Casamentos Complicados
20 Sam
Notas iniciais
Aqui está mais um capítulo, novamente dedicado à Raquel Skillet, por ter gentilmente recomendado essa humilde fic...
Boa leitura :)
ESSE CAPÍTULO É GRANDEEEE.... EEEEEE!
NARRADOR P.O.V
Assim que a porta se fechou, Sam se virou para encarar a escuridão. Sua missão estava cumprida, agora tudo o que lhe restava era nada.
Sam ignorou seu carro caro — o desejo de todo homem — e saiu andando pela rua escura. O ar estava gélido, estava começando a esfriar. Ele virou uma esquina e logo estava caminhando por uma rua deserta, quase escura, quando uma onde de memórias o tomou.
Ele se lembrou de quando era apenas um garoto que morava em uma fazenda afastada da cidade. A vida lá era boa, é claro, mas ele sentia vontade de ir para a escola, fazer amigos. Bem, fazer o que?
Foi apenas com dez anos que o garoto teve sua chance de ir para uma escola de verdade. Seu pai conseguiu um emprego na cidade e eles se mudaram para Lima, Ohio, e foi em seu primeiro dia de aula que o pequeno Sammy amou a única vez. Ela era uma garota linda, latina, que estava sempre com sua amiga loirinha, e que muito mais tarde ele descobriu se chamar Santana. Santana Lopez, a única.
Apenas aos quinze anos ele conseguiu falar com Santana pela primeira vez. Eles faziam dupla no laboratória de química, mas por algum motivo ela nunca lhe deu atenção. Os olhos castanhos estavam sempre muito ocupados com certa loirinha...
Infelizmente seu sonho de amor adolescente terminou bruscamente quando Santana teve que se mudar e foi embora levando junto seu coração. E ele nuncou soube por que sua paixão latina nunca lhe deu atenção. Quero dizer, até agora.
Sam pensou que seria mais fácil esquecê-la quando não a visse todos os dias, mas, bem, o primeiro amor nunca se esquece.
Foi apenas doias anos depois que eles tornaram a se encontrar, em NY. Santana não se lembrava dele, mas não importava. Eles finalmente se tornaram amigos, como Sam sempre sonhou, saiam e faziam coisas juntos e estava tudo indo muito bem. Mesmo quando Santana se abriu e assumiu sua sexualidade, isso não o abalou. Na verdade, tornava tudo ainda mais fácil. Foi então que aquele dia fatídico aconteceu, e ele soube que jamais poderia se perdoar, que jamais seria o mesmo. Mesmo que tantasse esquecer, aquela memória sempre voltaria, não em seus sonhos, mas toda vez que fechava os olhos, toda vez que piscava, toda vez que se sentia cansado. E assim seria até o fim de seus dias.
De repente, enquanto Sam ainda estava imerso em suas lembranças, um caminhão virou a esquina cantando pneus. Ele se virou em direção ao barulho tentando entender o que estava acontecendo, mas antes que tivesse a chance os faróis o cegaram. Ele até tentou evitar que a claridade chegasse diretamente à seus olhos colocando o braço na frente, mas era inutil. Seus pés estavam colados ao chão, pareciam feitos de chumbo e suas pernas pedaços de madeira podre que começaram a tremer e vacilar. Sam rezou para que o motorista o visse e freiasse, mas no fundo ele sabia que nao aconteceria, porque lá no fundo ele sabia quem estava dirigindo aquele caminhão, e não iria parar até tê-lo morto e enterrado. Naquele momento, ele simplesmente soube. Soube que ia morrer. Era isso, tinha acabado. Não tinha mais jeito.
A frente do caminhão o acertou em cheio e o impacto foi tão forte que ele sentiu todo seu corpo (exceto o rosto, que continuava protegido pelo braço) ser esmagado com a facildade que se esmaga um cupcake. Ele sentiu todos seus ossos se quebrando, como se fossem de passarinho. Algo afiado como dentes de tubarão rasgou a pele de suas costelas e pernas, a dor se tornando insuportável para qualquer ser humano, ninguém nunca deveria passar por isso. Um liquido quente empapou suas roupas ao mesmo tempo em que o impacto do encontrão o jogou para trás com violência. Pequenas laminas afiadas cortaram seu queixo e algumas as bochechas. Sua cabeça latejava, a dor em seu corpo parecia ter triplicado, Tudo doía, tudo machucava.
Dizem que no momento de sua morte, lembranças de toda sua vida passam diante de seus olhos, mas no caso de Sam foi apenas uma única lembrança, a sua lembrança mais valiosa...
Santana tinha comprado um apartamente apenas para si e Sam estava ajudando com a mudança. Ele tinha passado muito tempo tomando coragem para colocar para fora o que se tornava apertado em seu peito, e esse era finalmente o dia.
- Hmm... Ei, San?
- Fale, bocão.
- Será que eu posso te fazer uma pergunta?
- Mais uma? Pode.
Sam reuniu o máximo de sua coragem e perguntou:
- Você seria capaz de amar uma mulher... hã... diferente?
Santana o encarou, pela primeira vez, com sinceridade no olhar.
- Sam, se algum dia eu amar, vai ser pra valer. Não vai importar a raça, religião, nem mesmo se ela for casada. Amor é amor.
No instante seguinte ele sentiu seu cranio se chocar contra o asfalto, amaciando sua quedo do pior jeito possível. Ele se sentiu como Harry Potter se sentiu quando Voldemort fazia suas travessuras, como se seu cranio estivesse rachando ao meio. Algo quente e melado escorreu por sua nuca, mas ele estava entorpecido demais para descobrir o que era. Agora tudo estava ficando escuro, seu corpo todo ardia em dor e implorava por algum alívio, qualquer coisa que fizesse a dor parar. O liquido quente empapava toda sua roupa, seus cabelos, estava em todo o lugar.
Santana Lopez... Ele a mava tanto, tanto... Queria tanto suportar a dor e continuar vivo para protegê-la... Ele a amou, a única mulher, em toda sua vida...
E enquanto seus olhos se fechavam para a escuridão, aquela memória lhe veio a mente... A memória que sempre voltaria, não em seus sonhos, mas toda vez que fechava os olhos, toda vez que piscava, toda vez que se sentia cansado. E assim seria. Até o fim de seus dias...
Notas finais
Beijooos ;)
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