Castelo das Lady's Pierce
13 Capitulo 12 - Sede de Sangue
Notas iniciais
A desfrutar de uma noite tranquila na volta da lareira, Esther estava deslumbrada lendo um livro daqueles bem antigos da estante do lado da entrada da grande sala decorada com grandes telas em suas paredes pálidas. Niklaus permanecia quieto no alto da escada brincando com um pendente no cordão do pulso e já Rebekah era a única que por ali fazia algo de melhor, dando ordens as criadas para que deixassem seu vestido mais aplumado e seus cabelos bem mais sedosos.
Tudo estava a mostrar uma tipica familia de humanos, mas bastou pouco mais que uns passos e um cheiro misturado, para mudar tudo. Esther havia sentido aquele cheiro, e já estava do lado da porta a abrindo sem ter o prazer de esperar a criada do lado da escada fazer esse trabalho. É obvio que ela já observava Elijah que trazia Katherine no seu colo.
— O que vem a ser isto? — questionou a mãe olhando a donzela de alto a baixo com desdém, tendo uma rápida percepção que ela era humana. — Ceia para a familia, meu filho! — ironizou ela tirando a mão da porta e dar uns passos mais a frente.
Elijah entrou pousando a sua amada no chão, mas ela parecia temer todos aqueles olhos postos nela, e de facto tinha de temer mesmo, muito mais agora que sabia que ele era vampiro, e supostamente todos eles também.. Portanto, ela não estava perante amadores, mas seres milenáres que num pequeno gesto a podiam matar e ela nem por isso havia perceber.
Katherine temia por sua vida, afinal era uma jovem eternamente apaixonada por um vampiro que por sinal tinha medo, mas não o queria demonstrar. Seu pai em tempos havia lhe ensinado a ser forte e ser fraca agora deixaria por terra todos os bons costumes da familia Pierce.
— Minha mãe, espero que aceite minha Katherine! — começou a discursar Lorde Elijah enquanto pegava a mão dela suave e caminhava para o meio da sala.
Niklaus colocou-se no piso inferior num salto tão rápido e tão estranho que daria a impressão de que se fosse humano estaria no chão e completamente estatelado. Porém, ele estava tão mais intacto que um gato.
— Uma humana, Elijah? — questionou Esther olhando agora de frente para a morena que mostrava um olhar assustado. — Não acredito como tiveste a ousada coragem de contar nosso segredo. — ela não parecia satisfeita com o promissor avanço.
— Não consegui mais guardar esse nosso segredo, não dá para faze-lo quando se está inteiramente apaixonado. — respondeu ele fazendo frente para a mulher diante de seus olhos.
Rebekah já descia as escadas a correr até eles, os seus cabelos estavam tão bem apanhados num lindo arranjo atrás da nuca, apenas uns frações de mexas claras caiam de ambos os lados do seu rosto. Ela oscilava o seu olhar perante os irmãos e a garota. Ela a reconhecia, era a tal rapariga que o irmão não parava mais de pensar e que por todos os cantos da casa suspirava por amor.
— Eu lembro-me de ti! — disse ela inclinando a cabeça. — Elijah o que faz ela aqui? — perguntou em seguida ao desviar seus olhos ao mais velho.
— Rebekah, Niklaus e mãe... — todos o olhavam atentos. — Eu sou apaixonado por Katherine, desde o primeiro dia em que a vi, e não consigo imaginar mais viver a minha vida longe dela. Por isso peço, que me ajudem a protege-la. — pediu ele num gesto cortêz. — Tem mais vampiros na cidade, muitos deles estão dispostos a matar, e não podemos deixar que o nosso segredo seja desvendado.
— Eu concordo com o Elijah, minha mãe. — quebrou o gelo a mais nova dos originais. — Vivemos à 1000 anos escondidos da humanidade, e agora que queremos continuar assim, embora com outros costumes, queremos nos misturar, não podemos sequer dar o luxo deles saberem nossa realidade. — O outro original balançou a cabeça encostando no sofá. — Qualquer um de nós, gosta desta vida, não é meus irmãos?
Ambos se entreolharam, era óbvio que Niklaus tinha sempre outras ideias na manga. Ser amiguinho dos humanos não era a sua prioridade, e sim ele não podia ter o risco de que eles sabendo pudessem deixar o sangue em risco de extinção.
— Com certeza nosso carríssimo irmão mais velho provou que sim com toda a qualidade. — Katherine sentiu-se desconfortável com o comentário.
— Por hora ela fica, mas não me responsabilizo se algo acontecer. — alertou a senhora mais velha que subia os primeiros degraus ao afastar do centro da sala. — Kol está prestes a regressar a cidade e vocês sabem muito bem o que isso significa. — e subiu.
Elijah engoliu em seco as palavras da mãe. Se o irmão problemático e que só procurava vingança estava prestes a voltar, então ele podia ser uma ameaça muito forte para a sua donzela. Todos sabiam que ele não tinha piedade de humanos, e mesmo que houvesse esse tipo de sentimento, ele não pararia a sua sede para proteger alguém que pertencia à familia e que era assim importante.
— E vai começar a sede de sangue.... — comentou o loiro pegando um cálice com whisky, o erguendo para eles. — Alguém aceita?
***
Logo após o jantar, o Salvatore mais novo acompanhou Elena pelo jardim num passeio até ao recinto onde tinham uma pequena fonte de pedra com alguns acentos. Era um ótimo lugar para conversar, embora ela soubesse que a melhor pessoa ali seria Damon, mas ele não estava então precisava ficar apenas pela companhia de Stefan, que só por si era um bom cavalheiro.
— O que tanto querias conversar com meu irmão? — perguntou ele em ato curioso, embora não quisesse intrometer-se.
Ela descalçou uma das suas luvas brancas de seda, e estando com as mãos despidas as mergulhou nas aguas da pequena fonte. O rapaz, observava com delicadeza, vendo o quanto ela era tão bela quanto Katherine, e que embora tão diferentes não deixavam de ser iguais. Elena, levantou os olhos após mergulhar as mãos.
— Apenas o queria ver, conversar como antes, mas eu sei que ele não olha para mim como eu para ele. O que é errado da minha parte, porque uma donzela não tem o direito de se apaixonar sem ser ordenada pelo seu pai. — disse ela ao relembrar alguns dos costumes aprendidos com o pai e sua mãe antes de falecer.
— Se me permite, eu não concordo com essa ideia, embora respeite claro, porque os pais são quem vêem o melhor para os filhos. — clarificou ele assim que ela sentou na pedra enquanto secava as mãos no lençol que ele gentilmente havia dispensado. — Talvez seja só meu modo de encarar a vida, afinal perdi meus pais cedo demais, e desde então sou só eu e o Damon, como parte dos membros da familia Salvatore, que por sinal faz parte de uma das fundadoras da cidade.
A jovem balançou a cabeça ao voltar a vestir suas luvas atenciosa enquanto pousava o lenço sobre seu colo dobrado em 3 partes simétricas. O olhar dela estava todo pregnado na fonte, e ao mesmo tempo que escutava o barulho das arvores esvoaçantes com o vento.
— Talvez seja melhor voltar-mos para dentro! — convidou ele. — Vem! — estendeu a mão para que ela a pega-se e com isso o acompanha-se até dentro onde no conforto podiam continuar a conversar melhor e mais à vontade.
Tempo depois, a noite ia se mergulhando na escuridão, Damon que andava nas ruas cantarolava vitória por ter vencido uma rodada na taberna, onde no dia seguinte ia ter o privilêgio de receber o seu bem dito prémio. Uma garrafa de Bourbon de 100 anos, a melhor da cidade e mais cara.
Ao chegar em casa completamente podre de bêbado, viu que na sala havia visitas e como estava tão alegre cumprimentou todos com um belo e unico sorriso.
— Há, estou a ver que a noite correu bem, Damon! — afirmou Stefan, ao pousar um cálice no tampo da pequena mesa do lado.
— Ganhei um partida! — respondeu ele ao pegar a mão de Elena e a beijar. Obvio que esta corou feito tomate. — Boa noite, Elena! — mas desviu seus olhos até a lareira e sentou no sofá afundando.
O mais novo viu o quanto ela havia perdido o sorriso inicial, e sabia que ela queria muito conversar com Damon, embora desconfia-se que a conversa não seria levada a um tom concordância, mas era necessário deixa-los.
— Se me permitem, tenho um diário para informar! — disse ele ao levantar do sofá e seguir direto para a biblioteca.
Eles estavam sozinhos, tirando o facto de haver uma serviçal na sala, mas para o moreno a presença desta era como se fosse um objecto como tantos expostos no espaço da casa, só serviam para decoração.
— Damon! — Elena quebrou o gelo falando.
Ele olhou ela num virar de rosto em camera lenta. Os seus olhos estavam ligeiramente vermelhos, indicio esse de que estava fortemente controlado pela bebida.
— Sim..
— Como estás? — ela estava nervosa e achava que a melhor forma de começar o discurso era perguntando um "tudo bem?".
— Bem, alegre... e tu? — ela mexeu suas mãos no cimo do colo, suas pernas estavam bem juntinhas.
— Mais ou menos. — acabou por dizer, e baixar o olhar. — Está sendo complicado lidar com a morte de meu pai.
— Sinto muito, mas a vida é assim. — ele parecia pouco preocupado com esse facto. Afinal sua cabeça estava tão giratória, quando um velho gira discos que sempre tocavam na taberna ao final de tarde.
— Eu sei, mas gostava que pudesse ter alguém do meu lado para apoiar-me. — mas ele cortou.
— E vais ter, o que não falta são homens, a querer ter uma mulher como tu para passar os dias e noites. — ela intristeceu, não era aquele tipo de resposta que pretendia.
— É! — limitou-se a responder.
Eles podiam ficar ali naquele vai e vem, se a moça não levanta-se e pedi-se licença dizendo que ia recolher-se. E até ai ele foi imparcial, não perguntando nada mais. Por outro lado, Damon só queria ficar sozinho com sua bebida e aliada de tanta hora perdida. Estar ali deitando conversa fora com Elena não surtia boas ideias.
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