Casos Macabros
15 Caso 15: Voz na noite
Notas iniciais
Quando fui dormir aquela noite, o clima estava ameno, apesar de ser verão — época de chuvas e ventos fortes. Sempre fui uma garota que gosta de dormir cedo, para também levantar cedo e ter energia o suficiente para gastar durante o dia. Por isso, meus pais não estranharam eu ir para a cama às 9 da noite.
Gostaria de não ter o sono tão leve.
Eu acordei algumas horas depois, com alguém me chamando e batendo na porta. Pelo menos, era o que parecia, já que eu estava meio grogue de sono e um pouco desorientada. Fui ao quarto da minha irmã mais nova, e vi que estava deitada. Ou talvez estivesse fingindo? Ela sempre teve a mania de levantar no meio da noite e me fazer sair do quarto, apenas para dar um susto. Fui até a cama dela, e verifiquei que, de fato, estava dormindo. Não tinha como uma criança, fingindo dormir, respirar com tanta calma, compasso, e não ter as bochechas rosadas (um indício de que está mentindo).
Voltei para a minha cama.
Como não lembrava com o que sonhei, acreditei que era apenas coisa da minha cabeça.
Virei para o lado da janela, observando a luz dos postes. Um vulto passou, rápido, mas lento o suficiente para me assustar.
Prendi a respiração imediatamente e puxei a coberta até a cabeça.
Vi quando uma mulher — eu acho — parou em frente ao vidro, e bateu de leve. Ela estava me chamando! Eu ouvi meu nome! Fiquei tão apavorada que sai do meu estado de paralisia e não olhei para trás, até chegar ao quarto dos meus pais. Pulei na cama deles, acordando os dois. Meu pai me xingou, é claro, mas eu já tinha começado a chorar, e contei para eles o que eu vi. Ele se levantou, abriu uma escada de alumínio e, do alto do guarda-roupas, tirou uma espingarda (e eu nem sabia que tínhamos uma em casa).
Fomos para o meu quarto, ele na frente e minha mãe segurando a minha mão.
Não tinha nada do lado de fora. Nenhuma marca na terra pra provar que eu não tinha imaginado coisas (minha mãe queria plantar flores embaixo das janelas de casa).
Agora eu tenho 19 anos, e esse acontecimento se passou há 7 anos. Moro em São Paulo, em um apartamento no 8º andar. Mas ainda tenho medo de olhar para a janela durante a noite; por isso, durmo com janelas trancadas a cadeado, mesmo no verão.
Ela não apareceu mais para mim.
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P.S.: esqueci de falar uma coisa. No dia seguinte ao acontecido, minha irmã me parou antes de irmos para a escola e perguntou "Por que você não quis falar com a moça?". Confesso que gelei na hora. Respondi com outra pergunta "Que moça?".
"Aquela que estava na janela."
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