Casamento de Julho
3 Vingança
ROMANCES MENSAIS
LIVRO VII – CASAMENTO DE JULHO
CAPÍTULO II — VINGANÇA
— Eu vou matar a Elena! — Esbravejo, arrancando as minhas fotos que estavam espalhadas pelos murais principais da universidade. Oliver segurava o riso e me ajudava a tirar.
Oliver Queen é meu melhor amigo desde que nasci. Assim como eu, ele faz parte da família Barton e nossos pais são melhores amigos também. Ele é como um primo ou irmão para mim e sempre estamos juntos. Fosse nos momentos de festa ou de humilhação, como agora. As pessoas passavam por nós e riam ao ver a foto ridícula que Elena fez questão de espalhar.
— Que pipiu adorável, Damon! — Brinca um dos estudantes, passando por nós. Viro-me para ele e mostro meu punho e minha expressão nada amigável, fazendo o rapaz se encolher. — Desculpa!
— Se alguém comentar mais alguma coisa sobre essas fotos, eu farei questão de mostrar para vocês o porquê de ser chamado de Diablo Mortal. — Ameaço alto o suficiente para todos que estavam por perto ouvirem. Meu olhar e meu tom de voz parece surtir efeito, porque logo todos se afastam, evitando olhar em meus olhos. Volto a encarar meu melhor amigo, que me encarava divertido. — Eu realmente vou matar Elena. E de uma forma bem dolorosa.
— Você nem sabe se foi ela mesmo. — Responde Oliver, retirando uma das centenas de fotos que estavam no grande mural de notícias da faculdade. — Você não tem provas de que foi ela quem fez isso. Poderia ser qualquer pessoa.
— Você está mesmo dizendo isso? — Questiono, erguendo minha sobrancelha. — Coincidentemente, essa foto é a mesma que Elena tirou quando aprontou aquela vingança comigo e me fez sair correndo pelado, achando que a casa estava pegando fogo...
— A culpa é sua por dormir pelado. — Interrompe Oliver, pegando a última foto do mural.
— E coincidentemente, somente os membros da família Barton tinham essa foto. Levando em consideração que ela é a única pessoa que teria coragem e motivos para fazer algo assim comigo. — Digo, entredentes. — Maldita!
— Ainda bem que você sabe que deu motivos. — Comenta meu melhor amigo, encarando-me com um sorriso divertido.
— Que gracinha. — A voz de Caroline me surpreende. Viro-me para a garota loira, que segurava uma foto minha e encarava com um sorriso divertido. Devolvo o olhar nada amigável e ela ri maliciosa, entregando a foto. — Até que deu uma crescida.
— Eu tinha dez anos! — Exclamo, cansado de ter que justificar a maldita foto que revelava muito mais do que deveria.
A foto foi tirada em um dos acampamentos de tio Clint. Elena ficou com raiva depois que eu estraguei a boneca preferida dela. Como vingança, ela construiu uma máquina de fazer fumaça com Sara e levou para o meu quarto de madrugada. Enquanto eu dormia, ela gritou que a casa estava pegando fogo. Eu acordei assustado e ao ver toda a fumaça em meu quarto, eu não pensei duas vezes antes de sair correndo. O problema é que eu sempre dormi pelado e ela aproveitou o momento em que eu saí do quarto para tirar essa foto.
Além de estar sem roupa, eu ainda estava com o cabelo nas alturas e os olhos arregalados com as mãos na cabeça. Eu estava visivelmente prestes a chorar, enquanto procurava por tio Clint. Naquela noite, Elena e eu fomos duramente repreendidos por causa de nossas vinganças, sendo obrigados a trabalhar durante uma semana em uma plantação de milho. Depois disso, aprendemos a pegar mais leve em nossas brigas quando estávamos nos acampamentos de tio Clint.
— O que você fez para a Elena ter pegado tão pesado assim na vingança dela? — Questiona Caroline, ajeitando a mochila em suas costas.
— Não disse? — Resmungo para Oliver que ri, jogando as fotos no lixo. — E eu não fiz nada demais.
— Ah, para, Damon. Está querendo jogar essa sua cara de santo para cima de mim? Logo eu que te conheço há mais de vinte anos? — Ironiza a loira, observando-me com atenção.
— Ele fez o teatrinho dele em público e fez ela parecer ser uma mãe drogada que abandonou a filha e o marido para se entregar as drogas. — Conta Oliver, aproximando-se de nós.
— Cruel. — Comenta Caroline, rindo. Sorrio, relembrando de como ela ficou furiosa ao ter os olhares julgadores da multidão. — Soube que seu pai se casou com a tia Isobel. Como se sente sendo o irmãozinho dela?
— Nós não somos irmãos. — Resmungo, frustrado. Faço sinal para irmos à sala. Caroline e Oliver me seguem, sorrindo irônicos. — E não poderia ser pior. Ela e a tia Isobel se mudam para minha casa hoje. Eu juro que eu estou para enlouquecer. Nós vamos nos matar até o dia acabar.
— Você é sempre tão dramático. Já pensou em fazer teatro? Você faria sucesso. — Brinca Caroline, rindo. Suspiro e reviro os olhos, incomodado. — Além disso, vocês falam que vão se matar, mas convivem nos mesmos ambientes há mais de vinte anos. Vocês compartilham os mesmos amigos e são sobrinhos de Clint. Se não se mataram até hoje, eu tenho certeza de que vocês vão se pegar em algum momento, enquanto...
— Não começa. — Interrompo a garota, que me encara entediada.
Caroline Forbes é vizinha de Elena desde que elas eram bebês. As duas também estudavam juntas e isso colaborou para que elas se tornassem melhores amigas. Em meio aos aniversários de Elena, nós acabamos nos tornando amigos também. Caroline tem a estranha obsessão de nos ver juntos desde que éramos crianças e mesmo depois de termos transado, ela continuava a achar que Elena e eu formaríamos um lindo casal.
— Mas vocês vão morar juntos! É um ambiente perfeito! Tudo conspira para unir vocês dois. — Insiste a loira e eu me viro para Oliver, pedindo algum apoio e ele apenas ri, dando de ombros.
— Não viaja, Carol! — Exclamo, dando um peteleco na testa da garota, que resmunga e massageia o local. — Se nunca aconteceu nada entre nós nesses anos em que nos conhecemos, não vai ser agora que vai acontecer.
— Nunca se sabe...
— E eu preciso falar com você no intervalo. — Interrompo Caroline, antes que ela continuasse a me incomodar com suas ilusões. Ela me encara curiosa. — Preciso que confeccione algumas roupas para os meus alunos participarem do campeonato que está para acontecer. Eles estão nas finais e precisam estar com roupas adequadas.
— Claro. — Concorda a loira, animada. — Eu nem acredito que eles chegaram nas finais.
Aproveitando-me da minha experiência em lutas, eu me tornei professor em uma comunidade carente de Hawkins. Todos os dias eu vou para a Isle of the Lost, uma região perigosa da cidade, para treinar boxe com adolescentes de dez a dezesseis anos. Eles são jovens em estado de vulnerabilidade social e o esporte tem os ajudado a mudar a realidade deles.
Treiná-los também me ajuda a manter minha mente no lugar. Eu sempre tive o temperamento difícil e por causa disso, eu acabava resolvendo tudo com os punhos. Até que tio Clint me ensinou a transformar minha raiva em esporte. Assim, me apaixonei pelo boxe e, mesmo seguindo pelo caminho errado por um longo tempo, eu aprendi o prazer de ensinar e mudar a vida de alguém para melhor com meus conhecimentos.
— É incrível mesmo. Não vejo a hora de Joseph e Charles levantarem os cinturões. — Comento, orgulhoso. Ela ri e me abraça de lateral.
— Estou muito orgulhosa de você. — Afirma a loira, sorrindo com doçura.
— Obrigado. — Agradeço, envergonhado.
— Bem, eu preciso ir para a sala agora. No intervalo nós conversamos sobre os detalhes, mas pode contar comigo. Farei calções que farão todos ficarem de queixos caídos. — Responde Caroline, afastando-se com seus olhos brilhando em animação.
— Até mais. — Despeço-me e Oliver acena, sorrindo para a garota. Viro-me para meu melhor amigo e passo os braços por cima dos ombros dele. — É melhor nós irmos para a sala ou iremos nos atrasar.
— Vamos lá. — Concorda Oliver, puxando-me para irmos para o prédio de medicina.
[...]
Eu tinha a sensação de que estava falando com a parede ao notar que depois de tudo o que eu falei, Oliver continuava a dar respostas vagas e desinteressadas. Nós estávamos em nossa lanchonete preferida da universidade durante o intervalo e ele parecia estar em outro mundo. Bufo e o observo. Sorrio e decido me aproveitar da sua distração.
— E você deveria pintar o cabelo de rosa e raspar as sobrancelhas. – Afirmo, mexendo no copo de refrigerante a minha frente.
— Verdade. – Responde Oliver, com o pensamento distante, enquanto encara as duas fatias do sanduíche de Monte Cristo. Ele então pisca algumas vezes e levanta os olhos para me encarar. Acabo sorrindo com ironia ao ver que ele tinha concordado. – Espera. O quê?
— E aqui temos a prova de que você não estava ouvindo nada do que eu estava falando. – Resmungo, suspirando. Bebo um pouco de meu refrigerante e roubo uma das fatias do sanduíche que estava em seu preto. Mordo um pedaço, apreciando o sabor. Oliver me encara com repreensão e eu não consigo evitar suspirar, devolvendo a fatia ao prato. – Deixar que eu dê uma mordida em seu sanduíche é o mínimo que você tem que fazer depois de me deixar falando sozinho por horas.
— Foi apenas uns vinte minutos e você estava apenas fazendo drama sobre o fato de seu pai ter se casado com a mãe da Elena. – Responde Oliver, puxando o prato para mais perto, impedindo que eu pegasse mais. – E você sabe que eu não divido a minha comida. Principalmente se for sanduíche de Monte Cristo. Sem exceções.
— Você é insuportável. É só a droga de um sanduíche. – Reviro os olhos e me jogo na mesa, frustrado. – E não é drama. Será que não entendeu nada nesses vinte e quatro anos em que você convive com a gente? Elena e eu não conseguimos nem mesmo respirar o mesmo ar sem que a gente queira se matar. E agora, do dia para a noite, meu pai decide se casar pela sexta vez...
— Sétima. — Corrige meu melhor amigo, dando uma mordida em seu sanduíche.
— Sétima vez com a mãe dela. Isso era a última coisa que poderia acontecer. — Choramingo, pensando o quanto isso seria difícil de lidar.
— Pensei que gostasse da tia Isobel. — Comenta Oliver, encarando-me confuso.
— Eu gosto da tia Isobel. — Afirmo, suspirando.
— Então qual o problema? — Bufa o rapaz de maneira impaciente.
— Qual parte do sétimo casamento e eu e Elena não nos suportamos você não entendeu? A tia Isobel é uma ótima pessoa, mas não acho que seja uma boa ideia ela e o meu pai se casarem. Eles só começaram a conversar de fato há dois meses! Não quero que meu pai machuque a tia Isobel. Minha relação com a Elena já é um inferno. Não preciso de mais motivos para nos odiarmos. Eu mal suporto o Stefan. Agora eu também terei a Elena como irmã? Isso definitivamente não pode acontecer. — Respondo, decidido. Oliver me lança seu olhar tedioso.
— Por acaso já passou por sua cabeça que essa pode ser a chance de vocês se darem bem? A Elena não é um membro da família Barton à toa e você sabe muito bem disso. Esse ódio nunca fez muito sentido mesmo. Ela é uma garota muito legal e já está na hora de vocês crescerem e aprenderem a conviver. E sobre o casamento do tio Giuseppe, ele já se casou muito mais rápido que isso. Não se lembra da vez que ele se casou com a mulher vinte e quatro horas depois de terem se conhecido? E só demorou isso, porque eles precisaram esperar o cartório abrir e aprovar toda a documentação. — Relembra meu melhor amigo e eu acabo tendo que assentir, contrariado. — Apenas pare de ficar se martirizando antes da hora e seja mais aberto e sincero com a Elena. Você tem a irritante mania de afastar as pessoas com a desculpa de que é para protegê-las, quando na verdade você tem medo de deixá-las te conhecerem e acabar se machucando. Você sabe que a Elena não é assim. Então confie mais nela e deixe de ser babaca.
Não era que eu realmente odiasse Elena. Como Oliver disse, ela é um membro da família Barton. A família criada por tio Clint com todas as crianças que ele tem como sobrinho por serem filhos de seus melhores amigos e que vê que possuem algum talento a mais. Elena realmente não é uma pessoa qualquer. Mas eu já havia trazido problemas demais para a nossa família. Por mais que eu deteste admitir e que eu tenho certeza de que nunca direi isso em voz alta, Elena é a pessoa mais corajosa que eu conheço. Ela é impulsiva e não se intimida por qualquer coisa. E é exatamente por isso que preciso mantê-la afastada de mim e de todos os meus problemas.
Eu a conheço bem. Se descobrir todos os problemas em que eu estou envolvido, Elena não vai pensar duas vezes antes de se meter e tentar me ajudar. Porque ela é irritantemente filantropa. Já consigo até mesmo visualizá-la enfrentando meus inimigos para dar lição de moral. Suspiro e encaro Oliver, sentindo o incômodo de pensar que agora que iremos morar juntos, o quanto será difícil mantê-la distante de meu mundo.
Resolvo mudar de assunto. Relembro que Oliver estava estranho desde que chegou na universidade. Sua mente parece estar em outro lugar. Repenso sobre o que poderia ter espaço deixado assim e recordo de que ele havia me contado sobre como seu filho havia desaparecido no parque de diversões, enquanto conversava com a diabólica namorada dele.
Oliver descobriu no mês passado que é pai de uma criança de cinco anos. Tudo aconteceu de forma bem incomum. Ele fez uma doação de sêmen depois de perder uma aposta para Tommy e eu, assim que entramos na faculdade de medicina a seis anos atrás. Coincidentemente, a mãe da criança é uma das aprendizes do pai de Oliver no hospital da família Queen, o IU Health Methodist Hospital.
Felicity Smoak planejava nunca revelar a paternidade do filho, mas por causa de uma doença grave no fígado, ela teve que ir até Oliver e contar que precisava que ele doasse uma parte do fígado dele para salvar a vida do garoto. A notícia pegou a todos de surpresa, mas Oliver concordou e ainda exigiu participar da vida do filho. Desde então, eles têm estado bem próximos. Tanto que até mesmo saem em encontros de família.
Eu conhecia meu melhor amigo o suficiente para saber que ele estava gostando da pediatra. Infelizmente, Oliver é teimoso demais para admitir seus sentimentos e ainda tem a irritante e mau caráter de sua namorada, Laurel Lance. Eles estão em um relacionamento repleto de problemas há dez anos. E eu não via a hora dele finalmente enxergar que a mulher certa para ele é a mãe do filho dele e não a megera de sua namorada.
— E o que foi que aconteceu? Ainda se culpando por Tony ter desaparecido enquanto conversava com a bruxa da Laurel? — Pergunto, observando-o.
— Não. — Responde Oliver, desviando o olhar para o seu sanduíche.
— Então o que foi? Você está o dia todo com o pensamento longe. Pensei que estaria feliz depois de ter um dia em família com o amor da sua vida e o seu filho. Por que está com essa cara de enterro? — Questiono, analisando meu primo de consideração por alguns instantes. Ele desvia o olhar e eu posso ver que ele estava confuso e inquieto. — Espera um pouco. Olha para mim, Oliver.
— O que foi? — Indaga Oliver, encarando-me apenas por alguns segundos, antes de voltar seu olhar para o sanduíche. Ele dá uma grande mordida e eu logo entendo o que se passava em sua mente. Eu o conheço muito bem.
— Aconteceu alguma coisa entre você e Felicity. — Suponho, sorrindo. Oliver para de mastigar e me encara com os olhos levemente arregalados. Não consigo evitar que meu sorriso se alargasse ainda mais ao ver que eu estava certo. — Eu sabia! Vocês se beijaram!
— Não. Nós não nos beijamos. — Sussurra, tenso. Oliver suspira e finalmente corresponde ao meu olhar. — Nós quase nos beijamos na roda-gigante. Por causa da maldita... digo, por causa de um raio que caiu, nós nos assustamos e acabamos caindo em si. Logo começou a chover e tivemos que correr para um abrigo com Tony, que estava dormindo na hora.
— Entendi. Então você está frustrado porque queria beijar o amor da sua vida e isso não aconteceu. Ao mesmo tempo está se sentindo culpado porque ainda namorada a pessoa que eu já falei que era para você ter terminado há anos. — Resumo, entendendo o que de fato tinha acontecido entre eles. — E pelo seu olhar de incômodo, eu estou certo. Só queria deixar registrado aqui que eu avisei. Você está apaixonado pela Dra. Felicity. Seus olhos já não conseguem mais mentir, Oliver. Você precisa ver a forma como você a encara. Como se ela fosse... fosse... fosse um sanduíche de Monte Cristo feito com o waffles do jeito que você gosta.
— O quê? — Pergunta Oliver, confuso e envergonhado.
— Não vem com essa. Você entendeu o que eu quis dizer. — Acuso, sorrindo convencido dele. Ajeito minha postura na cadeira e o observo com seriedade. Oliver também se senta melhor, parecendo nervoso. — Agora que já sabemos que já esclarecemos seus sentimentos e você finalmente entendeu que você não sente nada pela Laurel, vamos começar a organizar a festa que iremos fazer para o fim do seu relacionamento com ela. Estou pensando em uma festa pequena com umas duzentas pessoas. Espalharemos fotos e montagens dela pelo local e as pessoas poderão perfurar a cara dela ou fazer aqueles desenhos nela. Também podemos fazer uma versão dela em papelão, fazer uma fogueira e queimar a meia-noite. Tipo uma forma de se livrar das bruxas. Por fim, soltaremos fogos de artifícios e beberemos como se não houvesse um amanhã em sua homenagem.
— Você não leva nada a sério. — Resmunga e eu acabo rindo de sua frustração.
— Foram dez anos aturando a bruxa. Ela infernizou a minha vida e atrasou a sua. Está na hora de se livrar dela. É o início de uma nova vida. — Celebro, animado por finalmente o ver livre da maldita namorada. — É um momento histórico, irmão. Eu preciso comemorar.
— Eu não vou terminar com a Laurel. — Responde Oliver e eu acabo batendo meu corpo de refrigerante na mesa, encarando-o frustrado. Eu não conseguia acreditar no que esse idiota estava dizendo.
— Como é que é? Desculpa. Acho que a frase certa era: eu vou terminar com a Laurel. Você é tão engraçado, Oliver. — Ironizo, voltando a me encostar na cadeira.
— Você ouviu direito. Eu não vou terminar com a Laurel. — Repete Oliver e eu urro, frustrado. Soco a mesa e o encaro em desespero.
— Qual é o seu maldito problema, Oliver Jonas Queen? Você está com a faca e o queijo na mão, aí você me enfia a faca nos olhos e o queijo na bunda? Isso é algum tipo de transtorno psicológico? Porque eu realmente não consigo entender. Laurel já te traiu, destruiu seu carro, sua televisão, seu computador, seu Xbox e os troféus que recebeu das competições que já participou, fez escândalo de ciúmes na faculdade, matou o seu gato, quer controlar cada passo que você dar, falta pisar na sua cara e você continua insistindo nesse relacionamento ridículo. — Ao relembrar algumas das muitas merdas que Laurel tinha feito contra Oliver, eu fico ainda mais furioso. Como ele podia ser tão idiota?
— Damon...
— Não. Para, Oliver. Acabou. Para de ser otário. Está na hora de cada um seguir seu caminho. Não tem lógica você continuar com esse demônio na sua vida quando você tem a possibilidade de viver um grande amor com uma mulher bonita, inteligente e que sua família ama. Vocês têm um filho incrível e podem construir uma família espetacular. Até o Ben conseguiu se livrar da insuportável da Audrey e você continua com a Laurel. Ele pelo menos tinha a desculpa de estar sendo chantageado. E você? Qual é a sua desculpa? Por acaso você é masoquista? — Questiono, relembrando de um de nossos primos da família Barton. Os pais de Audrey são responsáveis por um tratamento que tem surtido efeitos extraordinários na doença incurável da mãe de Ben e por isso ela o tem chantageado para conseguir que ele seja namorado dela.
— Eu... — Suspira Oliver, parecendo intimidado. Ele tenta se recompor e me encara incomodado. — Quando ela me salvou de mim mesmo assim que... bem, eu prometi que ficaria com ela até que ela se cansasse de mim. Você sabe que eu...
— Ah, pelo amor de Deus, Oliver. Você está me dizendo que eu tenho suportado a cara da Laurel durante todos esses anos por causa de uma promessa que vocês fizeram quando você tinha acabado de perder a sua namorada aos catorze anos? — Respiro fundo e balanço a cabeça, negativamente. — Olha, eu entendo que ela foi importante para você naquele momento. Mas você não pode continuar insistindo em uma relação fadada ao fracasso por causa de uma promessa infantil. É a sua felicidade que está em jogo aqui, Oliver.
— Eu não...
— Eu sei. Eu sei. Você não quebra as suas promessas. — Interrompo Oliver mais uma vez e pego em minhas mãos, encarando-o com seriedade. Eu esperava que ele finalmente entendesse o que ele deveria fazer. — Mas dessa vez você vai quebrar. Então você vai sair daqui e vai se encontrar com a Laurel. Você vai olhar nos olhos dela e vai dizer: acabou, vadia. Cai fora. Adeus. Goodbye. Au revoir. Arrivederci. Tschüss. Sayonara. Namaste. Annyeong. Selemat jalon. Adiós. Para. Desiste. Desgruda. Desapegar. Desaparece. Me deixa, me erra, me larga, me deixa em paz. Esquece que eu existo. Larga o osso. Game Over. Xeque-mate. Vai embora. Vai para a puta que pariu. Some. E se você ainda não entendeu, eu estou terminando com você. Isso mesmo. Estou chutando você.
— Há quanto tempo você tem decorado esse texto? — Pergunta Oliver, surpreso com a velocidade que eu havia dito o meu texto de despedida.
— Desde que ela chutou um cachorro na minha frente. A partir desse momento, eu decidi que ela é o demônio e a pessoa que eu mais odiaria na minha vida. Então no momento em que você finalmente abrisse os olhos, diria essas lindas palavras para mandá-la ir a merda e se livraria desse espírito maligno que é ela. — Respondo, sorrindo ao imaginar como seria bom destruir a vida da bruxa. Oliver ri e puxa suas mãos, voltando a comer seu sanduíche. — Enfim, você vai terminar com ela ou eu terei que fazer isso por você? Pensando bem, eu até gosto da segunda opção. Seria mais cruel. Já sei. Manda mensagem terminando com ela e depois eu vou lá dizer o meu texto de término para ela. Sim. Isso é ainda melhor.
— Deixa de ser babaca. Eu não vou terminar com ela. Então podemos esquecer tudo o que eu disse e focar no meu trabalho de Traumatologia? Eu vou precisar da sua ajuda. — Pede e eu bufo, inconformado.
— Eu não. Você que é filho de donos do hospital. Se vira! Você já me ignorou mais cedo, não quis dividir o seu sanduíche, não quer terminar com a Laurel e agora vem querer me obrigar a te ajudar com o seu trabalho? — Resmungo, cruzando os braços.
— Eu faço um festival de fast food para você. — Propõe Oliver e eu o encaro com os olhos semicerrados.
— Você acha que pode me comprar com comida? — Questiono com seriedade, ainda que a resposta fosse afirmativa. Eu apenas esperava conseguir mais pontos com Oliver.
— Você vai poder escolher tudo o que eu vou fazer para você e chamar quem você quiser para participar. — Oliver sorri como se aquela fosse uma oferta única.
— Tudo bem. Faremos o trabalho amanhã. — Concordo, sorrindo animado. Oliver cozinha muito bem e já faz um bom tempo que ele não faz um festival de fast food. — Eu vou chamar nossos primos, Felicity e Tony. E sabe quem não vai?
— Quem? — Questiona, dando um sorriso discreto.
— A Laurel. Aquela com quem você deveria terminar. — Retruco e ele ri. Noto então que nosso amigo de infância resolveu aparecer, depois de nos ignorar por quase duas semanas. Ele parecia receoso. — Tommy Merlyn.
— Oi pessoal. — Cumprimenta Tommy, sentando-se ao meu lado.
— Veio mais uma vez agir como um babaca e dizer que Oliver é egoísta por assumir o filho dele? — Ironizo, relembrando as merdas que Tommy havia dito a Oliver. Ele suspira, cansado. — Porque se veio fazer isso, é melhor ir embora, porque eu estou bem irritado hoje e você sabe. Eu posso ser bem cruel quando eu saio do sério. Então pense bem antes de dizer merda.
— Eu vim me desculpar com o Oliver. — Resmunga Tommy, encarando Oliver.
— O quê? Você veio se desculpar? Comigo? — Pergunta meu melhor amigo, surpreso. — Por quê?
— Ontem eu... eu encontrei com a sua mãe no hospital. — Começa o rapaz, parecendo um pouco deslocado. Troco olhares com Oliver e voltamos a encarar Tommy. — Nós conversamos um pouco e... — Ele suspira, parecendo não saber o que dizer. — Olha, eu sei que estava sendo um babaca e...
— Você jura? — Questiono, sarcástico. — Acho que ninguém percebeu isso.
— O que eu quero dizer é que eu não deveria ter te chamado de egoísta. Você está assumindo a paternidade do seu filho e isso é admirável. Eu só... só fiquei com inveja. — Confessa Tommy, desviando o olhar para encarar as próprias mãos. — Eu sei que isso não justifica e não tenho orgulho de dizer isso, mas eu sempre... sempre amei a Laurel. Mesmo quando vocês começaram a namorar. Eu tentei esquecer meus sentimentos por ela, mas parece que não importa quantos anos se passem, eu continuo gostando dela. E isso é uma droga, porque eu não deveria. Eu sei que eu não deveria, mas...
— Tommy, calma. Respira, cara. — Oliver interrompe Tommy. Ele então respira fundo e encara Oliver com preocupação e culpa. — Você... quer que eu termine com ela?
— Sim. Todos nós queremos. — Respondo, sorrindo convencido para Oliver. Ele me lança um olhar repreendedor, mas eu não me importava.
— O quê? Não! Eu sei que a Laurel nunca vai gostar de mim. Ela te ama, Oliver. Eu sei que ela é difícil de lidar, mas a Laurel realmente te ama. E eu quero que ela seja feliz, ainda que não seja comigo. — Afirma Tommy, suspirando.
— O que é que vocês tanto veem na Laurel? — Questiono, entediado. — Tudo bem que ela é bonita, mas a personalidade dela a deixa feia.
— Você não entende! — Retruca Tommy, inconformado.
— Tem razão. Eu não entendo. E sendo sincero, eu prefiro nem entender. — Respondo, levantando-me da mesa. — Eu vou procurar a Caroline. Quando for embora, me avisa. Eu vou com você.
— Tudo bem. — Concorda Oliver e eu aceno em despedida.
Eu não estava com cabeça para continuar naquela conversa estressante com Oliver e Tommy. Deixo a praça de alimentação e pego meu celular para mandar mensagem para Caroline. Eu precisava mesmo explicar sobre como eu planejo fazer as roupas de meus alunos. No entanto, enquanto perguntava a loira onde ela estava, acabo me esbarrando em alguém. Por reflexo, seguro a pessoa pela cintura, impedindo que ela vá de encontro ao chão.
Assim que finalmente consigo me estabilizar, encaro a pessoa em meus braços e me surpreendo ao reconhecer os olhos chocolates feroz me encarando com intensidade. Ela então me empurra e no mesmo instante me lembro do acontecimento de mais cedo.
— Você vai pagar caro pelo que fez! – Exclamo, furioso. Ela ri e se aproxima de mim, levando seu dedo indicador ao meu peito.
— Quero ver você tentar. – Responde, ameaçadora. Elena então se vira para mim e me encara com petulância. — Eu posso ser bem cruel quando eu quero. Então, eu no seu lugar tomaria cuidado, afinal, a partir de hoje, nós dividiremos o mesmo teto. Nunca se sabe o que pode acontecer. Eu posso sem querer acabar cortando alguma coisa importante. — Ela olha para meu membro e volta a me encarar, esboçando um sorriso perigoso em seus lábios. — E eu acho que você não vai gostar disso.
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