonado. Ela correu para entrar na água, e novamente eu fui atrás. Era sempre assim, eu correndo atrás de Natasha. Brincamos e namoramos na água o dia todo. Depois, a Natasha só me beijou de novo aquele dia na sala de pintura."

Sentei ao seu lado, e ela não me olhou. Era um dia nublado, ao contrário da lembrança. Eu não conseguiria fazer Natasha rir dessa vez.

— O que você está fazendo aqui?

— Eu sempre venho atrás de você, você sabe. — ela não contestou.

— Como sabia que eu estava aqui?

— Te conheço. E eu lembro o que houve aqui.

Ela me encarou e eu a olhei de volta.

— É ruim?

— O médico está otimista.

— O que aconteceu?

Contei a ela, que ficou em silêncio por um tempo. Doía tanto que ela não conseguia falar. Eu vi.

— Não é culpa sua Steve. — Ela me olhou. — Te conheço.

— É sim. Eu.. Devia ter protegido ela. Devia.. Ter percebido se ela estivesse passando mal.

— Wanda é assim. Não conta nada pra ninguém. Não é culpa sua.

Suspirei, fechando os olhos. Ela beijou meu rosto, se aproximando mais de mim. Abri os olhos e só consegui agradecer a Deus por ela estar a salvo.

O mensageiro disse que Natasha estava ferida. As partes de cima de sua armadura estavam no chão, ela estava apenas com a malha de ferro. Abri o zíper em suas costas pela metade, e ela ergueu uma sobrancelha.

— Nada disso, Romanoff. — Eu a reprrendi, e abaixei a malha, revelando um curativo que dava voltas do pescoço até debaixo do braço, e o desloquei um pouco. Ela fez uma careta, fechando os olhos, e meu coração doeu de ver a ferida. Seu braço estava pendurado no pescoço com uma faicha.

— Foi falha minha. Não vi o soldado, e ele achou uma brecha. Bucky me salvou.

Passei meu braço por seus ombros, fazendo ela me abraçar com o braço não ferido.

— Por que eu sou incapaz de chorar, Steve?

— Não sei, Nat.

Eu achava que ela estava segurando. Mas fiquei assustado com ela alegar não ser capaz de chorar. Mas eu queria que nada nunca a fizesse chorar.

Ficamos assim por uns bons minutos. Mas tínhamos que voltar a vida real. Tínhamos que lidar com essa bagunça, e Natasha tinha que saber sobre Bevvan.

— Conheci o Tthomas.

— Que azar.

— Bevvan também. — ela se afastou de mim, me encarando incrédula.

— Não. Não, Deus.

— Sim. Precisamos conversar urgente, Natasha. — Ela fez uma careta, esfregando um olho.

— Vamos voltar. — Levantei, erguendo-a do chão em seguida, e segurei sua mão até chegarmos nos cavalos.

(...)

Tony

Ser rei é difícil.

Te mata aos poucos.

E é pior sem alguém do seu lado.

Eu fiz coisas ruins, coisas necessárias. Me arrependo de algumas. Pepper não é uma delas.

E vendo ela de branco, caminhando até mim eu tive certeza. Nunca fiquei tão certo de algo. Ela é mais do que eu mereço, mais do que eu poderia querer. Ela me atura, não está comigo por interesse e é maravilhosa.

Seu vestido é de uma malha fina, até os pés. Atrás, uma calda enorme se estendia por toda a igreja. O corpete era do mesmo tecido brilhante do resto. O cabelo preso num daqueles penteados complicados que ela adora, a maquiagem fraca. Ela estava simples e deslumbrante.
Seus olhos estavam vidrados nos meus, eu me sentia tremer inteiro. Essa mulher abala todas as minhas estruturas. E eu queria ter pensado em algo romântico para dizer, mas só saiu:

— Você está tão linda que eu abateria esse padre só pra poder transar com você agora.

Ela comprimiu um riso alto, que saiu extremamente estranho, e vi algumas lágrimas que ela seguravam escorrer.

— Espero que sejam lagrimas de felicidade.

Ela sorriu, parando de frente ao padre ao meu lado.

— Hoje, estamos aqui para realizar um matrimônio, uma cerimônia sagrada e inquebrável. Essa jovem se tornará a mulher ao lado do representante de Deus na Terra, ela se tornará rainha de Stark.

— Você pode ir direto ao ponto. — Eu disse, sorrindo, e todos na igreja riram. O padre pareceu absurdamente irritado.

— Duquesa Virgínia Potts, prometeis, ser completamente leal ao país?

— Prometo. — ela sorriu, olhando para mim.

— Duquesa Virgínia Potts, prometeis colocar sempre seu povo a cima de si?

— Prometo.

— Duquesa Virgínia Potts, prometeis ser leal a Deus?

— Prometo.

— Duquesa Virgínia Potts, prometeis, dar a vida a ser rainha?

— Prometo.

— Pelo poder investido a mim por Deus, se ninguém tiver nada contra essa união, eu os declaro, marido e mulher. Rei e Rainha.

E foi a deixa para Zemo entrar. O pai dele, e antes o pai do pai dele realizava todas as cotações, em Romanoff, Rogers e Stark. E agora, é função dele. Ele carregava uma almofada com uma coroa de ouro magnífica em cima. Vi Pepper perder o ar, e sua mãe quase desmaiou. Ela se ajoelhou, com a cabeça erguida, e a banda voltou a tocar uma melodia angelical.

Devagar, ele colocou a coroa em seus cabelos ruivos, e Pepper se levantou. Peguei o Cetro e o Orbe de ouro das mãos do Arcebispo, e devagar, dei-os nas mãos de Pepper. Ela me encarava, incerta, insegura, com medo e apaixonada. Sorri, e ela se virou para seu povo.

— Deus abençoe a Rainha!

Notas finais
Finalmente falamos da mãe da Nat! Coitado do Bucky, cara. Meu coração parte! O Steve vai ter que consolar muito a Nat heheheheh. Gostaram do flashback? Casamento do Tony? Me digam o que acharam!!