Casos Macabros

14 Caso 14: A imortalidade da Morte


Notas iniciais
Oi, oi, oi!! Finalmente atualizei essa fic rs Esse cap. foi escrito de um jeito diferente, com menos ação do que o costume... enfim, o Jeff está aí novamente!

Deitado na cama de hospital, estava aquele rosto tão conhecido, e simultaneamente, desconhecido. As rugas de expressão marcaram sua face, e eu ficava abismada com isso. Era tão estranho! Ele envelhecera muito. Aos olhos de qualquer pessoa, pareceria que os anos foram duros com ele, enquanto eu ainda não tinha sofrido nada.

A verdade, infelizmente, era outra.

Uma maldição que caíra sobre mim e sobre todos a quem eu amava.

O tempo parara sobre mim. O relógio não corria mais desde a primeira vez em que eu morri.

Em que ponto da minha vida é que eu tinha trazido aquilo para mim?Em que momento eu permiti que ele se apaixonasse por mim, trazendo-me tal desgraça?

Por que?

Só conseguia me lembrar de quando me casei com o homem agora idoso. Éramos tão jovens! Não tínhamos mais de 22 anos quando assumimos nosso compromisso no altar.

Vivíamos felizes, satisfeitos com o que tínhamos, e quando queríamos algo além do que podíamos nos permitir, fazíamos o possível para juntar dinheiro, pouco a pouco.
E quando foi que me dei conta de tal maldição?

Há 10 anos, olhei para meu amado e vi suas costas curvadas, os cabelos (antes tão escuros!) grisalhos, as pernas que fraquejavam. As pessoas que tinham nos conhecido na juventude haviam ido para longe, outras, haviam morrido. Quando caminhávamos juntos, eu ouvia comentários desagradáveis, enquanto outros eram de pena da "filha que está sempre ao lado do pai". É meu marido, não meu pai!, fora tudo o que eu quis falar para eles.

Mas ainda não entendia como aquilo ocorrera conosco.

Foi nesse instante que ele me contou.

Na nossa lua-de-mel, decidimos ir para a Grécia. Nossos padrinhos deram como presente de casamento, e só posso dizer que foram dias maravilhosos.

Entretanto, meu acidente ocorreu nas ruínas de Athenas. Me separei de meu marido por alguns instantes, apenas para fotografar certos detalhes da arquitetura, algo que sempre fui apaixonada. A estrutura de um pilar estava completamente abalada, mas nenhum responsável se lembrara de colocar uma faixa, para evitar que coisas ruins ocorressem. Pois bem, eu estava próxima desse pilar, quando ele desabou. Atingiu minha cabeça e acabei inconsciente. Meu marido viu a cena e correu para pedir ajuda. Voltou pouco tempo depois, com alguns moradores próximos.

Acordei no hospital duas semanas depois. Ao que parece, eu entrara em coma, e as chances de eu acordar, segundo os médicos, ainda eram altas, mas que, muito provavelmente, eu teria problemas de memória.

Eles só não sabiam que eu acabaria ficando jovem para sempre.

Já faz quanto tempo?

60 anos, não?

– Íris.

– Sim?

– Ele está próximo. Posso ouvi-lo...

– Não vou deixar nada te acontecer.

– Não vai adiantar. Meu tempo acabou.

– Vamos ficar sempre juntos.

– Na porta.

Olhei para o lado, e ali estava ele. Usando um jaleco e roupas de enfermeiro.

– Eu sou Jeff. Vim buscar seu marido, Íris.

– Não deixo.

– Você não pode impedir.

– Posso sim. Você não me deixou morrer.

– A sua beleza é melhor quando está viva. Se eu tivesse te levado, seu corpo perderia a juventude, sobrando apenas ossos e carniça. Você está melhor assim. Não envelhecerá nunca.

– Preferia ter envelhecido com meu marido, e morrer junto com ele. Por que não me matou?

– Você é bela.

– Você se apaixonou por mim.

– Isso também. É por isso que não devia ter acordado, você não sofreria a perda de seu amado, e eu poderia vê-la sempre.

– Você é egoísta.

– É assim que vê a Morte, então?

Ele se transformou diante de meus olhos, o capuz preto cobrindo um pedaço do rosto, agora um crânio sem pele, e sua altura aumentara. A voz ficara mais profunda, e as órbitas vazias pareciam sofrer.

– Íris, é isso o que quer? Morrer junto dele?

– Sim.

– Assim será feito...

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Novamente, a Morte se encontra solitária.

E novamente, eu sofro por ter sido um dia humano, e agora, sofro por ser mais do que um humano: uma entidade fadada a solidão e a uma existência inquestionável.

Notas finais
Sei que perdi leitores (oi, alguém aí?), mas continuarei postando. LOL Até a próxima!