Casamento por obrigação
28 Capítulo 26
Era uma tarde daquelas quentes na fazendo, na qual os mosquitos faziam a festa ao ter sangue fresco para saborear. As roupas grudavam no corpo de tanto suor. Dentro daquela cabana que servia de escola, a situação não era muito melhor. Beatriz com uma trança enorme caindo por suas costas e Karina de rabo se abanavam mesmo vestidas com vestidos chita, tamanho o calor, enquanto anotavam as lições no quadro negro. E a coisa não melhorava muito, pois além do clima quente, a sala improvisada com alunos, Armando estava ali, bem em frente a elas, esquentando ainda mais o ambiente para as duas, que não paravam de implicar e jogarem indiretas uma para a outra.
O turno estava terminando, quando, Marcela chegou de surpresa a ver Armando. Não gostava nada que ele desse aula com as duas como colegas. Achava que Beatriz não passava de uma sonsa abusada, uma empregadinha que se achava com direitos e agora muito mais metida porque era bonita, a ponto de seu irmão Daniel estar de namorico com ela. Mas a que mais preocupava era a tal da Karina. Com certeza, aquela loira tinha algo com Armando. Por isso, não se intimidou e tratou de abraçá-lo na frente até dos alunos.
—O que faz meu noivo aqui? -beijo
—Dando aula, Marcela! Que coisa!
—Você não precisa! É o dono! Deixe que as “professoras” dão. Para isso as tem aqui trabalhando!
—Sabe que é uma satisfação dar estas aulas.
—Sei. Deve estar se satisfazendo com outras coisas!
—Que cruz!
Betty assim que viu Marcela chegar, já havia passado a frente de modo a sair sem nem ao menos se despedir de Armando e muito menos ver a cara de debochada de Karina, que embora não gostasse da noiva dele também, sabia que ela estava chateada.
Mas como dissemos antes, o dia era de muito calor, assim que ao passar pelo rio, Betty não resistiu, e foi fazer o que havia planejado fazer com Armando: tomar banho de rio. Como fazia desde criança. Virou para um lado e para o outro e como não tinha ninguém, tirou o vestido, pendurou-o na árvore e foi nadar no rio. Naquele mesmo rio, quando crianças, ela, Armando, Mário, Marcela, Maria Beatriz se banhavam nos dias de calor e Armando tinha que defendê-la dos bullyings que faziam por suas roupas de banho fora de moda.
Mas estes dias já eram passado, agora exibia uma bela forma, embora, ainda fosse a mesma Beatriz doce e simples de sempre.
Assim, ao caminharem em direção à casa, com Marcela, grudada no braço de Armando não pode deixar de reparar no belo corpo da jovem que tomava banho, no rio. Não podia sair de seu assombro. Já a havia visto várias vezes assim. Já havia sentido aquele corpo no seu colo. Mas cada vez seus seios pareciam mais redondos e maiores, suas coxas pareciam palitões grossos que escondiam um tesouro maior. Um tesouro que não queria que ninguém ousasse desfrutar. Estava excitado, mas não podia dar na vista, Marcela estava por ali e se percebesse, não ia deixá-los em paz, enquanto não a mandasse embora da fazenda.
—__
Assim, ficou pensando naquela aparição até chegar em casa, onde iria jantar com seus pais e Marcela. Realmente, estava muito calor naquela tarde e daria tudo para também poder tomar um banho de rio com ela.
—O que foi que está tão aéreo?
—E-eeu, estava pensando no no ...
—Com certeza no nosso casamento.
—Si-sim, no casamento. Que outra coisa pensaria?
Neste momento, Beatriz se materializou frente a eles, com o vestido seco, mas o cabelo enorme todo molhado, acabando por molhar o chão da sala dos Mendoza.
—Mas olha só isso! Parece um pinto molhado! -disse Marcela, com deboche e raiva
—Er... desscul-pe não sabia que tinham visitas. Desculpe-me!
—Tudo bem, Betty. -disse don Roberto, amavelmente. Camila e Armando várias vezes entravam assim depois de tomarem banho no rio, Betty era como uma sobrinha.
—Visita aqui é você, sou a noiva dele! Quando nos casarmos, não permitirei mais estas coisas.
—MARCELA! Não tem porque falar assim com Beatriz! -disse Armando, tentando se controlar, aquela ninfeta o estava deixando fora dele mesmo
—Ah que agora também vai permitir este abuso por parte dos empregados?
-Betty não é uma empregada, também nasceu e foi criada nesta casa, como Mário e eu!
—Ora essa!
—O que está acontecendo aqui?
—Margarida, pensei que sabia dar modos aos empregados! Veja esta! Está com este cabelo molhado, achando-se dona da casa.
Betty queria sair para chorar em seu quarto, mas neste momento chega don Hermes.
—O que está acontecendo aqui?
—Ah! Que bom, o senhor precisa dar modos à sua filha!
—O que fez, Beatriz Aurora?
—Nada com que se preocupar, don Hermes. Acontece que Beatriz apenas tomou um banho de rio, também com o calor que está fazendo. Confesso que por pouco não convidei Marce para fazer o mesmo. -disse Armando.
—Ah isso! -Aliviou-se Margarita
—Fala como se não fosse nada!
—Mas não é nada! Tomávamos banho neste rio todos os dias quando crianças, lembram-se? Você também com Maria Beatriz.
—Sim, mas éramos só crianças, eu não sabia que Beatriz era a filha do caseiro.
—Hermes é muito mais que isso. É grande amigo meu!-disse Roberto
Marcela ri debochadamente, pois acha que o quase-sogro está dizendo isso só porque ele está ali para não magoá-lo, por ser um bom empregado.
—Bem...
—Beatriz Aurora!
—Vou me recolher. Dona Margarita, don Roberto, me perdoem. -disse Betty com lágrimas, correndo e procurando cobrir-se com o vestido
—Beatriz Aurora, Volte aqui! -ordenou Hermes.
Mas a moça não voltou, não queria ouvir os repreendas de seu pai, já estava muito desgostosa de ver Marcela de braços dados com seu namorado de sonho de toda a vida. Além disso, estava com medo que Daniel aparecesse naquela reunião para perturbar ainda mais. Para Armando, foi um alívio. Estava se segurando como nunca para não abraçá-la e dar-lhe um beijo na boca.
—___
Seu Hermes era o mais perturbado de todos, apesar de sempre ouvir de Roberto que era um bom amigo, sabia que classe social era algo que dividia as pessoas, pois embora passassem horas conversando e bebendo, não compartilhavam da mesma mesa e gostos, como Roberto e Júlio Valencia faziam. Por isto, estava tão iludido que D Valência estivesse interessado em sua filha. Tanto que nem pensava o porquê disso.
Quando Marcela foi ver coisas com Dona Margarida e Roberto chamou Hermes para tomar umas doses de vinho. Armando aproveitou para ir até o quarto de Betty se desculpar pelo que Marcela havia falado.
—Desculpe a mim, por causar-lhe tantos problemas com sua noivinha!
—Marcela é assim mesmo. Sabe que não a suporto. Você tem tanto direito a nadar no rio quanto eu. Esta fazenda está em nome de minha família e você foi criada aqui e não ela.
—Eu sei, mas... É melhor que eu não vá mais. Ela está assim, pois pensa que vai se casar com você e vai ser dona também da fazenda Mendoza! E aí ai de meus pais!
—Não vão tocar em um fio de cabelos deles! Te prometo. Olha, quero que continue...
—O quê?
—Tomar banho de rio e...
—Não sei como sabe.
—Eu sei porque a vi tomando e estava junto de Marcela.
—Ai que vergonha.
—Vergonha nenhuma. Estava muito calor mesmo. Eu mesmo teria te acompanhado se Marcela não tivesse comigo.
—Como no outro dia?
—Sim.
Ela emocionada o abraça e roçam os lábios.
—Não sei como pode ser noivo da mulher mais chata que conheço. Vocês não tem nada em comum.
—Eu sei, mas... A fazenda.
—Se eu tivesse esta grana te livraria disso.
—Me compraria?
—Não! Assim não tem graça. Comprar um noivo! Se eu tivesse esta grana, pagava esta dívida para te livrar do compromisso, para que fosse livre para seguir seu caminho, mesmo que... significasse...
—O quê?
—Vê-lo rodeado de muitas mulheres. -disse sofrendo -Se fosse feliz.
—Oh, Betty... Você tem um coração puro e generoso. Merece o melhor.
Ele a abraçou
—E sei o que quero; -disse abraçando-o mais forte, mesmo que impossível.
—Fique bem!
—Vou ficar.
Ele deu um beijo doce e saiu com sorriso nos lábios.
Ao fechar a porta, não deu cinco minutos e encontrou a noiva na cozinha
—Onde estava?
—Marcela! Me dá cada susto.
—O que estava fazendo?
—Namorando, imagina. Não está vendo?
—Não duvido nada. Todas o querem. Mas você é meu!
Armando virou os olhos. Odiava que ela falasse isso. Não se sentia dela, nem de ninguém. Era um homem de alma livre, não amava ninguém, só estava preso pelo comromisso que seus antepassados firmaram, estava preso pelo amor à fazenda, embora, seu sonho mesmo fosse voar, fosse a fábrica na Capital.
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