ROMANCES MENSAIS

LIVRO VII – CASAMENTO DE JULHO

CAPÍTULO VII — OCTÓGONO

Um pouco mais de uma semana se passou desde que Damon e eu saímos para pesquisar sobre os serviços que iremos precisar no casamento. De alguma forma, conseguimos chegar a um consenso de quem são os convidados e o local da cerimônia. No entanto, Damon continuava a me evitar como se eu estivesse com uma doença contagiosa.

Ele dormiu a semana inteira na casa de Oliver e nos intervalos da faculdade, ele sempre dava um jeito de desaparecer. Para organizarmos o casamento, tudo o que ele fazia era me mandar mensagem e e-mails com os orçamentos que havia feito e detalhes das partes com as quais ele havia ficado responsável. E todas as vezes que eu tive a sorte de esbarrar com ele nos corredores do prédio de medicina, o babaca fazia questão de começar a se agarrar com a primeira garota que aparecesse.

Minha mente não para de pensar na cena que presenciei quando me dei conta de que estava indo na direção errada e que meu carro estava estacionada no outro lado da avenida. Ver Damon enfrentar um desconhecido com uma arma apontada para si, como se já estivesse acostumado com aquela situação me assustou. No entanto, depois de tentar entender o que estava acontecendo e não obter nenhuma resposta, eu estava possessa. E era exatamente por isso que eu marchava determinada em direção a praça de alimentação.

— Damon está envolvido em coisas erradas. Eu irei segui-lo hoje a noite e preciso que vocês me deem todo o suporte ou pelo menos descubram alguma informação sobre o local para onde ele vai. — Afirmo, sentando-me na mesa onde estavam Cait e Caroline.

As duas garotas me encaram confusas. Caroline termina de morder seu sanduíche, enquanto Cait bebia seu café. Por alguns instantes, tudo o que minhas amigas fazem é mastigar e beber, enquanto me observavam sem reação.

— Cait, Caroline! Como vocês estão? Me desculpe por ter ignorado vocês a semana toda. — Ironiza Cait, colocando o copo de café sobre a mesa. — Ah, Elena. Não tem problema. Eu entendo. E estou muito bem, obrigada.

— Eu estive ocupada com o planejamento do casamento dos meus pais. Vocês sabem disso. — Resmungo, cruzando os braços. Cait ri e Caroline termina de engolir seu sanduíche.

— Uma hora você diz que odeia o Damon, outra hora nos manda mensagem dizendo que precisava conversar um assunto urgente conosco e quando chega aqui, você fala que vai seguir o Damon hoje a noite e que devemos descobrir informações sobre o local para onde ele vai? O que realmente passa na sua cabeça, Elena? — Questiona Caroline com um sorriso malicioso. — Por acaso, você finalmente percebeu seus sentimentos por ele?

— Eu estou falando sério. Damon está envolvido em alguma coisa muito ruim e algo perigoso vai acontecer essa noite. Por isso preciso descobrir o que é antes que algo de ruim aconteça. — Explico e as garotas parecem ficar ainda mais confusas.

— Do que você está falando, Elena? No que o Damon está envolvido? O que ele vai fazer essa noite? E por que você precisa segui-lo? — Pergunta Cait, encarando-me como se eu tivesse perdido a razão de vez.

— Vocês se lembram quando eu sai com ele para irmos ao centro fazer os orçamentos no centro de Hawkins? — Indago, aproximando-me mais das duas garotas, que após uma rápida troca de olhares, também trazem suas cadeiras para perto de mim.

— O dia em que vocês foram expulsos de quatro lojas por agirem como dois animais? — Relembra Caroline, dando um sorriso divertido. Cait ri e leva a mão a boca para se controlar, depois de receber meu pior olhar. Reviro os olhos, odiando lembrar da humilhação que sofri naquele dia. Por que eu tive que abrir a minha boca? — Sim. Nós lembramos. O que tem esse dia?

— Depois de... bem, depois de sermos expulsos da quarta loja, Damon e eu discutirmos. Como eu estava furiosa com ele, eu decidi ir embora antes que eu o esganasse até a morte. O problema é que em meio àquela multidão do centro na hora do rush, eu acabei ficando perdendo meu senso de direção e fui para o lado contrário ao que estava o meu carro. Eu fiquei ainda mais irritada nessa hora e refiz o caminho. No entanto, assim que chego ao ponto onde Damon e eu havíamos nos separados, noto que ele não estava sozinho. Eu me escondi atrás de uma placa que estava bem próxima dele. Não sei o motivo de ter feito isso, mas nesse momento percebi que Damon estava conversando com um homem que pressionava uma arma contra a barriga do dele. — Revelo, surpreendendo as duas garotas.

— Como assim? Era um bandido? Ele se machucou? — Questiona Caroline, assustada.

— Não. Quer dizer, eu não sei. Talvez ele fosse mesmo um bandido, mas naquele momento, ele não parecia querer roubar o Damon. Na verdade, eles até mesmo pareciam se conhecer. Ele aparentava ser apenas um pouco mais velho que nós. Tinha olhos intimidadores e a forma como ele falava me dava calafrios. Se não me engano, o nome dele era Kai. Mas o que mais me surpreendeu foi o fato de Damon mesmo estando na mira da arma, ele não parecia ter medo algum. Até mesmo enfrentava aquele homem perigoso. — Conto, relembrando do diálogo entre os dois homens.

— E então? Damon deu uma surra nele? — Pergunta Cait com curiosidade.

— Por sorte, não. O cara estava armado. Já pensou a tragédia que teria ocorrido se eles começasse a brigar no meio da avenida das lojas de casamento bem na hora do rush? — Estremeço só de pensar no assunto.

— O que esse maluco queria então? — Questiona Caroline, ansiosa.

— Aparentemente, Damon tinha machucado um homem chamado Ceifador que lutaria para dar dinheiro a ele. Por causa disso, Kai estava furioso e foi atrás de Damon para tirar satisfações. — Respondo, mordendo meu lábio inferior ao lembrar das palavras do homem. — Ele sabia sobre o casamento de minha mãe com o tio Giuseppe. Eu não sei como ele descobriu, mas Kai insinuou que nos mataria e tornaria a festa deles uma carnificina. Damon ficou furioso e mesmo com a arma contra o queixo dele, ele ameaçou esse Kai e isso parece ter surtido algum efeito. Eles combinaram então que o Damon iria para algum lugar hoje. Kai também disse que ele não podia se atrasar e muito menos perder.

— Perder o quê? — Pergunta Cait, pensativa.

— Damon disse alguma coisa sobre luta, então acho que é alguma briga. — Explico, suspirando frustrada. — É por isso que eu tenho certeza de que ele está envolvido em alguma coisa muito perigosa. Eu passei a semana toda tentando descobrir o que ele tanto esconde, mas o maldito tem me evitado durante todo esse tempo. Acreditam que ele dormiu a semana inteira na casa de Oliver apenas para evitar falar comigo? Ele ainda tem coragem de ficar se agarrando com as garotas da faculdade todas as vezes que tentei me aproximar dele. Como ele consegue ser tão... tão babaca? E qual o problemas dessas mulheres de permitirem que um boçal como ele as beije? É inacreditável!

— Eu senti uma pitada de ciúmes nessa última parte ou eu estou ficando louca? — Insinua Caroline, sorrindo maliciosa.

— Com certeza ela está com ciúmes. — Concorda Cait, trocando olhares com minha amiga de infância. Bufo, ainda mais irritada.

— Ciúmes do quê? Vocês só podem ter batido a cabeça. — Retruco, irritada. Cait e Caroline trocam olhares mais uma vez e começam a rir, divertindo-se com a minha expressão nada satisfeita. — Eu não tenho ciúmes do Damon. Eu o odeio!

— Se você o odeia tanto, por que está querendo ir atrás dele? — Indaga Caroline, analisando-me com um sorriso presunçoso.

— Porque eu... eu estou preocupada. — Resmungo, desviando o olhar.

— Você o odeia e está preocupada com ele? — Repete Cait, risonha. — Depois reclama quando o Damon a chama de louca. Assim não dá, Elena. Ou você o odeia ou você se preocupa com ele. Não dá para sentir as duas coisas pela mesma pessoa ao mesmo tempo.

— E quem disse que eu estou preocupada com ele? — Questiono, desviando o olhar. Penso em alguma forma de me justificar, mas isso só faz minhas melhores amigas alargarem ainda mais seus sorrisos. — Eu... eu estou preocupada com a minha família. O tal de Kai nos conhecia muito bem. Eu não posso simplesmente ignorar as ameaças que ele fez contra minha mãe, tio Giuseppe, contra mim e todos os convidados do casamento.

— Sei... — Ironiza a garota, deixando claro que não acreditava em minhas palavras.

— Você realmente planeja seguir Damon com a gente? — Pergunta Caroline com curiosidade. — Acha mesmo que isso dará certo?

— Não precisam ir comigo. Eu não quero colocá-las em perigo. Como eu sei que Damon deve ter ordenado que os rapazes escondessem o que está acontecendo de mim, eu esperava que vocês descobrissem alguma pista com Barry e Oliver sobre o local que ele vai hoje. Eu vou segui-lo e...

— Você acha mesmo que iremos deixar você correr perigo sozinha? — Cait me encara com seu olhar determinado. — Nós iremos com você, Elena. Eu não confio nos membros da família Barton. Vocês parecem ímãs de confusão.

— Além disso, você acha que perderíamos a chance de ver você demonstrado toda a sua preocupação com Damon? — Brinca Caroline, abraçando-me de lado. Rio e reviro os olhos. — Nós estaremos o tempo todo com você.

— Obrigada. — Agradeço, respirando fundo para controlar todas as fortes emoções que mexiam comigo naquele momento.

— E então? Qual é o plano? — Pergunta minha colega de trabalho, sorrindo com ansiedade.

— Pelo que me lembro, ele dará aula hoje na Isle of the Lost. Nós o seguiremos de lá e torcer para que ele nos leve até o local da luta, já que eu não consegui descobrir onde será e existe a possibilidade de vocês não conseguirem arrancar nada de meus primos. — Respondo, pensativa.

— Não parece um plano tão bom assim. — Comenta Caroline, voltando a comer seu sanduíche. Cait assente, concordando.

— E vocês possuem um plano melhor? — Pergunto e elas se encaram, antes de dar de ombros, demonstrando não possuírem nada em mente. — Foi o que eu pensei. — Resmungo, apoiando meus cotovelos sobre a mesa, colocando meu queixo sobre minhas mãos cruzadas. — Apenas confie em mim. Não importa o que aconteça, hoje eu vou descobrir o que tanto Damon Salvatore esconde de mim ou eu não me chamo Elena Gilbert.

[...]

— O que a Ally e a Mal estão fazendo aqui mesmo? — Pergunto, enquanto encarava as duas garotas que estavam no banco de trás ao lado de Cait.

— Eu não vou deixar vocês se arriscarem sozinhas na Isle of the Lost. Nós nem mesmo sabemos para onde Damon está indo. — Responde Ally, cruzando os braços.

— Isle of the Lost é a minha segunda casa, então, depois que a Cait contou o que vocês planejavam fazer, eu não podia deixar vocês virem para cá sozinhas. Além disso, eu estou curiosa para saber o que Damon planeja fazer. — Lanço um olhar repreendedor para Cait, que se encolhe, desviando o olhar.

— A Mal pode ser bem persuasiva quando quer. — Cait tenta se justificar, arrancando risadas de Ally e Mal.

Suspiro, frustrada. Eu não queria envolver as garotas nisso. Eu nem mesmo faço ideia do que esperar desse lugar que estamos prestes a ir. Eu já estava nervosa e preocupada demais. Não precisava de mais um incentivo para me deixar mais apavorada. O que eu farei se as coisas saírem do controle? Eu serei capaz de proteger as quatro?

— De qualquer forma, Damon está saindo. Vamos segui-los. — Alerta Caroline, apontando para o grupo de jovens e crianças deixavam a academia de luta criada por Damon e alguns outros moradores da região, sempre despedindo-se com carinho do professor.

Observamos Damon, acenar em despedida e trancar a academia improvisada da Isle of the Lost. Assim como eu planejava, um pouco mais de meia-noite, Damon deixou o local em seu carro. Esperando ele ganhar uma distância segura para que não notasse nossa presença e ainda fosse possível ver em que direção Damon ia, não demoro muito a ir atrás dele. Meu coração batia acelerado e eu sentia que ele poderia sair pela boca a qualquer momento.

No som do carro passava uma música qualquer, mas estávamos nervosas demais para dizermos qualquer coisa. Damon continuou adentrando a região mais perigosa da cidade, seguindo por ruas cada vez mais escuras e mal-encaradas. Cerca de quinze minutos depois, nós chegamos a uma espécie de galpão abandonado.

Haviam vários carros próximos ao local e uma música alta tocava, enquanto várias pessoas dançavam e se embebedavam em meio a confusão. Damon se perde entre os carros e a multidão que estava espalhada pelo terreno abandonado. Estaciono o carro em um lugar qualquer e descemos do carro, completamente atordoadas com o ambiente.

— Deem as mãos e fiquem perto de mim. — Aviso, quando todas se reúnem. — Não sabemos o que pode acontecer.

As garotas assentem e logo todas nós estávamos de mãos dadas, enquanto tentávamos encontrar algum caminho ou alguma pista que nos dissesse do que toda aquela multidão e gritaria se tratava. E conforme adentrávamos aquilo que mais parecia ser uma festa, mais o cheiro forte de suor, bebida, drogas e poeira invadia nossos sentidos. As vozes se misturavam com o som alto da música que ecoava pelo galpão. Era possível ver as pessoas trocando dinheiro e gesticulando como se tentassem se comunicar em meio ao intenso barulho que nos cercava. Nós continuávamos a ser espremidas pela multidão.

— Elena, eu acho melhor a gente ir embora. Eu não estou com um bom pressentimento desse lugar. — Comenta Caroline, gritando na tentativa de superar o alto som que ecoava.

— Caroline tem razão. Eu não estou gostando nada desse lugar. — Concorda Ally, temerosa. Ela se encolhe ao ser empurrada por um homem que pulava como um louco ao som da música eletrônica que passava. Mal se aproxima mais da amiga e a puxa para mais perto, para evitar que ela esbarrasse em mais algum sem noção.

— Já chegamos longe demais para irmos embora agora. — Afirmo, determinada. — Nós precisamos encontrar o Damon e descobrir que lugar é esse.

— Olá, gracinhas! Por acaso estão perdidas? — Um homem alto e magricela nos aborda, sorrindo malicioso, enquanto segurava um copo de bebida na mão. Ele tira o cigarro da boca e exala a fumaça, voltando a nos encarar com seus olhos de águia. — Eu posso ajudar vocês, se quiserem.

— Estamos bem, obrigada. — Afirmo, apertando a mão de Caroline, que estava logo atrás de mim.

— Vocês já fizeram suas apostas? — Grita o homem, próximo de mim. O forte cheiro de cigarro invade meu olfato e acabo virando o rosto, enojada com o odor. Ele traga um pouco mais de seu cigarro e não parecia disposto a nos deixar passar. — Hoje a disputa está bastante acirrada. Confesso que não faço ideia de quem vai ganhar.

— Do que você está falando? — Pergunto e nesse momentos as garotas se aproximam mais, interessadas em saber o que aquele homem dizia.

Antes que o homem nos respondessem, surpreendo-me ao sentir alguém pegar em meu braço. Viro-me, pronta para dar um soco no idiota que me segurava, mas arfo ao reconhecer o olhar repreendedor de Oliver, que se coloca a nossa frente e dar a sua encarada intimidadora. Isso parecer ser o bastante para fazer o magricela a minha frente arregalar os olhos e sorri sem graça, não demorando a desaparecer em meio a multidão.

— O que vocês estão fazendo aqui? Enlouqueceram? — Grita Oliver para que todas nós ouvíssemos. — Esse lugar não é seguro!

— Que lugar é esse? Onde está o Damon? — Questiono, ignorando as perguntas de Oliver.

— Vocês precisam ir embora. — Afirma Oliver, apreensivo. Ele olha em volta e me puxa pelo braço. — Vamos. Eu vou chamar um táxi para vocês e...

— Onde está o Damon, Oliver? O que está acontecendo aqui? — Insisto, puxando meu braço de volta. Oliver bufa, frustrado.

O som agudo de um megafone ecoa pelo lugar. O ruído pega a todos de surpresa e logo a música é desligada. O som agudo é ligado mais uma vez, fazendo com que eu sobressaltasse, assustada, à procura de onde vinha aquela rajada sonora que maltratava meus ouvidos. Todos se calam e vejo um homem subir em um ringue que eu não havia notado até aquele momento com o megafone em mãos. Arregalo os olhos ao reconhecê-lo como aquele que havia ameaçado Damon. Kai sorri daquele jeito perigoso que faz os poros do meu corpo ficarem em alerta.

— Sejam bem-vindos ao Octógono ou como eu gosto de chamar: a arena das melhores e mais sangrentas lutas! — A multidão grita, eufórica. — Eu sou Kai Parker. Sou eu que faz as regras e convoco as lutas. As apostas terminam assim que um dos oponentes estiver inconsciente. Vocês não podem encostar nos lutadores, ajudar, mudar a aposta em meio a luta e muito menos invadir o ringue. Quem ousar quebrar minhas regras será esmagado, espancado, triturado e jogado para fora daqui sem qualquer dinheiro. E isso vale também para as meninas! Então, não tentem usar suas putas para quebrar o sistema, babacas, ou eu terei o prazer de ensiná-las a seguir as regras. Agora, vamos ao que interessa!

Os espectadores gritam mais uma vez. As pessoas jogavam suas bebidas para o alto e a fumaça de cigarro e drogas se misturavam de maneira enjoativa, enquanto todos os meus poros me alertavam do perigo.

— Que cara nojento. — Comenta Cait, furiosa.

— Esse lugar não é para vocês. Vão embora enquanto Kai ainda não notou vocês. — Insiste Oliver, parecendo cada vez mais preocupado. — O Damon me mata se descobrir que vocês estão aqui.

— Onde ele está? — Pergunto, apreensiva. Eu não estava gostando nada daquele lugar. Oliver desvia o olhar e nesse instante, os gritos se tornam mais intensos.

— E aqui estamos com a luta mais aguardada do Octógono. Cachorro Louco versus Diablo Mortal. — Grita Kai em seu megafone e nesse momento, surpreendo-me ao ver Damon subir no ringue com um outro homem igualmente ameaçador. — Preparem-se! Essa luta promete!