ROMANCES MENSAIS

LIVRO VII – CASAMENTO DE JULHO

CAPÍTULO VI — EXPULSOS

Era só uma questão de tempo até que Elena conseguisse me enlouquecer por completo. Depois de quase duas horas para fazermos a primeira lista de convidados — como ela havia feito questão de destacar -, a me fazer andar horas no centro de Hawkins em inúmeras lojas de decoração, aluguel de roupas, salões de festa, empresas de fotografia e filmagem, salões de beleza, empresas de estrutura e iluminação, empresas de serviço de alimentação e bebidas, e inúmeros outros detalhes que pareciam mais não ter fim.

E o pior de tudo isso é que no fim, não decidimos nada ou quase nada. Como o sonho de tia Isobel era se casar em uma chácara, eu resolvi ceder essa parte. Eu achava muito mais fácil realizar o casamento em nossa mansão mesmo ou em uma das inúmeras casas de tio Clint. O problema é que meu pai disse que preferia que o casamento fosse feito em um local que não pudesse expor a nossa família e riquezas. Ele acreditava que seria muito mais seguro para todos que a cerimônia fosse realizada em um local desconhecido.

Nós não conseguíamos chegar a um acordo. Inclusive, nós estávamos agora mesmo em uma empresa especializada em locais para a celebração de casamentos e festas. A mulher nos encarava preocupada, parecendo não saber como lidar com nossa discussão. Mesmo tendo em mente o estilo de de casamento que iríamos realizar, nossas ideias eram completamente opostas. Enquanto eu queria uma cerimônia mais simples e sem muitas frescuras, Elena insistia que tudo deveria ser como em um conto de fadas, completamente romântico.

— Que droga, Damon! Como você consegue ser tão teimoso. É lógico que essa chácara é melhor. Veja os detalhes! Ela é muito mais romântica e espaçosa. Será muito mais bonita a cerimônia. — Argumenta Elena, pegando o portfólio que estava sobre a mesa para mostrar a chácara que ela mais havia gostado. — É como se fosse um castelo!

— Essa chácara fica distante demais da cidade e vai dar muito mais trabalho para decorar, Elena. Você esqueceu que nós só temos três meses para organizar esse casamento? Essa chácara é muito melhor! Ela é simples, tem uma excelente localização e não precisamos nos preocupar com a decoração, porque ela já é oferecida nela. Só um louco não gostaria de se casar em um lugar como esse. — Retruco, mostrando a foto da chácara que eu mais havia gostado.

— Ela não tem nada demais. Eu não vou deixar minha mãe se casar em um lugar que mais parece uma madeireira abandonada. — Resmunga Elena, contrariada.

— Isso se chama decoração rústica. Muito melhor do que essa casa de boneca cheia de frufru. Eu definitivamente não vou deixar meu pai se casar em um lugar tão idiota como esse. Tenha mais senso do ridículo, Elena. — Respondo, irritado com a falta de noção de Elena. A garota grita frustrada e ameaça vir para cima de mim.

— Senhores, por favor. Vamos manter a calma. — Pede a Sra. Teodora, encarado-nos assustada. — Vocês precisam manter a compostura. Vocês são irmãos...

— Não somos irmãos! — Gritamos ao mesmo tempo, fazendo a mulher de cabelos brancos, baixinha e de óculos de lentes grossas nos olhar com os olhos arregalados.

— Mas seus... seus pais... eles vão se casar. — Gagueja a dona da loja, amedrontada pelo nosso comportamento.

— E por causa disso nós automaticamente nos tornamos irmãos? — Ironizo, impaciente.

— Bom... — Inicia a mulher, mas Elena a interrompe.

— Eu prefiro engoli facas e andar sobre o fogo do que considerar esse energúmeno meu irmão. — Retruca Elena, lançando um olhar fulminante.

— Energúmeno? — Rio com escárnio. — Falou a fragmentada, que uma hora grita que me odeia e na outra está falando para as pessoas que é a minha noiva.

— Eu já disse que eu fiz isso para você aprender a assumir suas responsabilidades! — Exclama Elena, furiosa.

— Assumir minhas responsabilidades? Você só pode estar louca! — Acuso, levantando-me da cadeira para encará-la. — Eu deveria chamar o manicômio para te internar?

— Não. Mas se você não calar a boca, eu acho melhor você ligar para uma ambulância, porque eu vou deixar essa sua cara ridícula completamente deformada. — Responde Elena com aquele olhar dela psicopata.

— Eu quero ver você tentar. — Retruco no mesmo tom, encarando-a em desafio.

— Ah, é mesmo? Então...

— Já chega! — Grita a Sra. Teodora com o rosto completamente vermelho de raiva. — Saiam já da minha loja!

— Está nos expulsando? — Pergunto, incrédulo.

— Sim. Eu estou! Eu não aguento mais vocês e suas discussões. Já estão nessa loja há mais de uma hora e tudo o que fizeram até agora foi gritar, espantar meus outros clientes e me enlouquecer com suas exigências estranhas e falta de acordo. Dinheiro nenhum paga a minha saúde mental! Nesses quarenta anos de profissão, eu já atendi pessoas difíceis, mas vocês são impossíveis! Saiam! Saiam já daqui! — Responde a senhora, tremendo de raiva.

— Mas Sra. Teodora, nós...

— Saiam! — Grita a mulher mais uma vez, impedindo que a Elena argumentasse.

Sem escolha, pegamos nossas coisas e deixamos a loja sob os olhares julgadores e repreendedores dos clientes e funcionários. Suspiro frustrado e ando o mais rápido possível para fora do estabelecimento, envergonhado demais para encarar alguém. Essa já era a quarta vez somente naquele dia que éramos expulsos por sermos "impossíveis de lidar" como os proprietários das empresas nos descreviam.

— Isso é tudo culpa sua! — Acusa Elena, assim que saímos da loja, socando minhas costas algumas vezes.

— Minha? É você que é desequilibrada demais para se controlar! Quando vai aprender a se comportar como uma dama? — Questiono, irritado. Ela me bate mais algumas vezes e eu me viro furioso para ela. — E será que dá para você parar de me bater?

— Por que você tem que ser tão estúpido? — Grita Elena, chamando a atenção de todos que passavam próximos de nós. O sol já estava se pondo e muitas pessoas passavam pelo centro, voltando para suas casas. — Você deveria aprender a ser um cavalheiro como o Stefan.

— Ah, pelo amor de Deus. Cala a boca! Você parece que tem um ânus no lugar na boca para expelir tanta merda toda vez que fala. — Respondo, sem acreditar que ela estava mesmo me comparando com o babaca do Stefan.

— Quer saber? Eu vou embora antes que eu cometa um assassinato! — Grita Elena, colérica, enquanto marcha a passos largos na direção contrária em que íamos.

— Você está indo na direção errada, acéfala! — Aviso, mas ela não me escuta e continua a marchar bruscamente pela multidão que tentava se locomover em meio ao tumulto do horário. Bufo e decido ir embora. — Ela que se vire para se lembrar que o carro dela está estacionado do outro lado. Não mandei ser tão imbecil.

Continuo a andar em meio a mar de pessoas que se espremiam pela estreita calçada, furioso e frustrado por ter tido um dia tão amaldiçoado. Eu não via a hora de chegar na Isle of the Lost para extravasar toda essa fúria dentro de mim em alguns sacos de pancada. No entanto, enquanto passava pelas pessoas, começo a me sentir um pouco... incomodado.

E se a idiota da Elena se meter em problemas no meio de tantas pessoas? Ela perde completamente a razão quando está com raiva e acaba fazendo ainda mais merda. Sem contar que Elena também é uma Barton. Nós sempre estamos propícios a nos envolver em encrenca. Grunho, sem acreditar que eu estava mesmo me importando tanto com o paradeiro de Elena e que estava mesmo cogitando voltar para procurar a irritante garota.

Bufo e pego meu celular para tentar ligar para a idiota e avisar que ela deveria volta. Disco o número que por algum motivo era um dos poucos que sabia de cor e levanto a cabeça para levar o aparelho ao ouvido. No entanto, paraliso ao encontrar os olhos azuis-cinzentos de Malachai Parker sobre mim e seus lábios sorrindo como se fossemos grandes amigos.

— O que você está fazendo aqui? — Questiono a pessoa que tem tornado minha vida um verdadeiro inferno há sete anos. — O que você quer, Kai?

— Isso é jeito de falar com seu amigo do coração, Damon? — Pergunta o homem, esboçando finalmente seu sorriso perigoso. — Sabe, Damon, eu não fiquei feliz com o que você fez com os meus homens, principalmente, com o meu adorável Ceifador. Ele iria lutar amanhã e você fez questão de quebrar os dois braços dele e deslocar o joelho dele. Eu achei que tivesse deixado bem claro que você não poderia machucar os meus lutadores, Damon, ou acabaria tendo que enfrentar graves consequências.

— Então mande seus homens ficarem longe de mim. — Respondo, não me intimidando com o olhar sombrio do perigoso homem. — Eu não sou sua marionete, Kai.

— Por que você sempre tem que complicar as coisas? — Resmunga Kai, parecendo insatisfeito. Ele estala a língua e se aproxima mais de mim. De repente, sinto sua mão em meu queixo e o cano de sua arma contra minha barriga. Não desvio o olhar do dele e minha atitude atrevida parece deixar o homem ainda mais irritado, pois sinto sua arma ser pressionada com ainda mais intensidade contra mim. — Não tente bancar o valente comigo, Damon. Eu posso acabar com você com apenas um estalar de dedos.

— Eu não tenho medo de você, Kai. — Respondo, puxando meu rosto para me desvencilhar dele.

Se fosse em outro momento, eu provavelmente estaria mais cauteloso, mas naquele momento, eu estava furioso. Meu dia havia sido uma droga. Primeiro eu tive que lidar com Elena de madrugada depois de ter me machucado dando uma surra nos capangas babacas de Kai, não dormi nada a noite toda, tive as piores aulas da semana, encontrei o idiota do Stefan, perdi a chance de dormir com a contorcionista que demorei um mês para convencer a sair comigo por causa da louca da Elena, fui obrigado a andar o dia inteiro em mais de dez lojas para fazer orçamentos, sendo expulso de quatro dessas e agora Kai resolve aparecer para tornar meu dia ainda pior.

Eu estou exausto. Exausto e com fome. Muita fome. Então eu estava pouco me importando com o psicopata do Kai. Na verdade, eu estava muito perto de dar o meu soco mais forte na cara desse babaca para descontar nele toda a raiva que eu estava planejando extravasar nos sacos de pancadas da Isle of the Lost. Eu nem mesmo me importava com a arma que ele pressionava contra meu corpo. Ele precisa de mim. Sem que eu esteja em meu melhor estado, ele jamais poderá ganhar todo o dinheiro que planeja em minha luta com o Cachorro Louco.

— Mas deveria ter. — Ameaça o homem, erguendo a arma até meu queixo. — Eu fiquei sabendo que Giuseppe Salvatore se casou com Isobel Flemming em Las Vegas, mas que irão realizar uma cerimônia para oficializar os votos. Seria uma pena se uma tragédia acontecesse durante a festa, você não acha? Já imaginou se a noiva sofre um acidente fatal de carro? Você seria responsável pela morte de mais uma esposa de seu pai. Ou quem sabe um dos ex-namorados de sua adorável madrasta não resolva descontar a raiva e toda a fúria dele por ter se casado com Isobel em seu pai e ele acabe com vários tiros de fuzil na cabeça? Ou já imaginou se uma bomba explode durante a cerimônia de casamento e ela se torne uma verdadeira carnificina? Ou não sei. Talvez... sua querida irmã, Elena Gilbert, acabe sendo vítima de um traficante de mulheres e acabe a tornando o objeto se...

— Se você encostar um dedo sequer em um fio de cabelo de qualquer membro da minha família, eu vou te perseguir até o inferno se for preciso para te matar com as minhas próprias mãos, Malachai. — Respondo, sentindo uma enorme fúria dentro de mim. Vejo Kai se intimidar por alguns instantes, antes de exibir sua expressão indiferente. — Não me teste, Kai. Eu concordei em voltar, mas eu não sou o mesmo garotinho ingênuo de antes. Eu tenho muito mais conhecimento, força e contatos do que você imagina. Você não é o único que pode destruir a vida de alguém com um estalar de dedos.

— Tão frio. — Comenta Kai, afastando-se de mim com um sorriso irônico, enquanto guarda sua arma. Ele suspira e balança a cabeça em seu teatro de que estava decepcionado com o meu comportamento. O maldito levanta o rosto e me encara com um sorriso irônico. — Nos vemos no lugar de sempre na sexta-feira que vem. Não se atrase e não ouse perder.

— Eu vou ganhar essa luta. Custe o que custar. — Afirmo, determinado. — Agora vaza.

— Até mais, doce Damon. — Kai sorri falsamente e acena em despedida, antes de desaparecer em meio a multidão.

Suspiro, sentindo a adrenalina percorrer todas as veias de meu corpo. Kai havia me lembrado mais uma vez o motivo de precisar me afastar de Elena. Em apenas um passeio idiota durante uma tarde, o maldito psicopata descobriu sobre o casamento de meu pai e a identidade de todos os membros de minha família. É perigoso demais ficar perto de mim.

— Sai do caminho. — A voz irritada de Elena, desperta-me de meus pensamentos. Viro-me para encarar a garota de olhos castanhos intensos. — Está esperando o quê? Você está atrapalhando a passagem. Ou sai do meio da calçada ou anda de uma vez por todas.

— Ora, ora. Vejam só, se não é a Sra. Assassina? — Ironizo e ela me mostra o dedo no meio, enquanto passa por mim.

— Cala a boca, babaca. — Resmunga, indo em direção ao estacionamento onde havíamos deixado nossos carros.

Dou um riso anasalado, observado Elena marchar furiosa, antes de segui-la. E enquanto desvio da multidão, sempre mantendo uma distância segura de Elena, meu coração ainda se sente apertado. Agora, mais do que nunca, eu preciso ganhar. É a vida da minha família e de Elena que está em risco. Eu jamais me perdoaria se alguma coisa acontecesse a eles.

Notas finais
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