Casamento de Julho
9 Luta
Notas iniciais
ROMANCES MENSAIS
LIVRO VII – CASAMENTO DE JULHO
CAPÍTULO VIII — LUTA
Aplausos e gritos eufóricos se espalhavam pelo galpão abandonado. Em cima do ringue, sob a luz de fortes holofotes, minha mente parecia em branco. Eu tinha ciência da ansiedade da torcida e de como todos esperavam por uma luta intensa e sangrenta. Kai se coloca entre Cachorro-Louco e eu, sorrindo satisfeito ao ver a quantidade de pessoas que havia atraído para assistir a luta.
— E do meu lado direito, nosso lutador de luta livre, conhecido por seu poderoso e violento soco, o astro do Octógono, Cachorro Louco! — Grita Kai no megafone, enquanto levanta o braço de um de seus melhores lutadores.
O público assoviava, gritava e vaiava, variando suas reações pela presença do homem. Adam Hogsett, o odioso Cachorro Louco, sorria convencido e dava pulinhos, aquecendo-se. Ele me lança um olhar desafiador e começa a fazer gestos, insinuando que acabaria comigo. Kai sorri discretamente, animado com as reações das torcidas. A multidão então começa a se acalmar, quando ele abaixa o braço de Adam. Kai se vira para mim e me lança aquele olhar significativo. Permaneço compenetrado, tentando manter minha mente no lugar. Kai troca o megafone de mão se aproxima mais de mim.
— E do meu lado esquerdo. Ele, que desperta o medo em nossos lutadores mais perigosos, com seus ataques brutais e velozes, nosso lutador que dispensa apresentações, o eterno Diablo Mortal! — Anuncia Kai, erguendo meu braço. Uma explosão de gritos e sons eufóricos ecoam pelo galpão. Adam parece não gostar da recepção muito mais calorosa do que a dele. Sorrio de lado e o encaro pelo canto do olho.
— Eu vou acabar com você. — Ouço Adam falar para que apenas Kai e eu o ouvíssemos. — Finalmente terei a minha revanche.
— Boa sorte. — Respondo, sem realmente me importar com suas palavras, mas isso parece soar como um desafio para Adam, que precisa ser segurado por Kai para não iniciar a luta antes da permissão dele. Permaneço na minha, ignorando o chilique de Adam.
Tudo o que eu queria era acabar logo essa luta e ir para a casa. Eu estava exausto e irritado pela minha recente discussão com Oliver. Ele não queria que eu lutasse e acabou vindo ao Octógono para me impedir, o que gerou ainda mais culpa dentro de mim. Eu não queria meu melhor amigo envolvido mais uma vez nesse universo, implorando para que eu parasse de arriscar a minha vida e me dizendo o quanto estava cansado de me ver afundar cada vez mais nesse mundo sem volta.
Quando Kai consegue finalmente controlar o temperamento de Adam, ele o solta. O responsável pelo Octógono nos lança aquele sinal de que estava na hora de lutarmos. O público continuava a vibrar e a falar ao mesmo tempo. A luta nem mesmo havia se iniciado, mas as pessoas já estavam aumentando suas apostas.
— Agora que foram feitas todas as apresentações, vamos ao que realmente importa. — Anuncia Kai pelo megafone em sua mão, afastando-se de nós. Adam e eu damos um passo para trás, colocando-nos em posição de luta. Um som agudo deixa o megafone, silenciando o público. Kai sorri com malícia e levanta o braço. — Comecem!
Adam é o primeiro a atacar, enquanto eu assumo uma posição mais defensiva. No entanto, surpreendo-me ao sentir o impacto de seu soco em meu baço. Mordo o interior de minha bochecha para não demonstrar a dor que sentia e me afasto para me recuperar. Ele estava usando um soco inglês em sua luva meio dedo de proteção. Aquele maldito estava disposto a usar golpes baixos para garantir que me venceria. Mas o que mais me deixava furioso naquele momento era ver o sorriso irônico de Kai. Ele estava por detrás daquilo.
Volto minha atenção para meu adversário e penso na melhor estratégia para ganhar de Adam. Já fazia um bom tempo que eu não tinha um adversário tão forte e o soco inglês com certeza me deixava em grande desvantagem. O principal problema é que Adam conhece bem meu estilo de luta. Diferente dele que tem se aprimorado suas técnicas na luta livre, eu era apenas um treinador juvenil de boxe, que tinha que lidar algumas vezes com os homens de Kai, que me perseguiam para me fazer voltar ao Octógono. Por isso, eu tinha que ser cuidadoso em meus ataques.
Adam volta a avançar contra mim. Felizmente, apesar de não ter desenvolvido bem as minhas técnicas de ataque, lutar na rua me fez melhorar a flexibilidade de meu corpo e os meus reflexos, por isso, eu conseguia desviar e dar alguns golpes que mesmo não surtindo tanto efeito quanto eu gostaria, ainda eram o suficiente para cansá-lo. No entanto, eu sabia que não dava para continuar apenas na defensiva. Eu tinha que levar aquela luta para o chão e criar vantagem com o meu peso e agilidade.
E quando eu finalmente colocaria minha estratégia em ação, sinto alguém de fora do ringue puxar o meu pé, fazendo com que eu perdesse um pouco do equilíbrio e baixasse minha guarda. Adam aproveita o meu deslize para agarrar meu pescoço e me puxar para acertar vários socos em meu rosto. Ele me apertava intensamente, fazendo com que fosse difícil de respirar e o impacto brutal de seus punhos de ferro me deixavam ainda mais atordoado.
Aos poucos, eu estava começando a perder a consciência. Os socos de Adam se tornavam cada vez mais brutais. Ele pressionava minha traqueia propositalmente, fazendo com que o oxigênio aos poucos parasse de circular pelo meu corpo. Eu tentava me manter acordado e pensar em uma forma de escarpar de seus ataques, mas pensar era quase impossível naquela situação.
— Damon!
Um grito feminino ao longe ecoa em minha mente. Eu não sabia se essa era uma tentativa de meu subconsciente de me fazer continuar lutando ou algum delírio pela falta de oxigênio. O fato é que aquela voz ao longe que se assemelhava tanto a de Elena me faz ganhar forças para dar uma cotovelada nas costelas de Adam. Ele urra de dor e afrouxa seu aperto.
Não perco tempo e puxo seu pescoço, fazendo-o se inclinar para frente. Quando ele estava prestes a cair, acerto uma joelhada em seu rosto, que o faz cambalear para trás, atordoado. Respiro fundo, tentando recuperar meus sentidos. Adam avança mais uma vez contra mim, mas dessa vez, flexiono meu joelho esquerdo e, com um impulso, lanço minha perna direita em direção do rosto do desgraçado, acertando sua mandíbula.
Com Adam no chão, desfiro diversos socos contra seu rosto. Eu sentia uma fúria sobre-humana percorrer as minhas veias e toda a adrenalina assumir o controle de meus movimentos. O maldito flexiona os joelhos e me empurra para se livrar de meus ataques. Ele então acerta um soco em meu rosto, atordoando-me por alguns instantes. No entanto, diferente da outra vez, não dou chances para Adam me atacar novamente.
Cansado daquela luta, encaixo meu quadril para ganhar o impulso necessário para desferir um poderoso soco rumo ao pescoço. Agilmente, acerto o espaço entre os ossos das clavículas, na base do pescoço. Com a faringe afetada, interrompendo por alguns segundos a respiração dele, Adam cai no ringue com um som oco ecoando pelo galpão, que momentaneamente havia se silenciado. O nariz de Adam sangrava intensamente, manchando ainda mais o chão já sujo de sangue. Apoio minhas mãos sobre meus joelhos, arfando em busca de ar, esperando algum veredito da luta.
Kai entra no ringue e se direciona a Adam. Demonstrando um pouco de receio, ele leva o indicador e o dedo médio a artéria carótida. Kai pressiona a região do pescoço por alguns instantes, conferindo se ele estava vivo. Enquanto isso, todos permanecem em silêncio, apreensivos com os resultados e provavelmente surpresos com a brutalidade de nossa luta. Endireito-me e recebo um olhar satisfeito de Kai.
— Ele está vivo. — Anuncia Kai, levantando-se. Ele se aproxima de mim e pega meu punho direito, puxando um pano vermelho de seu bolso. Com um olhar de desprezo, Kai joga o pano sobre o corpo nocauteado de Adam, antes de se voltar para mim, erguendo meu braço. — E o campeão da noite é o Diablo Mortal.
A multidão explode em gritos eufóricos. Algumas pessoas vibravam em comemoração pelo resultado da luta. Outros de decepção pelo dinheiro perdido naquela noite. Encaro o rosto sorridente de Kai. Seus olhos azuis-acinzentados brilhavam satisfeitos. Ele havia faturado muito dinheiro aquela noite. O homem então devolve o olhar e abaixa meu braço.
— Meus parabéns. — Fala Kai, dando um riso anasalado. — Confesso que em algum momento, passei a duvidar de sua capacidade. Achei que estivesse enferrujado, mas você realmente venceu a luta.
Aproximo-me de Kai, lentamente. O homem parece um pouco intimidado e até mesmo dar alguns passos para trás. Naquele momento, eu estava furioso e usava todo o meu autocontrole para não destruir seu rosto. Kai parece pronto para chamar um de seus capangas, mas eu pressiono seu pescoço, paralisando-o.
— Da próxima vez que você armar para mim no ringue, eu vou acabar com você com as minhas próprias mãos, você entendeu, Malachai Parker? — Questiono e ele murmura alguma coisa. Pressiono mais ainda sua traqueia, fazendo com que ele abrisse a boca em busca de ar, enquanto aperta meu punho. — Responde! Você entendeu?
— Sim. — Sussurra, balançando a cabeça freneticamente.
Solto o homem, que tossi e leva as mãos ao pescoço, procurando o ar. Quando estou prestes a falar, reconheço olhos castanhos brilhantes em meio a multidão que se empurrava e gritava em busca de seus lucros. Ela tentava se afastar da confusão que havia se formado, com pessoas indo e vindo em todas as direções.
— Eu vou embora agora. Aproveita os seus lucros da noite. — Aviso, dando as costas para Kai. Eu precisava tirá-la daquele lugar o mais rápido possível.
— Espere! — Kai agarra meu ombro, mas me solta ao receber o meu olhar ameaçador. — E o seu prêmio.
— Pode ficar para você. Agora, eu tenho um assunto mais importante para cuidar. — Afirmo, voltando a me afastar de Kai, ignorando seus chamados.
Meus olhos se focam em Elena mais uma vez. Pulo do ringue e vou para o meio da multidão. Eu nem mesmo me importava mais com os machucados em meu corpo. Ao notarem minha presença, as pessoas começam a se aproximar de mim, parabenizando-me pela luta. Afasto todos com meus braços e lanço meu olhar ameaçador.
Enquanto adentro a multidão, as pessoas vão abrindo caminho, encarando-me, apavoradas. Meu rosto estava dormente e quente, provavelmente banhado em sangue. Passo o punho em meu nariz e estremeço de dor, mas eu continuo em frente, tentando alcançar Elena. Assim que estou próximo o bastante, puxo-a pelo braço. Ela tropeça em meio ao tumulto e se choca contra meu peito, arfando ao encontrar meus olhos.
— Damon! — Exclama, surpresa.
— O que você está fazendo aqui? — Pergunto, furioso, pressionando-a mais contra mim, tentando protegê-la das brigas que sempre ocorrem ao fim de um combate.
A situação sempre saía do controle. Já perdi as contas de quantas histórias ouvi de pessoas que foram mortas sendo pisoteadas ou esfaqueadas pelos malditos que iam para as lutas apenas para arrumar encrenca. Definitivamente, aquele era o último lugar que Elena deveria estar.
— Sou eu quem deveria...
— Você não deveria estar aqui. — Afirmo, interrompendo a garota, que me lança um olhar repreendedor. Olho em volta, tentando achar uma forma de encontrar a saída do galpão das lutas do Octógono.
— Olha só o seu estado! — Exclama Elena, encarando-me com preocupação. Ela leva a mão ao meu rosto, assustada. Afasto-me, surpreso pela corrente elétrica que percorre meu corpo ao ter sua delicada mão acariciando minha bochecha machucada. Nossos olhos se encontram e há um magnetismo único entre nós, que me causava arrepios. — Damon...
Um estouro que parecia um tiro nos faz sobressaltar, despertando-nos daquela bolha em que estivemos pelo que pareceu ser um longo tempo. A multidão começa a correr e logo mais daquele som se faz presente. Uma briga em larga escala se inicia e a confusão se torna ainda mais intensa com uma parte do público fugindo da confusão e outra parte se envolvendo em combates com desconhecidos.
Procurando tirar Elena ilesa daquele lugar, olho em volta de nós, em busca de uma solução. Ela não conseguiria se mover entre aquela multidão. Além disso, se Elena se perdesse em meio a multidão, eu dificilmente a encontraria. Assim, abaixo meu tronco e abraço a cintura fina da garota. Sem aviso prévio, eu a ergo, colocando-a sobre meu ombro.
— Damon! Me coloca no chão! — Grita a garota, debatendo-se. Arfo, sentindo meus ferimentos latejarem ao ter seus cotovelos se chocando com a minha cabeça, enquanto ela batia em minhas costas. Ignoro suas ordens e apenas apresso meu passo em direção aos fundos do galpão, onde meu carro estava estacionado. — Damon! Para!
Depois de muito empurrar e desviar de pessoas que se atracavam sem nenhum motivo aparente, enquanto Elena continuava a exigir que eu a colocasse no chão, eu finalmente consigo chegar na porta escondida que levava aos fundos do galpão. Abro-a e assim que entro com Elena, não demoro a fechá-la.
— Será que agora dá para me colocar no chão? — Ironiza Elena, irritada. Bufo, cansado e a desço de meu ombro.
Apoio meu corpo na porta e deslizo por ela, tentando recuperar meu fôlego. Elena olha em volta, observando cada detalhe do local, que era iluminado apenas pela lua cheia que brilhava majestosa no céu. A garota foca seus olhos nos meus e analisa meu rosto, preocupada. Ela parece procurar por alguma coisa e suspira frustrada. Encaro-a confuso e me surpreendo ainda mais quando ela começa a tirar a blusa que usava.
— Que droga você está fazendo, Elena? — Questiono, chocado ao ver a garota revelar seu sutiã preto. Ela se abaixa, ficando muito mais próxima do que deveria de mim.
— Você está com um corte que não para de sangrar na bochecha. Precisamos estancá-lo. — Responde, como se fosse óbvio.
— E para isso você precisa ficar pelada? — Indago, encarando-a incrédulo.
— Eu não estou pelada. Apenas estou sem blusa. Além disso, você está vendo algum outro pano por aqui que possa ser usado para estancar seu ferimento? — Retruca, parecendo um pouco sem graça, mas não perdendo a determinação. Ela aproxima a blusa do meu rosto, mas eu seguro o seu pulso antes que ela sujasse a peça de roupa.
— Vista-se. — Resmungo, retirando minha camiseta regata, que já estava toda manchada de sangue. Elena examina todo o meu corpo em silêncio, parecendo perdida em pensamento. O clima estava começando a ficar estranho. Seus olhos possuíam um brilho intenso e suas pupilas estavam dilatadas. Nossas respiração se tornam pesadas. Engulo em seco e preciso fazer um grande esforço para desviar o olhar, enquanto pressionava minha camiseta contra o corte que o babaca do Adam havia feito com os socos ingleses de suas luvas.
Elena parece despertar de seus pensamentos e, para o meu alívio, volta a vestir a blusa. Um silêncio constrangedor se faz presente. Ao longe, ainda era possível ouvir a confusão que ocorria no galpão. De repente, o celular de Elena começa a tocar, atraindo nossa atenção. A garota o tira do bolso e arregala os olhos ao olhar o nome brilhando na tela.
— Quem é? — Pergunto, estranhando sua reação.
— Oliver. — Revela, atendendo a ligação. — Oi Oli...
— Onde você se meteu, Elena? Qual parte do não saia de perto de mim você não entendeu? Que droga! Você está ferida? Onde você está agora? — Ouço meu melhor amigo gritar, mesmo que a ligação não estivesse no viva-voz. Elena se encolhe e eu a encaro, esperando explicações.
— Eu estou bem. Damon me tirou do galpão quando a confusão começou. E você? Onde está? E as garotas? — Questiona Elena, preocupada.
— Garotas? De quem você está falando? — Pergunto, alarmado.
Elena desvia o olhar e isso é o bastante para saber que ela havia feito merda. A conversa se torna mais baixa, então não consigo ouvir o que Oliver dizia a Elena, mas ela parecia aliviada. Ela volta a me encarar e parece pensar por alguns instantes.
— Tudo bem. Poderia levá-las para casa no carro do Damon? Ele não está em condições de dirigir. — Ela espera a resposta de meu melhor amigo e dá um fraco sorriso. — O carro dele está nos fundos do galpão. Não se preocupe. Eles não estão em casa. Minha mãe foi com tio Giuseppe visitar a minha avó e irão voltar apenas amanhã à noite. Certo. Está bem. Nós iremos te esperar aqui. Obrigada, Oliver.
— De que garotas você estava falando? — Repito minha pergunta, assim que ela encerra a ligação. Elena guarda o celular no bolso da calça e se levanta, parecendo fugir da pergunta. — Elena!
— Cait, Caroline, Ally e Mal. — Responde à contragosto.
— O quê? Você trouxe duas adolescentes, Cait e Caroline para o Octógono? — Questiono, exasperado. Travo os dentes ao sentir as dores dos cortes em meu rosto. — Você enlouqueceu de vez, Elena? O que deu na sua cabeça de aparecer por aqui e ainda trazer as garotas?
— Eu não queria! — Retruca, frustrada. — Eu nem mesmo sabia para onde estávamos vindo. Apenas te seguimos e viemos parar aqui sem nem mesmo saber do que se tratava. A única coisa que eu sabia é que você estava encrencado.
— Você me seguiu? — Indago, incrédulo. Ela desvia o olhar, incomodada. — Por que você me seguiu? E quem disse que eu estava encrencado?
— Eu vi o Kai te ameaçando na avenida das noivas no dia em que saímos para planejar o casamento. Eu ouvi a conversa de vocês e não foi muito difícil entender que você estava envolvido em algo perigoso. Ele disse que esperava te encontrar na sexta-feira seguinte. Como você tem fugido de mim a semana inteira, a única solução que eu encontrei foi te seguir. Eu contei para as meninas sobre o que ouvi e...
— Você contou? Droga, Elena! Você por acaso tem merda na cabeça? Envolveu ainda mais pessoas inocentes nessa história? — Estremeço ao pensar o quanto essa situação estava começando a ficar ainda mais complicada.
— Elas são de confiança e sabem guardar segredos. Eu tenho certeza de que não vão contar para ninguém. E eu esperava que elas me ajudassem a descobrir no que você estava envolvido e não em trazê-las para cá. — Continua encarando-me com um semblante culpado.
— Será que você não percebe o verdadeiro problema aqui? — Levanto-me do chão, irritado com a ingenuidade da garota. — A questão não é confiança e nem se elas vão guardar segredos ou não. Muitas pessoas perigosas estão de olho em mim. Você praticamente contou para todos quem são as pessoas com quem me preocupo. Essa gente vai começar a ir atrás delas e de todos que estão envolvidos comigo até que seja tarde mais para que eu me torne a marionete deles. Mas mais do que isso, você acabou de colocar um enorme alvo na sua cabeça!
— O que você queria que eu fizesse? Eu...
— Que você ficasse longe! Eu te disse para não se meter, para que me deixasse em paz! Por que você tem que ser tão teimosa? Que merda! — Interrompo a garota, irritado.
— Se coloca em meu lugar, Damon! Você um dia chega em casa, completamente machucado, no outro eu vejo você sendo ameaçado sob a mira da arma de um homem perigoso. Durante toda essa semana você tem me evitado. O que teria feito em meu lugar? — Indaga Elena com a voz elevada. Ela parecia fazer força para não chorar. — Você quase morreu essa noite, Damon!
— Eu... — Começo, mas as palavras se perdem em minha garganta ao ver as lágrimas descerem silenciosas e intensas pelo bonito rosto de Elena. Seus olhos expressavam toda a angústia que ela sentia naquele momento.
— Por que está fazendo isso? Por que está participando de lutas clandestinas? — Questiona Elena, aproximando-se de mim. — Por favor, me fala a verdade. Me diz de uma vez por todas o que está acontecendo.
Permaneço em silêncio por alguns instantes. Eu não queria envolver Elena ainda mais em toda a confusão que está a minha vida. Ao mesmo tempo, eu odiava ver seus olhos exibirem aquele brilho melancólico e desesperado com o qual ela me encarava. Eu me encontrava dividido sobre o que deveria fazer.
— Damon... — Elena insiste, soando ainda mais desesperada.
— Tudo bem. — Concordo, contrariado. No fim, eu sabia que ela não desistiria até conseguir o que queria de mim. Ela é uma Barton, no fim das contas. Elena suspira aliviada. Suspiro e noto Oliver se aproximando com as garotas pela lateral do ginásio. – Em casa, nós conversamos.
— Por que não me conta ago...?
— É uma longa história. – Interrompo Elena, observando Caroline, Cait, Ally e Mal correrem em nossa direção, enquanto Oliver vinha logo atrás. Trocamos olhares por alguns instantes e ela suspira, concordando. – Ótimo. Agora vamos. A noite apenas começou.
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